Identity

9 Capítulo 8 — A Viagem


Notas iniciais
Demorei, mas to de volta Espero que gostem!!

Pov. Cheryl Blossom

Durante toda a viagem eu vivo um dilema interno: as duas velhas vozes discutem entre si e a cada momento uma vence a batalha. Ás vezes a mais alta é a que me manda acreditar nele e outras é a que me convence de que tudo é uma grande mentira, que Jughead sente apenas pena de mim como todos os outros. Não sei se ele percebe minha mudança de humor, se sim não fala nada, me trata muito bem a viagem toda, me fazendo rir e repensar se eu preciso realmente me matar agora. Se eu posso sorrir com ele como estou sorrindo agora, mesmo sendo só por pena, quer dizer que eu ainda posso sorrir desde que encontre e seja a pessoa certa.

A voz boa vence e eu vejo uma luz no meu futuro, uma possibilidade que me enche de alegria e que me instiga a desejar mais e mais essa sensação. O problema é que ela nem sempre vence, é possível dizer até que ela mais perde que vence. Todo momento que eu estou próxima de acreditar de vez, a voz ruim volta e me coloca para baixo. Grita no meu ouvido com sua voz silenciosa, mas ao mesmo ensurdecedora que eu preciso parar de ser idiota, que nada disso é verdade, que o que Jughead quer é paz de espírito, ele não quer o fardo de uma morte nas suas costas e alguém pode julgá-lo?

Eu não o julgo, na verdade o invejo, queria ser como ele, queria não precisar de ajuda. Quando escuto sobre a mãe dele a boa voz retorna certa de que mesmo que eu esteja quebrada e destruída por dentro ainda posso ajudá-lo. Jughead precisa de mim, porque no fundo ele tem mágoas muito parecidas com as minhas, que nenhum dos outros amigos dele compreenderia. Ele precisa de mim, sorrio com essa ideia, porém o sorriso não dura tempo suficiente.

A voz ruim repete no meu ouvido que isso não quer dizer nada, que é só uma desculpa para me convencer e uma parte minha acredita, não quer acreditar, mas não consegue se convencer do contrário. Esse fragmento meu não sabe ser amado ou mesmo admirado e por isso não consegue crer que alguém possa realmente querer ser seu amigo.

Eu não compartilho meus pensamentos, pois sei que Jug não compreenderia, sigo nossas conversas e brincadeiras como se não tivesse nada de errado aqui dentro, mas tem e quanto mais eu finjo mais louca eu me sinto. No ápice da minha loucura paramos para descansar num hotel, poderia ter ficado num quarto sozinha, mas não queria, honestamente não sei mais o que sou capaz de fazer sozinha, não sei mais se quero realmente fazer o que meu lado ruim repete que eu devo fazer.

Ainda é cedo e eu decido ir pro bar na frente do hotel, talvez a bebida acalme os pensamentos errados, talvez alivie um pouca dessa dor e desse vazio que não me liberta. Cada bebida é um alívio, posso sentir meu corpo todo ser anestesiado e uma alegria falsa me tomar.

Eu danço com Jughead, converso, rio, até flerto, mesmo bêbada sei que é tudo de mentira, mas não quero que acabe, ainda é cedo, eu mereço um pouco mais dessa felicidade superficial e irrealista, por isso não paro de beber continuo até os sentimentos mudarem.

Até a felicidade virar tristeza e os risos virarem lágrimas, não quero chorar, não na sua frente, quero rir, quero sentir prazer,não esse vazio sem nome que só me atormenta. É quando meus flertes inocentes se transformam em beijos e ele mais bêbado do que eu corresponde demonstrando que talvez não fosse só coisa da minha cabeça, talvez não seja só pena...

Voltamos para o hotel, nossos beijos são agressivos e urgentes e eu me pergunto se é realmente em mim que você está pensando. Já estamos na cama semi-nus quando você para. Eu não entendo, tento continuar, porém você insiste que não é certo, que é melhor pararmos, que nos arrependeríamos.

Em algum ponto depois de insistir muito, eu concordo ou desisto, não sei qual ao certo vence e eu caio no sono. Ainda vazia, ainda triste, mas bêbada só para variar um pouco. Quando acordo minha cabeça doí mais do que tudo, além de todo o constrangimento ainda preciso estar de ressaca. É sério isso, Deus?

— Bom dia. — Jug diz baixo e eu nem respondo. Estou com raiva, raiva de mim por ter me submetido a isso, raiva dele por ter pensado melhor nas suas ações e do mundo em geral apenas por existir.

— Não vai mais falar comigo? — Jughead fala de novo quando percebe que não vou responder seu cumprimento.

— Por que eu falaria? — Respondo num tom de voz rude, comum da velha Cheryl, que eu nem sabia mais que conseguia fazer.

— Desculpa, ok, mas você sabe que não era certo seguir adiante.

— Você se arrependeria é claro, a perfeita Betty nunca te perdoaria, eu sei disso e honestamente não me importo. Seus motivos não ajudam em nada. — Digo ainda mais irritada do que gostaria, me sinto sobrecarregada.

— Quer que eu diga o quê? Me diz o que eu posso dizer para te fazer sentir melhor.

— Diz que tem como eu me sentir melhor, que minha vida não precisa ser apenas sofrimento, que eu sou capaz de ter amigos, que alguém se importa comigo... — Sussurro baixo decidida que não tem mais razão para esconder algo dele.

— Você vai se sentir melhor, só precisa de tempo e de ajuda. Eu sou seu amigo, não vou embora até você se sentir melhor. Eu me importo. — Jug me abraça e eu fico calada, não choro, as lágrimas secaram, porém ali perto dele eu tento acreditar em tudo o que ele diz, contudo não acredito e de certa maneira sei que nem se acreditasse isso seria suficiente. É só tarde demais.

Notas finais
Olá para todos de novo sei que fiquei muito tempo afastada, peço desculpas por isso e não prometo que voltarei rápido, porque realmente não tenho como saber, mas prometo que volto. Essa fanfic não será abandonada!! Agora espero que não tenham desistido e se não mandem reviews pra eu saber o que vocês estão achando Beijoo