Ich Liebe Dich.

106 Cap. 106: As mágoas da fera.


Notas iniciais
Peter em ação! õ/ KKKK Na verdade, nem tão em ação assim. KKKKK Ninguém pode fazer movimentos bruscos. É como: "Pare, ou Angel atira."

Angel fumava, enquanto minha bile parecia se espalhar por todo o meu corpo, amargurando-o de ódio e repulsa.

Minhas vísceras pulsavam, trabalhando em um ritmo acelerado, fazendo-me suar frio. Minha cabeça não me deixava pensar. Somente continha minha raiva, para que ela não se espatifasse, como um barril grande, transbordando. Olhava para ela, com uma expressão calma e séria. Meu rosto queria muito se contrair em uma expressão de nojo, mas eu me esforçava, brutalmente, para não fazer isso.

--- Eu o amo. –Angel disse, de repente.

Minha mãe estava apenas querendo, com todo o poder que seu frágil corpo lhe dava agora, sair dali.

---Eu o amo mais que você. Por isso fiz tudo isso. Por que meu amor se tornou obsessão. E... –Ela agora parava de fumar olhava para mim, penetrantemente.

O significado das palavras que saiam de sua boca eram extremamente profundos, no entanto a sua cara de paisagem, de fumante, permanecia intacta. Sua expressão era imparcial.

--- Sabe de quem é a culpa? Sua! Sua e daquela maldita organização. Eu me corrompi. É bem verdade que eu sempre gostei de ver as pessoas sofrerem. Talvez, meu destino só tenha correspondido a minha natureza impetuosa. –Ela soltava uma baforada, depois de levar novamente o cigarro a boca. –Peter ainda me aceitaria, se não fosse a organização a me despertar os ímpetos assassinos. Eu o amava. Mas ele escolheu minha obsessão, se apaixonando por alguém como você. Você era tão... idiota. Eu era ruim, mas você... você era uma cretina que sempre teve baixa auto-estima. Desde que pus meus pés naquela universidade-chiqueiro, soube que você era uma perdedora. Um dia, sem mais nem menos, Peter me deixou. –Ela mudava de assunto com uma freqüência inimaginável. -Ele disse que tinha nojo de mim. –Ela me olhou, com muita raiva. –Ele não podia ter feito isso. Meu coração se corrompeu, num ódio tão grande, que mal pude conter a vontade de bater nele ou de matá-lo. –Ela semicerrou o olhar, jogando os cabelos louros macios para o lado, enquanto olhava para a janela. –Por isso eu te odeio! E odeio aquela organização, em que me afundei, a projetar coisas e mais coisas. Por isso eu resolvi afundá-la! E resolvi dedicar cada um de meus malfadados dias a te ver sofrer. –Angel havia acabado, soltando uma baforada, novamente em minha pobre e acabada mãe.

--- Porque tortura quem não te fez nada? –Frida perguntou, subitamente.

--- Porque não me interessa! Não me interessa quem seja, apenas machuco as pessoas por dentro, porque sinto um enorme buraco em mim, que ninguém pode preencher! E quero que se sintam como eu. Mas eu machuco as pessoas principalmente por ódio. E se preciso machucar quem elas amam não me importa.

O ódio que havia em mim, de repente se tornou angústia e tristeza. Ver o que ela falava, daria a qualquer ser humano sensível pelo menos a gotas de chuva, uma sensação de empatia. E eu estava sentindo a dor dela. O quanto ela era podre. O quanto ela estava acabada por dentro. O quanto o suco doce e inebriante do ódio havia a corrompido. E ela queria que acontecesse exatamente o mesmo comigo.

Aquela pobre alma... cansada, doente, desprezada, merecia compaixão. Ela me fazia sangrar por dentro. Era tão rejeitada por si mesma, pelo mundo, por tudo, que me fazia ter pena dela. O que seria dela depois? Depois que ela conseguisse tudo o que queria? Restaria o mesmo buraco. Minha alma estava machucada, por aquela declaração débil de um corpo que somente vivia para machucar outros. Um corpo e alma que não tinham alento. Que não tinham ninguém, a não ser eles mesmos para chorarem as mágoas. Parecia-me como alguém sozinho no mundo. Sem nada no que se apoiar.

--- Angel, por favor, não faça isso! –Disse, quase suplicando. -Não faç-Ela me interrompeu.

--- Cale a boca! –Ela disse, com arrogância, me fazendo ficar parada novamente em meu lugar.

De repente, o trem parou. Mas as portas não se abriram. Angel olhou-me, com uma cara nada surpresa.

--- O que houve? –Frida perguntou, atônita.

--- O trem ainda precisa de combustível! –Angel sorriu, sarcasticamente. – Esqueci-me de falar desta parte a você, Fridinha. Ah, e também me esqueci da sua estupidez... Não vamos descer, mas meus empregados fiéis irão buscar o combustível, que já está a espera deles. Esta estação está abandonada... e interditada. É quase impossível chegar a este lugar se não por este trem. É inóspito. -Angel disse, petulantemente.

Ficamos em silêncio por uns dez minutos insuportáveis. Frida se aproximou de mim, devagar. Ela ficou na minha frente, como se tentasse me proteger. Angel não ligou para este fato. Ela sabia que nos tinha em suas mãos.

De repente, a porta do vagão em que estávamos se abriu. Frida olhou, atônita, enquanto eu nem me atrevi a me mover para ver. Eu fechei olhos, apertadamente, em pânico. Abracei-me com meus próprios braços, tentando me livrar dos pensamentos mais pessimistas que se formavam. Já chegava, eu não agüentava mais. Eu apenas esperava a morte. Era tudo tão sombrio e obscuro. Tudo dava errado. O que poderia me indicar que algo bom aconteceria? Nada. Era impossível, que algo bom acontecesse. Era impossível que tivéssemos alguma chance de sobreviver, não era? Era impossível pensar numa saída. Como? Onde? De onde poderia vir? Estávamos no meio de um deserto com o mais perigoso e procurado bandido. Éramos mocinhas amarradas num trem de velho oeste. E uma delas era mais inútil ainda por sua condição emocional e física. Eu estava grávida. Estava frágil. Admiraria a qualquer um o senso que eu estava tendo. A paciência, em relação a todo aquele horror. E eu queria apenas os braços de alguém. Onde descansar. Por que eu já tinha desistido, naquele momento. O herói nunca viria. Nem existia...

De repente, em meio aos meus devaneios, senti uma respiração calorosa e regular rodeando-me, carinhosamente. Ainda não tinha coragem de abrir meus olhos, mas sentia um alívio, por não estar morta ainda. Ele me abraçava, com todo o amor que uma pessoa parecia ter guardado a anos, para uma outra. Esperando a sua vinda. Era como se eu fosse um objeto pequeno, segurado em seus braços, aqueles braços os quais eu havia a tanto tempo almejado, que me seguravam com cuidado.

Meus olhos se desapertaram, parecendo viajar, no céu, como se nada mais importasse. Neste instante, me perguntei se havia morrido. Mas não, ainda respirava e ainda sentia minhas vísceras pulsarem, fortemente. Principalmente meu coração, que batia, com tal força e rapidez, que eu pensava que ele fosse sair. Os braços me rodeavam, me fazendo esquecer-se de onde estava e do que estava fazendo. Abri os olhos, vendo que Angel estava atônita e que me olhava, com muita raiva e dor. Olhei para cima, de onde vinham os braços. Era Peter. Meu amor. Minha razão de viver e meu herói. Aquele rosto me deixou tão atônita quanto extasiada.

As luzes da tarde que já se esvaia iluminavam seu rosto angelical e delicado, que me olhava, como se eu fosse uma estátua de ouro, imaculada, perfeita.

Baixei o olhar, e vi que ele carregava o meu presente. O pingente prateado reluzia, por sob a sua blusa branca de algodão, que estava por baixo da jaqueta preta de couro. Ele estava muito feliz. Aquilo era muito estranho, pois nós dois estávamos felizes. Naquela situação, estávamos felizes. Peter me olhava, sem parar. Eu sorri para ele, mostrando a minha felicidade, deleite e alívio de ele estar ali. Eu nem acreditava.

--- Peter... –Meus olhos derramaram lágrimas que foram enxugadas, finalmente por ele, gentilmente. -eu... senti tanto a sua falta. –Eu agora chorava, como se todas as coisas se descarregassem. Eu estava nos braços dele, derramando as minhas lágrimas magoadas, amargas e gélidas.

--- O que faz aqui? –Angel levantou-se, arquejando de ódio. –Peter, oh, meu querido Peter! Sabe porque ela está assim? Acabada, sofrida, magoada, triste? Por minha causa e por sua causa. -Angel sabia que aquilo machucaria a nós dois. Simultaneamente.

--- Não me lembro de ter te chamado –Peter disse, friamente. -Angel, eu estou aqui, para fazer o que quer que seja, junto dela. Não importa o que faça conosco, eu e ela estaremos juntos. –Ele me fez soluçar de felicidade ao vê-lo, mas nada se comparava ao alívio que ele me dava ao saber que ele estava ali comigo. Era como uma proteção. Mesmo que ele não estivesse armado ou que não tivesse defesa contra Angel.

--- Você deve ter ficado louco para chegar aqui! -Angel mudara de assunto. Aquilo parecia ter sido demais para ela. Seu rosto ficara mais brando ao vê-lo. Mas ainda era colérico e amargurado. –Como o fez?

Peter, ponderadamente, deixou que seu rosto se mantivesse imparcial, virando-se para Angel.

--- Eu sabia que você iria trazer o trem aqui para abastecê-lo. Este lugar é o primeiro na lista de paradas, completamente inóspito. –Angel semicerrou o olhar, ficando mais colérica. — Eu não trouxe as pessoas da organização, porque era impossível. Mas vir sozinho aqui, não o é. Mas era perigoso demais. Chris e a maioria das pessoas da organização quiseram me impedir que fazê-lo, mas eu não obedeci. Meus ossos sedentários doíam um pouco, mas já era quase suportável a dor. Pensei que nem sequer chegaria aqui a tempo, mas cheguei. Norma me disse, que Charllottie e Frida tinham vindo até aquela estação. Mas eu sabia que este trem quase não era mais utilizado... então, soube que quem a odiava estava querendo algo. Fui até aquela estação, juntamente com um pessoal da organização, mas o trem já estava muito distante. Encontrei Jolie, Teddy, Norma e Chris. Não tinha sido nenhum deles, portanto, que haviam seqüestrado Charllottie. E, apesar de ter uma certeza cega de que foi um que a conhecia mais e que era próximo de mim, era a única coisa na qual eu podia confiar. Frida nem era uma suspeita para mim. E você, Angel, eu sabia para que estação você levaria este trem para reabastecê-lo. Bom, eu não tinha certeza, mas era quase óbvio, que você levaria ao lugar mais inóspito o possível. Que é este. E, por sorte, ele é o primeiro lugar inóspito. Dos dois lados do trem, há planaltos e precipícios colossais... e a estação está interditada. Esta rota nem é usada mais neste trem. O mato que cresce ao redor já se tornou até uma pequena floresta. Mas eu vim de carro até a parte onde se forma a pequena floresta. Eu conheço os atalhos para chegar aqui, lembra? –Peter perguntou a Angel.

--- Lembro... claro que lembro. -Ela disse, num tom amargo. -Você e eu fazíamos trilhas quando aqui era somente uma pequena reserva e você sempre se perdia... tanto que aprendia a cada dia a achar uma saída... eu sempre ria de você, ao sair dela e ficar te esperando. –Angel sorriu, por um instante, como se aquela lembrança fosse uma única lembrança boa que ela tinha de sua vida podre. –Você era um frangote...

Imaginei duas crianças loiras, com roupinhas tipicamente alemãs, correndo para ver quem chegava primeiro. Um garotinho pequeno, entediado e insatisfeito. E uma garotinha enérgica, divertida e entusiasta. Era mesmo uma pena que a doença tivesse sugado qualquer traço de bom senso e de felicidade que aquela pequena e oprimida garota tinha.

--- Agora, pare com isso, Angel. –Peter também estava triste, agora. -Nós... pensei que fossemos amigos. –Ele disse, lentamente. Ele carregava uma angustia e um pesar na voz, que o deixava tão tristonho...

--- Não, Peter. Eu...não posso mais parar! –Angel gritou, de repente se enfurecendo. -Você é um péssimo amigo! Fez-me te odiar. –Angel dizia, entredentes.

--- Angel, nós podemos aliviar sua pena! -Frida disse, não gostando do que dizia. Ela não se esforçava para ser cordial com Angel. Ela expressava nojo.

--- Calem a boca! –Angel gritou, levemente confusa, enquanto pegava a sua arma e levantava. –Eu vou mandar todos vocês para o inferno! –Ela sorriu. Seu sorriso indicava que não havia mais esperança.

Angel pegou o revolver e bateu com a sua parte de trás fortemente no estômago de minha mãe. Esta, desmaiou, finalmente.

--- Peter... –Eu sussurrei, encostando a cabeça em seu peito. –Eu... não agüento mais isso... –Apesar de eu estar ficando desesperada naquele momento, eu parecia ter ganhado esperança com Peter ao meu lado. E eu queria bater em Angel, me segurava nele, para não me arriscar a ter meu filho morto.

--- Calma, meu amor. –Peter me abraçou e afagou meus cabelos. Frida estava quase atrás de nós, rugindo de raiva.

--- Olha, Charllottie, -Angel cuspiu meu nome. -poupei, misericordiosamente, seu sofrimento.

Quando eu a olhei novamente, ela vinha em nossa direção, mas uma voz a impediu de continuar.

--- Onde pensa que vai, loura desgraçada? –Um homem, louro e de olhos azuis surgira atrás de Angel, com uma voz calma e grave.

Ele abrira a porta, sorrateiramente e se elevara, por trás dela, devagar. Pegou seu pescoço, antes que ela pudesse se virar e atirar nele. Apontando uma arma para a têmpora de Angel, o homem ficou estático. Olhamos, todos, imóveis, perplexos, completamente sem ar.


Notas finais
Quem é quem é quem é? Claro que é o fodão que sempre nos surpreende. uahsuahsuahsuhasu Ele prometeu.