Identidade Homicida
85 O fim
Notas iniciais
Naquela noite, dezenas de viaturas, ambulâncias e veículos da imprensa se amontoaram ao redor de Sweet Amoris. O delegado desceu da viatura e anunciou com o megafone de frente para o portão de entrada do colégio:
— Isso não é um treinamento! Repito: Não é um treinamento! Larguem quaisquer armas que estiverem usando e saiam da escola em rendição. Também estamos com a ambulância para prestar socorro aos feridos!
Um helicóptero da polícia chegava e repousava no terraço. Os bombeiros também chegavam para apagar o fogo provocado. Em questão de minutos, até mesmo os moradores do entorno tinham se juntado próximo à movimentação, tentando compreender o que quer que estivesse acontecendo naquele bairro pacato.
Alguns dos poucos alunos sobreviventes saíam para o pátio com as mãos para o alto, rendidos. A polícia entrou armada e a primeira equipe de socorristas foi logo atrás. Alguns retornavam, enojados, e vomitavam no gramado:
— É horrível. — dizia um deles, para a repórter que fazia cobertura ao vivo — Tem dezenas de corpos. Dezenas de jovens mortos lá dentro.
A reportagem exibia os alunos sendo detidos, algemados. Outros saíam desmaiados em macas, feridos, desnutridos. O prédio foi completamente interditado.
No decorrer das semanas seguintes, uma gigantesca cobertura foi feita em escala nacional e internacional. Os jornais não paravam de televisar o ocorrido e os tribunais que se sucederiam por longos meses.
— Eleonora Shermansky foi um monstro em nossas vidas — dizia Kim, para o microfone. Sua filmagem era reproduzida em diversas redes televisivas e canais no Youtube.
— Eleonora Shermansky foi responsável por cooptar estudantes, professores e diversos funcionários a participar da sua conspiração. — dizia Nathaniel, enquanto um turbilhão de flashes fotográficos branqueavam sua face enrijecida — O mesmo esquema se sucedeu vinte anos atrás, quando diversos estudantes de Sweet Amoris desapareceram misteriosamente. Ela nos colocou em um “jogo” de sobrevivência dentro da própria escola, onde o vencedor conseguiria um grande prêmio. O “jogo” em questão era televisionado para diversos “espectadores privados”, o que lhe concedia prestígio e dinheiro nos negócios do submundo.
— Diretores de outras instituições de ensino também faziam parte do esquema — anunciava a repórter — Todos os outros profissionais envolvidos aguardam julgamento e foram afastados dos seus respectivos cargos, tendo suas credenciais confiscadas. Outros possíveis envolvidos também se encontram em investigação.
Toda a França parou durante aqueles meses para acompanhar o escândalo e a escola virou objeto de uma investigação minuciosa -- todos os esconderijos e cativeiros encontrados abriam margem para mais questionamentos e descortinavam o esquema.
No final daquele ano, houve uma formatura simbólica realizada pelos alunos que desconheciam a conspiração. A comemoração contou com discursos em homenagem aos amigos falecidos; suas fotos eram exibidas em um imenso telão.
E enquanto o brutal assassinato de Eleonora Shermansky -- a grande mente por trás do esquema -- ainda tentava ser desvendado, sua sobrinha e uma das principais ajudantes da conspiração, Peggy Tetzner, foi declarada fugitiva.
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