Ice Heart
45 Como antes
Notas iniciais
POV – Nico
Entrei na sala pensando no que ela havia acabado de dizer e assenti. Um soldado de sombras apareceu e vi que a morena teve um sobressalto, provavelmente por não ter boas experiências com eles.
— Chame Annabeth. – Ordenei e o soldado assentiu se desfazendo em sombras logo em seguida.
A morena soltou a respiração assim que estávamos apenas nós dois, de certo modo me surpreendia como ela conseguia ficar tranquila a minha presença, ou pelo menos parecer. Ela não transparecia ter medo, claro, considerando o que aconteceu a noite anterior ela deveria se sentir segura o suficiente, mas obviamente não foi da noite para o dia que ela começou a transparecer segurança e tranquilidade.
— O que foi? – A garota perguntou caminhando até a mesa.
— Só pensando em pontos curiosos da minha mente, nada relevante. – Falei indo junto a ela a mesa.
— Pediu para me chamar? – Annabeth adentrou a porta que eu havia deixado aberta.
— Sim. – Disse sério. – Vá para o quarto. – Falei direcionado a Thalia que assentiu e obedeceu sem questionar.
Virei e vi a loira parada com os braços cruzados olhando em minha direção.
— Vamos dar uma volta. – Disse esticando o braço a ela que assentiu cruzando nossos braços e iniciando a caminhada.
Comecei a caminhar para as áreas que garantiria que nunca ninguém nos ouviria, andando pelos corredores desertos.
— O que sabe de um livro de magia? – Perguntei e ela franziu o cenho.
— Algum especifico ou aleatório? – Ela perguntou e eu suspirei.
— Tem um mito envolvendo ele, diz que ele libertou os poderes que nós temos e tem um feitiço para aprisiona-lo. – Falei e pude ver ela fazer sua cara pensativa que ela sempre fazia quando eu lhe perguntava algo.
— Nunca ouvi falar, sabe eu não sou naturalmente bruxa, mas posso descobrir algo sobre fora da aldeia. – Annabeth garantiu e eu refleti.
— Pode ir fazer isso o mais rápido possível? – Perguntei e ela assentiu.
— Claro, posso sair em duas horas. – Annabeth disse provavelmente fazendo um calculo rápido de quanto tempo levaria para organizar tudo no castelo e suas coisas para ir.
— Leve alguns soldados das sombras com você, vou mandar eles te obedecerem, algo me diz que você pode acabar achando problemas em busca dessa informação. – Falei e ela assentiu ficando em silêncio assim como os corredores que circulávamos.
— Nico. – Ela disse depois de algum tempo em silêncio e eu indiquei que ela falasse. – Eu quero que as coisas voltem a ser como antes.
— Annabeth...- Disse e ela negou, parando e vindo a minha frente olhando em meus olhos.
— Não Nico, não estou pedindo para voltarmos a ter um “relacionamento”, eu quero que volte a ser quando nós vivíamos naquele chalé sabe, trabalhávamos em equipe, contávamos tudo um para o outro, depois de todos os nossos trabalhos e coisas a fazer, sentávamos no gramado sobre as estrelas e falávamos do que sonhávamos...
— Éramos crianças, não tínhamos sangue nas mãos, não tínhamos ninguém para cuidar além de nós mesmos Annabeth, não tínhamos inimigos e muito menos poder para fazer algum, éramos só nós. – Falei olhando para ela e ela assentiu.
— Eu sei, agora você é rei, derrotou seu pai com seu plano que você montou quando criança, eu te ajudo em tudo que você precisa, trabalhamos para seu povo, ajudamos todos que podemos da nossa forma maníaca psicopata, mas sabe eu vejo que estamos fazendo isso errado, a quanto tempo não sentamos e conversamos como amigos? A quanto tempo não fazemos novos planos que não se resumem a coisas que precisamos fazer, mas o que queremos? – Perguntou ela me encarando com seus olhos azuis acinzentados de forma intensa.
— A muito tempo Annabeth, mas o que queria? Temos responsabilidades. – Disse e ela assentiu. – Sabe que não é apenas isso, merda Anne, você se apaixonou, eu to tentando entender o que meu pai tá tramando, tem um espião circulando e aparentemente todos esses caralhos de anos foi tudo orquestrado pela pessoa que eu mais odeio nesse mundo, desde que assumimos o poder, eu assumi um posto que nunca quis, você se tornou uma pessoa que nunca quis ser, nós tínhamos planos quando éramos apenas sonhadores, mas nossos planos são falhos. – Disse irritado e ela suspirou.
— Eu sei Nico, mas eu quero ter certeza que a única coisa que tínhamos a anos atrás e que nos fez ganhar o mundo ainda existe e vai nos fazer ganhar de novo, Nico eu e você estamos bem? – Perguntou ela e eu assenti.
— Claro que estamos, eu com certeza preciso te atualizar e mesmo eu tenho ficado irritado com o que fez, ainda estamos bem. – Falei olhando aquele sorriso que muitas vezes me fez sorrir também, mesmo com todas as dores que eu tinha no passado.
— Tudo bem. – Ela disse suspirando e sorrindo.
Estiquei o braço para ela, o que a fez segurar e voltarmos a caminhar, novamente em silêncio.
— Então...- Ela disse com um sorriso travesso no rosto.
— O que foi Annabeth? – Perguntei revirando os olhos já imaginando o que ela falaria.
— Transou com ela não foi? – Ela perguntou e eu revirei os olhos. – Sabia, já era hora de comer ela, mas aquela garotinha fez esse estrago em você? – Ela perguntou levantando minha blusa de leve vendo a parte do meu corpo que tinha sido queimada eletrocutada. – Como ela conseguiu te queimar?
— Ela não tem controle algum dos poderes, é iniciante e você pode fazer o favor de parar. – Disse irritado e ela riu. – Pensei que não gostasse dela.
— Bom, na teoria não gosto, mas ela deixa você mais parecido com o que você era quando eu te conheci e até mesmo menos bipolar, notou que não mata ninguém a semanas? – Ela perguntou e eu olhei parar ela surpreso.
Realmente eu não tinha parado para pensar nisso, a semanas que não tinha problemas com ter que tirar o sangue do meu corpo, as vezes eu tinha que me livrar do da Thalia, mas cada vezes com menos frequência e menos quantidade.
— Estranho, não tinha parado para reparar. – Comentei e ela assentiu. – Também notou que não está dando cadáveres frescos para seus dragões e sim de escravos e soldados que morreram trabalhando em acidentes e de mortes naturais?
— Eu tenho coisas mais importantes para fazer do que me preocupar com matar pessoas para alimentar os dragões, elas morrem sozinhas. – Falei o que era verdade, eu quase não tinha tempo para ir vê-los desde que aquela loucura de Zeus Grace e novas informações aparecendo.
— A sobra a outra coisa, a seu maior problema. – Annabeth comentou e eu indiquei que ela falasse. – Sabe, então, se lembra o que fazemos com problemas?
— Mostramos força, poder, mostramos quem realmente está no controle. – Disse e ela assentiu.
— Exato e como fazemos isso com alguém que circula entre nós? – Anne perguntou e eu sorri.
— Boatos, informações falsas e demonstrações de poder interna, deixar que a fofoca corra. – Disse e ela assentiu.
— Deixe que as pessoas saibam de algumas coisas, não necessariamente verdadeiras, que seu espião vai ficar sabendo, logo Zeus Grace também. – Ela disse e eu assenti.
Fale com o autor