Ice Heart
47 Mortas
Notas iniciais
POV- Annabeth
Puxei a garota por entre a floresta deixando que apenas um soldado das sombras me acompanhasse, era muito desgastante ter que conduzir aqueles soldados e ainda teria que fazer isso voando de volta para o castelo depois, não gastaria minhas energias com algo desnecessário.
Assim que adentrei a vila ouvi o grito da adolescente que caiu em prantos no chão, meus olhos se arregalaram ao ver aquilo. Todas as mulheres estavam empaladas em estacas sem os olhos e com as bocas abertas, me lembrando do empalhador, mas aquilo não seria possível, ele não age sem autorização do Nico. Soltei a garota deixando-a nos cuidados da sombra e me aproximei daquilo sentindo meu pé afundar na lama, uma mistura nojenta de água e sangue.
Um estalo em minha cabeça me chamou atenção, a dias não chovia. Olhei as mulheres com atenção vendo suas roupas e cabelos encharcados, olhei ao redor vendo a quantidade de lama no chão e as casas molhadas como se uma tempestade tivesse passado por ali.
— Peguem um corpo, vamos levar para o castelo para analise, vamos sair daqui. – Disse fazendo dois soldados aparecerem. – Leve a garota e a mantenha viva qualquer problema que ela te der me avise de imediato. – Disse olhando para o outro soldado das sombras que segurava a coleira da garota. – Qualquer coisa apague ela e a carregue se for mais fácil.
Voltei por aonde tínhamos vivos, se eu estava certa do que tinha devastado a vila eles não estavam longe e muito menos eu conseguiria lidar com eles sozinha. Parei aonde tinha deixado o moreno de olhos verdes mar. Ele não estava mais ali, assim como os corpos e os cavalos, ele havia se curado e ido embora, um pedaço de mim queria que ele me acompanhasse, mas o outro desejou que ele fosse para o mais longe possível.
Suspirei e deixei que minhas asas aparecessem e eu assumir o céu que era o meu lugar, olhei as árvores abaixo de mim e senti o vento gelado bater contra o meu corpo me fazendo lembrar de quando eu dava meus primeiros voos, quando não tinha que me preocupar com nada, nem com uma fuga.
Voei o mais rápido que eu conseguia sem deixar os soldados para trás, tinha que chegar ao castelo depressa, pois qualquer minuto perdido poderia se tornar um problema maior.
***
Pousei em frente ao castelo vendo que as pessoas começavam a se recolher para o anoitecer, adentrei meu lar por tantos anos indo direto aonde eu tinha mais chances de encontrar o Nico e ele realmente estava lá.
Bati na porta e abri logo em seguida já que ela ficava destrancada quando o garoto estava com a irmã. Entrei no quarto e vi Nico sentado em uma poltrona com sua típica pose de durão e Bianca estava sentada com as pernas cruzadas mexendo na mão de modo tenso e rápido, também vi a mãe dele apoiada na janela de costas e tensa.
— Nico. – Disse e o moreno olhou para mim se levantando, parecendo só agora notar minha presença, mas ele sabia que eu tinha entrado.
— Volto depois. – Di Ângelo disse indicando que eu saísse e foi o que eu fiz sendo acompanhada por ele. – Chegou cedo.
— Tive que voltar. – Disse olhando para o moreno que franziu o cenho, me puxando para andar.
— O que aconteceu? – Di Ângelo perguntou apresando o passo.
— Quando cheguei a vila das bruxas todas estavam mortas, empaladas. – Disse olhando o moreno que franziu o cenho.
— O empalhador não ataca a anos e ele nunca ataca sem nossa autorização. – O homem disse confuso adentrando sua sala vazia.
— Eu também lembrei dele, mas quando olhei com mais atenção notei que estava tudo molhado e acho que elas não morreram por causa da empalação e sim afogadas. – Disse confessando suas suspeitas. – Já mandei o corpo para a análise.
— Morreram afogados fora d’água? – Nico perguntou olhando a janela. – Não tem nenhuma fonte próxima de água e como matar uma vila inteira afogada se nem teve ao menos chuva?
— Exato, então já deve imaginar quem eu acho que fez isso. – Comentei e ele assentiu.
— Zeus e seu exército. – O moreno afirmou deixando minhas suspeitas saírem em alto e bom som de sua boca e eu assenti odiando aquela possibilidade tão clara.
— A floresta encantada nos dará alguns dias de vantagem para fazermos algo, mas o feitiço não vai prende-los para sempre, uma hora eles vão chegar aqui e eles não devem estar longe. – Disse olhando para a janela também. – O que vamos fazer?
— Eu não sei. – Nico admitiu e sabia que aquilo era difícil para ele.
— Vai descobrir, você sempre tem um plano. – Falei tentando o animar e ele assentiu.
— Vamos tentar ser discretos, não queremos pânico, mas se eles forem atacar quero que garanta que nenhum civil saia ferido. – O moreno falou e eu assenti.
— A melhor oportunidade é evacuar a cidade, porém nossa saída é a floresta, não temos como garantir a segurança do povo em uma floresta ainda mais sem um acampamento. – Informei e ele suspirou se virando para dentro da sala.
Os olhos negros do garoto se fixaram no mapa que tinha ali em frente e um sorriso que claramente indicava uma ideia lhe surgiu brotou em seus lábios e ele pegou um caco de vidro o levando até a janela.
— Quero que cheque pessoalmente algo para mim, apenas soldados das sombras, nada de seres vivos. – O moreno falou parecendo animado, o que significava que ele estava pensando, ideias fluindo em sua mente de possibilidades e eu assenti vendo ele levantar o caco de vidro.
A luz insidio no espelho criando uma faixa por uma distância que não poderia ser andada por dias, ela rebateu indo até outro ponto e por fim adentrando pela janela e caindo em cima do mapa criando um holograma.
— Olhe as ruinas. – Nico disse e eu me aproximei, fazendo o que ele mantou.
— Acha que pode ser um acampamento? – Perguntei percebendo os formatos estranhos que tinham ali e ele assentiu.
— Meu pai projetou esse mapa e acredito que baseado no futuro, então se ele estava se preparando para talvez uma guerra as ruinas seria um bom lugar para se montar um acampamento, podemos fazer parecer que a população fugiu para o leste, pela floresta, se tivermos como ir para esse local e garantir que ele seja seguro. – Ele falou e eu assenti.
— Vou verificar agora mesmo, se isso realmente existir vai ser o melhor que podemos fazer no momento. – Disse encarando os olhos negros do Nico, que quando ele era pequeno era tão repleto de alegria e agora só se via escuridão.
— Também vamos aumentar o armamento de todos os soldados e aumentar as trocas de turnos, para poder manter todos eles dispostos, também quero que mude as instalações para o castelo e eu vou tentar uma coisa. – Nico disse pensativo e tirando o espelho da janela e o colocando em uma gaveta.
— Nico... – Chamei o moreno que me olhou e eu sorri. – Nós vamos conseguir, sempre conseguimos.
— Odeio admitir isso Annie, mas talvez eles sejam adversários a nossa altura. – O moreno falou olhando a janela e eu ri leve.
— Seu pai também era quando invadiu o castelo dele pela porta da frente e cortou a cabeça dele, os reinos que contrabandeavam crianças como o que você tirou a Thalia também era um adversário à altura, não entramos em uma briga sem nossas armas, mas sempre tivemos uma chance de perder, o que nós fizemos, mesmo julgados como psicopatas e assassinos que talvez possamos ser sempre vencemos, sempre fizemos nosso melhor, quantos reis você vê por aí que toma a frente no campo de batalha Nico? – Disse tocando seu ombro com cuidado.
— Nós vamos fazer o que sempre fazemos. – Ele disse e eu sorri.
— Vamos estar um passo à frente dos nossos inimigos. – Falei e ele assentiu.
— Vá fazer o que eu pedi que eu vou cuidar de umas coisas. – Nico disse e eu assenti beijando em sua bochecha e saindo em direção a minha missão.
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