Notas iniciais
Mais um conto feito para um trabalho de Literatura, passado pelo Professor Pedro Anselmo para o 2ª ano A! :D Este teve como propósito a confecção de um conto, crônica ou uma análise sobre alguma poesia do período parnasiano, do simbolismo ou do pré-modernismo brasileiro. sei que a narração possa parecer um pouco confusa, às vezes. :T

Crânios ao chão. Óculos fundos, sem orbita em seus interiores. Ah, quem precisaria de carnes, íris ou córneas levianas para enxergar verdadeiramente este amor que vejo a frente? Já sepultados e enterrados, comprimidos por quilos de areias, chão e terra. Rodeados de vermes que, mesmo inconscientemente, devoram com afinco carnes que um dia foram amadas, desejadas...

Já ouvir dizeres de amores que movem sociedades. Amores que por si só estragam e perturba sonos. Duvidas? Não o faria, mas se da minha lira desconfia, contarei por empirismo próprio o fim fútil desses efêmeros corpos disposto à frente.

Estava lá a servi-los, formalmente, como deve-se se comportar diante de um mister. O ouvi sussurrar sobre belas jovens, de como as disponham. Entretanto, uma em meio as cortesãs, tomava para si certos suspiros e atenções. Dotada de demasiados atributos, obviamente, esplendorosos.

Um dia qualquer, a menção de um casamento, voltei minha atenção a jovem que com um largo sorriso comemorava a novidade. Diria de primeira impressão ser ingênua, requintada, contudo, o brilho em seus olhos delatava muito mais que um genuíno amor.

Ele, perfeito era. O mais belo da nobreza e mais impecáveis dos pretendentes. E ela sabia apreciar tais atributos muito bem. O brilho malicioso em seu olhar estava presente a cada mínimo sinal de demonstração de super ego daquele por quem estava comprometida.

Dote pago. Beleza masculina ressaltada e definida. E que todos morram de inveja! Rica e lindo. Assim se sucederam os festejos. Camufladamente um casal feliz.

Um tempo depois da união, fui servir aos dois em sua casa. Sempre refinados, parecendo exalar paixões por onde insistiam circular a passos leves. Em momentos isolados, porém, ainda ouvia, agora com pesar, as mesmas constantes glorificações do mister em suas aventuras noturnas. Pouco lhe importava ser discreto quando a isso. A senhora pouco parecia se importar, estava com ele, estava bem-sucedida para uma sociedade.

Ao longo dos anos, houveram conflitos. Nenhum em público, abertamente. Nenhum devastador e voraz, capaz de destruir uma fachada amorosa construída a blocos fúteis. Eles não seriam louco de aventurarem-se em tal feito de autodestruição.

Afinal, lá estava a sociedade para aplaudi-los de pé, suspirando a versos superficiais que todos deviam amar daquele jeito. Que o amar devia reinar. Ou seria amar para reinar? Talvez, até simplesmente reinar.

E foram o que fizeram até o último e cálido momento. Reinando a amores fúteis. Idealizados.

Já que estou aqui em meio a estes sepulcros, poderia a Messalina perguntar, se satisfeita está com esse finado, que tanto adultério cometeu. E a Sardanapalo, se essa que aqui já não mais vive, cumpriu com sua vida de exageros devassos. Os dois símbolos cairiam em uma gargalhada conjunta de satisfação.

Então, volto-me e olho para aquelas caveiras. Trocando devaneios entre si, em uma surpreendente sintonia com o momento e com seus companheiros de cenários.

Desdenham. Aposto, que desdenham da lamentável situação. Sentiria muito mais aliviado se nessa humanidade, as relações fossem protagonizadas por esses amontoados de ossos. De uma caveira para outra caveira. Mais confiável seria, sem dúvidas!

Então percebo. Não quero mais servi-los! Não os quero em minha lira. Impregnado nenhum verso, disposto a passarem seus desatinos.

Olho mais uma vez para aquelas caveiras amigas. Lamento mentalmente, mas passo todo o peso de um mundo imaterializado para ambas. Que contem o que ainda há para contar. Lamentem, o amor supérfluo que nos sepulcros se eternizam. De um sepulcro para outro sepulcro. De um mentiroso amor para mentirosa sociedade.

Notas finais
Mais uma vez, Pedro amor, se você ver o conto aqui, eu não o copiei. É a Paula, mesmo. XD
Gostaram? Não gostaram? Confuso? Gostaria de saber. :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!