Ice Cream

6 Construindo Laços.


No dia seguinte, tive que ajudar meu pai com as coisas dele. Ele havia finalmente chegado em casa. Estava com um caso na cidade de onde viemos, e não podia sair de lá enquanto não terminasse seu trabalho. Mamãe tinha feito espaguete no almoço, e almoçamos como uma família alegre e normal. Ainda não havia dito a eles que iria sair, pois achei que papai poderia ficar chateado.

–Mãe, eu preciso sair. -Eu disse meio que sem jeito.

–Aonde quer ir, querida, mamãe pode te levar até lá- Disse ela, sorrindo.

–Não é necessário, mãe,vou me encontrar com um grupo. É sobre um trabalho escolar,tentei convencer a professora a me deixar fazer sozinha, mas não teve jeito. -Eu disse a ela, mentindo mais uma vez. Não entendia como ela não desconfiava das minhas mentiras, pois eu não era boa naquilo.

–Ah, tudo bem. Finalmente fazendo novas amizades. -Ela disse com um pequeno sorriso irônico no canto da boca.

–Claro mamãe,claro. -Ela então riu.

–Você não tem jeito mesmo, não é. Saia escondido, seu pai ainda está lá em cima. Eu digo que você está no seu quarto estudando,ele nem vai desconfiar. -Disse ela piscando pra mim, jogando as chaves da porta dos fundos, para que eu pudesse realizar minha pequena fuga.

Peguei então as chaves e saí de fininho, não queria que papai me visse fora de casa logo no dia em que ele voltara.

Eu havia me preparado muito, queria surpreender Jaqueline. Trancei meus cabelos, e coloquei um macacão vermelho, com meias e um sapato branco com lacinhos. Tinha certeza de que ela iria adorar. Não entendia como aquela garota conseguia mudar totalmente meus pensamentos,e de como ela conseguia mudar totalmente meu futuro, em um simples presente.

Corri então até a sorveteria, e Jaqueline estava lá, com os braços em frente ao corpo, olhando repetidas vezes para os lados.

–Estou aqui. -Eu disse, com as mãos nos joelhos , demonstrando cansaço.

–Você sempre correndo,não é. Saiba que não adianta de nada, pois você sempre se atrasará. Olhe, já são 15:43, você está treze minutos atrasada, me deve um sorvete por isso. -Ela disse me mostrado seu relógio dourado, aquele que ela sempre usava para medir meus atrasos.

–Um sorvete? Jurava que você pediria algo mais complicado. Minha alma, por exemplo. — Eu disse rindo.

–Você sempre diz que eu sou uma bruxa malvada ou algo do tipo, não é?. — Disse ela, com aquele jeitinho meigo e bravo de sempre.

–Estou apenas me garantindo. -Eu disse segurando-lhe as mãos. -Venha, hoje você vai me acompanhar nas compras. -Disse puxando ela para perto de mim.

–Compras? — Disse ela, com espanto.

–É sim,quero ver como são as coisas por aqui. Você não gosta de compras? — Eu disse num tom totalmente irônico, mesmo já sabendo da resposta.

–Não gosto muito de lugares que vendem roupas ou coisa do tipo. -Disse ela, fazendo bico.

–Vamos para outro lugar, então. — Eu disse, dando-lhe um pequeno sorriso.

–Não, vamos fazer compras. — Ela disse me puxando, coisa que adorava fazer, pelo visto.

Ela me arrastou então até uma loja bem grande. Várias mulheres estavam amontoadas ali, comprando roupas, coisa que eu odiava. Estava acostumada a comprar roupas em Shopping's Centers ou coisa do tipo. Mas tive que interromper meus pensamentos naquele momento, prometi a mim mesma que iria me acostumar com aquele lugar. Eu não sabia quando havia prometido, mas lá no fundo era o que eu desejava.

– Aproveite, Princesa. -Disse Jaqueline, estendendo as mãos e curvando-se.

–O que é isso agora? -Eu disse rindo, pegando suas mãos e lhe dando um beijo na testa. Eu não queria dizer a ela que não era aquilo que eu esperava, pois não queria chateá-la. Mas o mais importante naquele momento era que estávamos juntas.

Eu pegava várias roupas, eram roupas bonitas, confesso. Algumas vezes eu colocava as peças em frente ao corpo de Jaqueline, como se fosse pra ela. Ela então se emburrava, e eu adorava aquilo.Ficamos procurando roupas por umas duas horas, até que eu finalmente terminei.

–Bem, acho que é isso. -Eu disse verificando a bolsa em que ficava as roupas.

–Finalmente. -Ela disse, se desencostando de uma coluna.

–Não exagera, vai. — Eu disse de um jeito aproveitador, para que ela ficasse emburrada novamente. Não sei o quê havia comigo, mas adorava ver Jaqueline irritada. Ela arqueava as sobrancelhas, e aquilo dava um charme a mais àquele rostinho adorável.

–Olhe, isso aqui é pra você. -Eu disse lhe estendendo um vestido florido.

–O quê você andou bebendo, hein? Você acha mesmo que eu usaria isso?. -Respondeu ela, mostrando a língua.

–Olha, você vai ter de se vestir bem para conhecer meus pais, eles não se agradam fácil,viu. — Nesse momento pude perceber que seus olhos brilharam. Ela pegou então o vestido de minha mão,e foi em direção ao provador. Dava pra perceber que ela escondia uma tamanha felicidade por trás dos traços emburrados de seu rosto.

Ela pegou as fichas que deveriam acompanhar as roupas no vestiário, e então eu segurei seu braço,a impedindo de ir sem mim.

–Moça, eu vou entrar também. -Eu disse para a mulher que entregava as fichas. Ela então fez um gesto afirmativo com as mãos.

–O-o quê? -Jaqueline disse, com as bochechas vermelhas. Era a primeira vez que a via envergonhada daquela forma, e aquilo me deixou encantada.

Ela percebeu então meu jeito atrevido, virou-se e segurou forte meus braços. Ela me puxou até o último trocador, que estava vazio, pelo visto. Jogou-me delicadamente lá dentro, e fechou as cortinas.

De momento eu estranhei, pois ela nunca havia feito algo do tipo. Mas não pude me conter, e resolvi me entregar.

Ela sentou-se num banquinho que havia ali, segurou em minha cintura e puxou-me para perto de seu corpo. Abaixou então o macacão que eu vestia, e beijou-me até o pescoço. Eu podia sentir claramente nossas respirações, seu rosto rosado me beijando, naquela altura eu já deveria estar verde. Nunca havia passado de beijos inocentes,nem mesmo com Carlos, e estava assustada com o que poderia ocorrer ali, no auge daquele momento.

Ela passava as mãos pelas minhas costas, e aquilo por hora me arrepiava. Me beijava intensamente, como se fossemos intimas há muito tempo.

Do nada então ela se senta novamente em seu banquinho, e começa a rir.

–Pervertida! -Disse ela, rindo de minha cara.

–Ha-ha?. -Eu gaguejava, não acreditava que aquilo estava acontecendo. Não comigo.

–Você nem mesmo me parou, estava gostando, eu sei. Isso é pra você saber que não deve entrar em lugares apertados comigo. -Ela ainda ria. Soluçava, de tanto rir.

Não sei o que havia com Jaqueline, mas ela usava qualquer tipo de cenário para tirar uma comigo. Eu apenas me calei. Podia ver meu rosto vermelho no espelho,e tentei tampá-lo com as mãos, mas Jaqueline me impediu.

–Ora ora, agora a mocinha está envergonhada. Vamos, não foi nada demais. Agora sei que posso tirar uma casquinha de você quando eu desejar. -Ela disse maliciosa, jogando meu macacão em meus braços. E eu não pude me conter com aquilo.

–Nada de mais? Você tem alguma ideia do que fez? Estou constrangida, você não se passa de uma idiota. -Mal pude terminar a frase, quando me vi impedida por um beijo carinhoso de Jaqueline, diferente dos outros.

–Shii. Não diga mais nada. -Ela disse colocando seus dedos sobre meus lábios, silenciando-os.

–Nós estamos juntas agora, nada irá nos interromper. Tenho paciência para qualquer coisa, não se preocupe. — Disse Jaqueline, colocando minha franja atrás de minha orelha, num gesto amoroso. Ela então me abraçou, acalmando-me.

–Me desculpe, Jaqueline. Você não é idiota. -Disse arrependida. Acariciando seus cabelos.

–Fique tranquila, bobinha. -Respondeu Jaqueline.

Aquela garota hora me deixava confusa e irritada, outrora me deixava tranquila e alegre,como uma criança perto da mãe. Não sabia o que acontecia comigo, mas acho que estava amando. E para minha surpresa, era uma garota.

Notas finais
Está ai, pessoal o/ . Espero que gostem :33. E espero não ter decepcionado vocês com a "trollagem". Pois bem, vou tentar escrever todos os dias,para não ter um grande intervalo nas postagens, prometo >< . Até a próxima.