Ice Heart
35 Idiota
Notas iniciais
POV- Percy
Meu corpo estava preso a cadeira, um círculo com símbolos estranhos estavam em volta de mim e eu sabia que aquilo era para me prender ali, sentia a corda que mantinha minha mão presa queimar minha pele.
Observei o quarto e soube que realmente era o real quarto da Annabeth, ele me lembrava um pouco o quarto dela quando éramos menores, uma cama estilo princesa branca estava encostada contra uma parede, com uma grande cabeceira acolchoada com detalhes em dourado, tinham duas mesinhas brancas ao lado de cada cama, a direita tinha um abajur e a esquerda um livro. Uma coruja branca estava parada em cima de uma mesa de madeira branca que ficava mais no canto, as vezes ela andava de um lado para o outro, mas ela parecia entediada.
Mas realmente a parte que mais me lembrou o antigo quarto da loira eram os inúmeros desenhos espalhados por todo ele, colado na parede, no chão, empilhados na mesa, em cadeiras, junto com livros e mais livros e eu não pude deixar de sorrir, afinal lembrava dos seus desenhos dos locais dos livros que ela lia, ela dizia que não conseguia imaginar um lugar bonito e não desenha-lo.
A porta foi aberta e Annabeth entrou a trancando logo em seguida, a coruja gritou animada e a loira sorriu e caminhou até o animal acariciando sua cabeça e pegando em uma gaveta comida para alimenta-la.
— Não lembro de você fazer bruxarias. – Comentei e ela deu de ombros.
— Algumas coisas aconteceram e depois disso tive problemas para usar meus reais poderes então utilizo bruxaria. – Ela disse agora se virando para mim e pegando uma cadeira a arrastando até que tivesse de frente para mim.
— Sabe que eu deveria te matar, não sabe? – Ela questionou sentando de frente para mim. – Se o Nico descobrir ele vai te matar.
— Então porque estou vivo? – Perguntei e ela revirou os olhos.
— Porque é tão idiota a ponto de tentar fugir? – Ela perguntou indignada e foi minha vez de revirar os olhos.
— Você me mante trancado dentro de uma cela, quando está afim me tortura ou me leva para um quarto para transar comigo, você queimou a vila que eu morava, matou minha esposa, queria mesmo que eu ficasse obediente e contente por estar aqui? – Questionei me irritando e ela grunhiu e se inclinou para frente apoiando os braços em cada uma das pernas.
— Não Percy, não queria nem quero, mas poderia ser esperto e não ser pego fazendo idiotice, sua amiguinha tá se aproximando do Nico, os escravos estão se mantendo vivos e você acha que vai ficar nesse estado por muito tempo assim? – Ela disse irritada, cada palavra que saia de sua boca era carregada de frustração e ódio.
— Porque se importa, você foi embora quando eramos menores, você matou tudo que eu gostava, você me torturou...
— Me importo porque você foi a única coisa boa da minha vida antes daqui, por isso eu me importo Percy, EU TIVE QUE FUGIR, EU PRECISAVA, NÃO CONSEGUIA SUPORTAR AQUILO. – Ela gritou e recostou contra a cadeira, toda sua aura de forte e invencível se desfez junto com as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
O feitiço se desfez e as cordas se soltaram.
— Foge. – Ela disse fraco levando as mãos ao rosto.
A porta destrancou e se abriu devagar. Olhei aquilo confuso, não podia acreditar no que estava acontecendo.
— A Thalia tá com o Nico na sala de tortura, ela foi envenenada ele tá garantindo que ela sobreviva, se descer pelo setor das celas e passar pelo seis é um caminho secreto para as celas dos dragões, se transforme assim que chegar na terra, vai ser mais fácil de fugir, não vai encontrar problemas, apenas eu e o Nico sabemos do setor seis. – Ela disse sem me olhar.
Me levantei e a abracei ela me empurrou com seus olhos vermelhos de lágrimas.
— VAI. – Ela gritou e eu assenti e sai correndo.
Meu coração estava disparado, a sensação de ser uma armadilha me dominava e o fato de não cumprir meu acordo com a Thalia deixava meu corpo mais tenso ainda, eu não podia deixar ela aqui, eu teria que tira-la, mas eu não sabia o caminho para a sala de tortura e ela estava com o Di Ângelo, eu teria que voltar depois, voltar para tirar ela.
Vi que tinha um estreito corredor depois da placa que indicava o setor seis e sabia que para o outro lado ficavam os quatro, três, dois e um, então segui pelo corredor e logo encontrei uma escadaria, tochas se acenderam enquanto eu descia e aquilo me deu a impressão que alguém me veria.
Annabeth chorando me fez para por um momento, o que tinha acontecido com ela para ficar assim?
Uma mulher com apenas uma perna pulou contra a grade da sua cela e ela tentava me pegar, aos poucos mais e mais pessoas tentavam fazer o mesmo. Acelerei o passo contragosto até que achei uma pequena porta de ferro. Assim que abri eu senti o bafo quente, uma grande arena de vidro estava com um enorme dragão preto ele deveria ter o tamanho de vinte gigantes ou talvez maior, seus olhos vermelho sangue vagavam pelos dragões de tamanho normal, que deveriam ter cinco gigantes apenas de tamanho e sobre os filhotes que eram apenas um gigante e eu entendi que aquele dragão era o líder, era o alfa.
Rodeei a arena tentando fazer o máximo de silêncio possível e manter meu coração calmo, mesmo em conflito, assim que cheguei do outro lado vi a pequena porta de ferro, passei por ela sem dificuldades e vi uma densa floresta.
Fechei a porta atrás de mim e respirei fundo decidindo uma coisa que nunca pensei que decidiria, eu voltaria, não apenas pela Thalia, mas pela Annabeth.
Deixei que meu corpo tomasse a estrutura de um lobo e comecei a correr mata adentro indo o mais longe possível do castelo quando uma ideia idiota me veio à mente e era essa a única ideia que eu tinha, eu tinha que procurar meu pai.
POV- Annabeth
Assim que Percy saiu eu fechei a porta e deitei na cama, tirando as cenas que se infiltravam em minha mente sem sossego, elas nunca davam sossego. Senti minha coruja pousar na cama e seu rosto roçar no meu braço.
Odiava me sentir frágil, odiava. Grunhi alto e me sentei na cama limpando as lágrimas do rosto. Quando Nico descobrisse o que eu fiz...
Senti meu corpo gelar e por um momento pensei em ir atrás do Percy, impedi-lo antes que isso pudesse chegar no ouvido do Nico. Mas o que ele poderia fazer? Ele não é meu chefe, tenho tantos direitos quanto ele e se ele pode esconder coisas de mim porque não posso fazer o mesmo? Se ele pode ter aquela menina porque não posso libertar o Percy?
Suspirei e me deitei na cama torcendo para que ele conseguisse e peguei meu livro começando a folheá-lo.
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