If I die Young (REESCREVENDO)
4 Young people fall in love with wrong people sometimes
Notas iniciais
Falar que as coisas haviam voltado ao normal seria o eufemismo do ano. Mas era como sua família estava agindo. Depois de ver o quão bem – o que não chegava a ser uma mentira, mas estava longe de ser totalmente verdade — Lily estava indo em voltar ao trabalho e as atividades normais, Ginny resolvera que era hora de dar um rumo à sua vida.
Duas semanas após a volta da rotina familiar de sempre, era quase como se todos tivessem feito um acordo silencioso. James estava apenas fazendo uma longa viagem, tudo estava bem. Esses momentos utópicos eram mantidos apenas quando a família resolvia se reunir. Ao ficarem sozinhos, cada um voltava para a comum melancolia.
Lily passava a maior parte do seu tempo livre se informando de tudo o que havia perdido nos dias em que se afastou do mundo. Tentava manter sua cabeça sempre cheia, na esperança que esquecesse que, debaixo daquele teto, sua família se despedaçava cada vez mais. Vez ou outra, enquanto passeava por sites de notícias locais, trombava com alguma matéria sobre seu irmão.
A morte de James foi como um prato cheio para a imprensa local. Seus pais, como pessoas conhecidas, foram alvo de diversas tentativas de entrevistas exclusivas. Matérias sobre memoriais criados por alunos e amigos de James, entrevistas com seus amigos de NY. Toda a dor dos Potter estampada na primeira página da maioria dos jornais. Lily leu cada palavra que foi escrita, mas resistiu à tentação de ir atrás do que o The Daily Telegraph publicara.
Seus colegas de trabalho, apesar de se mostrarem curiosos sobre tudo o que o que acontecia sobre o teto dos Potter nas últimas semanas, tiveram a gentileza de não direcionar a Lily perguntas que poderiam de algum modo lhe causar desconforto. Por algum tempo, passou a se perguntar se o Sr. Lupin tinha algo a ver com isso.
Apesar de estar disposta a esquecer a sua melancolia e focar na vida que
merecia viver, sua cabeça parecia lhe puxar para momento que passou ao lado
do irmão. Sua maior válvula de escape para isso era Scorpius e, mesmo que Lily achasse egoísmo sumir da sua vida por semanas e depois voltar como se nada tivesse acontecido, ele fazia questão de ajudá-la a deixar de lado toda e qualquer lembrança que a distraísse do mundo real.
Infelizmente, o que para falar a verdade foi um alívio para a consciência perturbada de Lily que constantemente a lembrava da empecilho que ela era na vida do rapaz, Scorpius teve que acompanhar a avó em uma viagem para o norte do país durante um fim de semana. Coincidentemente, os pais escolheram o mesmo fim de semana para se afundar no trabalho, Matteo estava ocupado com o aniversário de namoro e Albus não aparecia em casa havia uma semana.
Decidida a se afastar do mundo real pelo fim de semana, desligou o notebook que jazia na escrivaninha embaixo da janela e o guardou na primeira gaveta da cômoda, só para garantir que ele ficasse longe de seus olhos curiosos e ansiosos. Seguiu seu caminho até a escada, detestando o quão grande e silenciosa aquela casa parecia. Desejou, pela primeira vez desde os quinze anos, ter ao menos um cachorro para lhe fazer companhia.
A meia luz que vinha da grande janela sobre a pia criava uma atmosfera incômoda para Lily, fazendo com que a mesma fechasse todas as cortinas — mesmo que o sol ainda brilhasse um pouco do lado de fora — e ligasse a televisão, numa falha tentativa de se sentir menos sozinha. Remexeu nos armários por alguns minutos, decidindo o que cozinhar pelo tempo que demoraria.
Ela não se lembrava a última vez que deixou de se preocupar com todos ao seu redor e cuidou dela mesma, e a ideia de que talvez esse momento nunca tenha acontecido a incomodou mais do que se era esperado. Iria aproveitar um dos raros momentos que tinha sozinha para relaxar e cozinhar algo legal para si mesmo, um jantar à luz de velas acompanhado de uma música de fundo e um bom vinho. Uma pequena recompensa pela semana pesada que teve na redação.
Quando era pequena, conseguia se ver como uma adulta feliz e resolvida
fazendo algum prato complicado como os de sua avó, enquanto tomava uma boa taça de vinho. Lily não era muito boa com receitas complicadas, mas tinha diversos vinhos para acompanhar suas falhas tentativas de cozinhar algo aceitável.
Já estava na segunda taça, mesmo que o macarrão que havia escolhido para o jantar ainda estivesse no pacote, quando ouviu o barulho suave da campainha. Mesmo que uma parte de sua mente, a parte totalmente dependente de companhia, torcesse para que seus pais ou irmão tivesse chego em casa, ela rezava baixinho para que continuasse sozinha por mais dois dias inteiros.
Ao abrir a porta sua visão foi tomada por uma mulher alta e de pele negra, seus cachos volumosos antes brilhantes, estavam presos e sem vida. Seu rosto, Lily lembrava estar sempre radiante e confiante, trazia uma expressão triste e constrangida e com grandes olheiras. Violett McNair não se parecia nada com a garota que anos atrás posava sorridente ao lado de James no dia do noivado.
Ela tinha visto a mulher de relance no dia do funeral do irmão e só agora
parecia ter notado que sua mente havia apagado a existência, e possível dor,
de qualquer um que não morasse em sua casa.
— Violett, eu...faz tanto tempo – ela de embolou nas palavras enquanto abria a porta. – Entra...poxa, eu não te vejo desde...- a expressão no rosto da
mulher caiu mais, se é que era possível, e Lily mudou de assunto rapidamente. – Estou fazendo o jantar, gostaria de ficar?
O olhar da inesperada visitante corria por toda a extensão da sala e cozinha, parando sempre que achava algo que remetesse a James. Ela esperou alguns minutos até que ela pudesse olhar tudo ao redor, não pode deixar de notar a caixa que Violett trazia nos braços. Era média e cheia de objetos conhecidos pela ruiva. Coisas do James.
— Eu só vim deixar essas coisas com você – estendeu a caixa em direção a Lily, depois de terminar a rápida inspeção pelo térreo da casa. — Achei que vocês fossem querer alguma dessas coisas de volta...
A caixa em seus braços pesava, como numa tentativa de levar abaixo tudo o que Lily tinha se esforçado para levantar nos últimos tempos. Se apressou a colocá-la na bancada da cozinha. Em silêncio, deu a volta até o lugar que havia descansado sua taça de vinho, agora vazia. Pegou outra do armário debaixo da bancada e se pôs a encher as duas.
Entendendo o que a ruiva estava fazendo, Violett se aproximou hesitante. Ainda em silêncio, e agora ela desejou que a música de fundo que havia posto parasse, ela ofereceu a taça para a mulher parada na sua frente. Acostumada a vê-la sempre tão bem vestida, se obrigou a disfarçar a surpresa ao ver as calças largas e gastas sendo acompanhadas por um grande moletom
vermelho. Engolindo o grande monstro que havia despertado em seu estômago, tomou um golinho de seu vinho antes de se dirigir à Violett.
— Como...você tem estado? -seu ódio por essa pergunta que lhe foi dirigida vezes de mais desde a morte do irmão não foi o bastante para fazê-la se sentir mal ao perguntar isso para a figura bebericando o vinho na sua frente.
— Já tive dias melhores. – A fala vez o estômago de Lily revirar e sua visão começou a ficar vermelha. Largou a taça na bancada e deu as costas para Violett com o pretexto de começar o jantar, mesmo que esse já tivesse sido arruinado.
O silêncio que se instalou entre as duas foi constrangedor e incômodo. Violett tomo mais um golinho de seu vinho antes de apoiar a taça junto a da outra moça e se aproximar das costas da ruiva, que cortava tomates com mais
violência do que era necessário, fazendo a faca retinir alto quando encontrava a tábua de cortar.
— Lily, eu...-tentou encostar em seu ombro mas a mesma pulou para o lado. – Eu juro que...
— Me disse que ia acabar com aquilo, pelo bem de todos – notou que as lágrimas que esteve tentando segurar começaram a descer lentamente pelo seu rosto. – Sabia que era errado, os dois sabiam. Guardei esse segredo pelos dois por que não queria ver ninguém machucado. Me disse que ia acabar com isso!
— E eu ia, eu...eu acabei – o período de luto havia levado embora o brilho
dourado dos olhos de Violett, e olhando mais de perto, talvez tenha levado tudo o que tinha de mais bonito nela. – Eu juro, nós tínhamos terminado. Mas ele...ele apareceu na minha porta em uma noite e....foi a nossa despedida...
— Meu deus, vocês são nojentos – soltou a faca que não notou que ainda estava segurando com um estrépito e se afastou mais alguns passos da mulher.
— Me escuta – implorou enquanto chegava mais perto. – Nós tínhamos terminado, mas ele apareceu na minha porta numa noite e....nós ficamos juntos por mais uma noite. Mas aí...
Sua fala foi morrendo aos poucos e lágrimas foram caindo rapidamente por seu rosto. Abraçou seu próprio corpo e deu um passo para trás, encostando as costas no balcão. Com o coração acelerado, Lily deu um passo à frente olhando curiosa e com raiva para Violett.
— Mas aí o quê?
A mulher virou o rosto para o outro lado enquanto se encolhia cada vez mais dentro do moletom.
— O que aconteceu, Violett? — insistiu dando mais um passo em direção a
mulher.
— James apareceu – A declaração não passou de um sussurro, mas para Lily foi como se alguém tivesse gritado em seu ouvido. – Foi na noite do acidente.
Seu coração parou e sua visão ficou turva. Tentava respirar fundo mas o ar não chegava aos seus pulmões. Era o início de um ataque de pânico. Violett não pareceu ter notado que havia algo de errado, pois continuou falando desesperadamente mesmo que a ruiva escutasse apenas alguns trechos desconexos.
— ...Voltou muito cedo...nós dois estávamos na cama...ele tinha a chave...começaram a gritar um com o outro...James pegou a chave e saiu...eu sinto muito...
— Vá embora – sussurrou com mão no peito, onde sentia uma forte dor. Violett não escutou. – VÁ EMBORA DA MINHA CASA!
O grito estridente rompeu por toda a casa. A mulher voltou seu olhar para a ruiva, notando que havia algo errado.
— Lily, o que está acontecendo? — tentou chegar perto mas foi impedida pelo braço estendido que a mantinha longe. – Lily...
— Por favor, Vio – implorou se escorando na parede. – Por favor, vai embora. Violett ficou parada com os olhos vidrados em nela por mais alguns minutos antes de se render e se dirigir à saída. Quando chegou até a porta, se virou.
— Achei uma caixinha de madeira dentro da mochila que ele deixou lá em casa no dia do acidente – uma lágrima escorreu lentamente até pousar em seus lábios carnudos e ressecados. – Ela está trancada e eu não achei a chave nas coisas dele, pensei que pudesse estar aqui. Enfim, ela está enrolada em um plástico bolha, parecia frágil.
Lily continuou em silêncio enquanto levava o olhar até a caixa e de volta para Violett. A mesma, notando que a ruiva não falaria mais nada, arrumou uma mecha de cabelo que caia em seus olhos e colocou a mão na maçaneta, pronta para sair.
O movimento fez com que a aliança de noivado brilhasse no dedo fino e comprido da mulher. Uma risada baixa saiu sem querer da sua boca, fazendo com que a mulher parada na porta voltasse seu corpo para o som.
As duas se encararam por vários segundos até Lily dar um passo à frente.
— Ainda usa a aliança que James te deu enquanto dorme com Albus?
— Depois daquela noite nós terminamos, Lily – retrucou Violett, cansada.
— E mesmo assim você continua usando as roupas dele? — ela olhou para baixo rapidamente, se perguntando como a ruiva sabia disso. – Eu dei esse moletom para ele.
Mais silêncio enquanto Violett lançava à ela um pedido de desculpas silencioso.
— Eu amei seu irmão.
— Qual dos dois? — respondeu baixando a guarda, cansada de toda aquela
conversa.
— Às vezes nos apaixonamos pela pessoa errada.
— Você não está apaixonada Vio, está apenas sofrendo.
Violett olhou para ela como se tivesse levado um tapa e logo depois saiu pela porta sem dizer uma palavra. Lily caiu sentada em uma cadeira, abandonando sua taça de vinho e bebendo direto da garrafa. Seria um longo fim de semana.
Fale com o autor