Notas iniciais
Deu vontade de fazer, então eu fiz asuhdduadsh

Era o último dia de Hijikata e dos demais ex-membros do shinsengumi ali em Edo e o tempo estava tão cinzento quanto os espíritos deles. Depois da grande rebelião envolvendo grupos que antes eram inimigos e o sucesso do resgate de Kondou Isao, o atual xogum não sossegaria enquanto não os capturasse para se vingar pelos problemas que afetavam seu título a tão pouco tempo conquistado. Sendo assim, cada um dos membros decidiu despedir-se daquelas pessoas por quem mais prezavam e não foi nenhuma surpresa Toushirou ir em busca de um familiar samurai de cabelos prateados.

No entanto, mal saíra do lugar de onde estava hospedado temporariamente quando avistou Gintoki sentado na escadaria da entrada com um guarda-chuva em mãos. Aparentemente ambos tinham a mesma ideia em mente e seguiram silenciosos debaixo da chuva fina em direção ao estabelecimento bastante frequentado por eles.

A tia do ‘Prato-feito’ sorriu-lhes gentil tão logo reconheceu seus clássicos cliente adentrando o local e após servir um chá, dedicou-se a preparar os pratos sem que precisasse ouvir as especificações sobre o conteúdo.

Durante todo o processo de preparo dos alimentos, eles ficaram numa conversa tranquila sobre como seguiriam suas vidas a partir dali. O ex-shinsengumi viajaria pelo resto do país em busca de apoiadores da causa, enquanto que o grupo do yorozuya permaneceria em Edo, fornecendo proteção durante o período que a polícia de verdade ficasse fora. Nenhum deles sabia ao certo por quanto tempo ficariam sem se ver, mas nenhum dos dois tocou diretamente nesse tópico. Parecia que se transformassem em palavras os pensamentos que circundavam ambas as mentes, suas piores hipóteses se tornariam concretas.

Quando os pratos foram enfim servidos – o de Gintoki com mais açúcar do que seria saudável para alguém e o de Toushirou com o excesso de maionese habitual – e os dois resolveram, num acordo simultâneo, troca as refeições ao menos naquele dia, a tia da lojinha sorriu entendendo a mensagem por trás de tudo aquilo.

Comeram rápido para que não vomitassem a comida que não agradava nem um pouco aos seus paladares, em seguida pagaram pela alimentação e saíram novamente lado a lado na chuva que continuava a cair. Até o clima parecia estar triste pela separação daquelas pessoas.

Em dado momento da caminhada, passaram em frente ao motel que costumavam visitar quando queriam privacidade, mas apenas continuaram seu trajeto sem entrar. Ainda trocaram uma sutil olhadela, relembrando dos momentos quentes que partilharam tantas vezes antes, contudo, não fraquejaram diante a tentação. Se eles tivessem entrado para ter uma noite especial ali, aí sim soaria como uma despedida definitiva.

Somente pararam de andar quando chegaram num ponto do caminho onde se separariam e cada um iria para um lado. Toushirou estava prestes a dar as costas sem um último adeus quando o de cabelos prateados o puxou para um beco estreito que havia próximo e o prensou na parede. Os guarda-chuvas foram ao chão, mas nenhum deles se importou se estavam ou não sendo molhados pela chuva. Estavam ocupados demais um encarando o outro para isso soar minimamente importante.

— Nós nunca falamos sobre sentimentos, não é, vice-comandante demoníaco? — indagou aproximando-se perigosamente da boca alheia.

Hijikata lambeu os próprios lábios antes de emoldura-los com um sorriso ferino.

— Tornando-se sentimental a esta altura do campeonato, yorozuya?

— Gin-san sempre foi emocional, você que é o coração de gelo aqui. — devolveu o sorriso, erguendo uma sobrancelha. — Que tal termos uma verdadeira conversa quando você voltar? Uma que não envolva assunto sobre terceiros?

Toushirou não respondeu, embora tenha percebido o uso do “quando” no lugar do “se” e quase riu com a sensação boa que lhe encheu o peito. Entretanto, acabou apenas por puxá-lo pela gola de sua vestimenta e quando parecia que ia beija-lo, fez com que suas testas colidissem com força. A careta de surpresa misturada a dor de Gintoki foi impagável. Depois empurrou-o para longe de si, com um sorriso mais próximo do amável que conseguia no momento, agitando a cabeça como um cão fazia para tirar o excesso de água dos pelos. Apanhou o guarda-chuva que lhe pertencia e saiu do beco sem lhe dar uma resposta.

Ouvindo passos e um resmungo insatisfeito atrás de si, ele se virou para o famoso shiroyasha, tendo o cuidado de guardar bem na memória a imagem do homem que era seu amante há um tempo considerável.

— Quando eu voltar, resolveremos todas as nossas pendências. — declarou, encarando-o direto nos olhos cinzentos penetrantes. — Então, até lá, fique vivo, Gintoki.

Ao terminar de falar isso ele se virou e continuou seu trajeto, dessa vez sem ousar olhar para trás novamente. Pegou a carteira de dentro da manga do seu kimono, tão logo acendendo o cigarro que repousara nos lábios. Estranhamente ele não sentia tristeza. Talvez fosse por estar partindo para lutar em prol do seu país e pelos seus compatriotas, sendo impulsionado por uma convicção que ele confessava não ter quando o shinsengumi fora criado. Ou talvez fosse por sentir uma certeza convicta de que eles voltariam a se ver de uma forma ou de outra, pois o destino parecia gostar de uni-los nas situações mais improváveis.

Fechou o guarda-chuva e soltou devagar a fumaça que tragara.

A chuva finalmente tinha cessado.

Notas finais
Vi o episódio 316 faz uns dias aí e não to sabendo lidar com o final fofinho! Kondou se despediu de Tae, Sougo de Kagura e Hijikata de Gintoki!!! Não importa como eu olhe, pra mim é como se o próprio autor shippasse os meus ships aaaaaaa

Ok, agora vou ali me recuperar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!