If I Were A Boy
34 Thirty-Four
Notas iniciais
Capítulo 34 – Thirty-Four
Pov. Autora*
Annabeth estava fraca, esgotada e sem ação. Ver Luke falando aquelas palavras, tendo aquela ação, a deixou completamente chocada, ela queria correr atrás dele, mas não tinha forças. Queria gritar por ele, mas sua garganta estava seca, e ele não voltaria mesmo se ela gritasse, ela tinha certeza disso. Ela se sentia fraca de todas as formas. Chorou ao pensar no amigo e em como ele era forte. Deixá-la ir daquele jeito, dando o consentimento a Percy e a ela — porque para Annabeth era necessário o consentimento dele para que ela ficasse com Percy – para namorarem foi de fazê-la perceber que não o merecia em sua vida. Ela ficou na cama e parou por um segundo, desviando seus pensamentos e emoções totalmente para Luke. Percy que estava parado a sua frente, somente observou a loira falar o nome de Luke baixinho. O coração do moreno apertou, mas ele não falou nada, sabia que seria assim. Poderia ficar com a loira, mas Luke nunca sumiria da vida dela, ele era importante demais, e ele estava tentando compreender e encaixar o significado que o castanho tinha na vida da sua loira.
Percy passou os dedos pela face da Annabeth e lhe chamou a atenção depois de alguns segundos.
– Annabeth? – Annabeth despertou de um transe e olhou para os olhos verdes do moreno.
– Oi?
– Está tudo bem?
– Sim... Acho que sim. – Percy engoliu em seco, ele não queria entrar naquele assunto, mas era necessário.
– Você quer que eu converse com Luke? – Percy deixou o prato de comida de lado e suspirou: — Eu acho que terei que conversar com ele de qualquer maneira... – Annabeth analisou Percy.
– Sabe que ele não vai te dá mole, não é?
– Sei disso. Mas sei como ele é importante para você, e que se você não gostasse de mim estaria com ele. – Percy não gostou de falar aquilo, mas sabia que era verdade. Annabeth e Luke tinham uma conexão. Eram mais que melhores amigos, eram metades um do outro.
Annabeth concordou com Percy. Ela não negaria, mas o que o moreno falava era verdade. Se o sentimento não existisse e não fosse tão forte, ele não tinha chances contra Luke. Annabeth pegou a mão do moreno e sorriu fraco.
– Eu quero que fale com ele... Em seguida, pergunte se ele pode e quer vir falar comigo... Eu preciso falar com ele!
– Se eu estiver vivo depois da nossa conversa! – Percy murmurou irônico. Annabeth riu.
– Você vai estar... Não se preocupe... – Percy fechou os olhos e perguntou o que estava entalado na garganta.
– E nós... Como ficamos?
– Para mim você devia tomar as rédeas da situação, ué? – Annabeth revirou os olhos. Percy se encolheu.
– Não vou te forçar a nada. O que você quiser, simplesmente será.
– Namorados?
Percy respirou fundo e sorriu, como se a tensão saísse de seus ombros.
– Annabeth Chase quer ser minha namorada?
– Sim idiota, claro que quero! – Annabeth deu uma risadinha antes de puxar o moreno para perto dela. Naquele momento ela se esqueceu de todas as desavenças, de todas as brigas, de todas as magoa e ódio que tinha no seu coração. Ela só esperava que tudo desse certo dessa vez. Ele era realmente uma parte importante na vida dela, mas dessa vez ela estava decidida a não ser tão dependente dele. Afinal, as coisas tinham mudado. Mas era como uma música que ela amava dizia: “O amor é uma doença, um vício, uma overdose. E é mais difícil de controlar com o passar do tempo”. Percy sorriu para ela, e quando ele tocou os lábios dela, ela se derreteu e esqueceu como se respira e se pensa racionalmente, só queria desfrutar do gosto dos lábios dele colados ao dela e da reviravolta gostosa que sentia no estomago. Talvez ela nunca se curasse disso, era sempre a mesma sensação, mas ela não reclamava, ela amava aquilo, assim como ele também.
***
Luke não queria ver ninguém, somente queria poder esquecer tudo e todos enquanto saia da casa de Annabeth. Ele tinha perdido, como sempre, e se lamentava, pois nunca seria ele. Talvez se ele tivesse aproveitado o presente que a vida tinha lhe dado e não tivesse medo de arriscar, tudo teria sido diferente, mas quem poderia culpá-lo? Você arriscaria perder um amigo querido expondo seus sentimentos amorosos tão facilmente? Provavelmente não. Pelo menos, não sem pensar em tudo primeiro, e com bastante cuidado.
Luke atravessou a sala e Thalia olhou para ele preocupada, mas não o impediu. Ela suspirou indo até a porta e o viu se afastar. Ela se se encostou à porta e ficou ali por alguns minutos, somente a pensar na situação que a amiga se encontrava. Ela pensou em tudo aquilo e concluiu que não faria a mesma coisa, mas cada um tinha seu modo de agir, um pensamento, então não julgou Annabeth em nenhum momento, na verdade, tinha orgulho e achava ela uma garota realmente corajosa. Thalia ia sair dali, mas viu um carro parando na frente da casa e esperou. Viu um moreno sair do carro e avançar na direção dela. Thalia sabia quem ele era. Nico. Ela aproveitou para apreciar a beleza exuberante do garoto. Ele era lindo. Ela não podia deixar de admitir. Ele vestia-se todo de preto, e ficava lindo. Sua pele branca despertou uma vontade louca em Thalia. Morder aquela pele até ficar vermelha de tantos chupões e beijos.
Ele finalmente chegou à frente da morena e olhou para cima.
– Annabeth está?
– Sim. Mas ela está ocupada, você quer esperar? – Thalia não cometeria o mesmo erro novamente e deixar alguém subir. Além disso, não perderia a oportunidade de ficar alguns minutos com aquele garoto, ele já tinha lhe despertado a atenção. Nico suspirou e assentiu. Thalia deu espaço e ele entrou. Eles foram em direção ao sofá e Nico ficou incomodado, a morena a sua frente o olhava sem esconder a curiosidade.
– Como Annabeth está? Ela... Não responde minhas mensagens, nem atende minhas ligações, eu estou realmente preocupado com ela. – Thalia sorriu.
– Ela não está bem, mas está se recuperando... – Olhou para a escada e murmurou baixinho: — Só não sei no que deu nesses três garotos para só virem hoje aqui, e quase todos na mesma hora. – Nico ouviu e ergueu uma sobrancelha.
– O que está acontecendo? — Thalia se perguntou se devia falar alguma coisa, hesitou.
– Annabeth provavelmente não irá me falar... Prometo que não falarei nada, só quero saber... Eu sei o que ela sente por mim, e o que não sente, só não quero mais ser indelicado e insistir. Somente não gosto de ficar sem saber nada. – Thalia considerou as palavras e em pouco tempo falou o que sabia. Nico já sabia o que tinha se passado antes mesmo dela acabar. Só pode suspirar e sentir seu coração se apertar um pouco mais no peito.
– Você está bem... Nico? – Thalia perguntou, o chamando pela primeira vez pelo seu nome. Nico a encarou com seus olhos negros e Thalia sentiu algo estranho revirar em seu interior. Mas ignorou, no momento só estava preocupada com o garoto, que tinha passado de branco, para mais branco ainda, se é que aquilo era possível.
– Eu estou. – Thalia não acreditou muito.
– Vamos à cozinha, eu te darei algo para comer... Só assim para você melhorar sua cor. – Ela não o deixou protestar, somente agarrou na sua mão e o puxou. Ele achou a atitude da garota extremamente irritante, mas sorriu em seguida, vendo que ela só estava preocupada com ele.
***
Thalia esperou que Percy descesse para poder tirar Nico da cozinha, pediu que Olímpia o fizesse para ela. Quando ele o fez, ela puxou Nico depois de empanturrar-lo com a torta de morango de Olímpia, que ele achou maravilhosa, e eles subiram as escadas. Nico tinha conversado com a morena e tinha gostado da mesma. Eles tinham diversos gostos em comum, bandas, séries, e até lugares que um dia queriam visitar mundo a fora, era simplesmente destino. Não que eles tivessem pensado nisso, simplesmente era. Annabeth estava mais corada quando entraram no quarto dela. Thalia ficou tão feliz ao vê-la melhor que num ato impensado rodeou a amiga com seus braços e abraçou.
– Você é louca? Sabe como esses dias me matou de preocupação... Eu fico aqui, e é só um deles aparecer que você já fica toda alegrinha, me sinto deixada de lado... Oh. – Thalia dramatizou debochada. Annabeth riu, sabia que a amiga não era assim, e se o fez, era porque estava realmente preocupada. Então só soube se desculpar e dizer que nunca mais iria fazê-lo. Depois que fez sua promessa viu que Nico estava parado ali, a observar as duas. Thalia se afastou e sorriu para ele.
– Ele veio aqui e...
– Obrigada. – Annabeth murmurou.
– Como você está? – Nico só soube perguntar isso enquanto se sentava na frente das duas e olhava para Annabeth em um semblante encorajador.
– Estou melhor agora que você está aqui... Senti sua falta. – Nico só soube abraçar a loira e afagar seu cabelo em um gesto paternal. Annabeth se sentia quase renovada, era bom ter seus amigos ali, era bom ter Percy como uma certeza na sua vida agora... Mas agora só faltava uma peça. Aquela peça por quem ela começou tudo.
***
Não foi fácil para Percy fazer com que Luke o atendesse na sua casa. Mas ele ficou ali, parado, esperando pacientemente. Sabia que Luke viu que ele estava ali, e sabia que teria que esperar assim que apertou a campainha e depois levou uma batida de porta bem na cara. Não seria fácil era fato, mas ele estava determinado. Aquilo não era por ninguém menos que Annabeth, e por ela, ele faria qualquer coisa de agora em diante.
Luke somente o atendeu quando era tarde da noite, e viu que o moreno ainda estava parado ali na frente da sua casa. Sua mãe já tinha oferecido água e comida para Percy e já tinha falado mil vezes para Luke ir falar com ele, então, ele acabou desistindo. Ele fechou a porta com força e Percy se levantou.
– Vai ficar a noite toda na frente da minha casa?
– Se for necessário. – Percy disse dando de ombros.
– O que você quer? Já não foi o suficiente o que eu fiz por você hoje? – Percy olhou estranho para ele, mas suspirou.
– Eu sei... Sei o que eu fiz para Annabeth e para você. Mas eu não sou mais daquele jeito, e dessa vez só quero fazer direito e dar o que Annabeth merece.
– Você é suficiente para dar tudo àquilo que ela merece?
– Se eu não for, mudarei para ser suficiente. – Luke ficou em silêncio e Percy continuou:
– Eu estou aqui pela Annabeth, pois se...
– Sei o que Annabeth espera disso, e tudo bem, pode ir em frente. Mas ouça bem... Da primeira vez o ódio foi acumulado e preso, mas se dessa vez você machucá-la, você vai desejar não ter nascido. Pois apesar de tudo que Annabeth fez, ela é ainda a pessoa mais especial da minha vida, minha irmã, a pessoa que eu amo e sempre irei amar, então, não espere menos de mim se eu vê-la chorando por sua causa... Novamente. Entendeu?
Percy não hesitou em assentir, e Luke concordou.
– Ela quer ver você... Se explicar. – Percy passou a mensagem da namorada. Luke se virou e parou.
– Tudo bem. Eu vou falar com ela. Pode ir. Já disse o que tinha para dizer não é? – Percy sorriu e disse baixinho:
– Obrigada. – Luke arregalou os olhos e não se moveu. Não pode conter a surpresa ao ouvir aquela palavra, em seguida entrou em casa, tinha alguém esperando para falar com ele.
***
Annabeth sabia que ele ligaria, o conhecia. E assim que seu celular começou a tocar, ela atendeu no mesmo segundo.
– Luke? – Não pode conter o sorriso que se formou em sua boca.
– Oi...
– Me desculpe. Desculpe-me, me desculpe.
– Annie você não tem nada do que pedir desculpas. Tudo bem? Já passou... – Annabeth sabia quanta coisa ele engoliu para dizer aquelas palavras. O amigo não era a prova de balas, ele devia estar sofrendo muito, queria abraçá-lo. Mas ela também não iria cutucar na ferida, seria pior. Ela só iria tentar recompensá-lo de todas as forças possíveis.
– Eu sei o que fiz... De agora em diante, nunca esconderei nada de você, nunca mesmo. Foi o pior erro da minha vida e aprendi a lição. Nunca mais mentirei, nunca mais...
– Tudo bem Annie. Sei que não o fará. – Ele ficou em silêncio por alguns segundos. – Começa contando o que aconteceu? – Ela sabia ao que ele se referia, não queria falar daquilo agora, mas ela tinha feito uma promessa, não iria quebrar ela naquele momento.
– Estamos namorando... – Ela disse simplista. – Eu já disse o que você significa para mim, e que você sempre está em primeiro lugar...
– Você falando assim eu pareço até seu pai! Sabe, eu não tenho que dar permissão! – Luke riu.
– Você sabe que sim.
– Isso é idiota!
– Mas é a minha vida! – Eles se calaram, e entenderam. – Você está do meu lado desde sempre, não seria menos. Algumas pessoas podem achar possessivo ou qualquer outra coisa, mas ninguém passou pelo o que passamos juntos.
– Entendo. – Foi à única coisa que Luke disse. – Você irá para a faculdade como você?
– Sim... Talvez eu vire Alex novamente somente para me despedir direito dos meninos. Não sei.
– Tudo bem. Durma bem?
– Precisa de tempo?
– Sim Annie. Preciso. Fique bem, Ok? – Annabeth sorriu.
– Sim, você também. Vejo você em breve. – E desligou. Annabeth sorriu olhando para a tela.
– Eu te amo Luke. – Ela se cobriu com os lençóis e deixou o cansaço a tomar, ela agora só precisava dormir, amanhã seria um novo dia. Um dia diferente.
***
Pov. Annabeth*
Eu estava realmente animada e não agüentava de tanta ansiedade em contar os minutos para a segunda feira. Ainda era domingo e a única coisa que eu queria fazer era ligar para Luke e marcamos para fazermos algo, como nos velhos tempos, mas ele queria um tempo e eu respeitaria. Mas nem precisou eu pensar muito sobre o que fazer, pois logo Tami e Thalia, juntamente com Piper estavam no meu quarto me propondo diversas idéias do que poderíamos fazer durante o dia.
Piper foi a primeira a se jogar contra mim exclamando:
– Hey! Alguém ta namorando! – Ri da cara fofa que ela fez. Eu apertei suas bochechas e perguntei:
– Você? Quer dizer então, que as coisas com o Jason estão indo bem? Hum? – Ela me deu língua.
– Sabe que eu não estava falando de mim, certo? Thalia nos passou tudo enquanto vínhamos para cá. Eu sabia que isso iria acontecer. Você gosta dele.
– Sim, eu gosto Ok? Pare com isso! – Ri fraco.
– Eu só estava pensando... Já que amanhã todas vão para a faculdade... – A interrompi. Todas nós? Como assim?
– Ah, é! Esquecemos de dizer... Eu mexi meus palitinhos, tipo, falei com meu tio e todas vão. – Revirei os olhos.
– Você falando assim, parece como se fossemos para uma viagem e fosse realmente fácil, e não para uma faculdade. – Tami exclamou rindo em seguida. – Gente rica é assim! – Eu tinha que concordar com Tami. – E, além disso, como eu vou pagar isso?
– Meu tio vai te dar uma bolsa, eu não expliquei isso? Você tem uma profissão Tami, é tão mais fácil! – Ela revirou os olhos ainda descrente, eu a entendia. Olhei para Thalia. Eu não sabia que ela iria fazer faculdade.
– Mas e você?
– Eu não tenho muita coisa para fazer no momento. Achei uma boa idéia! De qualquer modo é bom para meu futuro... Vou fazer de música! – Sorri.
– Ok. Mas o combinado agora é sobre sairmos! – Piper tomou as rédeas.
– E o que faríamos?
– Vamos ao salão, em seguida Shopping e cinema. O que vocês acham? Encontro de meninas! – Eu ri, era o que eu precisava.
– Eu topo! – Fui a primeira a dizer.
– Ótimo! – Thalia e Tami fizeram caretas, mas mesmo assim concordaram. O dia se passou rápido já que foi realmente divertido; sair com as meninas me fez um bem enorme, e me deixou mais estabilizada emocionalmente. Recebi mensagens de Percy durante o dia, e as meninas começaram a rir de mim por causa dos meus olhos vidrados no telefone quando isso acontecia, marcamos de nos encontrar mais tarde e quando era de noite, eu já estava ansiosa por isso. Escolhi uma roupa bem simples e fiz uma maquiagem leve, somente o suficiente para esconder minhas olheiras e para ter um pouco de cor no rosto. Mesmo com o dia todo no salão, eu só quis ajeitar as unhas e o cabelo, o que era necessário para amanhã. Desci as escadas apressadamente e me despedi de Olímpia. Percy já estava ali embaixo me esperando. Ele sorriu e estendeu a mão para que eu entrelaçasse nossos dedos... Com esse ato acho que pude ver o que estava realmente acontecendo entre nós, era real, não era mentira. Sorri.
– Eu estava com saudades de você... – Ele disse enquanto abria a porta do carro. Entrei e nada respondi. Peguei o CD do The Script que eu tinha comprado na Internet e deixei tocando. Ele entrou e ligou o carro.
– Para onde vamos? – Perguntei curiosa.
– Vamos ao parque! – Eu ri, eu achei uma idéia boa. Ele deixou a mão cair enquanto olhava para frente, e eu olhei para aquilo com a sobrancelha erguida. Depois de deixá-lo esperando alguns minutos, ele finalmente olhou para mim e agarrou minha mão.
– Eu já estou cansado de esperar... – Ri fraco. Sabia que era aquilo que ele queria, mas eu agora queria que ele fizesse que ele procurasse, e não o contrário, por isso, sorri enquanto olhava para frente e apertava sua mão.
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