Idas e Vindas do Amor
3 Capitulo 3. Tem coisas que são de família.
Notas iniciais
Elena deixou-se relaxar depois de alguns minutos. Estava consciente do cara ao seu lado e, céus! Eles tinham mesmo ido para o banheiro... Ok. Não que fosse algo que ela não tivesse tentado fazer antes, com outros caras. Diversos outros. Mas Stefan era bem diferente do restante: ele queria ser cuidadoso. Ora essa, o pensamento quase a fez rir no momento. A forma com que ele se movia, calculadamente. Ela quase teve vontade de rasgar suas roupas fora quando ele a tocou, enquanto que Stefan parecia bem calmo.
Então finalmente entrou em consenso sobre o rapaz: ele era dos piores.
Existia uma filosofia sobre homens: havia os loucos por sexo, os loucos por atenção, os idiotas e os calculadamente idiotas. E Stefan pertencia á essa ultima classe. Explicando melhor, os calculadamente idiotas são aquele tipo de cara que entra na cabeça das garotas, as fazem pensar em coisas como “amor” e “ser feliz para sempre”, então, quando conseguem o querem: eles as deixam.
Tinha ficado furiosa com a irmã por causa do tal casamento. Era ridículo! Ainda mais com o cara mais estupido desse mundo, sem falar que ele a trairia sem duvida alguma, mas não era só isso... Também era o fato de que a irmã iria se casar na mesma igreja que seus pais. Isso era doloroso, como uma estaca enfiada no peito. Ela ia se casar lá! Com o vestido da mãe! Com aquele cara! Justo ele? Argh.
–Faltam uns 10 minutos para aterrissagem. – Elena disse para um Stefan que acabara de acordar.
O rapaz apenas assentiu. Ele era gostoso. Era mesmo e ela nem se sentia culpada por pensar sobre isso. Tinha imaginado os músculos por baixo daquela camisa, mas depois que teve a real oportunidade de toca-los... Ela queria mais. Stefan era quente. Ele se movia com precisão e calmaria. Era irritante e excitante ao mesmo tempo. Ela o queria nela.
–Lexi? A gente já ta chegando. – ele sussurrou, acordando a filha. Lexi era um doce. Devia ter uns 5 ou 6 anos de idade.
Elena queria saber mais sobre eles, como o porquê do divorcio de Stefan ou o porquê dele ter ficado com a criança. Era incomum pais conseguirem a guarda dos filhos. Especialmente meninas.
–Então, você vai pegar um taxi até sua casa ou...?- queria falar com ele. Era estranho, nunca quis falar com nenhum dos outros caras.
–Provavelmente meu irmão mandou alguém nos pegar no aeroporto... Se você quiser carona. – ele sugeriu.
–Ah, não obrigada. Vou ficar na casa do noivo da minha irmã. – ela disse, dando de ombros.
Ainda lembrava-se dele dizendo que seu quarto era á prova de som. Queria rir com a lembrança, mas se segurou.
–Tudo bem. – Stefan disse por fim.
Um silencio se seguiu entre os dois. Ela queria beija-lo novamente!
–Talvez possamos marcar um jantar... – Stefan sugeriu depois de uns minutos.
Elena se controlou para não revirar os olhos. Ele tinha mesmo oferecido um jantar? Pelo amor! Ela queria gritar com ele. Porque diabos os caras oferecem jantares quando claramente tudo o que querem é levar a garota pra cama?
–Acho que seria legal.
–Eu quero jantar, papai!- Lexi disse sonolenta.
Ah sim, pensou Elena consigo, Agora entendi...
Alguns minutos depois o avião aterrissou em Londres. Ás exatas 11h30min da noite. Elena pensou que ia abrir a porta do avião e se jogar de lá de cima. Odiava viagens longas. Levantou-se do seu assentou e deu espaço para que Stefan pegasse suas coisas e ajudasse Lexi a levantar. Ela estava meio sonolenta, então ele precisou coloca-la no ombro direito. Foi fofo ver a cena, mas ela se repreendeu mentalmente por isso depois. Eles saíram do avião e caminharam até a sala de desembarque.
Elena encontrou sua mala antes de Stefan. Percebeu que não havia perguntado ao certo de onde ele era, apesar de achar que vinha de algum lugar da Virginia, por causa do sotaque. Ela imaginou que deveria espera-lo ou coisa assim, mas não queria.
Então pegou suas coisas e andou até uma das livrarias do aeroporto. Folheou inutilmente alguns clássicos que já tinha lido. Estava sendo idiota, mas não queria mais fazer isso. Quanto mais dialogava com Stefan, percebia que talvez ele não fosse o tipo calculadamente idiota. Ele parecia mais o tipo bonzinho de cara. Que não deixava de ser um dos piores, apesar de raro. Ela estava decidida: esconder-se ali até ter certeza de que ele tinha ido embora e seguir sua vida. Ele definitivamente não precisava de mais peso...
–PAPAI! PAPAI! Achei ela! Elena!- A garotinha de longos cabelos loiros e olhos verdes estava pulando e gritando.
Elena não conseguia se mover. As pessoas da livraria a encaravam e riam. Então em um momento ou outro, Stefan estava ao seu alcance. Ele era bem mais alto que ela, e os olhos eram tão verdes quando os de Lexi.
–Hey. – ele disse, com um meio sorriso. – Você sumiu.
–Hum... Eu estava aqui. – Fez um gesto para mostrar: estou aqui!!!!!
–Você está aqui. – ele disse então.
–Papai, encontrei Elena. –Lexi disse com um sorriso vitorioso.
Stefan olhou pra filha com um sorriso satisfeito no rosto. Era adorável. O rosto dele não era aquele tipo de rosto próprio para grandes sorrisos, mas apesar disso, assim como todas as coisas que não são feitas para estarem juntas, mas combinam tanto, como pipoca com chocolate ou sorvete com Coca-Cola, o sorriso de Stefan era a coisa mais adorável que ela pensou ter visto.
–Você não me deu seu numero. – ele disse finalmente.
Elena sentiu seu estomago dar voltas.
–Stefan... Eu... – ela olhou para Lexi e prendeu a respiração. A garotinha a encarava, sorridente. Como se ela fosse um troféu brilhoso e todo feito de chocolate.
–Lexi, amor, porque não vai brincar ali? Escolha um livro. – Stefan pareceu notar seu desconforto.
Lexi bateu palmas animadamente e saiu.
–Como eu ia dizendo... – Ela prosseguiu meio relutante. – Stefan, olha você é um cara bem legal e tudo mais. Mas acho que talvez eu não seja o tipo de pessoa certa para ficar perto da sua filha.
Stefan pareceu bem surpreso, o que não foi nada fácil para Elena. Ele sequer tinha pensando nisso.
–Uau, esse é um fora bem diferente...
–Não! Não estou te dando um fora... Eu só acho que talvez sua filha esteja certa. Talvez a “amiguinha do papai não preste”
Então ele riu. Elena pensou que fosse morrer ali mesmo. Ele estava rindo! Era uma risada adorável, mas mesmo assim...
–Isso é por causa do que Lexi disse? Não precisa se preocupar com isso, provavelmente foi a mãe dela que a mandou dizer... Isso não é nem relevante. Sou divorciado a uns 2 anos.
Suspirou então.
–Ok.... Um encontro? — Pronto. Chega de bancar a certinha. Ela estava doida pra pular na cama dele, e ele também. Qual era o problema mesmo?
Um sorriso vitorioso apareceu em seu rosto.
–Ótimo.
Esperava dizer mais alguma coisa, mas foram interrompidos por uma Lexi sorridente e saltitante novamente. Ela estava correndo para fora da livraria e Stefan virou-se rapidamente para segui-la.
–Tia Katherine! Tio Damon! Tio Damon. – Então a pequena Lexi correu para os braços de um homem todo de preto.
Oh droga. O cara estava vestido com um terno preto sofisticado, o cabelo bem penteado e os olhos azuis tempestade brilhando ao abraçar a garotinha. Elena pensou que fosse desmaiar ali mesmo. Damon. Damon Salvatore. E ao seu lado, sua irmã mais velha, Katherine. Santo Deus.
–O-O quê? Seu irmão?- Elena mal conseguia formular as palavras.
Stefan a olhou sem entender, mas foi dispensado de responder quando Katherine se aproximou e abraçou a irmã fortemente.
–Você está mesmo aqui! Meu Deus, pensei que eu precisaria ir busca-la!
–Espere, você é irmã dela?- Stefan encarou as duas.
Elena conseguiu se desvencilhar do abraço apertado de Katherine.
–E você é irmão dele?- perguntou, apontando Damon com o queixo.
Um minuto depois, Damon com Lexi no colo, Katherine Elena e Stefan estavam lado a lado.
–Vocês se conhecem?- Damon perguntou á Stefan.
–Estávamos no mesmo voo...
–Ah. – Katherine e Damon disseram em um uníssono.
–Elena é a amiga do papai e eles vão jantar. – Lexi disse batendo palmas.
Todos se entreolharem, desconfortáveis.
–Então... Bom saber que tudo está entre família. – Damon disse finalmente e virou-se para sair do tumulto do aeroporto.
Elena pensou que fosse pular no pescoço dele. Ou no de Stefan. Qual era o problema com ele? Porque não disse que era um Salvatore? Ela deveria ter notado! O charme, a beleza, a boa pegada, tem coisas que são de família...
Fale com o autor