Identidade fragmentada
1 único
Naomi se encontrava num dilema. Ela percebeu que cresceu e que só dependia de si própria.
Era desesperador tal pensamento, porque estava sozinha, nem mais podia recorrer aos seus pais ou a sua irmã mais velha, a hora de andar com seus próprios pés finalmente chegou.
Chorou por se sentir muito menina, mas chorou também ao se lembrar de toda sua trajetória. As constantes mudanças na sua personalidade, as vezes que se sentiu fragmentada como um mineral mais barato que tem nesse mundo.
Uma hora tinha dezessete anos e na outra o seu cachorro que esteve 14 anos na sua vida, já não estava mais consigo.
Sua mãe hesita quando diz que tudo vai passar por ser jovem. Desse consolo logo não terá mais privilégio.
Seu interior estilhaçado a procura de uma direção, de um apoio, de sentir preparado. De repente a morte não era tão assustadora perto das responsabilidades que ganharia, perto daquilo que seria sua vida.
O futuro é assustador e mais incerto do que nunca, está desamparado.
Avulsa e revirada do avesso, como depois de ingerir uma salmonela e passar o fim de semana abraçada com a privada.
Tudo fragmentado até virar pó.
Fale com o autor