Ice Heart
30 Passado, presente e futuro
Notas iniciais
POV- Thalia
Passei os dedos pelos livros, vendo a poeira descolar deles, Nico analisava aquilo com calma.
— Nunca veio aqui né? – Perguntei chamando sua atenção.
— Não. – Ele disse sem me olhar. – Mas já ouvi falar muito daqui.
— Isso é bom? – Perguntei e ele deu de ombros.
— Talvez. – Disse ele agora vendo eu me escorar na estante para conseguir analisa-lo.
— O que esse lugar tem de especial? – Perguntei e ele riu.
— É algo que meu pai adquiriu. – O moreno esticou a mão para mim e eu a segurei. – É claro que pensei que fosse uma lenda, principalmente depois de ter o derrotado. – Nico disse me guiando pelas estantes. – Mas tinha esperança que não fosse.
— Acho estranho quando fala que tem esperança de algo. – Admiti e ele sorriu de leve e assentiu.
— Já disse que não me conhece. – Ele falou olhando as estantes. – Sabe tem nomes nos livros, consegue lê-los?
Olhei as lombadas dos livros, que estavam perfeitamente viradas para fora, possibilitando que eu lesse os nomes, todos eram nomes de pessoas.
Fred Mickson, Cassandra Paver, Lindsey Hurt, Andrew...
— São nomes de pessoas. – Conclui em voz alta e ele assentiu.
— Não sei como meu pai conseguiu, mas esses são os livros de cada vida, de cada ser vivo ou que já viveu na face da Terra, passado, presente e futuro. – Ele falou e eu arregalei os olhos minimamente notando o que tinha dado de bandeja para o moreno.
Suspirou pensando em que isso geraria, afinal isso era uma arma engenhosa na mão de alguém de grande poder.
— Sabe, ver o passado não é algo difícil, afinal você pode ler o que muitas vezes você se lembra, claro que o que não se lembra também, o presente do leitor é o livro em suas mãos, mas o futuro é perigoso, tem um preço, acho que por isso meu pai não leu o próprio futuro, ele se molda de acordo com suas escolhas. – Nico explicou e eu ri.
— Então por isso acredita em destino, o fim já foi escrito, nós só estamos caminhando até ele. – Comentei e ele assentiu.
— Aqui têm livros da vida de pessoas que nem chegaram a nascer sabe, cada história se interliga com a outra, agindo de uma forma que ninguém sabe como é, mas tem tudo aqui, escrito ao alcance da mão de cada um, cada um poderia escolher como viver baseado o futuro, evitar a morte, penso como meu pai agiria se ele tivesse lido sabe, o futuro dele. – Ainda caminhávamos pelos corredores eternos de vidas.
— Mas qual seria a graça? – Questionei e ele deu de ombros.
— Não tem interesse de saber de nada? – O moreno me perguntou virando um corredor que dava para mais livros.
— Do que? – Olhei-o de volta e ele pegou um livro qualquer.
— Da sua vida sabe, se vai ficar presa aqui para sempre, se vai ter sucesso de cumprir seu objetivo de fuga, se vai morrer em uma cela, ou trabalhando, assassinada ou de uma doença? – Ele abriu as primeiras páginas do livro aleatório.
— Não. – Disse e ele assentiu.
— Nem eu, mas isso tudo pode e vai me ajudar em muitas coisas. – Ele agora olhava a imensidão de livros a nossa volta.
Não demoramos muito mais tempo lá embaixo, logo estávamos de volta ao castelo, me encostei na parede ao lado da estátua que aparentava estar intocada desde sempre, até mesmo a leve poeira estava paralisada como se nunca ninguém tivesse tocado nela.
Nico passou os olhos pela estátua, talvez em perguntas silenciosas que eu nunca adivinharia quais eram, talvez apenas refletindo que mais uma vez a sorte tinha conspirado a ajudar o garoto a mais uma vez conseguir o que queria.
— Vamos. – Nico ordenou segurando meu braço para me fazer andar pelos caminhos que já conhecia.
— Como anda a Bianca e sua mãe? – Perguntei, apesar de ser algo aparentemente aleatório as duas pareciam tão preocupadas, tão gentis.
— Bem. – Ele disse meio rude e aquilo me irritou.
— O que eu fiz? – Questionei irritada entrando na sala que eu já estava me acostumando a ver sempre. – Eu estou te obedecendo, fazendo o que me manda, porque tá agindo assim?
Nico em um movimento rápido me prendeu contra a parede, sustentei seu olhar, ele tinha raiva por algum motivo e isso me deixava nervosa, mas eu tentei não transparecer isso, queria entender sua bipolaridade, ele parecia estar sempre em dois extremos, como se um lado fosse o que ele tinha que ser e um o que ele era.
— Você simplesmente me irrita. – Ele admitiu e isso me surpreendeu.
— Porque? Porque sou um mistério para você e sua mente que tem a necessidade de saber de tudo? Porque não tem respostas? Porque eu sou diferente? Porque quando tentou me matar eu não morri? – Questionei frustrada, nada daquilo era minha culpa, eu apenas existia e tentava fazer as coisas da melhor forma possível, tentava sobreviver e ele só sabia reclamar e ser aquele idiota irritante que eu tentava suportar.
— Talvez. – Ele disse e isso fez que meu corpo fervesse.
Soquei seu abdome várias vezes irritada, senti meus olhos lacrimejarem e o fracasso me dominar, já que ele nem parecia sentir o que eu fazia.
— Você arruína minha vida e ainda se acha no direito de ser assim? – Gritei entre soluços e lágrimas.
— Que vida? — Ele me segurou pelos braços encarando-me nos fundos dos olhos. — A vida que era uma escrava? Maltratada e odiada, me diz qual a diferença da sua antiga vida para a nova? Aqui é quente e lá é frio? – Ele disse frustrado. – Não estou aqui para te agradar nem ser seu amiguinho, sou seu dono, eu mando em você e você obedece. – A irritação estava estampada na sua voz, conseguia sentir a temperatura aumentando gradativamente.
— Eu não estou pedindo um amiguinho, estou querendo entender o que você quer, porque nada que eu faço está bom para você? – Disse irritada e ouvi a porta sendo aberta.
Annabeth olhou aquilo com cara de tédio. Nico respirou fundo se controlando e me puxou em direção ao quarto me tacando lá dentro e fechando a porta antes de sair. Olhei irritada para aquilo e fui em direção ao guarda-roupa o abrindo.
Peguei um livro qualquer e me joguei na cama começando a ler, me distraindo de tudo.
POV- Nico
— Não entendo sua relação com essa garota. – Annabeth comentou enquanto andávamos de volta a festa.
— Não existe relação nenhuma. – Disse frustrado, mas sabia que existia, afinal ela ainda estava viva.
— Claro. – A loira disse dando de ombros. – O que Ares queria?
— Compra-la. – Respondi sem olha-la, mas pude sentir a garota ficar confusa.
— Porque alguém iria quere-la? – Annabeth questionou realmente sem entender.
Dei de ombros, mesmo pelo tom agressivo dela era fato, porque alguém iria querer aquela garota que não tem nenhuma utilidade visível, claramente Ares sabia mais dela do que eu, ou talvez alguém sabia mais dela do que eu, mas quem estaria interessado em uma escrava? Pelo menos uma que não carrega peso o suficiente, que não tem habilidade suficiente para nada é apenas uma respondona irritante.
Bom Nico, você mesmo a mantem viva, não é? Minha própria mente me questionava e eu suspirei. Curiosidade, mas quem teria curiosidade por alguém que supostamente nunca havia visto. Será que é obra dos Grace? Ou apenas um contratante de Ares?
Bufei irritado e senti a mão da loira tocar de leve no meu braço. Respirei fundo e adentrei o salão de festa. Realmente parecia tudo calmo, na verdade em perfeita harmonia.
Mas também tinha tensão, Zeus estava em uma mesa e nenhuma mesa ao redor da família Grace era ocupada, aparentemente todos sabiam que não deveriam irritar aquela família e isso me deixava frustrado, sabia das lendas afinal meu próprio pai tinha me contado, tinha visto uma fração do poder de Jason e tudo isso me deixava com mais vontade de acabar com eles, mas agora tinha outros objetivos, outros planos.
Caminhei até a mesa dos Grace junto a Annabeth e sorri cumprimentando-os.
— Vejamos se não é o famoso Nico Di Ângelo, podemos dizer que chamou tanta atenção quanto seu pai. – Zeus disse sorrindo como um rei autoconfiante que ele se julgava ser.
— Depois de derrota-lo com tanta facilidade, obviamente que eu chamaria atenção. – Disse fazendo pouco e ele indicou que nos sentássemos e foi o que eu e Annabeth fizemos.
— Sempre quis saber como entrou no castelo, sei que ela entrou pela porta da frente, mas você. – Ele parecia confuso e eu sorri, lembrando que a própria loira vivia me perguntando isso.
— Eu tenho meus métodos. – Disse simplesmente e ele assentiu.
— Tenho que admitir que fiquei surpreso como cuidou do seu reino, seu pai era impulsivo, fazia o que era melhor para si, mas mesmo você sendo um sádico psicopata ainda é um bom rei. – Ele disse me olhando e eu assenti em agradecimento incentivando-o a continuar. – Mas sem ofensas sempre preferi seu pai.
— Ele te obedecia igual um cachorrinho. – Disse e Zeus riu.
— E sei que se juntar a cabeça dele ao corpo ele vai continuar me obedecendo, mas você é um caso complicado. – Ele falou convencido e eu levantei a sobrancelha surpreso.
Annabeth me olhou confusa e Zeus riu.
— Sua namoradinha não sabe que manteve seu pai vivo? Torturando-o, deixando seu corpo longe da cabeça, no lugar que ele mesmo fazia isso? Você é igualzinho a seu pai Di Ângelo só é mais ousado, mas igualzinho a ele. – Zeus disse se divertindo com aquilo tudo e provavelmente com a minha cara.
Annabeth estava séria, ela me olhou, mas nada disse, apenas esperou eu responder aquele velho que se achava esperto o suficiente, mas eu SEMPRE estou um passo à frente de TODOS.
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