Notas iniciais
Olá pessoas. Gostaria de agradecer aos que comentário e mandaram suas fichas para mim. Qualquer opinião que tiverem em relação a seus personagens e a história, por favor, não hesitem em me mandar via comentários ou MP. Estarei sempre disposta a escutar críticas construtivas. Iremos conhecer dois personagens neste Cap. Se o seu ficou de fora não se preocupe, ele estará no próximo com certeza. PS: para escutar... https://www.youtube.com/watch?v=nzxjYQ8aZuk&ab_channel=LucasKing

Isaach Ruts e Saliel Will Paralisado

A garotinha sorria após o final de mais uma história de ninar, por mais que não conseguisse dormir ela admirava o esforço de Isaach em tentar. O rapaz continha um doce brilho nos olhos terrosos, e sua expressão afável mantinha a pequena aquecida. Isaach cobriu a jovem Aneli com um acolchoado pesado que trouxeram em andanças para fora do subsolo, um dos exploradores havia recolhido no total de oito cobertores quentes para a temporada friorenta que se iniciava, e como fora combinado por todos do grupo, tais protetores seriam dados as crianças do acampamento.

Acampamento. Isaach não sabia se poderia dizer isso. Quer dizer, o local tinha seu charme, com o espaço extenso tanto em largura quanto altura, o estacionamento que não havia terminado de ser construído, obtinha paredes rebocadas e concertadas, assim como os arames postos em buracos criados pelo tempo, afim de tapar quase todos. O cheiro não era dos melhores, mas poderia ser pior. A porta do salão que dava diretamente ao corredor sombrio, impossibilitava do forte odor de morte adentrar ao esconderijo.

No local onde estava, fora levantado cercas de metal para separar o dormitório improvisado das pessoas mais jovens. Não haviam camas bonitas com estrados de madeira duráveis, na verdade, os colchões e poltronas foram suficientemente perfeitos para a atual situação. Ninguém reclamava mais dos desconforto, até por que, ninguém se lembrava de qualquer boa sensação física.

O restante do espaço fora arrumado da melhor maneira que conseguiram, cadeiras espalhadas, sofás que sabe se lá como levaram para o estacionamento, ele achava que tinha algo a ver com os quartos próximos ao corredor de saída. O motel capenga fora perfeito, afinal, mas apenas os colchões trazidos, não deveriam arriscar produzir ruídos e chamar atenção da sem alma do lado de fora.

Olhando a coberta embalar Aneli em um sono profundo, ele se recordara dos dias que o motel fora saqueado. O medo preenchia o peito só de pensar no assunto. Quantos dos sobreviventes morreram naquele dia! Seus conhecidos, amigos que ficaram para trás, transformados em poças de sangue e olhos abertos sem um brilho de vida que os diferenciasse dos que andavam na miséria. A crueldade dos humanos havia triplicado com certeza, e naquele tempo de apocalipse, a humanidade jamais fora tão sucumbida pela maldade como era atualmente. As criaturas podiam ser compreendidas de certo modo, elas não tinha consciência do que faziam, apenas seguindo extintos de matança, por mais grotesco que fosse, as pessoas é que produziam dor sem precedentes, esquecendo-se do próximo.

O burburinho de vozes do outro lado do acampamento havia chamado a atenção de Isaach, verificando se Aneli estava de fato adormecida, ele se aproximou do grupo de comentaristas, podendo escutar alguma conversa sobre alguém estar no corredor, e o som de tiros vindo de fora. Rapidamente o pensamento de outro ataque fora eminente, mas que desfez em frangalhos quando o nome de Eleonor reverberou em sua mente.

Empurrando os sobreviventes para os lados, ele olhou através da janela quadrada da porta. A escuridão enfraquecia sua visão, mas a luz no final do passadiço lhe mostrou que alguém estava parado abaixo da lâmpada amarela.

Isaach arregalou os olhos, retirando os pedaços de madeira e pedras da frente da porta, ouvira negações atrás dele, mas ignorou os avisos. Não fora impedido como pensou que seria, provavelmente, sua loucura estava assustando os outros do local.

Sua mão tocou na maçaneta, o metal gelado arrepiou os pelos dos braços, até que um urro trovejante passou a bambear suas pernas. Não! Agora não!

Decidido, Isaach girou a maçaneta, a mesma não estava trancada já que tinham conhecimento da volta de Eleonor em breve pelos walktalks, alguém ficaria no portão, observando a janela até que uma sútil luz de lanterna lhe avisasse que poderia abrir, sendo assim o som das chaves não chamaria atenção para eles na hora de abrir a porta.

O urro se afastara de Isaach, e se aproximavam de Eleonor no final do corredor. Os tiros de metralhadora continuavam enlouquecedores do lado de fora do motel. Em meio a situação conflituosa, ele fechou a porta atrás de si, e gritou chamando atenção do ser das trevas. Não permitira que aquilo levasse outra companheira, mesmo que roubasse a vida dele, faria o possível, Eleonor era uma participante ativa do grupo e sua vida era mais importante do que qualquer coisa no momento, ainda mais para Isaach.

Passos no corredor ecoaram pelo prédio, como se um gigante caminhasse através do piso e em algum momento o esmagaria com seus pés enormes e pesados. A visão dos dreads de Eleonor sucumbiram num alívio, o rosto suado e a respiração ofegante deram um alerta preciso. Isaach abriu a porta permitindo que um corpo veloz atravessasse pelo batente. A podridão encharcou suas narinas e ele sabia que teria milésimos de segundo para acompanhar a mulher e fechar a porta.

Cadáveres pareciam dançar na sua face de tão forte que o odor estava incorporado naquele corredor gelado. Diante do horror do corpo ensanguentado do que um dia fora uma mulher, Isaach congelou. A língua adormecera como se estivesse de mau jeito dentro da boca, os olhos arregalaram-se e queimaram por sua abertura exagerada, como se seus globos oculares fossem saltar para fora. As mãos suavam violentamente e seu fim estaria próximo.

O tronco de Isaach fora arremessado para longe, mãos pequenas sequestraram um dos braços do rapaz, e tudo o que ele pode ver foi quando Saliel Will ficou em guarda a frente, tão seguro de si, apontando sua pistola taurus.40, entre os olhos da coisa.

Tudo passara lentamente a vista de Saliel, respirando concentrado, fitando o movimento reto que o sem alma fazia, andava numa mesma linha, sem se mover demais, não seria difícil acertar, exceto por sua velocidade animalesca que aproximava-se a cada segundo. Saliel piscou uma única vez, e o estampido da bala reagiu ao clique do gatilho. O som ecoou forte entre as paredes do corredor, uma fina luz branca saltara da arma, e a bala acertara perfeitamente o centro da testa da besta.

Seu corpo fora brecado em plena corrida desenfreada, baqueando o corpo nos ladrilhos do passadiço. O tamanho médio que era o ser humano tomado pelo ser, não dava tanto arrepios agora. Saliel deveria ser bem mais alto se ficasse de lado.

O tiro fora perfeito. Sua arma abaixada ao lado do corpo enquanto limpava a boca do cano na calça puída, os rasgos do jeans deixavam a mostra diversas tatuagens, assim como os braços eram repletos pelos desenhos abstratos. Tais quais jamais tiveram explicação por parte dele.

Saliel vira em seus calcanhares, e entra ao esconderijo, tão neutro quanto no instante que saíra.

—Você... Você... — gaguejou Isaach no chão, havia tanto medo instaurando no corpo, que as pernas bambearam derrubando sua força. — Você matou ela.

O jovem prende os cabelos para cima, sentindo o calor incomodo que o estacionamento provocava, a boca entortara sum sorriso cínico.

—Precisa sair mais desse lugar, Isaach, ver o brilho do sol — aconselha rindo de escárnio — Ela não comia há meses, estava tão fraca que qualquer coisa poderia matá-la.

Todos os sobreviventes, ou pelo menos sua grande maioria, não sabiam a fórmula exata de se matar um dos seres das trevas, até os dias atuais, a única forma constada fora semelhante a de um vampiro, como em histórias em quadrinhos. Se ficassem muito tempo sem se alimentarem, a fraqueza seria o ponto mais fraco, logicamente, não eram regra geral. Alguns seres ficavam anos até que este ponto fraco se tornasse uma realidade, outros em apenas poucas horas e a debilidade os derrubava, acabando que por definharem qualquer pisada forte no meio do crânio, os levaria daquele mundo para baixo.

A sem alma guardando o corredor poderia ser considerada uma exceção, por assim dizer. Semanas após um jejum forçado, ela vinha a decair, seus movimentos se tornavam fáceis de deduzir, a força não era a mesma, e sua agilidade ficava quase mortal. O tiro dado entre os olhos poderia acabar com tudo aquilo, porém, nem Saliel nem ninguém, achava que a coisa teria de fato morrido. Afinal não seria a primeira vez que o rapaz dera o tiro de misericórdia. Pensava ele que agora seria uma boa hora para tal ato se concretizar e ser o responsável em levar aquele demônio para o inferno.

Eleonor ajuda Isaach a se erguer do chão, o menino limpa a bainha da capa cor vinho que usava, enquanto encarava Saliel. O homem era do tipo na dele, já que quando abria a boca o sarcasmo era tão certeiro quanto sua mira.

A bolsa de Eleonor fora aberta afastada dos outros sobreviventes, com ela Isaach e Saliel. Estavam dentro de uma sala improvisada, erguida por lençóis sujos amarrados a uma pilastra rachada no canto longe da saída.

A mulher retirou algumas caixas de remédio e esparadrapos limpos, não era muita coisa, mas poderia ajudar qualquer ferimento ou doença que viesse acometer algum sobrevivente do acampamento.

—Do jeito que demorou podia ter trazido a farmácia, Elo. — ironiza Saliel escorando seu peso na mesa velha.

—Se fosse comigo podíamos fazer as compras do mês, idiota. — responde Eleonor numa expressão dura.

O sorriso de Saliel indicava que havia ignorado o insulto, aquele jogo entre eles era engraçado, e de certo modo ambos se respeitavam muito. Ambos estavam o mesmo tempo no estacionamento, cada um com sua habilidade especifica e sua personalidade única, logicamente eram difíceis de serem vistos conversando amenidades juntos, poucos segundos e já trocavam ironias. Haviam boatos de uma possível relação amorosa, contudo, as fofocas eram débeis, já que Eleonor estava muito bem resolvida com seus namoricos com algumas das outras sobreviventes do acampamento. Quanto a Saliel, era difícil dizer, o rapaz não possuía uma especifica paixão, geralmente se caísse na lábia dele, Saliel não esperava muito. Como o própria dizia; tenho desejos carnais a serem realizados. Para logo em seguida uma piscadela.

Isaach, longe da conversa, ignorava os insultos para prestar atenção no braço cortado de Eleonor.

—Se machucou. — diz passando a ponta do dedo ao redor do rasgo da camisa preta. Ela se retesa perante o toque repentino. — Vou te ajudar, Elo. Fica aqui.

Ele se afasta sem esperar qualquer negação da mulher, ele escapa a passos largos até a pequena caixa de sapatos onde guardava os pertences medicinais. Ao retornar, Saliel encontrava-se escorado na parede, com uma perna para trás e braços cruzados, mostrando as definições por toda a pele. Eleonor se sentara em espera como foi pedido que fizesse.

Rapidamente Isaach molhou uma planta que apenas ele conhecia o nome, com outro liquido esverdeado e o depositou no corte de sua paciente. Aproveitando-se da fita adesiva para prender corretamente o pequeno medicamento. A ardência incomodou Eleonor.

—Isso doeu, Isaach. Você tá bem? — a indagação viera carregada de uma preocupação escondida.

Não era comum que qualquer preparação medicinal do rapaz tivesse algum efeito doloroso na pele, a forma como apertara o braço de Eleonor lhe dera uma pista que algo não estava certo com o amigo.

Percebendo que teria agido de maneira rude, ele murmura um pedido de desculpas sem encarar os olhos claros da outra.

—Acho que nenhuma mulher chegou tão perto de beijar ele como foi hoje.

Eleonor o repreende, Saliel não pareceu notar a crítica. O curandeiro dera de ombros a provocação terminando por analisar se algo a mais não estaria machucando a exploradora. Certificando-se que tudo estaria bem, ele retornou seu posto de observador enquanto Elo retirava os remédios da bolsa. No total foram oito embalagens para dores no geral, três pacotes de analgésicos e duas seringas comuns, fora os bandaids de cores infantis.

—Isso é o suficiente para dar pra Aneli, ela acordou com dores estomacais hoje.

—Achei que fosse o médico das ervas aqui. — o tom propositalmente distraído atrai a atenção de Isaach que o encara torcendo o tronco para vê-lo.

—Tem coisas como a ansiedade e o medo que é difícil resolver com plantas medicinais, Saliel Will.

Eleonor bufa pelas provocações do armeiro, e pede que o mesmo ficasse um pouco quieto. Ele se rende jogando as mãos para cima e saindo de perto dos dois.

—Não se preocupe, Aneli vai melhorar com algum destes.

Sua resposta poderia parecer apaziguadora, mas ela sabia que era questão de tempo até serem forçados a jogar o corpo frágil da criança do lado de fora do corredor, para que assim a sem alma resolvesse ficar longe deles, manter um cadáver no acampamento, mesmo sendo no subsolo, poderia atrair criaturas indesejáveis a quilômetros de distância.

Infelizmente Eleonor sabia disso, e Saliel também, fora apenas por aquele motivo que o mesmo acatou sua ordem e se afastou deles. Mas ambos sabiam, Aneli tinha no máximo dois dias para se despedir de Isaach.

Notas finais
Obrigada por ter lido até aqui, te espero no próximo episodio. Mande mais fichas, tenho mais vagas disponíveis, com o tempo irei abrindo mais, fiquem tranquilos. Podem mandar mais de um se acharem necessário. Até a próxima.