Ichi Shuukan

1 Uma semana - Ichi Shuukan


Notas iniciais
Por culpa de duas pessoas que amo, voltei a ler One Piece, e me sinto muito feliz, porque é um manga perfeito ♥
É a primeira fic concluída que faço sobre One Piece, então, não tem nada de emocionante ou grandes spoiler.

A Nyuu não curte tanto o casal, mas merece estar aqui, pq ela me incentiva eu ler e escrever. Então, a fic eu dedico também pra Kisa, que tava babando comigo no msn com as imagens que achei.

Beijos as duas, e para quem ler ;*

Deitada na imensa cama do quarto de hotel, Robin lia atentamente seu novo livro. Enquanto isso, no chão do mesmo quarto, Zoro fazia flexões apoiando toda a força do corpo em apenas uma das mãos, assim, a outra pousava em suas costas. Cada um matava o tempo da forma que mais lhe era apreciado. Ou conforme dava.

A tripulação do Going Merry havia tirado férias. Pelo menos era isso que o capitão Luffy decretara ao atracar o navio em uma ilha turística muito simpática. Uma semana de folga para todos descansarem após a cansativa viagem que fizeram até a ilha do Céu.

O lugar escolhido era perfeito. A ilha de San Diego recebia navegantes de todos os cantos, para muitos um bom lugar para passar alguns dias fora do mar e relaxar, até voltar a suas viagens.

Lá havia tudo o que eles gostavam. Lojas de roupas, acessórios diversos. Mercearias com especiarias gastronômicas. Um hospital acadêmico, biblioteca e livrarias. Além de lojas de armas. Todos muito receptivos e hospitaleiros.

Então essa folga foi uma boa oportunidade. Acreditou Zoro, que queria aproveitar a semana livre para passar um tempo a sós com Robin. Já que no navio era algo quase impossível de acontecer. Como quando Sanji os flagrou numa noite. E foi um desastre. O cozinheiro partiu para cima do espadachim, ordenando que ele se afastasse de sua Robin-chwan. Nem ela dizendo que estava tudo bem, que não precisava daquilo. Com a gritaria e confusão que o loiro fazia, todos acordaram. Isso piorou ainda mais a situação do casal. Porque até então eles estavam mantendo – o que quer que aquilo fosse –, segredo.

Acabou então revelando a verdade, mas a verdade é que nem eles dois sabiam qual era. Talvez acabaram assumindo por pressão. Depois disso, decidiram então tentar. Só que do jeito deles, então, não era nada normal. Robin e Zoro eram calados por natureza. Até pensaram que logo esqueceriam da história já que eles mantinham a rotina habitual. Como se nada acontecesse.

Mas na verdade, era uma luta diária. Principalmente com as intromissões de todos. As ameaças de Sanji só aumentavam, mesmo que Zoro não ligasse para elas, mas era chato ser acordado de noite pelo cozinheiro só para ter certeza que ele estava dormindo. Além da curiosidade de Luffy, que virava e mexia fazia alguma pergunta muito indiscreta, a última foi se eles teriam filhos e se também seria pirata. Talvez quando crescesse poderia ter seu próprio navio e assim iriam expandir a frota e tripulantes. É, Luffy pensava alto. Fora a lista de regras de Nami, que proibia várias coisas, e ainda queria que eles tivessem uma porcentagem menor na repartição de tesouros encontrados. Não fazia muito sentido essa cláusula, mas vai falar isso para a navegadora.

Parecia que só Usopp estava tranquilo com a novidade. Até Sanji interceptar Zoro numa noite dessas, impedindo dele se encontrar com Robin lá próximo ao pé de laranja. Resultando um buraco no navio. Deixando o narigudo com dúvidas sobre aquele relacionamento. Nem vou falar do que Nami disse ao saber que quase suas laranjas foram destruídas. Mas foi algo parecido com um maremoto. Somente Chopper parecia feliz.

Aí veio a folga. Finalmente o casal poderia desfrutar de uma semana como um casal de verdade. E como era isso mesmo?

Zoro terminou as flexões, estava sem camisa e vestindo somente uma calça. Aquelas flexões foram talvez só o inicio de um aquecimento, ainda tinha muita energia para gastar. Sentou, com uma perna dobrada e a outra esticada, observando a arqueóloga compenetrada lendo um livro, deitada na cama.

Então era aquilo que casais faziam? Sabe, quando não estão... é, isso aí.

O espadachim moveu a cabeça para o lado, assistindo a forma como a mulher se mexia discretamente, virando a página do livro com cuidado, logo depois levando para trás da orelha uma mexa de cabelo que insistia em cair em seus olhos.

Zoro respirou fundo. Talvez estivesse faltando alguma coisa. Afinal, nunca teve realmente um tempo para esse tipo de coisa. Ele nunca se importou mesmo em manter um relacionamento sério. Se é que aquilo era sério. Estava um pouco confuso.

Mas o que ele tinha a perder? Nada. Então...

– Robin, vem cá. – Estendeu a mão para ela, chamando-a, logo depois que deitou no chão, de barriga para cima. – Chegue perto, e deite aqui nos meus braços, mantenha o corpo reto e duro.

A mulher se levantou da cama, jogando os cabelos para o lado, aproximando-se de Zoro.

– O que? Quer me usar como halteres? – Robin enrugou o cenho, movendo os lábios para dizer mais alguma coisa. Só que não disse. Apenas seguiu as ordens de Zoro. Endureceu o corpo, e com a ajuda dele, deitou nos braços fortes, que começou a mover para cima e para baixo, sem qualquer dificuldade.

Os cabelos de Robin caídos sobre seu rosto, impedia dela olhá-lo nos olhos. Ainda bem, porque Zoro não gostava muito quando ela fazia aquilo, era como se conseguisse ler seus pensamentos.

– Quanto você pesa mesmo? – perguntou, respirando tranquilamente.

– Sessenta e seis quilos. – Ok. Ela era um pouco mais alta que ele, porem o peso era bem diferente.

– Sei. – Ele deu uma pausa, segurando o corpo da arqueóloga no ar. – Zoro tinha uns noventa quilos, mas era por conta dos músculos, claro. E Robin, bem, ela é mulher. Não diga.

– Já cansou?

– Se fosse uma baleia talvez pudesse me fazer suar e cansar uns segundos.

– Então... – A voz de Robin soou calma. – Quando voltar ao mar, porque não procura uma baleia e a pede em namoro?

Touché.

Ele não sabia exatamente quando tudo começou. Talvez fosse aquela noite em que ela se aproximou e ficaram em silêncio assistindo o nascer do sol. Aquilo era romântico, não? Mas não importa. Zoro não era o tipo de homem romântico, isso estava óbvio, e Robin não parecia se importar com isso. A não ser que a ideia de Luffy tenha agradado a ela. Né? Ter filhos piratas, quem sabe.

Mas eles estavam ali, dividindo o mesmo quarto. Quer dizer, os dois não tinha nada em comum, senão o mesmo capitão sonhador. Mas toda aquela diferença, era atraente.

O espadachim coçou o queixo, pensativo, enquanto a morena se levantava do chão, vestindo a blusa azul, deixando a alça escorregar pelo ombro. Prendeu o cabelo com uma presilha, fazia bastante calor ali. Ele se aproximou e beijou a pele quente dela. Robin virou um pouco a cabeça, sorrindo. Ela também tinha dúvidas.

Robin gostava da companhia de Zoro. Ele é um homem forte, mesmo que desconfiasse dela no começo, ou até algumas semanas atrás, quando sentou-se ao lado dele na proa do navio. Passaram a noite em silêncio, observando o mar calmo e o céu cheio de estrelas, logo depois o nascer do sol. De alguma forma, sentiu que naquela noite ele a aceitara. Mesmo não dizendo nada. Era um começo diferente, mas era um começo. Era pra ser orgulhar disso.

– Com fome? – Robin perguntou, jogando a cabeça para trás, encostando no peito dele.

– Bastante. – Zoro se levantou, e pegou a camisa do chão, ajeitando a calça. – Um banho primeiro, depois vamos comer alguma coisa. – Puxou-a pela mão para se levantar, e acariciou os dedos na cintura fina dela.

Claro que talvez fosse apenas carência. Sexo. Ou realmente aquela ideia começava a fazer algum sentido para os dois.

Eles se hospedaram num hotel simples, próximo a praia. Já havia passado dois dias desde que chegaram ali. No primeiro dia, Zoro dormiu, mas dormiu muito, enquanto Robin passeou pela ilha. Comprou livros e algumas coisas pessoais. Voltou ao hotel, e ele ainda estava dormindo. Nem quis acordá-lo para jantar. Não estava com fome, então sentou-se na poltrona ao lado da cama e iniciou sua leitura. Algumas vezes olhando-o todo estirado na cama, sem roupa.

Já no segundo dia, ele estava bem acordado. Embora calado, e um pouco ansioso, com toda aquela necessidade de treinar, se mover, uma inquietude sem fim.

O restaurante do hotel estava cheio, e ele com fome. Resolveram então ir a outro lugar para comer. Caminharam lado a lado, sem segura as mãos nem nada. Apenas andando, até um lugar que parecia agradável. Lá eles fizeram uma refeição ótima. Robin ficou apenas na sopa e salada, deixando todo o resto para Zoro.

No caminho de volta, ouviram uma algazarra que denunciava a presença de um certo capitão. Antes que pudessem desaparecer, Luffy apareceu na frente deles com uma barriga enorme. Provavelmente havia comido desde o primeiro momento em que pisou na ilha.

– Ah!!! Finalmente achei vocês. Onde estavam? – Ele perguntou, bocejando em seguida. Estava cansado, sentindo uma imensa vontade de deitar ali mesmo e tirar um cochilo.

– Não é da sua conta. – Zoro cruzou os braços, fechando a cara. Robin não disse nada, mas sorriu para Luffy, que lhe perguntou se já tava grávida. Err.

Não deu tempo de Robin dizer qualquer coisa, porque logo em seguida chegou Chopper e Usopp, chamando por Luffy. O casal não entendeu bem, mas o capitão seria alvo de alguma experiência no hospital. Em um segundo eles desapareceram das vistas de Zoro e Robin, que voltaram a caminhar, ainda não sabendo bem para onde iam. Já que quem estava na frente era o espadachim.

Pararam em algumas lojas, até encontrar mais duas pessoas conhecidas.

– Robin-chwan!!!! – O loiro deu um salto em cima da arqueóloga, mas foi barrado pelo pé de Zoro que o acertou na cara. – Marimo desgraçado! – Sanji massageou o nariz amassado com a mão, amaldiçoando-o.

– Sanji! Consegui mais um... – Do fundo da loja, Nami gritou. Aquela era um tipo de loja de jogos, com maquininhas e outras coisas de apostas. A navegadora apareceu na porta sacudindo os bilhetes premiados na mão. – Já é o terceiro bilhete que raspo e ganho. – Ela sorriu, com os olhos brilhantes. – Ah! Vocês.

Nami não havia visto Zoro e Robin ali, então virou-se para voltar a raspar seus bilhetes.

– Ta vendo só? Você e essa sua cara feia espantou ela. – Sanji apontou para Zoro, que bocejou cheio de preguiça. Porque depois do almoço dá aquele sono. Luffy que o diga.

– Vamos embora. – Ele saiu andando na frente, sem dar atenção ao que Sanji matracava sobre nunca ir na frente da dama.

Robin deu um até mais para o cozinheiro e continuou o passeio.

Eles acabaram chegado a praia, próximo as rochas. Sentaram lá e ficaram naquele silêncio, observando o mar. Zoro escorou o corpo na pedra, deitado com as mãos atrás da cabeça. Fechou os olhos mas ainda podia ouvir o barulho da água e das garças, e depois, sentiu o corpo de Robin deitar ao seu lado, apoiando a cabeça em seu peito. Ele passou um dos braços pelo corpo dela e ficaram ali.

É, talvez pudesse dar certo mesmo. Mas tudo parecia mais fácil quando estavam sozinhos.

Robin estava de olhos fechados, como Zoro pediu para que ficasse até ele dizer que poderia olhar. A curiosidade só não era maior, porque ela tinha uma ideia do que estava acontecendo devido o barulho no banheiro. Aquele terceiro dia estava apenas começando.

– Pronto, pode vir. – Ele disse assim que abriu a porta do banheiro.

Robin nem perguntou para que teve que manter as mãos no rosto e os olhos fechados para não olhar a tal surpresa. Mas era parte do ritual, e não iria quebrá-lo.

– Nossa, você se superou. – ela sorriu, escorando-se na porta.

Zoro estreitou os olhos, não entendendo aquele tom. Se estivesse zombando dele, não ia acabar nada bem o dia.

– Não vai aproveitar? – Perguntou, antes que desistisse da ideia.

– Imagina. Você ficou tanto tempo aqui dentro, preparando esse banho. Tenho que aproveitar.

Ela tirou a blusa que vestia e atirou em cima da cama, fazendo o mesmo com toda a roupa.

O banheiro não era luxuoso nem nada. Mas havia uma banheira antiga, e larga, cabia fácil duas pessoas ali. Robin mergulhou o corpo na água fria, contrastando com seu corpo quente. Na água, algumas flores boiavam, inteiras ou apenas as pétalas. Reconheceu-as do vaso que estava agora vazio em cima da mesa. O local estava com um cheiro gostoso, talvez, mas bem conhecido. Ela perguntou o que ele colocou na água, enquanto olhava-o se despir.

– Um vidrinho que tinha em cima da pia.

Robin arqueou levemente a sobrancelha e não quis dizer que aquilo era xampu. Ela jogou o corpo um pouco para frente, para dar espaço a ele sentar-se ali atrás.

Ela relaxou os ombros, afundando mais o corpo na água, recebendo um carinho no pescoço. Aquela semana estava sendo única. Não se lembrava da última vez que ficou tão a vontade assim, sem se preocupar com sua vida em perigo, ou a de outra pessoa. Ou qualquer coisa ruim. Uns dias de sossego, era bom.

– Ouviu isso? – Foi um barulho distante, mas com um significado bem grande. Ah! Luffy.

– Ignore. – Zoro a abraçou, batendo a cabeça na dela.

– Ai.

– Que foi? Doeu? – ele riu. Também estava curtindo aquela calmaria.

Mais um barulho.

– Não é melhor ir ver o que está acontecendo?

– Não. – Fechou os olhos. – Tem mais quatro pessoas lá fora que podem ajudar. – As mãos dele puxaram-na para mais perto do corpo, beijando do pescoço a orelha, mordendo com certa força ali, fazendo-a arrepiar todo o corpo.

Estavam em cima da cama, sentados um de frente para o outro. A garrafa de rum aberta, e algumas outras vazias no chão. Zoro estava bastante concentrado, e fez um movimento com a peça preta notabuleiro. Bebeu um longo gole do seu rum, enquanto esperava a vez de Robin jogar. E mais uma vez ela virou todas as peças brancas e ganhou o jogo, deixando o espadachim irritado.

Ok! Nem tanto. Mas era chato perder todas as partidas para ela. Desistiu de jogar então, por enquanto.

– O que viu num ex-caçador de piratas? – Perguntou, depois de tanto rum, talvez a vontade de falar aflorasse.

– Eu vejo o Senhor Espadachim. – sorriu, juntando as peças do jogo. – Um péssimo jogador. Mas ótimo companheiro, amigo. Todos gostam de você...

– Todos não estão no mesmo quarto que eu e na mesma cama. – Deixou a garrafa de rum vazia cair no chão e rolar para debaixo da cama. – Não caberia,sabe...

– Eu sou uma mulher, qual a dificuldade de acreditar que me interessei?

Zoro coçou a cabeça, parecendo um pouco confuso.

– Vocês mulheres são complicadas. – Ele resmungou quando não encontrou mais rum, voltou para a cama, sacudindo tudo. – E eu nem comentei sobre você ser mais velha e mais alta.

Robin gargalhou, aquilo nem era importante, não? Era? Que diferença fazia.

Era o último dia da semana de folga. Zoro estava no chão fazendo flexão, com Robin sentada nas suas costas. Ele parou quando chegou a contagem de dois mil, pousou o corpo inteiro no chão, quando Robin escorregou para o lado, deitando ao lado dele.

Aquela semana passou relativamente rápido para os dois. Como dizem mesmo? Quando a gente se diverte...

E eles se divertiram sim. Mesmo com toda aquela diferença sobressaltando entre os dois. Mas depois de um tempo, nem sequer notaram mais.

De noite, Robin até lia alguns trechos do livro para Zoro, que prestou atenção um pouco no que a arqueóloga lhe dizia sobre uma grande civilização perdida no fundo do mar. Mas não durou muito, porque, ou ele dormia sempre dez minutos depois. Ou, a agarrava impetuosamente. Ela não levava isso a mal, porque sabia que deveria ser um pouco cansativo para um homem como ele, estou falando da leitura, porque a outra parte quem iria resistir ou ficar bravo?

E entre uma refeição e outra, um cochilo e outro, eles aproveitaram a companhia um do outro. Pode parecer piegas, mas era a primeira vez que os dois passavam por aquilo. Porém, tudo que é bom... um dia acaba, ou não precisava acabar. Mas pensando melhor...

– Vou arrumar nossas coisas. – Robin ergueu o corpo, mas voltou para o mesmo lugar ao lado de Zoro quando ele a puxou. – O que foi?

– Pode fazer isso depois. – Ele virou o rosto, alisando os dedos no braço dela.

– Eu não quero atrasar, marcamos de nos encontrar as três horas da tarde, já é quase meio dia. – Robin entendeu que ele queria conversar, mas não sabia como começar, ou terminar. Mas era algo previsível.

– A última vez... – ele começou a falar, ainda com o rosto virado para o lado oposto a ela. Aquilo lhe dava segurança, assim não corria o perigo de ser desvendado pela arqueóloga. – … que eu me senti tão relaxado, ainda era um menino. – Houve uma pausa, e um sorriso discreto. Até então eles não haviam falado sobre o passado, nem era assim tão importante. – Vamos voltar então, ao navio...

– Sim. Voltar as regras da senhorita navegadora.

– Aos escândalos do cozinheiro.

– A curiosidade do capitão... – Ainda havia Usopp e Chopper, mas esses só se afetavam quando algo lhes atingiam diretamente. Ou seja, sempre que a confusão se alastrava.

Robin virou o corpo, beijando o rosto de Zoro, passou a mão sobre o peito dele, fazendo um carinho por cima da camisa branca.

– Isso é tão... – Zoro respirou fundo, finalmente olhando para ela.

– Aham. – Robin lhe acariciou o rosto com a mão.

– Digo, tudo isso que passou.

– Eu sei. Mas o que passou, a gente não esquece.

– Quem sabe.

Mais um silêncio, até Zoro girar o corpo por cima de Robin, segurando as mãos dela e arrastando até a altura da cabeça. Aproximou o rosto dos lábios dela, sentindo o ar quente sair pela boca, roçou os lábios ate morder a carne, beijando-a depois, soltando o peso de seu corpo sobre o dela. O que mais dava para fazer em três horas? Lamentar não era.

As três horas estavam todos prontos aguardando Luffy, que havia se envolvido em alguma confusão, por isso estava demorando um pouco mais.

Sanji estava na cozinha, separando a comida que havia comprado. As melhores coisas ele sempre deixava para as garotas comerem. Zoro chegou ali, sentando-se na cadeira, sem dizer nada.

O cozinheiro tirou o cigarro da boca, soltando a fumaça, encarando-o sério. Mas antes que tivesse tempo de fazer alguma ameaça, o espadachim moveu a mão direita, dizendo que não havia mais motivos para aquilo. Porque não existia mais nada entre ele e Robin.

– Como assim? Você usou a Robin-chan, e agora ta dispensando ela desse jeito?

Zoro jurou que essa não era bem a reação que esperava. Imaginou que ele fosse ficar até feliz. Vai entender.

Robin estava no quarto, arrumando algumas coisas que comprara, atrás dela estava Nami, andando de um lado para o outro com as mãos para trás. Depois de uns minutos, e quase fazendo um buraco no chão de tanto andar, a navegadora resolveu se aproximar.

– Então... como foi a semana? Se divertiu? Gastou muito?

– Foi bom. – Robin guardou algo dentro de um envelope branco, deixando Nami um pouquinho curiosa. – Não se preocupe com aquelas regras... elas não serão mais importantes.

Nami estreitou os olhos, perguntando o que havia acontecido, mas voltou atrás num segundo depois quando ouviu os gritos de Luffy.

– O que?!? Como assim? Vocês não vão mais ter um filho pirata?

Zoro estava deitado com as mãos atrás da cabeça, de olhos fechados quando Luffy chegou e logo soube da novidade pelos seus nakamas fofoqueiros.

Os dias no mar voltaram ao normal. Se é que aquilo era normal. Mas era o que eles conheciam.

Numa noite, Zoro ficou sentado na proa do Going Merry, estranhamente ele não sentia sono. Estava observando a noite, as estrelas. O mar estava calmo, era sua vez de vigiar. Estava aproveitando toda aquela tranquilidade. Talvez uma companhia não fosse má ideia.

Ele sentiu os dedos dela lhe massagearem os ombros, mas quando virou nada viu além de dois braços sem corpo. Pfff.

Uma das mãos lhe entregou um envelope.

Zoro demorou um tempinho para abrir o envelope, mas quando o fez, ficou um bom tempo olhando para a fotografia que ele e Robin tiraram numa lojinha da ilha, digamos que ficou ali até o sol nascer. É, ele realmente não sabe como aquilo tudo começou, talvez tenha sido mesmo com o nascer do sol. Só não tinha certeza de que queria que terminasse da mesma forma. Quem sabe não terminasse nunca. Mas filhos piratas, não era algo que estava nos seus planos para o futuro. Porém, uma companhia, se encaixava facilmente nesse sonho.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!