Ice Heart

32 Porque me culpa?


Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Mysticfollower meu amor ♥ Obrigada pela recomendação divosa que me fez chorar, você me matou com duas recomendações juntas, eu quase tive um ataque cardíaco. Sério. Pode perguntar para a MaryDiÂngelo. Espero que gostem do capítulo e boa leitura!

POV- Thalia

Eu estou escondido no banheiro enquanto faço isso, acho que a Bia tem intenção de me ajudar, mas sei que se meu pai me pegasse escrevendo em um “diário” ele me mataria, ou pelo menos me bateria tanto a ponto de eu ficar uma semana sem andar novamente, e considerando que ainda não me recuperei totalmente do último acesso de raiva dele eu prefiro ser precavido.

Bia acha que escrever sobre o que eu sinto vai me fazer mais forte, estou meio cético quanto a isso, mas resolvi tentar mesmo assim. Hoje é meu aniversário de seis anos, por isso ela me deu este livro que escrevo, parece realmente um livro, ela disse que seria tipo a biblioteca que ela me conta, ela disse que não sabe se é verdade, mas que o pai tem acesso a tudo. Passado, presente e futuro, ela falou que escrevendo meu passado e presente eu talvez pudesse criar meu futuro.

Idiotia? Sim. Sei meu futuro, vou ser sempre o irmão da herdeira, o homem que não é capaz de nada, acho que na verdade não me importo, não quero ser rei, não quero um mundo, quero apenas que ele pare. Pare de me espancar quando se irrita, pare de planejar mal aos outros, pare de cobrar impostos de pessoas que não podem nem se alimentar, pare de arrumar guerras que só iram prejudicar seu povo. Pare de trair a mãe com uma empregada e pare de fingir que a filha dela não é dele.

Acho que se ele soubesse que eu sei da Hazel ele mataria ela, a menina tem apenas os olhos dele, o resto é tudo da mãe, desde o cabelo preto encaracolado a pele escura, eu o segui uma vez, idiotia da minha parte acho, mas sou pequeno demais para a minha idade, minha mãe disse que talvez por eu sempre viver de cabeça baixa, minha irmã diz que é porque eu tenho um crescimento tardio, meu pai diz que é falta de porrada. Mas voltando eu me escondi e o segui, não sei direito o que esperava, talvez um incentivo para meus poderes, uma dica, ou algo que me ajudasse o meu plano, m...

O diário foi arrancado da minha mão e jogado contra a parede, meu corpo estava lerdo e eu não consegui me situar, mas senti que fui presa contra a cama que tinha me deitado, aquele diário era minha segunda leitura.

Pisquei algumas vezes com falta de ar, logo vi Nico me enforcando e aquilo me deu uma agonia, talvez por não me incomodar realmente o ar entrar em meus pulmões ou talvez por não sentir como se ele estivesse ali.

— O que eu falei sobre mexer em coisas sem autorização? – Sua voz ríspida e forte, agressiva, porém calma, como se eu fosse uma criança que precisasse ser domada aos poucos e ensinada na forma antiga.

— Desculpe. – Disse com dificuldade, agora o ar começava a fazer mais importância e minha visão a ficar turva.

Ele me soltou e eu rolei na cama ficando de bruços, tossia em busca de ar, assim que minha respiração normalizou virei o rosto para Nico que estava em pé ao lado da cama me observando. Suas feições irritadas de forma tão comum agora, me deixavam irritada com ele, claro que eu não podia exigir que ele fosse gentil, sua bipolaridade constante me deixava à beira de um precipício, aonde dependia apenas da minha sorte para que quando eu estivesse caindo ele me puxasse para cima, ou algo fizesse isso.

Me girei para poder me sentar sentindo uma leve dor em volta do meu pescoço.

— Como anda a festa? – Perguntei e ele revirou os olhos.

— Não te quero mexendo nas minhas coisas. – Ele disse sério se sentando e falando baixo para si. – Eu já deveria ter te matado.

Olhei preocupada, saber que ele chegou a essa conclusão me deixava nervosa, mas ao mesmo tempo feliz afinal eu estava viva. Ele virou seu rosto para mim e olhei em seus olhos e aquilo me apavorou, a curiosidade de sempre, que estava estampada em seus olhos negros que trasbordavam sentimentos não estava ali, ele me olhava como se o mistério, a graça que me manteve viva todo esse tempo não existisse mais.

— Sabe algo de mim que eu não saiba? – Perguntei indo direto ao ponto, se ele tinha descoberto algo porque não perguntar? E principalmente precisava saber se ainda era seguro arriscar.

— Muitas coisas. – Ele disse me encarando nos fundos dos olhos.

— Como virou escrava? – Perguntou e aquilo me deixou nervosa, mas tentei me lembrar.

— Eu vivia em um cubículo de ferro, uma vez por dia, pelo menos eu acho, eles abriam uma portinha e tacavam comida ali, até que um cara me comprou e foi quando virei escrava. – Disse e ele assentiu.

— Se lembra de algo antes disso. – Neguei sem falar nada.

Sentia meu estomago revirar e o impulso de me encolher e foi o que eu fiz. Antes de ganhar a confiança e descobrir talentos que eu nem sabia que tinha a força eu tinha passado por muita coisa, antes de identificar meu mundo de gelo como lar. Era estranho pensar que a minha primeira comida realmente decente, a primeira vez que dormi em uma cama confortável, senti calor, li, fiz um amigo, beijei, tinha sido proveniente do cara que tinha arruinado tudo.

— Porque me culpa? – Ele perguntou e aquilo me assustou.

— Destruiu tudo que eu conhecia, queimou tudo, matou todos, me arrancou da minha vida. – Disse deixando que algumas lágrimas escorressem.

— Matei alguém com quem se importava? Queimei algo que gostava? Destruí algo que te fez bem? – Ele perguntou sério me fazendo olhar em seus olhos.

— Não. – Disse entre lágrimas, mas a maior dificuldade era admitir aquilo.

— Então me acusa de ser destruidor, um monstro que acaba com tudo que toca por ter te tirado da sua terra aonde nada te fazia bem ou você gostava? Me acusa de acabar com sua vida por ter te tirado da sua comodidade que te maltratava?

Olhei para ele parando de chorar, aquelas palavras doíam e ele me encarava sério enquanto falava.

— Eu posso não ter escolhido deixar você viver, mas você acha que tinha vivido antes de eu acabar com sua vida? – Perguntou ele irritado, como se falar aquilo o irritasse tanto quanto me magoava.

— Não. – Disse fraco e ele assentiu.

Ele caminhou até o diário que estava no chão olhando-o e o abriu em uma página qualquer, ele parecia em dúvida e apesar de já ter visto isso antes, sabia que não era algo estratégico ou curiosidade e sim algo pessoal.

— Dois dias, meus pedidos se realizaram, bônus foram ganhados e mesmo assim não vivo. – Ele leu e fechou o livro guardando-o.

Ele me olhou novamente e saiu do quarto retornando para a festa.

Notas finais
- Fanfic movida a comentários. — Estou com mais projetos, sim. Mas por enquanto deixarei em off. — O que acharam? — O que querem que aconteça? Beijos e até!!