Ich Liebe Dich.
13 Cap. 13:Conversação intrínseca e insuportável.
Olhava a janela, com um pouco da minha aflição já passada.
Porém ainda pensava em como eu podia ter sido tão displicente em me deixar ter empatia por um homem que mal conhecia, e que mal me conhecendo, não poderia estar me ajudando mais que por sua bondade, pena, caridade, ou seja lá o que ele estivesse interessado.
O importante, é que eu sabia, que ele tinha algum interesse. Por trás de tudo sempre tinha isso...
--- Peter me pareceu um homem ocupado. – Minha mãe disse calmamente – Passaram a ligação várias vezes.
Silêncio.
--- Filha, estou preocupada com você. –Ela disse num tom angustiado.
--- Não se preocupe mãe. Acabará tudo logo. –Eu dizia, sem ânimo algum e ainda com um pouco de raiva.
--- Filha... –Minha mãe foi interrompida pelo barulho de batidas contínuas e fortes na porta.
--- Entre. –Disse.
Peter entrou, atônito. Seu rosto era vincado de preocupação. Minha mãe tentou dizer que estava tudo bem, mas eu disse que ela saísse antes de ela poder abrir a boca.
--- Tudo bem, tudo bem, Lottie. –Minha mãe saiu.
--- Charllottie... –Ele olhou-me.
Seus olhos eram minuciosos. Tanto que apesar da euforia de raiva que eu sentia, fiquei intimidada por um segundo...
Os olhos dele olharam meu rosto afogados num tipo de agonia pela qual naquele momento eu me sentia culpada. Mas então a razão voltou a mim.
Naquele momento eu não sabia bem se eu queria apenas me livrar dele e cortar qualquer relação com outra pessoa que não fosse as mesmas com quem eu tinha aceitado aprofundar uma relação. Que eram minha mãe, Sam e Joseph. Ou se eu realmente queria me afastar dele por saber que ele tinha apenas um sentimento de dó por mim.
Eu queria apenas tê-lo longe. Por medo de algo. De decepção. De aproximação. E de várias outras coisas.
Mas o que mais me doía era ver seu rosto. Ver nele aquela expressão amarga de alguém que não era feliz. E que parecia não poder sorrir. Não poder ser feliz. E que quando estava comigo sorria raramente.
E a chuva caía, solitariamente, sem mais nenhum barulho que se sobressaísse a ela.
Depois de constatar que não havia nada de errado com minha aparência física, ele apenas ficou sem entender minha expressão e a situação.
Olhei para as minhas mãos, mal podendo pronunciar as palavras friamente. Engoli em seco a saliva. Vi as cicatrizes nos meus braços. As dos dias passados. Lembrei do rosto de Peter naquele dia no hospital para loucos.
Parecia revê-lo. Mas seus lábios apenas se mexiam e eu não ouvia palavra alguma.Eu olhava seu rosto atônita.
Então olhei-o, no presente. O mesmo rosto atônito, mas agora sem se mexer. Estava apenas parado com rosto confuso e angustiado.
--- Peter... esqueça minha existência ignóbil. –Disse, olhando-o, suavemente.
Seu rosto agora era duro. Carrancudo. Mas ainda um pouco confuso.
--- Vá embora, por favor. Para sempre. Nunca mais apareça aqui. Vá sem que Sam, ou minha mãe perceba. E não diga nada. –Disse, constrangida.
Dentro de mim algo tinha medo dele, naquele momento. E tinha algo me cortando por dentro por estar machucando-o. Ele se sentia ultrajado, por sua expressão.
--- Charllottie, o que, exatamente, você está me pedindo? –Ele estava com uma expressão de absurdo. — Eu não estou entendendo. –Ele falou devagar e pausadamente com ênfase na palavra entendendo. Ele realmente não estava entendendo.
Pela arrogância que senti em seu tom de voz, toda a minha raiva voltou.
--- Você– Quase cuspi – está entendendo perfeitamente o que eu quero dizer –Eu estava falando entre dentes.
---Você tem que me explicar o porque disso. -Ele falou pausadamente de novo.
--- Não faça eu me irritar com você, querido. –Disse, fitando-o, irritada.
--- Não seja tão dura comigo, Charllottie, apenas me... diga –Ele olhou o chão por uma fração de segundos e depois me fitava de novo com uma cara sôfrega – O que aconteceu? –Ele perguntou normalmente.
--- Acontece que eu não confio em você. Acontece que eu não o quero por perto. Porque você está tão interessado em mim? Porque está perto de uma moribunda feia em um fim de mundo? Uma que você mal conhece? Porque veio da Alemanha para cá? Há realmente muitas coisas que eu não sei sobre você, não é? Aliás, porque eu deveria confiar em você? Coisas estranhas aconteceram desde que você chegou, Peter.
Virei meu rosto para a janela, de repente. Olhei-o novamente. Estava irritada, eufórica.
Mas surpreendi-me com o rosto pesaroso dele. Ele fitava o chão, absorto. Depois olhou-me, sorrindo devagar. Um sorriso amargo. Quase a morte de sua alma saindo por entre seus dentes.
--- Eu não sei nada sobre você. Eu não sei nem onde estava com a cabeça quando fiquei aqui a falar com você até nos tornarmos... O que somos agora... Está vendo, nem sei mais o que penso de você... Mas sei que não é confiável. – Disse rapidamente olhando para a janela de novo.
Estava nervosa.
--- Tem razão, Charllottie. Tem razão... –Ele lamentou. – Mas... Charllottie, isso importa mesmo para você? Eu não acho que isso seja motivo...
--- Só quero você longe de mim, fora daqui e também quero que você morra se não for muito incômodo a alguém que se importe.
--- Não é possível que nãos e importe. Eu não acredito! –Disse ele, miseravelmente.
--- Não! Não, não, não, não! Eu não me importo. –Disse. Meu rosto era paralisado na expressão rígida. –Agora você está satisfeito? Pode ir? Por favor. –Disse as últimas palavras numa súplica real. Do fundo de qualquer coisa que existisse dentro de mim.
--- Está bem. Você está certa. –Disse ele, com a mesma expressão que a minha. Seriedade.
Era como se ele tivesse finalmente percebido algo. Algo que fugia a minha compreensão. Não parecia se tratar do que eu dizia. Mas de algo que ele já deveria saber e que eu apenas tinha o acordado.
--- Onde eu estava com a cabeça...
--- O que? Quando se aproximou de mim?
--- Isso. Foi erro meu. Charllottie. Perdoe-me por ter estado aqui este tempo todo. –Disse ele.
Olhei-o, confusa,mas irredutível.
O pior de tudo era que eu queria abraçá-lo por tudo que ele tinha me feito. Não queria ser uma ingrata. Mas naquele momento eu tinha mais um motivo para ficar longe. Ele assumira que era melhor daquele jeito. Então eu também não era nada menos que nociva a ele.
--- Está bem. –Ele disse num sussurro muito baixo. Quase inaudível. Sufocado, na verdade.
--- Talvez eu tenha mesmo pena... –Disse ele, como se se referisse a outra coisa. Não a mim.
--- Vá. –Eu disse engolindo o ar seco que estava em minha garganta.
Peter abriu a porta lentamente e não bateu ela contra a parede. Fechou-a como ele estava. Calmo, triste.
Fiquei olhando a porta que agora me atraia de tal maneira, que me levantei e caminhei até ela. Recostando-me nela, sentei a seu pé.
Fiquei ali por uma hora. Não conseguia raciocinar. Não conseguia pensar em nada que me deixasse bem. Só tinha vontade de sair do meu quarto, de tomar ar, de chorar. Mas algo não me deixava. Sentia-me sufocada por nada.
Chorei. E não conseguia parar. E pensava em tudo que tinha me acontecido. E pensava se era justo. E achava justo. Talvez eu merecesse mesmo...
Fiquei em silêncio. Dormi, em algum lugar do quarto
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