If I die Young (REESCREVENDO)
13 Insane, inside the danger gets me high
Notas iniciais
Os dois dias sucederam a tarde em que reviraram o quarto do irmão foram de total silêncio entre os dois, mas quando a noite de segunda-feira chegou, Albus bateu na porta do quarto da irmã avisando que estava de saída para a empresa.
— Disse para ele mais cedo que ia passar no seu restaurante favorito à noite e poderia aproveitar para dar uma carona após a reunião. – Ele disse enquanto colocava a jaqueta e checava as horas no celular. – Isso vai me dar um bom álibi se for pego em sua sala.
— Acha que vai funcionar? – Perguntou insegura.
— É a nossa melhor chance. — Lily concordou e, lhe desejou boa sorte, acompanhou os faróis do carro desaparecerem da janela de seu quarto.
Cansada de passar o dia olhando as paredes do quarto se levantou e, tomando todo o cuidado possível, se apoiou nas paredes da casa indo em direção a escada, levando cerca de dez minutos até que conseguisse pisar no andar de baixo. Respirando fundo e estralando o pescoço, ela se joga no sofá tirando o celular do bolso do agasalho que usava.
Já passava das 20 horas quando o barulho do alarme a despertou do estado distraído em que se encontrava. Ainda com dificuldade e pulando em apenas um pé, Lily foi o mais rápido pra cozinha na intenção de desligar o alarme que fazia seus ouvidos doerem. Após apertar um sequência de números o barulho cessou e as únicas coisas que pode ouvir foram o zunido em seu ouvido e o vento batendo na persiana da porta dos fundos. Franzindo o cenho ela se voltou para aquela direção notando a porta aberta.
Se apressou para fechá-la quando ouviu o som do seu telefone tocando na sala, provavelmente a empresa de segurança ligando para checar se tudo estava bem. Voltou pulando para a sala e atendeu o celular na quinta chamada.
— Olá, aqui é da Guard Security Sistems. – Uma voz feminina a saudou. – Vimos que seu alarme acabou de ser acionado. Poderia me dizer seu nome e o código de segurança?
— Lily Potter, 929395. – Respondeu com a respiração pesada, andando como podia pelo andar debaixo e checando as janelas e trancas das portas. – Olha, eu estou sozinha em casa e a porta dos fundos estava aberta.
— Tudo bem, preciso que você fique calma. – Disse com a voz mais apressada do que quando atendeu. – Temos uma patrulha a alguns metros de você e já estamos mandando eles para sua residência.
— Eu deveria esperar do lado de fora? – Perguntou olhando pelas frestas de uma das janelas, a rua parecia mais escura do que o normal e não havia nenhum sinal de movimentação.
— Não, você deve ficar onde está. A pessoa que tentou invadir provavelmente se assustou com o barulho do alarme e saiu.
— Tudo bem, — Sua respiração estava pesada e lágrimas começavam a se formar em seus olhos – Pode ficar comigo enquanto a patrulha não chega? – pressionou os dedos trêmulos na ponte do nariz e fechou os olhos com força, abrindo-os logo em seguida para garantir que sua casa ainda estava vazia. – Desculpa se eu estou parecendo desesperada, mas minha família e eu estamos passando por maus bocados.
— Fique calma, isso é normal. – Respondeu simpática e com um tom de voz suave, Lily pode escutar sua respiração calma do outro lado da linha. – Então, qual o motivo de estar em casa sozinha?
Lily saiu de perto da parede e recomeçou a andar pela sala e cozinha, ignorando a dor que sentia pelo esforço de caminhar com o gesso. Tirou o telefone do ouvido por alguns minutos para checar o horário, rezando para que Albus voltasse rápido.
— Esse é seu jeito de me distrair?
A risada que veio do outro lado da linha despertou algo no fundo da mente dela e fez com que os cabelos de sua nuca se arrepiassem.
— Bom, sim. – Respondeu suavemente, apesar de sua respiração parecer mais pesada, como se estivesse fazendo um grande esforço.
— Não está funcionando. – Retrucou com uma risada sem graça. — Quanto tempo até a patrulha chegar?
— Cerca de cinco minutos. – Foi possível ouvir uma movimentação do outro lado da linha e a voz distante e baixa da telefonista. – Ainda não respondeu a minha pergunta, falar ajuda em situações como esta.
Lily respirou junto e apertou o celular o mais forte que pode, tentando não entrar em pânico.
— Estou esperando meu pai e irmão voltarem para casa. Eu estava apenas esperando no sofá quando... – Sua voz foi morrendo aos poucos e seu corpo começou a tremer com a intensidade dos soluços. Se arrastou até estar sentada no chão e escondeu o rosto entre as pernas. – Me desculpe, estou cansada.
A respiração do outro lado da linha se acalmou antes de responder.
— Você parece cansada.
Ela paralisou no lugar antes de levantar a cabeça e notar que uma das janelas estava levemente aberta. Com dificuldade e sentindo uma forte dor na perna quebrada, ela se levantou e caminhou lentamente naquela direção.
— O que você disse? – Questionou em voz baixa.
— Você soa cansada. – Se corrigiu rapidamente, soltando uma risadinha nervosa.
Lily pegou um dos vasos de sua mãe numa estante próxima e foi até a janela aberta. Ela tinha checado aquele lugar antes e tinha certeza que a janela estava trancada. Com o coração quase saindo pela boca, perguntou;
— Por que a patrulha está demorando tanto?
— Eles já vão chegar. – Lily prendeu o celular entre a cabeça e o ombro e, ainda com o vaso na mão, se ocupou de fechar a janela. – A pergunta que deveria fazer é, — fez uma pausa onde sua voz mudou drasticamente – você acabou de me trancar para fora da casa ou para dentro?
Lily notou que tinha a respiração presa no momento em que sua cabeça deu uma pontada e uma lufada de ar sair ruidosamente da sua boca.
— Se você estiver nessa casa...
— O que? Vai me atacar com esse droga de vaso horrível? – A risada e a frase soaram tão familiares no fundo da sua mente.
— Quem é você? – Perguntou enquanto pulava de volta para a sala e olhava para a escada.
— Não tão fácil. – Riu friamente. – Vamos lá, Lily. No fundo você já sabe quem eu sou.
— Por que está fazendo isso? – Perguntou ofegante, com lágrimas escorrendo livremente. – Eu tenho seu número, vou passar para a polícia.
— Fique à vontade, tudo o que eles vão encontrar é o número da empresa. – Respondeu vagamente, parecia estar se mexendo. – Para alguém que vende sistemas de segurança, o deles é péssimo.
Ela sentia seu coração bater forte e sua cabeça dava pontadas a cada segundo. Lily se sentia exausta.
— O que você quer?
— Apenas jogar um pouquinho. – Respondeu com um tom de riso na voz. – Você resolveu se meter na morte do seu irmão e isso te rendeu apenas uma perna quebrada.
— Foi você quem...
— Já que quer continuar com isso, lide com as consequências da sua curiosidade, gatinha.
— O que ele fez pra você? – Questionou se aproximando cautelosamente da janela que outrora fora aberta.
— Esperta. – Riu alto enquanto parecia se mexer do outro lado. – Tudo começou com seu irmão, mas agora vai acabar com você. Durma bem.
O som da ligação sendo encerrada preencheu seu ouvido ao mesmo tempo que ela pode ver as luzes da patrulha brilharem na sua janela.
*
Lily estava enrolada em um cobertor na frente de sua casa, falando com um dos policiais que chegaram logo após a patrulha, quando seu pai e irmão chegaram.
— O que aconteceu? – Harry perguntou abraçando sua filha e segurando seu rosto entre as mãos. – Você está bem? O que é tudo isso?
— Alguém invadiu a casa. – Ela respondeu em um sussurro enquanto abraçava o pai. – Tinha alguém lá dentro e a patrulha não chegava.
— Levaram alguma coisa? – Albus perguntou se aproximando da irmã. – Fizeram algo com você?
— Não, — Olhou dentro dos olhos verdes do irmão, na esperança de que ele entendesse – acho que só queriam mexer comigo.
Os olhos de Albus escureceram e seus ombros se tornaram rígidos, ele havia entendido.
— Severus, leve sua irmã para dentro. – Harry pediu, depositando um beijo na testa da filha. – Preciso fazer algumas ligações e avisar sua mãe. Deixem que eu cuido de tudo por aqui.
Albus concordou com a cabeça e puxou Lily para dentro, deixando com que ela apoiasse todo seu peso sobre ele.
— Como essa coisa entrou aqui? – Perguntou baixinho quando pisaram no primeiro degrau da escada.
— Eu não faço ideia, mas não deve ter sido difícil já que também conseguiu invadir nossa empresa de segurança.
— Mas que porra? – Exclamou a soltando no meio da escada. Lily cambaleou para trás e xingou o irmão antes de dar-lhe um tapa na cabeça. – Desculpa. — Disse baixinho enquanto voltava a ajudá-la a subir as escadas. – Como conseguiu fazer isso?
— Eu não faço a mínima ideia, mas me fez ficar no telefone com ela por um bom tempo antes de se entregar.
— Ela?
— Era uma mulher no telefone. – Contou enquanto abria a porta do quarto, mesmo que sua mente gritasse que havia a deixado aberta. – Na verdade, eu passei a ligação toda com a sensação de conhecer a...
Lily parou ao encarar seu quarto. Seus livros estavam jogados no chão e a cama estava revirada. Seu tapete antes braco, agora carregava marcas de pegadas feitas com a terra do pequeno jardim que sua mãe cultivava. Algumas de suas roupas estavam espalhadas para fora do guarda-roupa e ela podia ver um de seus tênis amarrados no lustre.
— Conhecia o que....Puta merda! – Albus exclamou ao entrar no quarto revirado.
— Ela estava aqui. – Disse olhando para a janela aberta e a cortina rasgada balançando com o vento. – Ela estava aqui o tempo todo.
Fale com o autor