Identidade.

1 Na dúvida, escolha todos.


Notas iniciais
É, galera, pessoas de gênero não-binário existem.

O sol refletido na superfície do espelho o cega por um instante, mas a imagem logo se torna nítida, brilhante, em foco e ele prende a respiração por um instante.

Era lindo (lindo, linda, linde, não sabia, não conseguia entender). Tinha noção disso.

Yao era uma pessoa velha o suficiente para conhecer todos os tons de tudo no mundo, das cores claras e escuras e aquelas misturas entre cores e tons que ninguém entendia perfeitamente.

E era uma pessoa velha o suficiente para ter sido tudo. Tudo que sua cultura oferecia. Tudo que a história propunha. Tudo que a sociedade entendia. Tudo e tudo e ele era formado por tanta coisa, por tantos nuances de vermelho e de preto e de tons que ele nunca soube se eram azuis ou verdes (ela gosta de pensar que são azuis, porque azul é o céu, e céu é liberdade).

Havia o feminino e havia o masculino e havia a mistura que todo mundo negava e Yao sabia, sabia, que havia mais. Porque pessoas não eram simples, e esse binarismo soava muito fácil.

Menino, menina. Menina, menino. Por quê?

(Que tal ambos? Que tal nenhum? Que tal não?)

Os cabelos longos, os olhos grandes, a delicadeza, lábios finos e avermelhados, os dedos longos com poucas cicatrizes, pequena estatura. Bastava isso e a sociedade lia nele mulher.

A voz, a posição social, o jeito, a designação, e todas aquelas coisas biológicas às quais ele não dava muita atenção. E então a sociedade lia nela homem.

E era verdade.

Deixou o fino roupão deslizar pelo corpo até cair com leveza no chão de madeira. Observou o próprio corpo e o viu como seu, só seu. Não era corpo de homem, não era corpo de mulher. Era corpo de Yao.

Por vezes um homem com os pronomes todos e jeitos e identificação como tal. Por vezes moça de sorrisos contentes quando alguém se referia a ela como "senhora". Yao não era inteiramente um, não era inteiramente outro. E era uma pessoa velha o suficiente para conhecer a fluidez de seu gênero.

Menino ou menina ou algo no meio ou nenhum dos dois?

(Embora às vezes não ser feminino nem masculina agradava. Neutralidade era algo bom.)

Menina, menino. Menino, menina.

Yao era ambos.

Notas finais
IMPORTANTE, LEIA. Primeiramente, tenho um headcanon de que Yao é uma pessoa trans bigênera, ou seja, seu gênero não é binário (homem ou mulher), é ambos, sendo que ela prefere pronomes masculinos, femininos e neutros. E nunca vi nenhuma fic mostrando nenhum personagem trans aqui, são todos sempre cis (cis é quando você se identifica com o gênero que te designaram quando você nasceu), então decidi fazer algo. Não sei se está fiel, tentei mostrar um pouco a visão de uma pessoa não-binária, porém sou mulher cis e não sei se consegui. Quem tiver dúvidas sobre o assunto: pesquisem no google (a maior parte das informações sobre isso estão em inglês, mas creio que haja alguns blogs em português). Gênero é algo lindo, galera. E a fic saiu tosca, eu sei, mas me deu um surto e eu quis escrever. Tá sem qualidade alguma, e Yao nem é um dos meus favoritos, mas ok, a coisa das cores ficou super tosca, desculpem-me. Deixem reviews, pf.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!