Ich Liebe Dich.

55 Cap.55: Uma ligação? Sim, não sou insensível.


--- Alô. –Falei alto para a pessoa que estivesse me telefonando pela caneta, enquanto eu comia batatas fritas e via televisão.

Uma caneta nunca tinha sido tão inconveniente como naquela hora.

Estava planejando voltar para a organização. Apesar de parecer ser mais perigoso, para mim, não era. Eu estaria bem perto da pessoa débil que tinha feito isso, e ela não poderia fazer algo contra mim, sem muita cautela, pois seria mais fácil investigá-la. De qualquer modo era perigoso, pois eu não sabia se ela poderia se arriscar me matando mesmo que fosse investigada mais facilmente. Iria ser comprovado que era alguém da organização.

--- Ah... como é? Vai me deixar em paz, ou vai falar? -Perguntei, já que a pessoa parecia ter problemas para falar.

--- Char... llottie... -Peter falou, sufocadamente. –Sinto sua falta. -Ele continuou, como se estivesse aliviado.

Agarrei a caneta como se ela fosse mesmo um telefone. Eu já a estava usando como se fosse outras coisas havia um tempo. Se alguém chegasse ali, me atiraria pedras ou me levaria para um hospício pela segunda vez.

--- Peter! -Parei de comer- Quando você pegou meu telefone? –Fiquei meio assustada por isso.

--- Que bom que está tudo bem com você. -Peter disse.

--- Como você sabe? Não está me vendo. -Falei, secamente.

Eu ainda estava brava lá no fundo... não aceitava o fato de ele ter mentido para mim. Mesmo que ele tivesse seus motivos, ele poderia sim ter me contado antes. Como poderei me apaixonar por ele, se não consigo vê-lo com confiança? Mas eu já o via com confiança. Ele era, no momento uma das pessoas em quem eu confiava plenamente. Só que eu não suportava isso que ele fez. Odiava ser a última a saber de algo que contribuiria para a minha “não-morte”. Além disso... além disso, não, o que eu mais odiava nisso, era o fato de ele estar, novamente, sacrificando tudo que ele tinha, sua sanidade mental, sua vida e sua felicidade para me salvar, e ainda por cima sem me contar. Eu deveria sim, me sentir culpada.

--- Eu sei, porque você não sabe usar esta caneta direito. -Peter disse, ouvi quando ele riu.

--- De qualquer jeito, não pode ver por debaixo da minha roupa, engraçadinho. -Sorri-Posso ter arranhões e etc. -Falei, despreocupadamente.

--- É sério, Charllottie, não demore muito, estou começando a pensar que tudo está perdido e um desistência minha, não tem volta. -Peter foi presunçoso pela primeira vez.

--- Não voltarei. Mas... posso mandar cartões. -Falei.

--- Eu sei de tudo... -Peter disse.

--- De... tudo? -Perguntei.

--- Sim. -Peter afirmou.

--- Porque eu voltaria? -Mudei de assunto.

--- Por que não sou só eu quem está sentindo falta de alguém. -Ele, espantosamente, tinha razão.

--- Pare de querer me assustar com estas coisas. -Murmurei.

--- Estou sentindo tanto a sua falta. -Peter suspirou.

--- Tudo bem, admito. Eu quero muito ver você. -Falei, meio hesitante.

--- Será mesmo que é sério? -Peter indagou-me.

--- Cale a boca, Peter.Tudo bem, já que você está suplicando, eu vou para a organização. Espere-me ao meio dia do dia vinte e um de fevereiro,O.K.? -Falei. Tive que esperar a maldita resposta dele, pois não sabia como desligar na cara dele.

--- Se notar, não pedi para você vir nenhuma vez, nesta conversa. Mas... se você quer tanto vir... por mim, tudo bem. -Peter riu e desligou.

--- Peter! -Gritei em vão. -Droga...

Comecei a mexer na caneta e apertei um botão que havia ao lado da tela no qual havia um símbolo mais minúsculo que o mesmo, de um telefone. Era ali que era ativada a função “telefone”. Não tinha percebido, por que... afinal, quem vai perceber uma tecla tão minúscula, com um símbolo tão minúsculo quanto se tem várias outras funções geniais.

Aposto que Peter poderia ter até mesmo enviado uma mensagem com áudio e vídeo para mim, mas ele quis me importunar por telefone. Sabia que eu não poderia fingir... me sentia tão a vontade ao telefone...