Identity

8 Capítulo 7 — Road Trip


Notas iniciais
Eu sei que to longe há muito tempo, mas finalmente tive tempo para escrever. Espero que alguém ainda esteja lendo.

Pov. Jughead

Honestamente não faço ideia no que Cheryl está pensando, não consigo entender o que deve estar passando pela cabeça dela, qual motivo a faria pedir o que pediu.

Consigo pensar em diversas justificativas, mas isso não me ajuda a realmente compreender, mesmo tendo visto minha mãe passar por uma situação parecida seria hipocrisia da minha parte comparar as duas vivências.

Por mais que minha mãe tenha sofrido muito na mão do meu pai, não é a mesma coisa, ela não teve seu irmão assassinado pelo próprio pai, também não viu seu pai morto pendurado em uma corda e por mais que eu tente acho que nunca vou realmente entendê-la.

Isso me revolta mais do que tudo, sinto uma necessidade absurda de ajudá-la, de protegê-la dos seus intrínsecos sentimentos e de interromper qualquer tipo de pensamento mais drástico, que eu acredito que a ruiva deve estar cogitando, porém na verdade não consigo fazer nada.

Me sinto preso a essa situação. Não sei o que dizer a Cheryl para animá-la, tudo o que penso parece idiota e estúpido, porque afinal depressão é uma doença que precisa ser tratada por profissionais, quadro que eu claramente não me encaixo. Pesquisei muito nessa noite, no computador da Karen, sobre sintomas e o que eu posso fazer.

Foi assim que tive a ideia de levá-la para um local diferente por pelo menos uns dias. Sei que depressão não se cura por toque de mágica, só quero fazê-la ver um outro ponto de vista ou que Cheryl pelo menos se distraía por esses dias e pense a respeito de procurar ajuda médica mais tarde.

Sendo bem honesto, não sei como continuarei vivendo se algo acontecer com ela, sei que estou convivendo com a ruiva de verdade há pouco tempo, contudo estranhamente me sinto mais íntimo perto dela do que da Betty, minha própria namorada ou... ex.

Tive uma discussão com Betty pelo telefone ontem, ela me acusou de estar relapso, de não estar realmente presente nos últimos dias e por mais que eu quisesse negar eu sabia que era verdade. Cogitei contar sobre a Cheryl e a respeito de tudo o que eu tinha na cabeça.

No entanto no último momento mudei de ideia. Prometi a ruiva que não contaria a ninguém que ela está aqui e se quero manter a confiança dela não posso fazer isso de maneira nenhuma. Além do mais, não sei se faria realmente bem a Cheryl, pois apesar de todos serem bem intencionados, sei que fariam por caridade, não por realmente se importarem e caridade é a coisa que a Blossom menos precisa nesse momento.

De repente a loira deixou de ser minha prioridade e não é que eu não a ame, eu só não consigo mais dedicar meu tempo para reconquistá-la, não consigo sequer gastar meu tempo pensando nisso, a única coisa que reflito o tempo todo é como ajudar Cheryl, não quero perdê-la, não sei exatamente porquê, mas sei que não posso permitir que isso aconteça.

As lembranças do que fiz mais cedo me assombram, sei que deveria me sentir culpado por trair Betty, todavia a verdade é que não consigo parar de me perguntar se agi certo. Não consigo esquecer da voz dela e dos olhos me implorando para fazê-la sentir alguma coisa, por um instante eu me esqueci totalmente da garota que ela costumava ser, de como Cheryl tinha o hábito de humilhar qualquer um que passasse pela sua frente, a ruiva parecia tão triste, desesperada e tão... irreconhecível. Eu fiz o que pensei ser certo naquele momento e agora sendo honesto me arrependo.

Não foi correto o que eu fiz, não foi bom pra ela, só consigo pensar que ela deve estar planejando tirar sua própria vida de novo e que preciso encontrar uma forma de evitar que ela faça isso, não a salvando como fizemos semanas atrás, mas fazendo-a mudar de ideia. Eu sei que sozinho não tenho poder de curá-la, porém se pelo menos conseguir me aproximar para convencê-la a buscar um tratamento já me vejo por satisfeito.

É com essa ideia em mente que durante o jantar faço um pedido a Karen. Peço permissão para viajar até Toledo para visitar a minha mãe e irmã, Karen reluta a princípio, contudo acaba concordando, pois sabe como eu sinto falta da minha irmã, e como Derek, seu marido, volta amanhã seria bom ter um pouco mais de privacidade nos primeiros dias.

Convencê-la a permitir que eu leve Cheryl comigo, é quase uma guerra, Karen sabe que há algo de errado e tem medo do que pode acontecer se a ruiva estiver longe de casa. São necessários muitos pedidos e justificativas para convencê-la, conto sobre a perda de Jason e como eu acredito que uma viagem a ajudará a se recuperar. Karen concorda depois de eu jurar que perderíamos poucas aulas e que ligariamos todos os dias.

Quando volto para o quarto Cheryl continua deitada, perdida em seus próprios pensamentos, e eu deito na minha cama pensando na melhor maneira de contar a ela sobre meus planos. É engraçado pensar em como as coisas mudam, se qualquer um sugerisse para mim que eu planejaria uma viagem com a Cheryl no futuro, eu provavelmente gargalharia da piada e agora parece a única coisa que eu sou capaz de fazer, a única coisa que realmente importa...

Continuo deitado por algum tempo tentando dormir, porém não consigo tirar os olhos dela. Cheryl não está dormindo, apesar de estar com os olhos fechados, e isso me preocupa. No que será que ela está pensando? Instintivamente eu me levanto e deito ao seu lado.

Sinto a ruiva congelar e a abraço. Cheryl não se vira para me encarar, pelo contrário só me questiona da razão para eu estar fazendo isso, como se eu precisasse de um motivo muito especial para fazê-lo.

— Porque eu acho que você precisa disso. — Respondo, não porque acho que é o que ela precisa ouvir, mas porque é a verdade. A maior verdade sobre mim nesses últimos dias.

— Obrigada, Jug, por tudo quero que se lembre disso se algo acontecer comigo — Minhas suspeitas se confirmam e eu me sinto ainda mais apavorado. Como vou evitar isso? Às vezes parece que me meti em uma guerra sem-vencedores.

— Cher, quero que seja honesta comigo, não quero te julgar, mas estou com medo, com muito medo. O que você pretende fazer amanhã?

— Ir à escola, Jughead, como você. — Eu queria acreditar nela, mas não acredito. Sei que é tudo mentira.

— E depois? — Pergunto para pressioná-la, quero que ela me diga a verdade.

— Nada. Provavelmente dormir para recuperar essa noite mal dormida.

— Preciso de companhia para um lugar amanhã. Você iria comigo?

— Por que não chama a Betty para ir com você?

— Bem, Betty e eu é algo complicado, nós brigamos... Não sei se voltaremos a ficar juntos.

— Para onde?

— Te conto quando chegarmos lá.

— Tudo bem vou com você.

Penso em voltar para minha cama, porém não consigo. Várias possibilidades começam a passar pela minha cabeça, e se ela tentasse fugir durante a noite? Pensando nisso a abraço e uso uma das minhas mãos para acariciar seu cabelo.

— Só mais uma coisa, Cheryl, talvez você não seja minha amiga, mas eu sou seu amigo, ok? Você pode contar comigo, você pode me falar qualquer coisa, você pode me xingar que eu continuarei aqui. Talvez você não precise de mim, mas eu preciso de você.

Devo ter adormecido, porque não lembro de mais nada. Acordei já estava claro e Cheryl não estava mais do meu lado. Meu cérebro começa na hora a pensar nas piores possibilidades e eu me levanto indo atrás dela esperando que não seja tarde demais.

— Bom dia, Jug ! — Qual é a minha surpresa quando a vejo saindo do banheiro com os cabelos molhados. Alívio não é palavra suficiente para expressar o que eu sinto nesse momento, só consigo pensar: graças a Deus e olha que eu nem acredito em Deus.

— Vai contar para onde vamos ou o quê?

— Eu disse que é surpresa, você vai descobrir quando chegarmos lá. Arrume uma pequena mala, talvez fiquemos mais de um dia por lá.

Karen nos leva até onde está a antiga caminhonete do meu pai, que temporariamente é minha. Dali partimos sozinhos, coloco uma música, que considero perfeita para uma road trip e seguimos viagem.

Cheryl passa grande parte do caminho calada e eu divido minha atenção entre o seu rosto desanimado e na estrada. Não está funcionando, preciso fazer algo para animá-la. Começo a pensar nas viagens de família, que fiz algumas vezes, e no que distraía eu e Jellybean. Paro o carro no meio do nada, Cheryl me encara sem dizer nada, é como se ela não se importasse com nada disso.

— Estou entediado. Por que não jogamos alguma coisa?

— E precisamos ficar parados pra fazer isso?

— Não, mas queria ver se pelo menos isso te fazia dizer algo. E então vamos jogar?

— Depende o que você quer jogar?

— Já ouviu falar do jogo das 20 perguntas?

— Já joguei algumas vezes com o Jason. — Disse com um sorriso pequeno, mas tão genuíno, que eu soube que tinha feito o certo em ter essa ideia.

— Você começa. — Eu falei.

— Deixa eu pensar… Para onde estamos indo?

— É justo, para Toledo, quero rever minha mãe e irmã e quero que você as conheça.

— Por que eu ao invés de qualquer outro dos seus amigos?

— Porque você é especial para mim, Cheryl, muito especial, e quero que esteja comigo nesse momento. Minha mãe não sabe que eu estou indo, mas do que isso ela pediu pra que eu não fosse meses atrás, então não sei exatamente qual vai ser a reação dela ao me ver, preciso que alguém esteja comigo se o pior acontecer...

— Estarei com você, Jug. Por tudo que tem feito por mim, esse é o mínimo que eu posso fazer. — Diz ela enquanto segura minha mão. Estremeço ao me lembrar do que fizemos na última vez que fizemos isso. Meu abalo deve ter sido bem nítido, porque em seguida ela diz:

— Fique tranquilo não vou pedir para você me masturbar hoje. Não precisa ter medo.

— Talvez não fosse um problema se pedisse. — Falo baixo e me arrependo na mesma hora. Que merda é essa na minha cabeça? Mesmo tendo sido baixo acho que ela conseguiu me ouvir ou a ruiva está gargalhando, como uma louca, por nada. Não sei em que momento, mas quando menos percebo estou rindo também, feliz só de poder ouvir o som da sua risada.

Continuamos jogando pelas horas que se seguem, temos altos e baixos, mas de maneira geral sinto que foi uma boa ideia trazê-la comigo. Decidimos parar num hotel de beira de estrada, já estou cansado de dirigir e ainda há um longo chão pela frente. Chego a perguntar se Cheryl quer um quarto individual, mas ela diz que não, que não quer dormir sozinha num local que não conhece. Então, decidimos dividir um quarto, porém como ainda é cedo acabamos indo para um bar próximo comer alguma coisa e passar o tempo.

E bebemos, como bebemos, quer dizer Cheryl bebia e eu acompanhava, no final das contas acabamos os dois bêbados. A ruiva, ainda mais bêbada que eu, cambaleava pela rua enquanto eu a ajudava a andar. Já no quarto, não sei respondendo a que instinto ela me agarrou. Me segurou pela camiseta e me beijou ferozmente. Eu correspondi sem entender muito bem o que estava acontecendo, só sabia que também queria aquilo há tempos...

Notas finais
O que estão achando da segunda temporada da série?