Identity

3 Capítulo 2 — Jughead


Notas iniciais
Olá, genteeeeee Mais um capítulo para vocês!! Demorou mais chegou, desculpa a demora, a vida deu aquela atrapalhada, mas aí está.

Pov. Cheryl Blossom

— Deve ser ele. — falou ela ao ouvir um bater de porta no andar de baixo. A acompanho pelas escadas por insistência dela e qual a minha surpresa quando chego a sala.

— Jughead.

— Cheryl? O que faz aqui?

Está aí uma pessoa que eu claramente não esperava encontrar, é sério isso, Deus, vou ter que dividir o quarto com o namoradinho da Betty?

— Nossa, vocês se conhecem? Pensei que esse fosse o seu primeiro lar adotivo — perguntou "minha mãe postiça" surpresa.

— E é. Eu e Jughead costumávamos estudar juntos — respondi num tom um pouco mais grosseiro do que eu mesma gostaria. A verdade é que está ficando cada vez mais difícil controlar minha raiva.

— Que coincidência, né, Jug? É bom que você não ficará sozinha no seu primeiro dia de aula na escola nova amanhã, Cheryl — falou Karen sorridente ignorando completamente meu tom grosseiro.

Jughead sorri em resposta e eu me pergunto: será que ele gosta de viver aqui? Será que não se incomoda de ter que viver literalmente de favor na casa de alguém?

— Tenho que ir à escola amanhã? — perguntei surpresa por algum motivo a ideia ainda não tinha passado pela minha cabeça. Não quero lidar sozinha com toda pressão que isso pode trazer e a única pessoa que esteve por perto por mim nesses momentos está morta e enterrada há meses. Karen se engana de pensar que terei uma companhia. De todos os integrantes daquele grupo Jughead é provavelmente o que mais me odeia ou o que mais me despreza. Não fui boa com ele, nunca fui, não mereço nada além de seu desprezo.

— Claro, querida. Por que não iria? — a morena pede licença para começar a preparar o jantar e nos deixa sozinhos na sala. Nem olho pra Jughead, a palavra jantar foi o suficiente para me lembrar que não comi nada desde que saí do hospital. Não consigo pensar em nada além de comida.

— Nunca pensei que fosse te reencontrar assim, nesse lado da cidade, nessa situação. O que aconteceu com a sua mãe? — Jughead disse cuidadoso. Ele me conhece bem, sabe que provavelmente receberá uma patada só por ter a ousadia de perguntar, mas não penso em nada. Impulsivamente respondo.

— Eu acordei hoje e ela não estava mais lá, a única coisa que deixou foi um bilhete avisando que estava indo embora — contar essa história parece ficar cada vez mais difícil. Não mostrei a ele, porém o bilhete ainda está na minha mochila. A prova de que minha mãe não me ama o suficiente para lutar por mim, que não enxergou o meu pedido de socorro.

Se nem assim ela soube como me ajudar, como ela esperava que eu fizesse menos que queimar a casa? Ás vezes parece que eu sou a única realmente sofrendo pela perda do Jason.

— Queria entender, porque as pessoas tem filhos se não planejam cuidar deles. — confesso que esperava ouvir apenas mais um meus sentimentos. Seu tom me lembrou muito ao meu próprio, como se ele mesmo já tivesse passado por essa situação.

— Pelo menos o seu pai não escolheu te colocar nessa situação. Até te deixou o trailer... — eu normalmente teria sido grossa, mas estou tão cansada de tudo que honestamente a maior parte das minhas ações não parecem ter muito sentido.

— É, mas minha mãe sim, eu tentei voltar e ela me disse que achava melhor que eu ficasse por aqui.

— Eu não sabia — disse realmente surpresa.

— Ninguém sabe, nem mesmo a Betty, é só difícil falar sobre isso com quem nunca esteve na situação. Não gosto de como as pessoas me olham— Jughead pareceu um pouco envergonhado de admitir. Me deixando um pouco surpresa, por que ele confiaria em mim algo assim?

— Eu também não, por isso não tenho certeza se estou confortável aqui. Passei o dia evitando os olhares do Xerife e da Assistente Social para encontrar os mesmos olhos na Karen.

— Com o tempo isso diminui principalmente se você for mais como era. Se as pessoas tem raiva de você, elas não conseguem ter pena. São dois sentimentos que não conseguem andar juntos.

— Você por um acaso usa esse conselho? — disse rindo.

— Sempre que acho necessário.

— Jug, Cheryl, o jantar está pronto! — gritou Karen da cozinha. Sento na mesa grata de ter finalmente algo para comer.

— Como foi seu dia hoje, Jug? Tudo bem na escola? Conseguiu entregar o trabalho a tempo? —Karen perguntou com um sorriso de orelha e orelha. Será que era assim que um jantar de minha família deveria ser?

Se for, acho que nunca estive em um verdadeiro jantar de família, na minha casa, quer dizer na minha antiga casa, não era um jantar de família se não houvesse alguma briga ou comentário desagradável vindo dos meus pais para um de nós dois, principalmente pra mim, Jason sempre foi o filho perfeito.

— Tudo normal na escola. Sim, conversei com o professor e ele aceitou que eu entregasse hoje. Tendo em vista tudo o que aconteceu nos últimos dias...

Até então, estava devorando a comida sem nem realmente prestar atenção, mas algo em seu tom de voz me chamou a atenção. O que aconteceu nos últimos dias? Tudo bem que ele pode estar se referindo sobre a mudança para cá, se estou correta não faz tanto tempo que ele ainda vivia com o Archie.

— Fico feliz. E como seu amigo está? — o clima que antes estava descontraído parece ter mudado. Dá pra sentir que algo de muito ruim deve ter acontecido a esse amigo. Quem será essa pessoa? Não é como se Jughead tivesse muitos amigos, ele nunca foi dos mais populares.

— Está arrasado, os médicos não sabem ainda se ele vai resistir — olhei para Jughead visivelmente nervosa.

— De quem você está falando? Eu conheço?

— Não ficou sabendo? A cidade não fala de outra coisa...— disse Karen.

— O pai do Archie foi baleado durante uma tentativa de assalto no Pop’s.

— Meu Deus... — falei mais por hábito do que por outra coisa. Nunca acreditei em Deus se ele existe sempre foi egoísta demais para me defender.

— Parece que cada um de nós está vivendo sua própria tragédia agora. É triste, o engraçado é que passei praticamente o dia todo na delegacia hoje e o Xerife não disse uma palavra sobre o caso. Diga a ele que eu espero que tudo dê certo, se um de nós não merece perder o pai é ele.

— Eu direi.

—Como está a comida, Cheryl? — questionou Karen tentando mudar de assunto nitidamente.

—Está ótima. — respondi um pouco nervosa ainda pensando em Archie, ele sempre foi tão ligado ao pai, deve estar desesperado. Só consigo pensar é que todos nós ele é o que menos merece passar por algo assim e mesmo sem saber se tem alguém escutando peço a Deus que o proteja. Archie não merece perder o pai.

— Quer contar pra gente, ou melhor pra mim, um pouco sobre você. Já que o Jug já te conhece.. — Karen me encarou. Minha respiração acelera um pouco, não quero conversar, não quero nem estar aqui para início de conversa. Não estou acostumada a ser tratada tão bem, não consigo parar de pensar na pena que está mulher deve estar sentindo de mim, seus olhos não mentem. Encaro Jughead a minha frente e por um momento ele parece entender.

Por que tudo que eles: Xerife, Clair e Karen, fazem parecem gritar na minha mente que minha vida sempre continuará sendo esse inferno?

— Não sei o que eu poderia dizer. O que exatamente você quer saber? —sou grosseira de novo, não por intenção. Não pareço mais ter controle sobre minhas próprias emoções.

— Você gosta de dançar, não é, Cheryl? — disse ele olhando fixamente pra mim e esperando que eu correspondesse.

— Sim, eu costumava fazer parte das líderes de torcida. — respondi tensa. Segurando minha respiração ao máximo, não quero que ela perceba o quão nervosa estou.

— Que legal. Por que você não sobe para arrumar suas coisas? Eu e Jug terminamos de arrumar aqui. — disse enquanto retirava nossos pratos da mesa.

Saio dali praticamente correndo, preciso de ar... Não duvido que ela vá perguntar sobre mim ao Jughead. Serei expulsa dessa casa como me expulsei da minha própria. Fui muito burra em acreditar, por um segundo que fosse, que aqui eu poderia recomeçar. Não tenho mais Jason para me proteger e sozinha eu não consigo, nunca consegui, nunca conseguirei. Jason sempre foi meu elo com o resto do mundo, sem ele estou completamente só, sou completamente inútil.

No banheiro do andar de cima, lavo meu rosto, mas a sensação não vai embora. Minhas mãos tremem, tudo gira ao meu redor, não consigo respirar, não consigo respirar, não consigo respirar...

— Você está bem? — perguntou Jughead ao me ver no banheiro. Só aceno com a cabeça que não.

— Não... consigo... respirar...— falei com dificuldade.

— Calma... — ele se sentou ao meu lado no chão e olhando diretamente nos meus olhos disse:

— Cheryl, olha pra mim! Presta atenção em mim, está tudo bem. Você não está sozinha. Foca em mim. Está tudo bem. Está tudo bem. — ele repete tantas vezes que eu perco a conta. Sua mão está no meu rosto e devagar minha respiração vai retornando ao normal e a sensação de pânico diminui.

— Obrigada...— sussurro. Nunca na minha vida que imaginaria que Jughead me ajudaria em um ataque de pânico. Meu mundo todo parece estar de cabeça pra baixo.

— De nada. Melhor irmos pro quarto antes que a Karen nos veja aqui e pense besteira. — no quarto pego um conjunto de pijamas, que peguei no abrigo, e volto para o banheiro. Preciso de um banho...

Quando volto para o quarto Jughead está deitado na sua cama conversando com alguém no telefone. Imagino que provavelmente deva ser a Betty e pela primeira vez penso no que dividir quarto com ele realmente significa.

Não quero ver nenhum deles, não quero que eles saibam que eu estou aqui e que venham me visitar para alimentar suas consciências. Só quero estar sozinha, o mais sozinha que eu puder ficar. Quando ele desliga o telefone pergunto:

— Betty?

— Verônica, queria saber se teve alguma melhora no caso do Fred.

— E teve alguma melhora?— perguntei apreensiva. Archie é uma boa pessoa não merece perder o pai agora.

— Os médicos não sabem dizer se ele vai sobreviver ainda, mas parece que o quadro dele é estável. O que é bom.

— Algum suspeito?

— Até agora nenhum, mas o Xerife está trabalhando nisso — como se isso adiantasse alguma coisa se dependesse dele nunca teriam descoberto que foi meu próprio pai que matou o Jason e talvez isso pudesse ter sido algo bom. Não precisaria estar aqui, morando na casa de uma completa estranha e tendo que frequentar uma escola sem possuir nem um lápis, e principalmente não teria que adormecer todo dia imaginando essa cena.

— Grande surpresa. Se não fosse por vocês o assassino do meu irmão estaria solto até hoje. Temos o pior Xerife de todos os tempos.

— Isso é, mas não acho que Fred gostaria que nos envolvêssemos nisso.

— Talvez não, mas talvez seja preciso — falei enquanto uma ideia surgia na minha cabeça.

— Está me convidando para uma investigação ou é impressão minha? — perguntou ele com um sorriso sarcástico nos lábios.

— Aceite como quiser. Seria bom ter um propósito pra variar.

— Todos gostarão de ajudar... — falou ele provavelmente pensando em Betty, Kevin e Verônica.

— Não, não quero que ninguém mais se envolva.

— Por que?

— Porque não quero que nenhum deles descubra que estou aqui.

— Por que isso?

—Não quero rever mais ninguém, ter que lidar com pena e essas coisas. Só quero um pouco de paz para variar. Você entende?

— Tudo bem. Não vou dizer nada a ninguém.

— Obrigada.

— Posso te dizer uma coisa? — disse Jughead.

— Claro...

— Não é sua culpa sua mãe ter te deixado. Sempre quis que alguém tivesse dito isso pra mim quando tudo aconteceu.

— Não sei se você sabe, mas eu queimei a casa dela. Amplifiquei o desprezo que ela sempre sentiu por mim — falei já deitando na minha cama.

— Posso te dar um conselho? — perguntou ele me encarando da sua cama.

— Claro. Se vou ouvir é outra história.

— Não maltrate a Karen, ela me perguntou o que eu achava sobre você, ela já teve jovens problemáticos aqui, não quer outros. Não seja um, você não tem noção de como é difícil encontrar uma foster family boa como essa e segundo: nunca conte a ela que você queimou uma casa, se ela souber nada mais vai importar, você será mandada embora.

— Não devo ficar por muito tempo de qualquer maneira. — respondi divagando sobre o que venho pensando demais nesses últimos dias. Não quero viver, não vejo mais sentido...

— O que você quer dizer com isso?

— Nada, Jughead. Boa noite!

— Boa noite, Cheryl!

Ele apaga as luzes e eu me mantenho acordada por horas antes de realmente pegar no sono. Não quero dormir apesar de estar cansada, sei que os pesadelos virão e sinceramente não sei se tenho como lidar com eles mais uma vez essa semana.

Começo a pensar em tudo o que aconteceu no dia e a listar todos os motivos pelo qual eu deveria terminar com a minha vida de uma vez, não consigo terminar a lista pego no sono antes disso...

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado Reviews?