Idas e Vindas do Amor
1 Capítulo 1. Londres ou Central Park
Notas iniciais
-Lexi, por favor, fique quietinha enquanto o papai resolve esse probleminha aqui. Tudo bem?- era a segunda vez que Stefan pedia que sua filha sentasse no banco e esperasse enquanto ele terminava de fazer Check-In.
Era quase impossível controlar uma garota de 5 anos, santo Deus. Ele não se lembrava da ultima vez que precisou embarcar em um avião sozinho com ela, mas desde o divorcio tem sido um tempo bem difícil.
-Papai, quero sorvete. – Lexi pediu fazendo aquela voz mansinha que ela sabia que o convenceria.
-Vamos lá, amorzinho. – Stefan a pegou no colo e caminhou até uma barraca de sorvete.
Damon precisava mesmo inventar de se casar em Londres? Não tinha um lugar mais perto de Nova York? Que tal Chicago? Ou Los Angeles? Por Deus, qual o problema em se casar em Las Vegas? Tudo bem. Londres era O lugar para um casamento de final de ano, mas casar-se em pleno mês de agosto era ridículo! Casar-se era ridículo! Stefan perdeu a conta de quantas vezes teve conversas longas e precisas com o irmão mais velho. Sempre destacando os problemas que ele teria, e como casar só o trataria dor de cabeça... Por experiência própria ele sabia, mulher só traz confusão. Mas é claro que Damon não o ouviu, era cabeça dura, e ainda pior, estava apaixonado. Katherine Gilbert tinha mesmo conquistado seu irmão de vez.
A garota era realmente bonita. Longos cabelos escuros encaracolados, pele oliva e sorriso gentil. Tudo bem, ele conseguia entender que ela era boa demais, mas casar-se assim? Com menos de dois meses de namoro? Era pedir por um divorcio caríssimo.
Enquanto via sua filha correr pelo corredor do aeroporto Stefan precisou confessar a si mesmo que nem tudo foi ruim em seu casamento. Rebekah e ele tiveram diversas brigas ao longo dos dois anos juntos, e as confusões apenas aumentavam com o decorrer do tempo. O estopim de tudo foi no aniversario de 3 ano de Lexi, quando Stefan pegou a esposa flertando com seu amigo, Tyler. Não chegou a ser traição e tudo mais, mas ele sabia que teria sido. Ele sabia que ela queria aquilo. E ele quis também, quis que isso acabasse logo. Mas ele não podia deixar-se convencer de que tudo foi perda de tempo na vida dele, porque Rebekah tinha lhe dado Lexi, e ela era tudo de mais precioso que ele poderia ter.
-Amorzinho, vamos embarcar agora. Precisa de mais alguma coisa?- Ele tinha a mania de chama-la de amorzinho.
-Preciso ir ao banheiro. – ela sussurrou.
Oh, claro. Banheiro feminino. Tudo bem. Não deveria ser tão difícil, não é? Stefan segurou a mão de Lexi e a levou até a porta que dizia: apenas mulheres. Achou ridículo que estivesse escrito aquilo, e se surgisse um imprevisto? E se houvesse um pai com uma filha pequena que precisasse ir ao banheiro? Hein? Entrou no lugar e abriu uma das portas vazias.
-Você precisa de ajuda?- ele perguntou o mais delicadamente possível.
-Não. Mamãe me ensinou fazer isso sozinha. – ela respondeu, autoconfiante.
Stefan sorriu involuntariamente. É claro que Rebekah ensinaria a filha uma coisa dessas, ela não era tão ruim assim.
-Tudo bem então, vou te esperar aqui. – ele disse.
Dois minutos depois a garotinha saiu da cabine e Stefan curvou-se para puxar descarga e depois levantar a filha até a pia para lavar as mãos.
-Tudo bem?- perguntou.
-Aham.
Então juntos caminharam até a sala de embarque. O voo atrasou uns 10 minutos, o que foi pura sorte porque eles estavam atrasados também. Ao entrar na aeronave, Stefan logo procurou os assentos e posicionou Lexi o seu lado.
-Quero ficar na janela!- pediu.
Então é claro que ele deixou que ela ficasse onde quisesse. Stefan havia reservado os assentos próximos á janela justamente porque sabia que a filha quereria ir nela. Alguns minutos depois alguém se sentou ao seu lado também, mas ele não deu muita atenção porque estava na hora de dar o remédio de Lexi.
-Mamãe disse que você ia esquecer- Lexi disse depois que Stefan entregou-lhe agua.
-Mamãe estava enganada- Stefan se repreendeu para não bufar.
-Papai?
-Sim?
-Mamãe disse que não ia mais voltar pra casa. É verdade?- ela perguntou, o tom de voz tristonho que fez o coração de Stefan despencar.
-Oh querida... Mamãe vai morar pertinho da gente. Você vai poder visita-la sempre. – assegurou-a.
Rebekah tinha deixado a guarda de Lexi com Stefan, o que não foi grande surpresa visto que ela nunca pareceu querer, de fato, uma criança. E também por causa do trabalho e as viagens.
-Você também vai visita-la?- Lexi perguntou, curiosa.
-Hum. É claro, amorzinho. – Stefan disse. – Agora tente descansar que o voo vai ser longo.
-Papai?
Stefan abrigou-se a abrir os olhos.
-Sim, querida?
-Tio Damon vai visitar a gente?- perguntou.
Lexi adorava Damon. Era surreal ver o quanto ela ficava animada ao ver o tio.
-Claro Lexi. Ele vai visitar você sempre.
-Mas o amigo da mamãe disse que ele ia casar e ter filhos e ia esquecer-se de mim. – ela estava quase chorando.
Stefan cerrou os dentes. Seja lá quem fosse esse namorado de Rebekah, ele deveria ficar bem longe de Lexi!
-Não se preocupe com isso. O amigo da mamãe nem conhece seu tio, amor. – Stefan disse com um sorriso positivo.
Isso pareceu acalmar a garota. Que também sorriu e deixou-se fechar os olhos.
-Te amo papai.
-Também te amo amorzinho.
Alguns minutos depois da decolagem se passaram e Stefan deixou-se finalmente relaxar. Lexi estava encolhida no canto, dormindo serenamente. Então ele tirou do bolso seu celular e fone de ouvido. Talvez música o fizesse relaxar um pouco. Ele odiava aviões.
-A senhora gostaria de alguma coisa para beber?- a aeromoça perguntou para a pessoa que estava sentada ao lado de Stefan.
Foi então que ele se permitiu olha-la brevemente. Não a reconheceu de imediato, mas havia alguma familiaridade no rosto iluminado pela luz fraca do avião.
-Agua, por favor. – pediu a garota.
-Agua também. – Stefan disse quando a mulher se voltou para ele.
Um minuto depois a garota virou-se para olha-lo.
-Viaje longa. – disse.
Stefan forçou um sorriso.
-Bota longa nisso.
-Desculpe a intromissão, mas vai visitar família?- perguntou a garota.
-É o casamento do meu irmão.
-Ah! Também vou á um casamento. – ela disse com um sorriso. – Da minha irmã com um mauricinho metido a idiota.
Stefan ergueu a sobrancelha.
-Você não parece muito satisfeita.
-Não estou! É ridículo! Eles mal se conhecem. Se ela ao menos percebesse que ele... – fez uma pausa e baixou o tom de voz. – de qualquer forma, a vida é dela.
Stefan sorriu um pouco.
-Tem razão.
A garota olhou para Stefan com curiosidade, e isso permitiu que ele também a notasse. Ela era bonita. Cabelo liso e castanho escuro, pele oliva, e rosto delicado. Depois de analisa-lo, ela se voltou para uma Lexi encolhida na janela.
-Sua filha?
-Sim. – Stefan disse e seguiu o olhar dela.
Lexi tinha o cabelo loiro da mãe e os olhos verdes do pai. Era uma combinação perfeita de criança, apesar de a personalidade ter saído mais como a de Damon. O jeito petulante e tudo mais, Stefan sempre achou isso.
-Legal isso de viajem pai e filha. – a garota disse com um sorriso.
Stefan sabia o que ela estava fazendo: queria saber se ele era ou não casado. Quase sorriu com o pensamento. Ele não tinha estado com muitas mulheres depois do divorcio.
-A mãe dela está ocupada demais preparando o próprio casamento. – Stefan respondeu. Era a sua frase preferida.
A mãe dela está ocupada de férias com o namorado. Ou. A mãe dela está ocupada cuidando do crianção do marido dela.
A garota logo pegou a dica e sorriu sorrateiramente. Beleza. Eles já estavam indo á algum lugar.
-Seu namorado está esperando em Londres?- Stefan perguntou.
A garota levantou a sobrancelha.
-Meu namorado está ocupado transando com alguma vadia por aí. – declarou.
-Ah.
Ela deu de ombros.
-Então... Você não acha ridículo alguém se casar em pleno agosto? Tipo, porque não outubro? Ou novembro? Santo Deus, agosto é tempo de pagar contas e não de casar...
Stefan sentiu-se compreendido.
-Exatamente o que eu acho!- ele disse. – E casar em Londres? O que tem de errado com o Central Park?
A garota riu.
-Qual o seu nome a proposito?
-Stefan. E o seu?
-Elena. Prazer em conhecê-lo, Stefan. – ela disse com um sorriso delicioso.
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