Idiotas vinculados

6 Tudo Junto e Misturado acontece


Acordei na terça feira com vozes vindo da fonte no fundo do chalé em uma mensagem de íris, e percebi de Brandon apagou a névoa muito rápido, quando eu me virei para olhar quem era. Confesso que fiquei curioso em saber com quem ele estava conversando, mas deixei pra lá.

– Bom dia! – Disse Brandon serio, parece que a conversa que ele estava tendo era muito seria, pois ele estava muito agitado, como se ele tivesse tomado muito café.

– Bom dia – Respondi bocejando – Que horas são?

– 7:55, quase na hora da inspeção do chalé – respondeu ele alarmado.

– Nossa... Verdade – Olhei em volta e vi que não tinha nada sujo, só algumas roupas minha e de Brandon jogadas no chão e os beliches desarrumados.

Levantei apressado, comecei a catar minhas roupas e colocar dentro da mochila. Guardei minha mochila dentro de uma gaveta na cômoda e arrumei minha cama em exatamente em dois minutos, e quanto Brandon não fez nada, suas roupas ainda continuaram no chão e a cama desarrumada.

– Você não vai arrumar nada? – Perguntei irritado.

– Não tem problema, eu enrolo o conselheiro que for inspecionar. – Gemeu ele olhando para o nada, como se ele estivesse lembrando de algo muito serio do passado.

Fiquei mais irritado ainda, não sei por que, mas tem manhãs que eu acordo meio bipolar, às vezes eu acordo com vontade arrancar a cabeça de alguém só por ter acordado, então toda manhã eu sou imprevisível até pra mim mesmo. Acho que era algo relacionado ao mar, por uma hora ser calmo e tranquilo e outra muito agitado e raivoso em tempestades. Olhei para Brandon e disse:

– Ei, se a gente ganhar banho frio por causa da sua bagunça, eu juro que em vez de extrair água do mar da praia de clima tropical, vou extrair água do mar de um clima bem diferente, bem deixa eu ver... que tal... do Polo norte ou Sul talvez, aí sim você vai ver o que é banho frio de verdade. – Até eu estava me estranhando, não sei, talvez seja por estar acontecendo muita coisa ao mesmo tempo, acho que eu exagerei um pouco, mas pelo menos ele se levantou e começou recolher as coisas e depois arrumar a cama. Depois falo com ele sobre.

Alguém bateu na porta, Brandon se levantou e foi até ela e a abriu ainda serio. Quem estava na porta era Tenny Veenis, ela nunca tinha me falado que era líder do chalé de Apollo, ela estava sorridente.

– Oooooi. – cumprimentou ela sorrindo. Ela entrou e começou olhar em volta, Brandon ainda serio se sentou de volta na cama.

– Oi – Respondi depois de um tempo.

– Nossa. Como vocês são organizados para dois filhos de Poseidon, olha que fonte MA-RA-VI-LHO-SA, chalé limpo, nada fora do lugar, exceto por... – Ela se agachou e pegou uma meia muito suja de Brandon no chão com a caneta. Dei um tapa na minha própria testa.

De repente ele desperto do transe e disse:

– Ah, é minha, foi mal. – desculpou ele sorrindo, Tenny olhou pra ele seria e depois pra min e fez uma careta de “deuses, o que há com ele?”. Dei de ombro.

– Nesse caso vocês receberam 4 de 5, esta ótimo? – perguntou ela anotando na prancheta.

– Maravilha – respondi.

– Então tenham um bom dia. – disse ela saindo do chalé 3.

Olhei para Brandon ele me encarou com cara de pedido de desculpa, mas nem liguem e troquei meu pijama por um short jeans e a camiseta do acampamento. Ele também trocou o pijama pela roupa do acampamento fomos juntos até o refeitório.

No refeitório ele pediu apenas um de suco de laranja, acho que a coisa era seria. Eu pedi dois sanduiches com muito presunto e queijo e um suco de laranja também. Olhei para Brandon, ele parecia querer chorar, então eu perguntei:

– Ei, qual é o problema? Se for por causa do berro com você no chalé, foi mal ta, mas foi por uma boa causa.

Ele olhou de esgrelha para mim e disse:

– Não é isso irmãozinho — Desta vez o “irmãozinho” soou muito diferente – É que sabe, antes de eu vim para o acampamento eu deixei uma pessoa muito importante para traz.

– Sua mãe? – perguntei, ele deu um sorriso.

– Não, ela também, mas... – Ele hesitou. – é outra pessoa muito importante.

– Quem? Amigos? Primos? Outro irmão? Namorada? – ele despertou em menção da palavra “namorada”, entendi o recado — Hmmmmmmm namorada? Mas ela sabe o motivo de você estar aqui não sabe? – ele assentiu – então não te com que se preocupar.

– É, mas você não sabe da pior. – ele parou por um momento, tomou um gole de suco e por fim disse – Ela esta gravida.

– O QUE? – Eu estava muito surpreso com o que ele disse, falei alto de mais e muitos semideuses olhavam para mim — Como? Você é louco?

– Não... Aconteceu... Eu não sabia que... Foi um dia antes de eu vim pra cá. — Ele parou, tomou outro gole desesperado do suco e continuou. – De repente aparece um sátiro e me traz...

– Espera, eu vou ser tio? – de repente me lembrei – Ela pode correr perigo, por esta gerando um filho de um filho de um dos três grandes...

– O pior é que ela acaba de me contar que a mãe dela é filha de Demeter, eu devia ter descoberto isso, era estranho quando do nada cresci plantas estranhas nos nossos pés.

– Mas ela não devia estar aqui no acampamento? – Perguntei.

– Não sei, talvez seja em regra daqui só aceirar filhos e não descendentes – Respondeu ele com as mãos tremendo.

– Ela vai correr muito perigo – Disse querendo não dizer, porque Brandon gemeu “não diz isso” fazendo biquinho com voz bem fininha e abraçando o copo. – Porque, essa criança é descendente de dois deuses e um deles é um dos três grande e os dois são do Olimpo e inda por cima são irmãos, muito estranho isso... – disse fazendo careta.

– Eu sei disso – Disse ele por fim baixando a cabeça.

– Já sei! – Ele se assustou. — Porque você não conversa com Quíron e o Sr. D sobre isso para mandar alguma proteção pra ela, pelo menos até você ter idade o suficiente pra não precisar vim mais para o acampamento, vai que da certo.

Ele gostou da ideia, mas desanimou na hora e então disse:

– Depois eu vejo com eles, talvez nem de certo – Ele se levantou desanimado e foi em direção à saída do refeitório, ele parou voltou até mim e disse – Por favor, é um segredo entre irmãos, beleza?

Eu assenti com a cabeça.

Essa conversa com Brandon me deixou muito distraído durante o grego antigo, dando impressão de que eu não estava entendendo nada. Como sempre o Grego antigo foi assistido pelos mesmos chalés de sempre, Hermes, Poseidon e Hípnos.

Logo após grego antigo, tivemos que polir as armaduras, que por sinal foi feita pelos chalés de Hermes, Poseidon e Ares, era estranho nós estarmos sempre unidos nas atividades, acho que Quíron, que é o organizador das atividades, quer que a gente fique juntos, não sei por quê. Era bem melhor assim, porque tinha mais pessoas para bater papo.

Quando terminamos e estávamos prontos para nos retirar ouvi Kyle falando.

– Jessie ajude a Mari a colocar tudo no lugar, tudo bem. – Percebi um olhar melancólico dele.

– Com ela? – Perguntou Jessie apontando com o queixo.

– Sim, com ela. – Disse ele rindo.

Então Jessie caminhou até Mari e começou ajuda-la, eu queria ficar e ajuda-las, mas Brandon estava saindo muito apresado de cabeça baixa, e queria de alguma maneira consola-lo, apesar de tudo, de certa forma ele é meu irmão.

Dei uma ultima olhada para elas e vi que elas ficaram em companhia de alguns filhos de Ares que por sinal, eram barulhentos, brigões, maldosos, traiçoeiros e pareciam estar muito animados, mas de certa forma ninguém ali entre eles se importava. Esperava que Jessie não arrumasse confusão, do jeito que ela é pavio curto.

Sai e dei de cara com um sol muito forte, passei um grupinho de filhas de Demeter e parei na hora, estavam cochichando enquanto eu passava, será que era sobre mim? Porque ouvi muitas risadinhas, me virei e olhei para elas. Eram garotas muito bonitas por sinal, elas tinham um ar pacifico, quando passei ao lado delas senti cheiro dos campos, cheiro muito relaxante, elas eram brancas de olhos castanhos escuros, seus cabelos eram longos lisos e muito negros, eram tão negros que chegavam a brilhar ao reflexo do sol, os grãos e os cereais devem fazer muito bem a elas.

Como eu já disse, todas eram lindas, mas apenas uma me chamou realmente atenção, a única entre elas que não tinha cabelos negros, seu cabelo era claro, porém ondulado, seu sorriso era divertido, acho que ela tinha a minha idade, pois era do mesmo tamanho que eu, fiquei em duvida se ela era realmente filha de Demeter por ser tão diferente, ela parecia mais determinada que as outras, que eram um tanto tímidas.

Nem percebi, mas eu não conseguia tirar os olhos delas, de repente virei o rosto, acho que eu corei, ouvi mais risadinhas, olhei de novo e ouvi alguém dizer “vai lá”, de repente a menina que eu estava admirando veio em minha direção de queixo erguido e muito seria. Ela parou a minha frente e deu um sorriso muito gracioso, aquilo me fez desabar.

– Oi. – comprimento ela com o mesmo sorriso. – Hã... Tudo bem?

Eu ainda estava nas nuvens, quando percebi a cara de duvida dela eu disse.

– Ah! Oi... Estou ótimo... – Eu já estava voltando para as nuvens quando ela disse seu nome.

– Meu... Meu nome é Pahtricia Spartos, filha de Demeter.

– Que nome lindo. – Abaixei a cabeça envergonhado e corando, ela também corou e deu uma risadinha delicada.

– Olha... Fiquei sabendo coisa muito interessantes sobre você e suas amigas. – Disse ela pegando no meu ombro – De cara achei que devia conhecer você, quer dizer, vocês. Estou aqui no acampamento há duas semanas e olha o assunto entre os campistas não era tão interessante até você chegar, quer dizer vocês chegarem. – Percebi que ela ficou um pouco constrangida, ela soltou o meu ombro.

– Nossa não sabia que os boatos foram tão grandes. – Disse sorrindo. — Apesar de ter quase morrido, não foi nada de mais, éramos em três e o cão infernal estava em desvantagens.

– E o sátiro? – Perguntou ela curvando a cabeça.

– Desmaiado. – Disse na hora.

– Patético não é, eles sempre desmaiam – mencionou ela – o meu sátiro desmaiou achando que a górgona que nos atacou era a própria medusa. Eu fiz todo trabalho prendendo a górgona entre as raízes das arvores e carregando ele até aqui.

Rimos juntos, aquele momento estava tão bom que quase nem percebi Quíron passar galopando ao lado da gente e entrando no local onde polimos as armaduras.

– Bom, já vou indo, temos navegação de correnteza agora – Disse ela desanimada.

– Ah tudo bem – Eu também estava desanimado – Eu tenho arremesso de dardos agora.

Ela chegou mais pra perto de mim e disse no meu ouvido:

– Foi um prazer imenso te conhecer — Depois que ela disse isso, ela deu um beijo em minha bochecha, me levando de novo para as nuvens e definitivamente naquele momento decidi nunca mais lavar a minha bochecha.

Ela se virou para ir direto até suas irmãs, que por sinal estava em varias risadinhas, eu disse:

– Tchau, a gente se vê por aí – disse sonhador — Foi um prazer te conhecer também.

Ela acenou com a mão e se afastaram em cochichos.

Enquanto estava ali tentei avistar Brandon, mas nada de encontra-lo, olhei na entrada da sala onde polimos as armaduras e vi os filhos de Ares saíram, um tanto nervosinhos resmungado alguma coisa com “eu pego ela da próxima...” depois saíram, Jessie e Mari, em seguida Quíron com uma expressão muito preocupada olhando para as duas que caminhavam até mim.

– Ah, você ta aí! – Exclamou Jessie – Você acaba de perder a gente quase levar uma surra daqueles grandalhões. – Ela percebeu que eu não estava prestando muita atenção. – Ei! Terra chamando Henry...

De repente eu olhei pra ela assustado.

– Serio? Como aconteceu. – Perguntei sem muito interesse, porque ainda estava com Pahtricia na cabeça.

– O cara idiota queria surrar a gente só por eu ter trombado neles. – Disse Jessie sorrindo. – E ainda por cima foi sem querer.

– O legal é que eu nem sei como me envolveram, de repente eles me cercaram também – Argumentou Mari em tom muito calmo e serio.

– Nossa como vocês tem sorte — Ironizei. – Aconteceu uma coisa muito melhor comigo – Jessie fez uma cara de “me conta, me conta” – No qual pretendo não compartilhar com vocês. – Sorri, Jessie ficou brava, mas nem liguei.

– Ta bom então! – Resmungou Jessie.

– Nem ligo — Disse Mari dando de ombro e fechando os olhos.

– Que tarefa vocês tem agora? – Perguntei.

– Luta corpo a corpo, eu acho... – Informou Jessie um tanto animada, Mari pareceu não gostar muito da informação.

– Ah, eu tenho arremesso de dardos, espero que não seja tão difícil quanto arco e flecha – Elas riram e me despedi.

Confesso que sou péssimo em arco e flecha, mas lançamento de dardos era muito legal e bem mais fácil, não era necessário um objeto pra lança-los, você precisa simplesmente de suas mãos.

Quando eu cheguei à arena, onde iria aconteceu a atividade, Brando já estava lá ainda com aquele desanimo de sempre, me aproximei dele e disse:

– Ah, você está aí, por onde andou?

– Lugar nenhum, vim direto pra cá – Disse ele sem olhar para mim.

– Atá – Fingi acreditar. – Que tal no tempo livre as 17:00 começarmos aquele treino de controlar a água e quem sabe conversar mais sobre o assunto?

– Claro, eu prometi não prometi? Depois que eu te ensinar você vai ser um controlador nato de água como eu. – Brincou ele sorrindo desanimado.

– Convencido. – Disse.

A atividade foi tranquila, porem dolorosa, no começo tivemos que jogar os dardos em bonecos com uma distancia de mais ou menos 10 metros, acertei a maioria, até aí tudo bem, depois de alguma tempo os nossos alvos não eram mais bonecos, eram nós mesmo, nos tínhamos que arremessar os dardos uns nos outros e ao mesmo tempo escapar deles. Foi muito divertido, alguns momentos eu era acerto por dois dardos de uma vez, mas acertei varias dardos em Brandon e outros semideus, que eram filhos de Afrodite e Hécate.

Os filhos de Afrodite viviam dando gritinho estranho, não era difícil acerta-los, entre eles estava James e Peter, os únicos determinados o suficiente em lutar. Os filhos de Hécate eram mais malvados, com sorrisos maliciosos, os dardos lançados pareciam fazer curva com o movimento de suas mãos. Dizem no acampamento que eles são grandes feiticeiros, então decidi tentar fugir de seus dardos ao em vez segura-los, porque qualquer tentativa seria inútil.

Depois dos dardos tivemos Mitologia Grega, uma matéria que eu adorava. Depois almoçamos, Brandon ficou calado todo o tempo, como se não tivesse assunto então decidi nem comentar. Logo após do almoço tivemos navegação de correnteza, um a atividade que eu também adorei muito, Brandon me ensinou como usar a água para controlar a canoa ao nosso favor contra a correnteza, não era difícil, eu só tinha mandar na água com o pensamento como se mandasse um cão adestrado se sentar e imaginar o que você quer que ela faça. Eu adorei aquilo.

Depois tivemos que fazer faxina no chalé, não sei se vocês perceberam, mas eu gosto das coisas muito bem organizadas e de preferencia limpas, herdei isso de minha mãe que gostava das coisa como ele deve ser, limpas. Lavamos o chalé com água e sabão, não foi tão difícil, porque controlamos a água, logico. As paredes de madrepérolas ficaram mais brilhantes, sem marcas de dedos e tiramos as pegadas de barro do piso, terminamos em instantes.

As 17:00 no tempo livre, eu Brandon fomos até o lago, onde ele ia me ensinar melhor como controlar a água. Chegamos à margem e ele disse:

– Faça isso. – Ele apontou o dedo indicador na água e uma gota de água saiu flutuando do lago.

Eu tentei, mas em vez de gota consegui levantar um gêiser de dois metros de altura, caímos assustados de bunda no chão e o gêiser se extinguiu.

– Calma, você ta nervoso? — Perguntou ele de olhos arregalados.

– Um pouco... Ansioso. – Disse assustado.

– Então se acalme, finja que você esta na praia olhando um mar imenso muito calmo, onde você ira mergulhar a qualquer momento. – Fechei os olhos – Agora finja que a calma do mar que você esta olhando é a sua calma. – Abri os olhos, bem mais calmo agora.

Apontei o dedo indicador para a água do lago e consegui fazer com que a gota flutuasse, não era uma gota tão pequena quanto à de Brandon que ainda flutuava mesmo ele não estando apontando e de todo aquele estrondo com o gêiser.

Decidi fazer o mesmo, retirei o dedo apontado para a gota e ela caiu de volta na água, eu fiquei bravo então tentei de novo, desta vez a gota veio maior e todas as vezes que eu tirava o dedo ela caia. A cada tentativa a gota ficava maior, como se cada alteração nas minhas emoções afetava o tamanho da gota, Brandon riu, finalmente uma risada.

– Calma, acho que você já percebeu o porquê a gota cresce.

– Entendi, são minhas emoções — Disse desanimado, Brandon continuou rindo.

– Olha se acalma...

– Eu to calmo. — Disse imediatamente.

– Tudo bem então tenta de novo. – Olhei para a gota dele e ela continuava flutuando como se nada tivesse de errado.

– Como você consegue, perante tudo que ta acontecendo? – Perguntei e ele abaixou a cabeça.

– Eu estou triste, é normal isso acontecer quando suas emoções estão atuando – Disse ele – O mar, quando esta triste não se move, já percebeu?

– Sim, mas eu sempre pensei que ele estava calmo... – Disse fazendo careta.

– Sim, também, mas... Como eu devo te explicar melhor... — Ele parou olhou para o lago e então disse. – Já sei, porque você acha que a água de um aquário é sempre parada, mesmo tendo muitos peixes em movimento ali dentro?

Fiquei me silencio porque eu não sabia ao certo a resposta.

– A água ali dentro é parada porque ela esta triste. – Olhei para Brandon que explicava por um momento e então comecei a entender. – Porque quer ser liberta, ela não quer ficar para sempre em um aquário com peixes nadando nela, então mesmo os peixes nadando dentro dela a água não vai entrar em movimento, pois está muito triste presa ali. Entendeu?

– Sim – Respondi sorrindo. Nunca tinha pensado por esse lado, a água ter sentimentos então decidi me acalmar e tentar novamente. – Então eu devo ficar triste?

– Não, se acalmar já basta. — Ele sorriu.

Respirei fundo e fiz o mesmo movimento com o dedo apontando para a água, a gota flutuou.

– Isso mesmo. – Disse Brandon. – Agora com calma se concentre na gota para que você possa retirar seu dedo.

Me concentrei encarando a bolha e tirei o dedo, nada aconteceu ela ficou ali parada, com algumas vibrações, mas parada. Naquele momento eu queria pular de alegria ou sei lá, mas Brando pareceu ler minha mente.

– Se acalme Henry, você ta conseguindo, qualquer alteração nas emoções pode ser uma catástrofe. – Informou Brandon autoritário, me acalmei. — Agora, ainda concentrado na bolha eu quero que você olhe para mim.

Eu não queria tirar os olhos da bolha, se não eu ia estragar tudo, Brandon me cutucou.

– Ei, olha pra mim. — Disse mais alto.

Concentrei totalmente a minha atenção na bolha e então virei o rosto para Brandon, ele começou a rir de novo.

– Sua cara ta muito engraçada. – Riu ele. Será que a minha concentração é tanta que eu acabei fazendo caretas? – Olha para a bolha.

Olhei para bolha e ela continuava ali parada e flutuando.

– Inacreditável — Disse finalmente. – Eu consegui?

– É, conseguiu irmãozinho. – Disse ele sorrindo. – Agora desmancha essa cara de concentração que nem precisa de tanta, afinal é só uma gota, se você quiser ela vai ficar ai flutuando até amanha de manhã, na hora do café da manhã, ou então te seguir até o chalé e ficar parada em quanto você dorme, até você ordenar que ela se desmanche.

Olhei direto para a bolha, mal pensei e ela já se desmanchou no ar.

– Legal vamos tentar de novo — Disse ele.

Ficamos ali treinando até a hora do jantar. A cada tentativa que eu fazia, via que tudo dependia da força das minhas emoções e qual tipo era, na alegria percebi que a gota ficava muito movimentada, como se ela quisesse brincar de pega-pega a todo custo. Consegui fazer gotas enormes flutuarem sem muito esforço e concentração. Fiquei imaginado se eu conseguiria levantar um oceano. Não seria possível, pois acho que Poseidon não permitiria.

Depois do jantar vi Jessie conversando com Mari em um canto do refeitório, estranho. Jessie tinha uma bainha negra na mão, no qual entregava a Mari que parecia recusar. Passaram um momento discutindo e então Mari aceitou a bainha meio impaciente, mas aceitou, então Jessie saiu impaciente em direção à saída do refeitório, como se Mari a tivesse contrariado ou desrespeitado.

Depois do jantar ia ter outra atividade chamada luta corpo a corpo, que segundo Brandon era opcional, então decidir não faze-la, precisava de um banho repousar um pouco. As 21:00 teve canção e volta da fogueira, foi muito legal com os filhos de Apolo cantando elegantemente, Tenny estava entre eles com uma arpa muito brilhante. Mari, quando via Peter sempre voltava para o seu transe esquisito, como se começasse ter visões.

O restante da semana foi muito tranquila e divertida, porem cansativa, na quarta feira tivemos limpeza dos estábulos onde novamente ouvia vozes estranhas que eu não entendiam de onde vinham, então contei ao Brando sobre.

– Ouvindo vozes? – Disse ele fazendo caretas – Aaaah! Pensei que você já soubesse conversar com os cavalos...

– Conversar com os cavalos? — Perguntei indignado – Como assim?

– Sim esse é uma das habilidades nossa. – Disse ele estalando os olhos – Conversar com cavalos e qualquer tipo de animal marinho.

– Nunca pensei que eu poderia conversar com os cavalos, mas com animais marinhos já desconfiava. – Disse serio.

– Nos podemos conversar com os cavalos, por causa daquela historia de Poseidon e Atena brigarem para dar seu nome a uma cidade. – Relatou Brandon. – Então para que se poupasse a guerra à escolha seria dos moradores da cidade, então Poseidon com a espuma do mar criou os cavalos, e Atena criou as carruagens e a oliveira. Tendo assim sendo escolhida pelos moradores, dando a cidade o nome de Athenas. Então os cavalos vivem livres dando a entender de que eles são nossos irmãos.

– Legal. – Disse.

Depois tivemos esgrima, uma atividade que eu apreciava bastante, com sempre fui contra Brandon, ele estava mudado, ele parou de fazer corridas desnecessárias me dando mais trabalho. No tempo livre ele começou a dificultar as atividades em controlar a água, mas melhorando a minha concentração. Na quinta-feira era dia de Brandon inspecionar os chalés, gostaria de fazer isso um dia, pelo o que ele me disse ele deu nota 1 para os filhos de Ares, banho gelado pra eles, ele não ia muito com a cara deles, acho que foi de proposito.

Na colheita dos morangos pude ver Pahtricia novamente, como sempre muito bela, ela acenava para mim com um sorriso gracioso de sempre, mal podia esperar para falar com ela novamente. Quando Brandon me viu acenando de volta me cutucou e deu um sorriso e fez uma cara de “Hãã, ta pegando né?”, fiquei meio sem jeito, mas ele não parou de rir. O resto do dia foi bem estranho aprendendo coisa que eu achava que podia fazer em uma luta contra um monstros com, pular no pescoço de um Minotauro pra tentar arrancar a cabeças dele sabendo que ele pode te quebrar com um palito de dente, é preciso sempre de uma estratégia, alguns filhos de Ares ficaram bem desanimado com a informação, mas tarde no tempo livre as aulas de controle de água estavam mais difíceis porem mais legais, já estava conseguindo fazer flutuar grandes redemoinhos de água e coisas muito interessantes com a água, como fazer com que uma bolha faça um estrago maior que a de uma bala de canhão, como fazer lançamento de laminas d’agua que cortam talvez até mais que uma espada normal dos filhos de Hefesto, isso me ajudaria bastante na ausência da minha espada, e entre outras coisas maneiras que para um mortal seja impossível acontecer.

Na sexta feira, pela manhã, Brandon estava muito agitado e ao mesmo tempo preocupado.

– O que você tem? – Perguntei.

– Hãã, nada! – Respondeu ele assustado. – É... que... Teremos Captura a Bandeira e eu estou preocupado de quem vai estar no nosso time. Já pensou se os filhos de Hipnos forem do nosso lado, nos Já éramos.

– Captura a Bandei, é... – Disse pensativo – Comentaram no acampamento que é a atividade mais legal de se jogar.

– Sim. – Disse ele ainda agitado. Ele estava estranho, toda manhã ele esta conversando com alguém na fonte, só que da ultima vez o pouco que eu conseguia ouvir dava pra perceber que a voz mudava, a cada dia, às vezes era uma vez feminina, porem grave e autoritária, e outras vezes era aguda e bela, eu não entendia de tantas conversas com pessoas diferentes. Dei a entender de que ele estava recrutando proteção pra sua namorada gravida e que por algum motivo os diretos do acampamento não puderam ajuda-lo.

– Seja como for, espero estar preparado. – Murmurei – Tomara de o pessoal de Hermes esteja na nossa equipe também, porque eles são muitos e podem ajudar Bastante.

– Verdade – Concordou Brandon – Provavelmente eles serão, porque somos um chalé com menor numero de semideuses.

– Que bom... – Disse bocejando.

Depois do café da manhã tivemos as inspeções diárias no chalé, sempre ganhamos bons pontos com 4 e até mesmo 5, mas hoje foi uma exceção. Quem inspecionou o chalé foi o líder do chalé de Ares, nos deu nota 3, acho que ele ia nos dar 2, mas ele olhou pra Brandon e viu que o cara não estava bem então decidiu ter “peninha” da gente dando nota 3, depois disso ele saiu nas gargalhadas do chalé, mas pelo menos sem banho frio.

O resto da tarde foi tranquilo, tivemos vôlei com o pessoal de Hermes, foi o chalé 11 inteiro contra o chalé 3 e 12, perdemos de lavada, os filhos do senhor de D, do chalé 12 pareciam não conseguir ficar em pé, dando a impressão de que tomou litros de cachaça logo no café da manha e no almoço.

No tempo livre, Brandon desapareceu, treinei alguns movimentos com a água sozinho e então fui procurar Jessie e Mari. As encontrei sentadas ao lado da porta do chalé 11 com Kyle e Kat, faz tempo que a gente não batia um papo.

– Eaí magrelo – cumprimentou Jessie.

– Cara, como você pode deixar ela falar assim com você? – Perguntou Kyle.

– Cara, eu me faço essa pergunta todas as manhãs. – Disse olhando pro céu. – E não sei como responder nem para mim.

– Ele tem medo de mim – Disse Jessie sorrindo.

– Não tenho não! – Respondi, Kyle riu. Olhei para Mari e vi que ela estava em cochichos com a Kat. – Bela bainha Mari, é a sua cara. – Elas pararão de cochichar e Mari olhou séria para mim.

– Valeu. – Respondeu ela num tom frio.

– Tem algo que você queira repartir com a gente? – Perguntou Kyle.

– Não sei se eu devo... – Ela foi cortada com um cutuque de Kat.

– Larga de frescura. – Disse Jessie tentando não ser grossa. Kat olhou para Jessie e depois para Mari com uma cara de “verdade, larga de frescura”. Mari respirou fundo de disse.

– Sinto que algo muito estranho vai acontecer com Peter. – Disse ela baixo.

– O filho de Afrodite? – Perguntou Kyle.

– Sim, ele mesmo. – concordou Mari e todos prestando muita atenção. – Já faz algum tempo que estou sentindo que algo muito grave vai aconteceu com ele e perece que este acontecimento chegado perto, por que a cada dia que passa essa sensação fica mais forte.

– E como é que você sabe que é algo grave? – Perguntou Jessie, todos estavam abismados com a noticia, porque até esse momento só eu sabia desse dom misterioso de Mari.

– A ultima vez que tive essa mesma sensação foi quando minha tia estava perto dos dias de morrer. – Disse muito séria apenas essas palavras deu pra perceber que o pessoal ficou muito abalado, vi também que Kat se arrepiou toda e Kyle estalou os olhos e depois baixou a cabeça.

– Que pena. – Lamentou Jessie. – Ele é bonito! – Disse ela sem o maior motivo, o clima tenso foi quebrado e eu comecei a rir e Kyle me acompanhou, de repente todos estavam rindo, até Mari, que por sinal era muito estranho, porque ali no acampamento alguém estava prestes a morrer.

– Eaí, quem esta preparado para a captura à bandeira? – Perguntou Kyle se levantando, todos ficaram em silêncio. – Afinal, onde esta Brandon, Henry?

– Não sei – Respondi – Ele desapareceu logo depois do vôlei e não apareceu pro nosso treino no lago.

– Estranho. – Murmurou Kat – Há com certeza ele vai estar na captura à bandeira que vai ser logo depois do jantar. Falar nisso, to com fome.

– Eu também – Disse Jessie, se levantaram e foram em direção ao refeitório e eu os acompanhei.