IRS346, a nova galáxia - interativa
3 Selecionados - parte 2
Notas iniciais
POV Noah
– depois de anos e anos de destruição em massa, não podíamos mais chamar o planeta Terra de lar, um grupo de audaciosos cientistas e militares embarcaram na nave que os trariam até aqui, mal sabiam eles que por aqui, Caeynom, passariam o restante da vida, me lembro do meu próprio avô me contando historias do dia que viu nossas naves e os ônibus espaciais aterrissarem com cerca de dois bilhões e meio de pessoas, isso seria cerca de 80% da população total naquela época. A principio foi fundado cinco nações, cada qual com cinco cidades/estados. A humanidade viveu tempos de paz, alegria e união, nossa raça prosperou e se adaptou ao novo mundo, contudo veio à descoberta que mudou tudo, cientistas da nação central, descobriram um novo tipo de vida fora a vegetação e as bestas, porém ainda estava em estado de inercia, e eu teria preferido que continuasse assim, algo aconteceu para que os Caeyns despertassem. Pelo que foi descoberto eles tem o processo evolutivo acelerado, isso significa que se um dia nasce na semana seguinte eles já estão em fase adulta, não sabemos ou talvez nem entendamos se eles falam, mas suspeitamos que eles queiram o planeta só para eles e vinheram com tudo para nos matar, famílias morreram e cidades foram desoladas, tivemos que colocar nossa força militar em ação, não estavam preparados e acabaram morrendo pela ira Caeyn, até criarmos o projeto Aniquilador isso equilibrou a guerra por dez anos. Nosso objetivo é Aniquilar de vez essa raça e até conseguirmos, novos Aniquiladores serão criados, mas somente os melhores cadetes terão a honra de participar – recitou a comandante Taylor, uma mulher aparentemente séria, durona e resignada a matar todos os caeyn, ela deu um belo discurso, apesar de eu concordar com pouca coisa do que ela disse, Dona de um semblante rígido, mas com um olhar sábio, ela olha para nós com um possível sorriso de esperança nos lábios, mas eu não a conheço bem para saber se é isso mesmo.
Tomou a frente dela o coronel Stern, a cabeça calva e as rugas ao redor dos olhos denunciavam a sua idade avançada. Apesar de sua aparência de senhor bonzinho que não faz nada de mal, eu não confiava nele, talvez fossem seus olhos pretos bem pequenininhos, não sei havia algo no seu olhar, uma chama de sarcasmo e deboche sempre que nos passava um trabalho impossível de fazer, escondido sempre por sua fragilidade física.
– O 1 º selecionado para o projeto Aniquilador é... – eis aqui o momento de grande expectativa, em que todo o cadete inclina a sua cabeça um pouco mais para frente, a fim de escutar melhor o coronel Stern anunciar na sua voz baixa e rouca o nome do futuro Aniquilador. — Harley Elise.
Um murmuro se espalha no saguão e ao que parece, eles perguntam entre si quem seria Harley Elise, ou para os amigos como eu Eli. Até Ayla, uma mais disciplinadas cadetes, que conhece o maior numero deles possui a testa franzida.
– Harley Elise, se encontra no saguão? – pergunta Stern, notavelmente irritado – e nada daquela garota aparecer, será que tinha desistido?
– hey! Hibi o que eu perdi? – ela encosta o seu ombro no meu me perguntando, olho pra ela por um tempo, sua farda estava desalinhada e seu cabelo incrivelmente mais bagunçado que o meu. – o que foi? Tem alguma coisa no meu dente? Eu estou suja? Fala logo garoto! – exige sem paciência dando um soco “de leve” no meu ombro.
– você acabou de ser selecionada ao projeto aniquilador – dou de ombros, como se não fosse nada.
– serio? – ela pergunta, mas não há tempo para respondê-la, pois está chamando o seu nome, ela se encaminha sem dificuldades para o palco, já que a massa de cadetes se abre para ela passar, como se fosse um alienígena, do qual a maioria aqui nunca viu.
Ela sobe no palco aperta a mão do coronel Stern e faz uma pequena reverencia a ele (movimento obrigatório), depois repete a mesma coisa com a comandante Taylor e então se vira e faz uma reverencia para os cadetes restantes, indicam a ela um caminho e ela sai do palco em direção há alguma sala de espera, enquanto todos nós aplaudimos a 1º selecionada
O coronel Stern já está com outra ficha nas mãos, nota-se a expectativa de todos em ser o próximo a ser chamado. Ele limpa a garganta e lê baixo duas vezes o nome antes de anunciar, numa voz não tão alta o nome de: Noah Hibisco. Me espanto e pisco algumas vezes, isso é certo? Eles estão me chamando mesmo? Uma onda de satisfação me invade e caminho até o palco com um sorriso exibido no rosto, faço todos os movimentos obrigatórios e então me encaminham para uma sala.
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POV Ayla.
– injusto! Notavelmente injusto! – reclama Luci ao meu lado e cruza os braços — quer dizer que uma pirralha chega aqui não faz nem seis meses e já é chamada, e eu que estou aqui desde os treze não? Eu vou reclamar com o pessoal da seleção, eles com certeza não estão fazendo um bom trabalho – dou uma leve risada.
– se acalme Luci, deve ter algum motivo não aparente pra chamarem ela – ela revira os olhos pra mim – e além do mais você fala como se fosse velha, você só é um ano mais velha que ela – anunciam o nome de outro aniquilador, os braços de Luci pendem ao lado do corpo e a boca está aberta em surpresa, então olho pro palco e vejo Noah Hibisco fazer uma reverencia a nós.
– fala serio! – diz Luci chocada – só estão chamando quem tem o cabelo bagunçado – declara – pelo menos você conhece esse dai? – ela pergunta.
– Noah hibisco, ou Hibi, ele chegou a uns dois anos sozinho, caminhando pela floresta se guiando apenas pelo hologromapa*, eu vi ele lá da torre antes mesmo dele ver a muralha da cidade central. Sim eu o conheço.
– então existe um motivo pra chamarem ele, mas e a garota? Eu nunca tinha visto ela por aqui.
– eu também não, talvez ela tenha tido um bom desempenho na floresta – percebi que os cadetes ao redor estavam batendo palmas, isso não podia ser ainda pro Noah, xinguei mentalmente, enquanto um menino de cabelo castanho saia do palco.
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POV Katerina
Isso é serio? Eles devem estar mesmo muito desesperados, pra chamar só quem não presta primeiro aqueles dois de dezesseis anos, fala serio, sem duvida vão morrer de primeira, se bem que sempre é bom ter peões em campo, se houver necessidade de sacrifícios eles estarão na linha de frente, se eu for selecionada cuidarei disso pessoalmente. Um sorriso de deboche brotou nos meus lábios. Sempre é bom ver os olhares decepcionados dos cadetes quando não são chamados. Otários. Pelo menos eu tenho uma fortuna se não for selecionada, não que eu me contente com isso, pra mim dinheiro é poder e poder quanto mais, melhor.
– a próxima selecionada é – recita o coronel Stern, me pergunto quando essa múmia enfim vai bater as botas – Summer Lazzo – me sinto incomodada, até a Sum foi chamada? Ridículo, a garota não tem nenhum pingo de aniquiladora nas veias, eu vejo isso, porque em vez de estar contente, ela aparenta estar assustada como se não acreditasse que estava chamando ela, outra que vai morrer, se bem que se ela morrer e eu continuar viva tudo bem, caminho até ela sorrindo e a abraço, ela retorna o meu abraço, e sinto seu enjoado cheiro doce. Argh!
– que bom que você passou digo- ela dá um pequeno sorriso fraco.
– obrigada – diz baixinho, passando uma mecha que fugia do rabo de cavalo para trás da orelha, ela está tão assustada que parece que vai sumir – você com certeza vai ser cha... – dizia ela baixinho até ser interrompida por Luke.
– Summer você acabou de ser anunciada Aniquiladora você tem que parar de falar com quem não merece e ir lá logo – ela lhe lançou um olhar de advertência, mas ele deu de ombros e ajeitou os óculos na face. Ela me direcionou um dimidio adeus e caminhou para o palco.
– sabe Lukinho, — provoquei — você ficou mais boni... Tinho com esses óculos é meio que estilo “nerd-feio”, mas ficou bem em você – pintei um sorriso de deboche em meus lábios.
– agradeço a você por isso – ele disse indiferente, prestando atenção na namorada que recebia aplausos – você deve estar se roendo de inveja da Sum – rebateu.
– eu?... Da sum?... Por favor... – revirei os olhos e dei as costas, caminhando ate duas gêmeas, Dominique ou seria Verônique? Não importa! Estava comprando um suco de moranja*, peguei de sua mão no momento em que ela pegou e dei um gole, o cheiro doce e cítrico preenchendo o ar e minha boca. Delicioso.
– hey! Sabia que isso era meu! – uma das gêmeas protestou.
– correção docinho, era seu, você deveria tomar mais cuidado com o português – brinquei.
– droga Kat! Você é insuportável sabia? – disse a outra gêmea, em defesa da irmã.
– sabe o que eu sei querida, que vocês querem ser como eu, mas falta cacife para isso, então cale a boca. – dou mais um gole no meu suco preferido.
– Norberto Nuble – ouço a voz de Stern dizer, engasgo, minha mente estava tendo um colapso nervoso ou eles estão definitivamente desesperados, como podem chamar o “bunda mole” para ser um Aniquilador! Jogo meu suco no chão, ouço um grito de reclamação de uma das gêmeas, mas não estou nem aí, estou irritada e caminho determinada a ter a resposta de quem está chamando essa gente inútil, enquanto outros patetas aplaudem um envergonhado Norberto e ele sai, até que as palmas cessam e o coronel Stern anuncia meu nome.
Jogo meus pesados cachos para o lado e ponho um sorriso gentil e animado no meu rosto, estou confiante de que serei a melhor aniquiladora, pode apostar, aperto a mão de Stern ele tem um cheiro estranho, como se tivesse tomado banho com bestas drakaen*, finalizo todos os movimentos obrigatórios e desço do palco.
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POV Ayla
Depois de Katerina ser escolhida com aniquiladora, resolvi levar Luke e Luci para comprar alguma comida, antes que eles resolvessem de repente matar todo o conselho, mas estava preocupada que chamassem algum de nós e não escutássemos, então pedi algo extremamente rápido de ser feito, assim que pegamos corremos para o saguão.
– onde vocês estavam? – Paul perguntou, Luci mostrou o sanduiche natural.
– Ayla tinha medo que eu matasse a insuportável da Katerina. – Luci respondeu ao irmão.
– eu nunca disse isso – rebati, a ruiva deu de ombros. – quem foram selecionados?
– ninguém muito relevante, bem pelo menos para mim.
– não fale assim Paul, chamaram boas pessoas, bem exceto por Katerina, mas o resto é bom – repreendeu Luke.
– você que é muito amigável Luke – Paul brincou – Luci acho que estão chamando você.
– serio isso? Ai meu Deus eu passei! – ela me abraçou em pura alegria e então limpou a boca e jogou o resto do sanduiche – tchau e não se esqueçam de se eles me colocaram, vão colocar vocês – disse piscando e correndo para o palco, Paul assobiou quando com um ultimo adeus ela sumiu do meu campo de visão.
– ela cresceu tão rápido – disse Paul com falso sentimentalismo.
– você não vai chorar vai? – Luke deu leve soco no ombro do amigo.
– e se eu quiser chorar você vai fazer o que? -
– garotos, por favor, parem, olhem acho que ele vai dizer alguma coisa – a Figura do coronel Stern era pequeninha e curvada do meu ponto de visão, principalmente quando comparada a figura alta e elegante da comodante Taylor, e eu sorri ao perceber que ele era totalmente familiar, desde pequena suas rugas estavam impressas nas minhas memorias, com o tempo ele foi perdendo a vivacidade e a força, saia pouco de seu quarto e conversava pouco também e tinha se tornado distante, principalmente de mim, eu temia que fosse pela suspeita do meu pai e torcia para estar errada.
– Paul Winter – disse após uma crise de tosse, Luke deu tapinhas no ombro de Paul que se encontraria com a irmã. Depois dele chamaram duas gêmeas de 18 anos Dominique e Verônique respectivamente, ambas subiram no palco com expressões de superioridade, desnecessário pensei ao lado uma menina de dezoito anos chorava, provavelmente com medo de não passar. Stern parecia mais cansado a cada nome que citava e tossia cada vez mais.
– Luke Lambert – chamou, Luke se despediu de mim, me dando um forte abraço e ajeitando os óculos antes de ir me deu um sorriso confiante. Pela primeira vez eu estava escutando a lista de aniquiladores sozinha, todos os meus amigos mais próximos já tinham sidos chamados.
– Deborah Tyler – anunciou Stern e uma garota de cabelos castanhos saltitou até o palco, acho que a conhecia de algum lugar, talvez de alguma aula extra. Com um sorriso bobo no rosto fez uma reverencia para frente e iria sair pelo lado errado, se não fosse chamada sua atenção. Agora só faltavam cinco vagas e nada de me chamarem.
– Oliver O’Brien – disse, mas quase não escutei, comecei a enrolar uma mecha negra de meu cabelo, para conter o nervosismo, ele fez todos os movimento obrigatórios e se foi, coronel Stern pegou outra ficha e com a voz de desaprovação chamou — Tyson bens – um garoto alto e magro esbarrou por mim e caminhou para o palco, não dava pra ver muito do seu rosto que estava encoberto por um capuz, menino estranho. Ainda mais estranho foi à expressão de incredulidade do coronel Stern ao ler o nome em voz baixa da próxima candidata.
– Ayla Voruen – por três segundos fiquei parada, então me lembrei do que deveria fazer. A frase de Luci veio à minha mente “e não se esqueçam de se eles me colocaram, vão colocar vocês” e não é que aquela maluca estava certa.
Depois de todos os movimentos obrigatórios e por ser aplaudida pela maioria dos cadetes que eu conhecia, caminhei para onde meus amigos me esperavam e fui recebida por um grande abraço de urso de Luci, eu me sentia realizada, finalmente estava no lugar que deveria estar, estava prestes a cumprir minha missão. Tinha um holograma do coronel Stern no meio de uma mesinha de centro e ele estava anunciando o penúltimo Aniquilador. Quem será que vai ser chamado?
Glossário
Hologromapa – acho que é bem obvio, bem pra quem não desvendou é basicamente um mapa em forma de holograma, mostrando em escala menor todos os relevos e habitações, etc... De um determinado local.Moranja – fruta alienígena, inventada com base na ideia de uma fruta como o morango e um gosto cítrico (n/a: adoro frutas cítricas) como a laranja. No caso seria uma fruta hibrida meio parecida com o morango e meio parecida com a laranja, em tamanho, cor e gosto. E sua arvore é MoranjeiraBestas drakaen – criatura (mamífero- aquático- carnívoro) do tamanho de um crocodilo, um rosto arredondado, olhos em fenda, não possuem nariz, respiram com as brânquias (guelras) e pela pele, com asas (no estilo de um esquilo voador) e cauda coberta por escamas ( como as cobras), a pele é como a dos anfíbios (n/a: nojenta!) possui duas fileiras de dentes afiados. É um animal que é encontrado principalmente em rios cercados de densas florestas.
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