Identidade Secreta
3 Perdas Irreparáveis
Notas iniciais
Deitado na cama em meu quarto de hotel, comecei a me lembrar de 3 anos atrás quando entrei para a IMF logo após a batalha contra Ultron. Os acontecimentos daquele momento foram estranhos. Natasha e Bruce se envolveram amorosamente, mas durou pouco. Nat estava solitária e encontrou no Banner algo diferente, algo que ela nunca tinha vivido antes. Depois ele sumiu por um tempo para tentar encarar seus próprios demônios, ele precisava de um tempo para lidar com o Hulk. Quando voltou, decidiu se dedicar exclusivamente a ciência.
Me recordei de Pietro forjando a própria morte, porque descobriu que um pesquisador de Sokovia que sabia sobre ele e sua irmã e inclusive os explorou quando mais novos, estava com más intenções. Com a cidade vindo abaixo, Pietro sabia que se Wanda soubesse que o tal químico estava por lá, ela perderia o foco, que era deter Ultron. Chamando a atenção para si, Pietro foi supostamente baleado e enquanto as atenções estavam nele, eu atraí o tal químico para outro lugar, fazendo com que ele não chegasse perto de Wanda. Ele morreu assim que a cidade caiu do céu.
Após esse episódio, eu decidi descansar e retornar para casa, precisava sentir a sensação de ser normal de novo, eu precisava ficar com a minha família. E eu sabia tinha muita sorte por ter uma.
Conheci Laura 8 anos antes da missão Ultron, na época eu namorava com minha antiga companheira de missões, Bobbi Morse, uma arqueira extremamente calculista e objetiva, que trabalhou para a SHIELD e hoje é agente na CIA. Nosso namoro foi curto. Então, meses depois eu estava solteiro e me encontrei com Laura por acaso em um bar. Depois disso nos envolvemos e começamos a namorar, após dois anos ela engravidou de uma menina.
Nos casamos em Checotah, cidade do interior de Oklahoma, onde Laura nasceu e foi criada. Comprei uma fazenda por lá por ser um local muito discreto. Ela sabia do meu estilo de vida.
Quando nossa filha completou 2 anos, ela engravidou novamente e desta vez era um menino. Assim, tínhamos uma família completa e feliz. Natasha acabou se tornando parte disso até por não poder ter filhos e para mim era bom tê-la por perto.
Porém, quando voltei para casa após a missão de Ultron as coisas estavam diferentes. Ao entrar na sala não fui recebido com os abraços habituais e me bastou dois passos para ver uma poça de sangue em frente ao sofá e minha filha caída no chão com dois tiros no peito e a cabeça virada. Na cozinha, meu filho estava também morto com um tiro na barriga, um no peito e um na cabeça, além disso, seus braços estavam quebrados. No quarto, minha esposa estava no chão cheia de cortes de faca pelo corpo, a cara ensanguentada como se tivesse levado vários socos na região, indicando que ela lutou muito por sua vida.
Aquilo me destruiu por completo.
Meses depois, arrumando as coisas para mudar para meu apartamento em Nova York, achei um envelope escondido no meio das coisas de Laura. Ela trabalhava no setor de homicídios da polícia nos casos não solucionados, não era detetive, mas analisava as evidências que eram encontradas. Neste envelope havia um documento com dados financeiros de corrupção em empresas e governos. Esse dinheiro era para financiar armas e equipamentos para o crime organizado.
Após isso, eu guardei o documento e passei a investigar as coisas por conta própria, mas nunca obtive nenhuma pista do assassino de minha família.
No meio dessa minha busca, meu caminho cruzou com o de Ethan Hunt, que estava sendo perseguido por alguns criminosos. O ajudei e a entrada para a IMF foi apenas uma consequencia disso.
Não tinha um dia em que eu não pensava em vingar a morte de minha família. Eles mereciam justiça e eles teriam justiça.
– Brandt? — Ouvi a voz de Seline do outro lado da porta e voltei a realidade.
Abri a porta.
– Oi, Seline.
– Por favor, me chame de Sally. — Falou ela sorrindo e me entregando um terno. — Hunt pediu para que eu deixasse isso com você e falou para você tomar cuidado e não estragar o terno como sempre faz.
– Ele precisa mesmo ficar expondo isso do terno? É impressionante. — Ri, debochando.
– Você é famoso por causa de seus ternos que nunca ficam inteiros. — Riu.
– Oh, bom saber que essa é a minha fama na IMF: parceiro de Hunt, também conhecido como o amostra grátis de cueca.
Sally riu comigo mais uma vez.
– Preciso ir, Brandt. Nos vemos mais tarde.
Ela se afastou e de longe pude ouvir sua voz antes de sumir pelo corredor dizendo:
"Não vá usar cuecas estampadas William!".
Desde que eu rasguei minha calça em uma missão na África, a minha fama como "agente cueca" na IMF estava grande, ainda mais, porque era uma cueca estampada com listras roxas.
É, não foi meu melhor dia na escolha de cuecas. Mas como eu poderia prever que iria rasgar a calça?
–---
O salão estava cheio de pessoas importantes como ministros, filantropos e empresários da Tailândia. Eu, Hunt e Walker estávamos espalhados pelo local e conversávamos por escuta. Ao longe, observei Cameron Johnson caminhando por entre as pessoas e parando para conversar com algumas.
– Hunt, estou vendo o Johnson. Parece que ele está se encaminhando para o elevador. — Informei.
– Tudo bem. Eu fico de olho nele. Algum sinal do Thompson?
– Nenhum.
– Sally? — Ouvi Ethan perguntar.
– Nada. Tudo calmo por aqui. Vou me enturmar e ver o que consigo encontrar. — Respondeu ela.
Continuei observando todo o salão, apertando os olhos para tentar focar melhor nos rostos que ali estavam. Foi quando eu vi uns homens reunidos, parecia que estavam sussurrando ao invés de conversar normalmente. Achei aquilo suspeito. Quando eles saíram juntos em direção as escadas que levavam para o estacionamento no subsolo, decidi ir atrás, fazendo uma breve pausa para pegar uns 3 salgados que estavam na mesa próxima de uma escultura horrorosa de mármore.
– Hunt, vi uma movimentação suspeita. Vou me aproximar.
– Ok. Modo invísivel. Não queremos chamar atenção agora. — Falou.
– Pode deixar.
– E só para avisar, eu estou de olho no Cameron.
Depois de me comunicar com Ethan, fiquei encostado em uma parede próxima do local onde os homens se encontravam. Ali era bom o bastante para que eu pudesse ouvir a conversa. Ativei meu gravador.
– Está tudo certo para amanhã? — Disse um dos homens.
– Sim. Thompson chega nesta madrugada, já conversei com alguns ministros da Tailândia e temos o comando daqui na palma de nossa mão.
– Agora só falta Louis Taylor vencer as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que nós teremos uma rede forte o bastante para persuadir e ter todo o poder que quisermos.
– Só não se esqueça da coroa britânica. — Um cara comentou saindo de dentro do carro.
– Tinha que ser esses ingleses filhos da puta. É uma frescura.
– A gente podia jogar uma bomba no Palácio de Buckingham.
– Essa é a ideia mais maravilhosa que consegue ter?
Chacoalhei a cabeça tentando compreender o que estava havendo. Então, eles estavam se infiltrando nos mais diversos governos do mundo, os corrompendo para poder ter o controle de tudo? Eles estavam fazendo com que sua organização criminosa pudesse ter acesso ilimitado as mais diversas tecnologias, fazendo armas nucleares, fazendo tráfico de orgãos, matando pessoas, desenvolvendo drogas para adoecer a população... Agora, toda aquela pesquisa incessante que estávamos fazendo nos últimos meses parecia, aos poucos, se encaixar. Voltei meu foco para a conversa.
– Vamos para a Inglaterra ter uma conversinha com os príncipes Harry e William. Talvez o mais novo não nos ouça, mas o mais velho é casado, tem mulher e filhos. Já sabemos onde podemos atingir. Afinal de contas, ele não vai querer um fim trágico para a sua esposa semelhante ao que houve com Diana.
Eles riram.
– Ah, se o mundo soubesse que Diana foi morta por nossa organização por ser uma agente infiltrada em nossas coisas.
WOW! Aquilo estava ficando bom.
– Vamos trabalhar firme na campanha de Louis Taylor e cuidar dos ingleses. Após isso, é só aproveitar o show.
Desliguei o gravador e me retirei dali. Tinha ouvido passos ao longe e sabia que era questão de segundos para que fosse visto.
Quando me afastei o bastante, liguei o comunicador pronto para dizer a novidade para Ethan e Sally, mas antes, um outro dispositivo apitou. Era meu comunicador da SHIELD.
– Barton? — Ouvi a voz de Kate do outro lado da linha.
– Na escuta.
– Olha, não sei exatamente o que é, mas a Natasha me falou de um tal de Ikarus e que ela tem umas informações, porém, ela disse que não pode te contatar diretamente por motivos que você já sabe.
– Certo.
– Ela pediu para que me mandasse uma senha de onde poderiam se encontrar.
Pensei rápido.
– Certo diga a ela o seguinte: "57 azul 248 R 51 12 B". Conseguiu anotar?
– Sim. — Respondeu Kate. — Esse código de vocês não faz sentido algum.
– Fizemos nosso próprio código. É necessário ainda mais nesse mundo onde códigos sempre são decifrados. Temos que mudar todo o tempo.
– Continua sendo sem sentido algum.
– Essa é a ideia, Bishop.
– Ok, chefe. Ah, e se precisar de uma ajudinha em algo é só falar, até porque você está ficando meio velho, a pontaria não é mais a mes...
– Continua com essa sua gracinha — A interrompi — que você não vai nem ver a cor da flecha que eu vou acertar em você.
– Uh, Clinton ficou bravinho!
Kate adorava me tirar do sério.
– Fica assim não. — Disse ela. — Quando voltar, prometo que a cadeira de balanço vai estar do jeito que gosta.
– Kate!
– Desligando.
Um dia eu ainda iria jogar essa garota do alto de um prédio. Sério.
Voltei meu foco para a missão da IMF e informei a Hunt e Walker tudo o que estava acontecendo. Nas próximas horas, era ficar de vigília para ver se não iria ocorrer algum ataque contra alguma cidade da Tailândia, depois tínhamos que ir para a Inglaterra tentar descobrir o que iriam fazer com a família real e ainda iria me encontrar com Natasha para falar sobre Ikarus. Definitivamente, eu estava no meio de um furacão de acontecimentos.
Fale com o autor