Idas e Vindas do Amor
11 Capitulo 11. Envolver-se.
Notas iniciais
Stefan involuntariamente segurou a mão da morena ao seu lado que, após lançar-lhe um olhar repreensivo, voltou-se novamente para grande e bonita recepção. Sua expressão surpresa e deslumbrada fez o coração do rapaz acelerar como um adolescente apaixonado, então se repreendeu internamente por isso.
Elena não era alguém por quem eu gostaria de me apaixonar.
Ele viu Lexi correr para entregar o presente ao aniversariante e quando tentou procura-la entre as pessoas, esbarrou com Jeremy Bennett. O rapaz alto esbanjava aquele sorriso acolhedor que tinha no colegial. Os mesmos olhos e cabelo castanhos; ao seu lado Bonnie também sorria alegremente, a mesma de sempre, os cabelos negros acima do ombro, a pele morena, os olhos vívidos e sempre animados com tudo.
–Jer!- Stefan abriu um sorriso satisfeito. – Bonnie! Meus parabéns pela festa... Está linda.
–Stefan Salvatore, não pensei que nos daria a honra de sua presença. Onde está Lexi? – Jeremy perguntou, animado.
Stefan procurou entre as pessoas novamente e encontrou a cabeleira loira da filha perto do parquinho, ao lado das outras crianças.
–Está brincando com Max. –disse, referindo-se ao filho do casal.
Jeremy concordou sorridente, parecia mais maduro olhando-se de perto. Era como se não os visse por anos, mas passaram-se apenas meses desde que estiveram juntos em uma conferencia em Viena.
–Então... Não vai nos apresentar a sua... Amiga?- Bonnie perguntou, sua expressão surpresa ao ver Stefan com as mãos entrelaçadas nas da garota.
Elena estava no mesmo lugar e na mesma posição. Era assustador pensar em como o seu toque e presença se tornaram tão familiares para ele. Ela usava um vestido florido um pouco acima do joelho e o cabelo liso espalhado por seu ombro lhe dava uma aparência angelical que ele nunca tinha visto antes, exceto talvez, enquanto ela estava dormindo, e seus naturais cachos esparramavam-se pelo travesseiro.
–Oh sim. Desculpem... Bonnie Jeremy está é Elena Gilbert. Elena, estes são Bonnie e Jeremy, donos desta linda e incrível festa de aniversário.
Elena deu aquele sorriso acolhedor e simpático que a tornava ainda mais irresistível. Stefan sabia que ela tinha gostado de seus amigos apenas pela forma com que seus olhos brilharam ao ser apresentada.
Não que eu estivesse prestando muita atenção.
–É um prazer conhece-los. – Elena apertou suas mãos.
–O prazer é nosso. Por acaso você é irmã da Katherine?- Bonnie perguntou.
Elena concordou fazendo Bonnie lançar um olhar malicioso em direção a Stefan.
–Ok. Então... Porque as moças não conversam aqui enquanto os rapazes vão beber alguma coisa?- Jeremy sugeriu.
Stefan lançou á Elena aquele olhar “Tudo bem pra você?”.
–Claro.
Ele se curvou rapidamente para dar-lhe um beijo no rosto antes de sair, o que fez a garota corar momentaneamente, ele sorriu por isso. Bonnie agarrou o braço de Elena e levou-a até uma das mesas vazias que havia no lugar.
–Então... Você e Stefan... – levantou a sobrancelha.
Elena pigarreou antes de conseguir responder.
–O que? Ah não! Não. Nós somos apenas... Amigos. É.
Bonnie já estava rindo. Ótimo, era tudo o que eu precisava.
–Tudo bem querida, eu entendo. Quer dizer, como não amar aquele cara?- ela disse, voltando-se para o lugar onde Jeremy Stefan e outros caras bebiam e riam de alguma coisa.
Elena pegou-se encarando aquele sorriso incrível que Stefan tinha, aquela serenidade que ele demonstrava quando estava perto dos amigos. Era quase como se não houvesse tensão em seus ombros, os olhos brilhavam de uma forma diferente, e o jeito com que ele se movia, o som da risada dele... Ela pegou-se desejando que ele pudesse agir de forma tão natural quando estava na presença dela. Então ele se virou e seus olhos se cruzaram por uns segundos, até que a garota tomou coragem para desviar. Bonnie a encarava com aquele sorriso “eu sabia”.
–Meu Deus. – Elena murmurou consigo. – Por favor, não conte a ele.
–Não conte a ele o quê? Que você está louquinha por ele?
Elena suspirou.
–É só que... Aposto que todas as garotas nessa festa estão de olho nele, e não só aqui como em todos os lugares. Olha só pra ele – Elena voltou-se para o rapaz que ainda a encarava. – Ele é bom demais pra mim, e sou uma idiota por achar que posso entrar na vida dele.
No momento em que essas palavras saíram de sua boca Elena se sentiu mais leve. Era isso. Ela só precisava confessar a si mesma. Estava apaixonada por ele. Ora, como não estar? Ele era o senhor perfeição em pessoa. Não havia nada nele que não a atraísse. As mãos, o corpo malhado, a barba mal feita...
–Elena. Acorda. – Bonnie estalava os dedos na frente de Elena, que saiu de seu devaneio rapidamente. – Olha, se quer minha opinião, ele também está apaixonado por você.
Elena encarou a morena a sua frente e abriu a boca.
–Oi?
–É isso aí que você ouviu. Elena, eu não conheço você, mas conheço Stefan desde que tínhamos 10 anos e sei exatamente quando aquele olhar ali. – apontou para ele. – está apaixonado.
Elena engoliu em seco e segurou-se para não voltar-se para ele, sabia que ele estaria com aquelas esmeraldas brilhantes e irresistíveis voltadas para ela, e ela não achava que fosse aguentar muito tempo sem pular no colo do dele.
–Eu não seria uma coisa boa na vida dele, Bonnie. Vai por mim, como amiga dele, você não ia querer.
A garota apenas a encarou, completamente calada. Não ia forçar nada, Elena sabia, ainda mais agora que tinha confessado não ser a melhor companhia para o amigo dela.
–Só acho que talvez você deva parar de se preocupar demais e pensar no que ele quer também.
Não havia muito mais a ser dito, e Elena esperou alguns minutos até que Bonnie estivesse ocupada com as crianças para esgueirar-se para o jardim da casa. Era um lugar incrível demais para ser apenas um jardim, flores cujos nomes ela não fazia ideia, mas que eram tão lindas, estavam amontadas tão perto uma das outras que parecia como se o fim de uma causasse o surgimento de varias mais. Estava prestes a toca-las quando uma voz preencheu o vazio.
–Bonnie vai odiar se você pegar uma. – Stefan disse.
Elena preferiu não virar-se para olha-lo, sabia que ele estaria com o cabelo bagunçado de uma forma que só ele sabia deixar, as mãos no bolso da calça, aquele mini sorriso no rosto, a barba mal feita...
–Só ia toca-la. É bonita demais.
–Você quer tocar tudo o que acha atraente?- ele perguntou, sua voz tinha certa malicia que a fez querer revirar os olhos e sorrir ao mesmo tempo.
–Nem sempre. – respondeu, voltando-se para ele.
Ela estava certa quando o imaginou parado ali, mas ainda assim o impacto de seus olhos se encontrando foi demais pra segurar. Que diabos estava havendo? Stefan pareceu perceber o seu incomodo.
–Você está bem?
–Estou.
–Tem certeza?
–Hum. Você é sempre tão exigente?
–Só quando eu sei que está mentindo.
–Ah é? E como sabe disso?
–Sua sobrancelha se ergue um pouco. Como quando você disse que não queria mais transar comigo hoje cedo.
Elena segurou a respiração. Era como se esse homem tivesse uma enciclopédia sobre ela na cabeça, como se soubesse tudo o que fazer para deixa-la sem defesas. Onde tocar, o que falar, como agir. Ele era um perigo.
–Você é um idiota senhor Salvatore.
Ele sorriu um pouco e sentou-se em um banco, seguido por Elena. Seu olhar estava em Lexi, do outro lado do jardim, brincando com as outras crianças no parquinho, ele tinha aquela mesma aparência serena ao encarar a filha, como se fosse tudo o que tivesse de mais precioso no mundo. E era.
–Ela se parece muito com você.
Ele sorriu mais uma vez. Porque ela não se cansava de ver isso?
–Isso é porque você nunca viu a mãe dela. Elas são muito mais parecidas.
Elena deu de ombros, incomodando-se com a menção da ex dele. Ok. Isso estava começando a ficar chato.
–Hum. Ainda assim acho que ela se parece com você. A expressão, o sorriso, os olhos...
Só não tinha percebido que ele a observava descaradamente, e se perdeu nas palavras quando encontrou com olhos dele. Tão perto. Ele se curvou um pouco para frente e deslizou seu rosto no dela, a barba roçando sua bochecha, calafrios percorreram o corpo da garota e tudo o que ela queria era se jogar encima dele.
–Lexi pode nos ver. – ela murmurou quando ele começou a traçar beijos por seu rosto.
–Você é tão linda. – ele murmurou de volta, com sua boca já pressionada contra o pescoço dela.
Os olhos dele se abriram e ela pôde ver o quanto ele também a queria.
–Não podemos...
–Você tem uma explicação lógica?
Suspirou
–Eu só... – forçou-se a respirar. – Sou toda errada pra você. E isso não vai dar certo porque acho que...
–Acha o quê?
Elena não conseguia desviar-se dele. Stefan parecia tão calmo e paciente.
–Acho que estou me envolvendo demais com você, Stefan.
Não era isso o que queria falar, mas foi o que saiu e, por incrível que pareça, aquilo o fez sorrir novamente. Tocando seu rosto ele sussurrou.
–Fico feliz em ouvir isso.
Elena suspirou pesadamente.
–Como conheceu a mãe da Lexi?- perguntou de repente. Ela nem sabia porque havia perguntado, mas foi o que saiu de repente.
Stefan pareceu surpreso com a pergunta, mas não deixou de responder.
–Estávamos no colegial. Eu sempre gostei um pouco dela, mas só namoramos no ultimo ano. Ela era líder de torcida e muito amiga da Katherine. Esse é o grande motivo dela ter conhecido Damon. – ele disse com um sorriso de canto. – Então, nós namoramos por esse ano inteiro e mesmo quando fui pra faculdade continuamos a nos falar. Ficávamos de vez em quando nas festas e tudo mais. Nada sério. Então teve essa festa na faculdade e Katherine e Damon a levaram, nós não nos protegemos e Rebekah ficou gravida.
Elena ouviu tudo atentamente. Não era exatamente uma linda história de amor.
–E como terminaram?
Stefan riu.
–Porque quer saber essas coisas?
–Você não quer contar?
Ele revirou os olhos.
–Ok. Os pais dela me odiavam com todas as forças, assim como os irmãos. Exceto Klaus, ele era meu melhor amigo e até hoje nos damos super bem. Enfim, o pai dela disse que eu precisava assumir a criança, e eu disse que não apenas ia assumir como também iria me casar com Rebekah. E foi o que aconteceu. Casamos-nos no civil e alguns meses depois Lexi nasceu. Ela foi o que sustentou esse casamento por tanto tempo. Fico pensando que eu era um idiota por continuar com ela. Rebekah nunca foi a mulher mais fiel e incrível do mundo.
–E você? Era fiel?
Ele fez um careta.
–Não sou do tipo que trai. Mas houve uma vez sim, enquanto eu estava em Verona. Teve essa garota incrível que eu conheci e nós tivemos algo por umas duas semanas.
Elena o encarou, boquiaberta.
–Está falando sério?
Stefan riu.
–Não foi o meu melhor momento, mas não me arrependo de nada.
Elena revirou os olhos.
–É claro.
Stefan voltou-se para ela.
–E você? Já que eu lhe dei um pequeno resumo do meu relacionamento fracassado, vamos lá. Diga-me o que deu errado no seu.
Elena deu de ombros. Mas por incrível que parecesse, ela realmente queria contar a ele sobre Alex.
–O nome dele era Alexander. Não era nem o capitão do time, muito menos o aluno mais disciplinado. Ele precisava de uma tutora de literatura e eu fui indicada pela direção. Nós nos conhecemos melhor e um mês depois estávamos juntos.
–Que romântico.
Elena deu uma cotovelada de leve nele.
–Erámos muito diferentes. Quer dizer, ele era duro demais pra quase tudo. E quando o colegial acabou ele teve que servir no exército por um ano, mas me prometeu que voltaria e ficaríamos juntos logo. Eu estava louca de amores por ele e, é claro que esperei. Então, durante esse ano meus pais morreram em um acidente. – fez uma pausa longa. – Acho que eles estavam se reconciliando.
–Sinto muito, Elena.
–Obrigada. Tudo bem. Onde eu estava? Ah sim, ele voltou em dois anos e não em um. Eu estava morando com Kath em dos quartos da faculdade. Ele apareceu do nada, como um principie encantado. E nós ficamos juntos desde então. Eu terminei a faculdade um ano depois e ele me pediu em casamento. Eu aceitei. Katherine odiava a ideia de que eu estava me casando com 21 anos, mas eu não quis saber.
“Casamos-nos e fomos felizes por um ano inteiro. Tínhamos uma vida legal, em uma casa legal, com uma vizinhança legal. Mas eu não estava satisfeita com nada. Era tudo muito pequeno pra mim. Sei lá. Até o sexo era só "legal". E Alex era machista demais pra admitir que eu não estava mais gostando. Nós brigamos por muito tempo. Ele queria filhos e eu não. Quer dizer, eu queria, mas não naquele momento. Um dia, enquanto ele estava no trabalho fui pra casa da Katherine. E sabe o que ele fez? Nada. Ele não me procurou, não me ligou. Não fez absolutamente nada. Então, umas semanas depois, quando voltei para conversar, os vizinhos me disseram que ele tinha voltado para o exército. E ele se foi. Sem nem dizer adeus. Alguns meses depois me ligaram dizendo que uma bomba... Uma bomba tinha explodido na base deles. Alex estava lá.”
Terminou de falar e esperou algum tempo por alguma coisa, mas Stefan estava completamente calado.
–Não é exatamente a história de amor que eu esperava ouvir. — ele disse finalmente.
Sorriu.
–Nem a sua.
–Sinto muito por ele.
Deu de ombros.
–Obrigada. — suspirou. — Acho que teríamos terminado de qualquer jeito.
–Ou talvez fizessem as pazes.
–Acho que não.
Ele a encarou.
–É por isso que age assim, não é? Não se envolve, não cria laços.
–Aposto que foi exatamente isso o que Damon falou. — resmungou Elena.
–Ele está errado?
Um minuto.
–Não. Ele está certo.
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