Ice Heart
48 Nem um terço do que você é capaz
Notas iniciais
POV- Thalia
Acordei com um toque quente e suave em meu braço, meus olhos se abriram lentamente e logo vi Nico sentado na cama me olhando.
— Levanta. — Ele disse calmo e eu me sentei jogando o cabelo para trás o tirando do rosto.
— Aconteceu algo? – Perguntei e ele negou e ficou de pé.
— Quero testar uma coisa e vou precisar de você. – Respondeu-me e eu assenti me levantando.
O moreno começou a andar e eu o segui lado a lado. Como de costume nenhuma palavra saiu de seus lábios, a curiosidade de saber para onde íamos era sempre algo que me atormentava, mas eu já deveria me acostumar com o fato dele nunca responder.
— Para onde estamos indo? – Perguntei e ele me olhou continuando a andar.
— Pensei que reconheceria o caminho. – Ele falou e eu olhei em volta.
— O que vamos fazer nas celas? – Arranquei uma risada de sua boca com a frase.
— Lembra que me disse para achar uma outra fonte de luz para os meus soltados? – Nico questionou e eu assenti entrando no setor um.
— As celas estão vazias. – Disse reparando que não havia ninguém em lugar algum. – O que aconteceu com elas?
— Estão em outro setor, pode ficar tranquila seu lado pacifico não precisa ficar decepcionado. – Nico disse deixando que eu andasse por entre as celas. – Que fios são esses?
Cada cela tinha um fio alaranjado com preto, conectando uma grade a outra e notei que no final do extenso corredor havia um grande material de ferro aonde o fio estava enrolado e caminhava para as grades do outro lado, como um conector.
— Eletricidade. – Ele disse como se aquela simples palavra esclarecesse tudo, vendo que eu não tinha entendido ele explicou. – Sombras não precisam de uma energia constante para lhe manter vivo, pelo menos não meus soldados com uma fonte de luz interna, eu só preciso achar um jeito de criar essas fonte de luz de um modo que não seja desgastante.
— É aí que a eletricidade entra. – Comentei e ele assentiu. – Mas o que tem a ver comigo?
— Você não tem noção do que pode fazer, não é? – Ele perguntou se aproximando de mim e eu olhei confusa.
Ele negou e pegou minha mão me puxando com cuidado até uma grade colocando minha mão envolta no metal gelado, senti ele me abraçar por trás e seus lábios tocarem meu ouvido com delicadeza.
— Feche os olhos. – Ele disse calmo e eu obedeci. – Tente sentir algo dentro de você, algo que sempre soube que esteve aí, algo que você sentia como se precisasse libertar isso, como se estivesse faltando, puxe essa coisa para si, deixe que a energia preencha seu corpo.
Ele ficou em silêncio apenas sua respiração em meu ouvido, quando eu suspirei.
— Não está dando certo. – Disse abrindo os olhos e olhando para cima para poder encarar seus olhos negros.
Ele parou continuando em silêncio pensando, quando seus olhos se iluminaram e um sorriso de lado surgiu em seu rosto. O moreno começou a beijar meu ombro e a subir para meu pescoço. Ele me virou em um movimento rápido me tirando do chão o que fez com que eu passasse as pernas em sua cintura, senti meu corpo contra a grade gelada competir contra o calor do moreno que selou nossos lábios, me puxando para um beijo ardente e feroz.
Sua mão apertou minha bunda com força o que fez com que eu desse um pequeno pulo ainda em seu colo, quando um barulho estranho começou ficando cada vez mais alto, como vários bichinhos.
Ele riu baixo e eu abri os olhos arregalando em seguida, uma luz azul como vários fios corriam pelas grades e fios e pelo item de metal no final do corredor, mas agora todas as celas estavam cheias, cheias de soldados um ao lado do outro.
— Deu certo. – Disse olhando o negro dos olhos do garoto que assentiu.
— Está na hora de começar a aprender o que é capaz de fazer, porque tenho que te garantir que isso é apenas um terço do que você consegue. – Nico falou me tirando da grade.
— Como sabia? Como sabia que eu podia fazer isso? – Perguntei e ele riu.
— Porque já te vi fazer antes. – Falou o moreno me colando em pé a sua frente.
— Quando? – Novamente a curiosidade me venceu.
— Comigo, no meu quarto. – Ele disse me puxando para um beijo novamente no qual eu correspondi de imediato.
Era tão estranho pensar que eu tinha acabado de ajudar ele a criar um exército de coisas que a um tempo atrás eu estava planejando descobrir um modo de mata-las.
— Quer aprender mais uma coisa? – Ele perguntou e eu assenti. – Segura a grade.
Caminhei até a grade e segurei duas barras uma com cada mão. Senti ele se aproximar de mim por trás segurando minha cintura.
— Olhe para a eletricidade que está invisível passando pelo seu corpo. – Ele disse e eu franzi o cenho.
— Como olho para algo invisível? – Perguntei e ele deu de ombros.
— Torne-a visível. – Ele disse e eu franzi o cenho encarando os meus braços, sentindo um leve formigamento no meu braço e descendo para o resto do meu corpo, mantive meus olhos fixos ali, quando a luz azul começou a passar pelo meu braço, vi Nico me soltar e vir para o meu lado.
— Agora quero que puxe para a sua pele, como se a tivesse absorvendo, como um puxar de uma lufada de ar. – Nico disse me olhado nos olhos e eu assenti.
Puxei o ar para mim, como uma necessidade de respirar e eu senti como se algo mais tivesse vindo junto, algo denso, as luzes ficaram mais agitadas, rápidas, começando a subir no meu braço com urgência, fazendo com que a dormência ficasse mais forte, até que por fim todas as luzes sumiram.
Soltei a grade e olhei a minha mão que tinha pequenas luzes saindo e entrando de volta na pele como se ela quisesse se acalmar.
— Como vai ser agora Nico? – Perguntei depois de um tempo encarnado a minha mão.
— O que? – Ele perguntou e eu suspirei.
— Eu devo continuar a me preocupar com a possibilidade de você me matar? – Perguntei encarando seus olhos arrancando-lhe um suspiro.
— Thalia. – Ele disse puxando meu rosto fazendo que eu não tivesse como desviar o olhar. – Deixe algo gravado em sua mente, enquanto você for útil para mim você continua viva, então me ajude e sua estadia aqui estará garantida.
— Acho que não é assim que funciona. – Comentei e ele levantou a sobrancelha me soltando.
— Não? E como é? – Perguntou curioso, ainda mantendo seu olhar fixo no meu.
— Independente do que ou do quanto eu seja útil para você, eu tenho que ficar dependendo do seu humor e isso me agonia, pois eu nunca sei como você vai agir ou ser, parece que você está incerto do que fazer, ora você age como um louco psicopata, outra ora você é alguém bom de conversar e parece ouvir, mas sempre com uma guarda levantada, como se fosse bom demais para ouvir os outros.
— Aonde quer chegar? – Ele perguntou ficando irritado e cruzando os braços.
— Aí. – Disse apontando para ele. – Já está irritado com simples palavras, porque?
— Porque eu tenho que agir de um modo que garanta a minha segurança e a de todos, então sim, se eu tiver que ser um louco assassino eu vou ser, Thalia, e o que me irrita é que você não percebe isso, você sempre me acusa de algo, como quer que eu não fique irritado?
— Eu paro de te acusar quando entender Nico, porque até o momento, mesmo que você diga eu acho que existe um outro modo de governar, um que não precise de uma matança. – Disse me aproximando dele.
— Então quer sua resposta aí está: Você fica viva enquanto for útil para mim e se você não ficar questionando o que não deve, mesmo que ache errado. – Nico disse sério e eu assenti entendendo o recado.
— Vamos. – Ele falou indicando que era hora de subir e eu suspirei e comecei a o seguir vendo que os soldados das sombras estavam assumindo seu lugar nelas.
— Porque precisa de mais soldados? – Perguntei e ele negou. – Fala, não quer que eu seja útil? – Insisti.
— Acho que o que meu pai previu está se aproximando, mas não quero pensar nisso agora e nem quero que se envolva, não vai ser nada demais. – Ele disse, mas algo me falava que era mentira, mas eu não podia insistir em algo com ele, não de uma vez.
— O que quer que eu faça? – Perguntei e ele suspirou e se virou para mim, fazendo que me corpo batesse contra o dele pela surpresa do movimento.
— Thalia, eu não vou te matar, para de tentar ficar se envolvendo em tudo, quando eu quiser que faça algo você vai fazer. – Ele disse por fim, encarando meus olhos.
Abaixei o olhar, respirando fundo, mas então Nico suspirou e com o dedo levantou o meu rosto.
— Sei que se envolveu muito de um tempo para cá, deixei que você participasse muito de tudo isso e sei que está curiosa, ou sei lá, quer ajudar, mas não preciso disso agora, mesmo você sendo inteligente e sabendo ligar pontos aparentemente invisíveis eu preciso me concentrar em algo que você não é e não pode fazer, nem eu pediria para você ser. – Ele disse sério encarando no fundo dos meus olhos.
— E o que seria? – Perguntei e ele demorou uns segundos a responder.
— Ser uma psicopata. – Ele disse soltando meu rosto e retornando a andar.
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