Identity

2 Capítulo 1 — Uma nova "família"


Notas iniciais
Olá, galerinha! Mais um capítulo para vocês, espero que vocês gostem! Capítulo dedicado a Puddin, primeira leitora oficial da fanfic!

Pov. Cheryl Blossom

Confesso que todos os acontecimentos seguintes parecem um borrão. A assistente social passou algum tempo conversando comigo, fazendo perguntas como: Você acha que sua mãe voltará logo? Ela já tinha feito isso alguma outra vez? Por que você acha que ela fez isso?

Como se eu tivesse a resposta para alguma dessas perguntas, minhas respostas foram grosseiras e mal educadas, o que envergonhou um pouco o xerife, mas eu não me importei, nada mais importa. Clair, a assistente social, por outro lado não pareceu incomodada. Começou a conversar com o Xerife sobre casos semelhantes ou piores que o meu, me ignorando completamente. Grande novidade...

Um tempo depois ela perguntou se eu tinha roupas o suficiente para me estabelecer na nova casa e sinceramente acho que esse foi o momento mais vergonhoso de toda a conversa.

Não tenho roupas, não possuo nada, até mesmo as que estou usando não são realmente minhas, como minha mãe não deixou nenhuma roupa para mim, os enfermeiros me deram esse vestido. Nunca tinha realmente parado para pensar como essas pequenas coisas são importantes e fazem falta quando você não tem.

Logo eu, que sempre me importei tanto com como me vestia, me vejo nessa situação. E o que mais incomoda não é ter que usar roupas de segunda mão, não que exatamente me agrade também, mas não ter nada, saber que preciso da ajuda dos outros até para me vestir, é só humilhante demais para mim. Eu sei que muitas pessoas fazem isso a vida inteira, não quero ofender ninguém, eu só nunca me imaginei passando por um situação dessa, tudo isso soa irreal e desconexo demais.

Quero chorar de novo, mas não o faço. Não aguento mais chorar, não resolve nada, só estraga minha aparência e faz com que os outros sintam pena de mim e isso eu não quero mais, prefiro ser odiada com isso pelo menos eu já estou acostumada.

Mesmo com as minhas palavras grosseiras, Clair ainda é educada comigo, não sinto nenhum tipo de afeto, mas em nenhum momento ela me maltrata. Mesmo sendo tarde, ela me leva ao que parece ser um abrigo e me deixa escolher quatro peças de roupa de uma enorme pilha de doações.

Não preciso dizer o quão humilhante foi para mim ter que vasculhar naquele roupas na busca de algo que tivesse o meu tamanho e combinasse comigo. Sei que existem coisas muito piores, mas nunca na minha vida pensei que precisaria fazer isso. Nunca pensei também que meu irmão seria assassinado, que meu pai o mataria ou que minha mãe me abandonaria. Resumindo, nada é como eu esperava que fosse. Tudo é pior e olha que minha vida nunca foi um real mar de rosas.

As únicas duas coisas constantes na minha vida sempre foram Jason e o dinheiro, primeiro me levaram Jason, depois me fizeram me sentir culpada pela sua morte e agora me tiraram o dinheiro. Não sei bem o que será da minha vida, não tenho nenhum amigo de verdade, sempre fui uma intrusa em todos os lugares que ia inclusive na minha própria casa e agora serei de fato uma estranha no lar de outra pessoa.

Não consigo parar de pensar no rio, em como Archie não deveria ter bancado o herói, se eu estivesse com Jason agora não teria que passar por nada disso. Quanto mais eu vivo, mas eu sofro. Estou sozinha e sem nada. Não sei porque ainda estou respirando, ninguém realmente se importa, ninguém realmente gosta de mim. E como poderiam se nem minha mãe é capaz de me amar?

— Cheryl, já escolheu as roupas? Precisamos ir. — disse Clair claramente um pouco apressada.

— Sim —falei com um bolo de roupas nas mãos. Uma calça jeans e algumas camisetas, nada que a antiga Cheryl usaria, mas talvez seja o momento de me reiventar, talvez cortar o cabelo...

O caminho para a foster family é silencioso, passo a maior parte do tempo olhando para a janela observando como não conheço o lugar onde sempre morei. A casa da foster family fica do outro lado da cidade, um lado que se eu não me engano nunca tinha visitado antes.

Nesse tempo é inevitável não pensar em todos os acontecimentos da minha vida. Quando era mais nova costumava escrever num diário sobre como me sentia, minha infância apesar de cheia de brinquedos não foi exatamente feliz, cresci na sombra do Jason, eu era a filha indesejada, a que estava sempre fazendo algo errado.

Eu sempre pensei que a culpa fosse minha, que eu não me encaixava na família, mas no fim das contas nem Jason se encaixava. O problema não estava em nós dois, mas nos nossos pais. Meu irmão era meu protetor, meu melhor amigo, quem estava sempre comigo independente de qualquer coisa, quem eu amava mais do que tudo. Não desmenti o que a Verônica disse aquele dia sobre o incesto, porque nem eu sei a extensão dos meus sentimentos por ele.

A única coisa que eu sei é que faria qualquer coisa para tê-lo de volta ou para estar perto dele. Não temo mais a morte, a vejo como um mal necessário, que pode me levar até ele de novo. Quase uma luz no fundo de um túnel muito escuro.

Juro que tentei continuar a minha vida sem ele, tentei por meses fazer novos amigos, me aproximar da Polly e dos bebês, mas nada parece o suficiente. Não consigo me conectar de verdade com mais ninguém e me vejo todas as noites sozinha com um vazio nas costas tão pesado que é difícil não me desesperar.

Descobrir que foi meu pai quem o matou foi a gota d’água de um sentimento que já estava me sufocando há tempos. Ver o corpo dele pendurado naquele celeiro acabou com a pouca sanidade que eu ainda tinha. Toda vez que fecho os olhos vejo o corpo de Jason em decomposição e o do meu pai pendurado naquela corda. Me sinto cansada de tudo isso, só quero fugir, deixar tudo para trás com Jason ao meu lado...

— Antes de entrarmos quero te dar alguns conselhos. — disse Clair me tirando do meu devaneio — A maioria das crianças cresce nesse sistema e está acostumada com as regras, como não é seu caso acho importante que eu fale. É importante que você obedeça todas as regras estabelecidas pela foster family. Não são permitidas bebidas, drogas, dentro da casa da foster family, caso você seja pega usando vai ser mandada para outra casa ou para um abrigo, o que não é o que nenhuma de nós duas queremos, não é?

— Certo. — respondi mesmo não tendo prestado muita atenção no que ela disse.

— Qualquer coisa que você precisar você pode ligar pra mim. — disse Clair enquanto me entregava seu cartão. — Vamos? — falou ela enquanto já saía do carro e eu a seguia segurando a mochila que também tinha pego no abrigo.

Clair toca a campainha e nós dois aguardamos por alguns minutos do lado de fora, não tinha percebido até agora o quanto estou nervosa. Uma parte minha anseia por conhecer essas pessoas e quem sabe dessa vez encontrar alguém que realmente se importe comigo. Uma tolice, eu sei, mas não consigo evitar. Quando a mulher atende me surpreendo com a sua juventude, não acho que ela tenha mais de trinta anos.

— Olá, meu nome é Karen. O seu é? — Karen é alta, branca e muito bonita, suas roupas são simples e seu cabelo também, mas isso só parece torná-la mais bela.

— Cheryl.

— Prazer, Cheryl. — Karen começa a falar um pouco sobre as regras da casa e Clair vai embora. Depois de falar todas, ela me mostra a casa: cozinha, banheiro e por último quarto. Aparentemente ela vive aqui com o marido, que está viajando, e com um outro desabrigado, como eu, que vai dividir o quarto comigo.

Talvez devesse estar feliz de ter uma companhia, mas não estou. Tudo que quero agora é ficar sozinha por um tempo, pensar nos meus sentimentos e tomar decisões. Outra pessoa só atrapalhará isso. Mesmo se ele for a melhor pessoa do mundo, não será Jason, não me salvará de mim mesma como Jason costumava fazer.

— Deve ser ele. — falou ela ao ouvir um bater de porta no andar de baixo. A acompanho pelas escadas por insistência dela e qual a minha surpresa quando chego a sala.

— Jughead.

— Cheryl? O que faz aqui?

Notas finais
Foster family- é uma família acolhedora que recebe uma criança ou adolescente que não pode mais viver com seus pais. Aguardo os reviews, hein!! Não se esqueçam de comentar...