If I Would Have Known It Could Have Been You
8 #8 - Irmãos?
Notas iniciais
#8
Irmãos?
Mais uma manhã começava em New York. Uma manhã extremamente tranquila, a qual começou perfeitamente tanto para Kurt quanto para Blaine, que acordaram nos braços um do outro.
— Acho que a melhor coisa do mundo é acordar já sentindo o seu cheiro. – Blaine disse com a cabeça enfiada na curva do pescoço de Kurt.
— Na verdade existe uma maneira melhor, porque eu tenho a impressão de ter acordado nos braços de um anjo. – Blaine beijou a nuca de Kurt ao ouvir as palavras do namorado e sorriu grandemente. – É uma pena termos que levantar daqui, mas eu preciso apresentar o meu namorado para o meu pai.
— Ele simplesmente aceitou que eu fosse almoçar na casa dele com você? – Blaine perguntou preocupado. Ele não queria ver mais uma briga de Kurt com o pai.
— Sim. E ele disse que está ansioso para te conhecer. – Kurt fez uma pausa. – Por mais que ele tenha te visto naquele dia, aquilo não foi um, de fato, conhecer.
— Entendo. – Blaine riu.
Kurt rapidamente capturou os lábios de Blaine para si, mas, antes que algo a mais pudesse acontecer, ele parou o beijo e levantou, sendo seguido pelo namorado em seguida.
Os dois se arrumaram na maior calma do mundo, parando para trocar alguns beijos durante a troca de roupas.
Quando ambos estavam devidamente prontos, foram até o térreo do prédio onde Kurt morava e foram para o carro de Blaine, logo dando partida.
Blaine tremia enquanto dirigia e tal movimento repetido do moreno não foi desapercebido por Kurt, que apenas o encarava de canto de olho.
— Por que você aparenta estar tão nervoso? – O Hummel perguntou calmo, vendo Blaine se assustar bruscamente com a quebra de silêncio. – Não quis assustar você.
— Eu só... – Blaine se perdeu no meio de suas palavras. – Ninguém nunca me apresentou para alguém como namorado.
— Você é tão adorável. – Kurt disse com um sorriso enorme no rosto, se esticando levemente para beijar a bochecha do namorado. – Eu te amo e não importa se meu pai vai aprovar isso ou não. Nada vai nos separar.
— Nada mesmo? – Blaine precisava ouvir aquela resposta.
— E teria algo que poderia nos separar? – Perguntou o castanho, alisando o rosto do namorado, que agora dirigia mais tranquilamente, ouvindo as coordenadas do caminho dadas por Kurt. – Mas se isso te conforta... nada mesmo. Nada vai nos separar, eu prometo.
O restante do caminho seguiu tranquilamente, mas Blaine ainda possuía um nervosismo visível aos olhos de Kurt. O castanho queria confortar o namorado, mas havia algo estranho em tudo aquilo e ele tinha medo de simplesmente perguntar.
Quando eles finalmente chegaram a casa de Burt, entrelaçaram suas mãos e andaram sorridentes até a porta. Kurt tirou a chave do bolso e, antes de destrancar a mesma, foi puxado por Blaine.
— Você tem a chave da casa do seu pai? – Blaine perguntou confuso.
— Essa casa também é minha, na verdade. Eu só moro naquele apartamento por ser mais perto do meu trabalho. – Explicou o castanho, dando um rápido selinho em Blaine, já abrindo a porta em seguida.
Os dois encararam aquela figura em sua frente, a mulher conversando com Burt e na hora os dois simplesmente falaram juntos:
— Mãe? – A voz dos dois fez Elizabeth se virar e encarar os filhos ali, de mãos dadas.
O choque que Kurt sentiu por ver sua mãe e por ter escutado Blaine a chamar da mesma maneira, foi tão grande, que ele não conseguia esboçar nenhuma reação. Aquilo era demais para ele.
— Acho que nós precisamos conversar... – Elizabeth disse e logo foi interrompida por Kurt.
— Conversar? – Disse finalmente saindo do choque. – O que você precisa mesmo fazer é me explicar como você pôde ser tão cruel a ponto de me abandonar aqui com apenas dois malditos anos de idade. Como o meu pai iria me explicar que a mãe que eu tanto amava havia simplesmente ido embora?
— O que importa é que eu estou aqui agora. – Ela disse com um sorriso enorme no rosto.
— DEPOIS DE VINTE E QUATRO ANOS? Eu não quero mais nada vindo de você agora. Eu não preciso mais de você. – Kurt dizia entre soluços. Ele não conseguia parar de chorar. – E se eu estou chorando não é por culpa sua. Na verdade é, mas não é pelo fato de você estar aqui. Você me abandonou e eu nunca pude conhecer o meu próprio irmão.
— Bom, ele está bem do seu lado. – Ela disse e foi então que Kurt finalmente acordou e automaticamente soltou a mão de Blaine.
— Você viu bem o que você fez? Não bastava estragar a minha vida uma vez você tinha que vir e estragar ela de novo? Você não é uma mãe, você é um monstro. – Kurt simplesmente falava tudo que precisava colocar para fora e, nem Blaine nem Burt, tinham coragem de se intrometer na conversa.
— Vocês estão lado a lado e é isso que importa. – Ela tentava se explicar, mas ela não tinha explicação. Ela era a errada ali.
— Eu odeio você! – Kurt disse aos berros e subiu as escadas, correndo para seu antigo quarto, logo batendo a porta do mesmo.
Ele não conseguia – nem queria – acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Era algo extremamente difícil de se aceitar e ver Elizabeth em sua frente só aumentava sua dor.
Tudo aquilo que ele desejou ser apenas um sonho, se tornou sua pior realidade.
Seu namorado, seu amor, era na verdade seu irmão.
— Kurt, podemos conversar? – Blaine estava parado na porta do quarto de Kurt e o castanho apenas assentiu, sem saber se realmente deveria ter assentido.
— Blaine, eu, eu... – Kurt desabou novamente em lágrimas e Blaine apenas se aproximou e o abraçou.
A verdade é que o moreno estava tão destruído quanto Kurt. Ele já pensava que podia ser verdade o fato de eles serem irmãos, por isso estava tão preocupado em garantir se eles ficariam juntos não importando o que acontecesse. Ele tinha argumentos bons o suficiente para convencer Kurt de que eles podiam continuar juntos mesmo sabendo da verdade, mas ele sabia que Kurt não aceitaria. Ele sabia que agora ele iria perder o namorado e talvez nunca mais pudesse ficar perto do mesmo.
Ele se apaixonou tão rápido por Kurt e, em questão de pouco tempo, pouquíssimos meses, eles começaram a namorar e então agora descobriram que são irmãos.
Blaine preferia nunca ter oferecido ajuda a Kurt.
— Você já sabia? – Perguntou o castanho, fazendo Blaine levantar as sobrancelhas, sem saber ao que exatamente Kurt se referia. – Você sabia que somos irmãos? Por isso estava me perguntando se nada mesmo poderia nos separar?
— Eu tinha minhas dúvidas e, quando eu falei seu nome perto dela, ela ficou nervosa. E ela negou quando eu perguntei se ela tinha outro filho, mas ela parecia tão afoita para mudar de assunto, que foi praticamente uma confirmação da minha suposição. – Kurt começou a chorar mais ainda com as palavras de Blaine. – Isso não significa que tenhamos que terminar. Eu te amo de verdade e não deixei de amar por imaginar que éramos irmãos. Não é tendo certeza, que isso vai mudar.
— Blaine, para. – Disse Kurt, secando as lágrimas. – Você sabe que não podemos mais ficar juntos.
— E por que não? Só porque somos irmãos? – Ele perguntou e Kurt soltou uma risada sem graça.
— Não sei se faz diferença para você, mas faz para mim. Eu me apaixonei por você no instante em que você fingiu que ia limpar a minha boca e foi me beijar. E então eu me lembro de nós dois naquele departamento... aquela bancada e... eu transei com o meu próprio irmão. Isso é tão errado. – Disse voltando a chorar. Ele não conseguia controlar a si mesmo.
— Eu não acredito que você está fazendo isso. Você vai dar preferência a um laço sanguíneo ridículo ao invés de dar preferência ao nosso amor? Que no caso é algo que vale mesmo a pena lutar por? – Blaine se levantou irritado e Kurt fez o mesmo.
— Eu não consigo, B... Blaine. É difícil. Você tem que se colocar no meu lugar. – Argumentou o castanho. – O que você faria se estivesse no meu lugar?
— Eu não preciso estar no seu lugar. Você foi criado sem a sua mãe, eu fui criado sem o meu pai. Você sabia ter um irmão, eu nem isso sabia. Eu conheci você, eu me apaixonei por você, e é isso que eu coloco em primeiro lugar. Eu abro mão de qualquer coisa e qualquer um por você, Kurtie. – Blaine se aproximou mais de Kurt.
— Você não está pensando com a cabeça, Blaine. – Kurt ainda chorava freneticamente.
— Eu sei disso. Eu estou pensando com o meu coração. O coração que te ama mais que tudo nesse mundo. Pensei que você também se sentisse assim, mas pelo visto eu me enganei. – O moreno deixou que suas lágrimas começassem a cair, já que ele as tinha segurado por tempo demais.
— Eu também te amo, Blaine, mas eu... eu não posso mais. – Kurt disse tentando se aproximar mais de Blaine, mas o moreno recuou.
— Você está mesmo terminando comigo? – Perguntou sem acreditar.
— Eu não vejo nenhuma outra alternativa.
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