If I Had a Gun...
5 Show you now what might have been
Atrás das belas paredes maciças, a festa continuava. Ao contrário do que eu sempre imaginei, aquele cenário abrigava um lar melhor do que o que eu jamais poderia oferecer a minha amada. Este pensamento aumentou a velocidade com que a tristeza preenchia o vazio em meu peito e, então, eu voltava a me sentir miserável.
Por alguns segundos, tudo o que eu podia ver eram aqueles olhos e sorriso que eu talvez tivesse interpretado erroneamente. Ela me olhou, sorriu e se foi. Nada fazia sentido para mim e, antes que eu pudesse pensar em evitá-las, as lágrimas, mais uma vez, conseguiram se libertar.
O som de passos, que avançavam sobre o gramado, denunciaram alguém que se aproximava e a única reação que tive ante ao fracasso que havia sido minha tentativa de ser feliz novamente foi secar as lágrimas que deixavam, insistentemente, meus olhos: eu não queria somar um encontro desconcertante à frustração que aquela noite já representava. Então, inspirei profundamente, forçando-me a impedir que o choro continuasse, e sequei meu rosto e olhos com mãos que tremiam.
– Você está bem?
Era a voz de um anjo.
Virei-me imediatamente. Pega de surpresa, precisava ver para acreditar. E ali estava ela. Seus olhos ainda brilhavam, fios de cabelo cintilavam à luz da lua, refletindo um brilho acobreado e seu semblante, composto por traços tão delicados, demonstravam preocupação. Em suas mãos, uma pequena mala continha, provavelmente, itens para uma viagem de emergência. Sorri e, como meu reflexo em um espelho, um sorriso também se formou em seus lábios.
– Tive que ser discreta. Perdão. — ela ainda sorria e me olhava nos olhos. — Não temos muito tempo até que notem minha ausência, liberdade não faz parte dos meus privilégios por aqui.
Abracei-a como se aquela fosse a última vez que estaríamos tão próximas; abracei-a como deveria tê-la abraçado há um ano. Naquele abraço, um ano inteiro de angústia desapareceu: tudo estava exatamente como costumava ser. Seu corpo era o mesmo, tão perfeitamente compatível com o meu; seu cheiro, tão suave e acolhedor, seria o odor do amor, se este pudesse ser caracterizado por um aroma.
Ela era o amor. Minha Vênus.
Minha.
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