ICarly: A Ameaça Anônima

5 Pepinos nos olhos ajuda nas olheiras


– Olá?- Carly estava na recepção do Bushweel Plaza – Alguém por aqui?

Uma pessoa gritando com raiva descia a escada ao lado da recepção:

– Eu acabei de limpar a merda desse chão que você está sujando nesse exato momento, sua tonta!

Carly ergueu uma sobrancelha. Ela reconhecia essa voz de longe:

– Por acaso tem outro jeito de pisar nesse chão sem que ele suje, Lewbert? – Disse Carly.

– Sacolas. Da próxima vez, coloque sua cabeça pra funcionar e lembre-se de usar isso nos seu tênis.

Lewbert Sline, o porteiro do prédio, olhou para Carly com uma cara estranha (Normalmente, isso não é novidade), até perceber com quem ele estava falando:

– Eu não acredito nisso! – Disse Lewbert – Você já voltou?!

– Bom, se eu estou aqui é porque eu já voltei – Carly respondeu, tentando não soar ignorante.

– E eu pensava que eu já tinha me livrado de você. Esse mundo é uma merda mesmo. Ele sempre dá voltas e sempre trás de volta os demônios do meu passado pra minha vida presente.

– Que bom te ver também – Disse Carly, sarcasticamente.

– Cala a boca e fala logo o que você quer.

– Eu só queria saber se tem alguém no apartamento 8C.

Lewbert fez uma careta:

– Eu não sei. Agora deixe eu e minha verruga em paz – Lewbert gritou finamente.

Lewbert tinha uma verruga enorme na sua bochecha. Aquela verruga é sinal de estresse. Ela começou a crescer na bochecha de Lewbert quando ele tinha 12 anos, e quanto mais ele se estressava, mais ela crescia:

– Tá bem. Eu deixo você e sua verruga em paz – Disse Carly, enquanto esperava o elevador chegar – Até mais tarde.

– Até nunca mais – Corrigiu Lewbert.

...

Momentos depois, Carly saiu do elevador e, a sua volta, estava o apartamento onde ela sonhava tanto em voltar. Ela queria gritar, pular e se jogar no sofá de tanta alegria, mas ela não queria fazer isso sozinha:

– Spencer, eu cheguei – Gritou Carly com um sorriso no rosto.

Ela foi correndo até o quarto do irmão, mas ela parou antes de chegar lá. Uma mulher estava parada na sua frente. Ela tinha bobes no cabelo, máscara facial verde e pepinos nos olhos. Carly deu um grito. Spencer, ao ouvir, foi até o local onde Carly e aquela mulher estavam.

Chegando lá, Spencer quase caiu ao ver Carly:

– Ai meu Deus! A minha maninha voltou! – Spencer gritava enquanto abraçava a irmã carregando-a pelos braços.

– Que bom te ver de novo, Spencer – Carly não parava de sorrir, até perceber que aquela mulher ainda estava ali – Quem é aquela?

Spencer virou-se e deu um grito também:

– Linda, quantas vezes eu tenho que falar pra você parar de usar essas coisas no seu rosto – Disse Spencer – Você já assustou oito pessoas só essa semana. Agora são nove.

– Linda? – Carly não sabia se era ironia do Spencer ou era o nome daquela mulher.

– Sou eu – Linda respondeu – Que bom que você voltou Carly.

Spencer aproximou um pouco as duas e disse:

– Esqueci-me de te apresentar, Carly. Essa daqui é a Linda Ackerman, minha namorada.

– Prazer, Linda – Carly apertou a mão dela – Há quantos dias estão juntos?

– Quantos dias têm cinco meses? – Perguntou Spencer, fazendo Carly dar uma risadinha.

– Fala sério Spencer. Você acha mesmo que eu vou cair nessa?

– Cair no quê?

– Nesse papo de que estão juntos há tanto tempo.

– Mas eu estou falando a verdade.

– Então quer dizer que vocês estão juntos há cinco meses? – Carly fazia aspas com os dedos.

– Basicamente, sim – Respondeu Linda.

Spencer nunca teve um namoro tão duradouro. Normalmente seus namoros duram, em média, uma ou duas semanas. Carly ainda não acreditava, mas fingia que sim:

– Agora vou deixa-los a sós — Disse Linda — Tenho que tirar essa coisa do meu rosto.

Tem mesmo, Pensou Carly.

Carly a observava indo até o quarto de Spencer. Ela achava a voz de Linda um pouco familiar, mas ela não ligou muito pra isso:

– É verdade mesmo, Spencer? – Perguntou Carly – Cinco meses?

– Por que é tão difícil acreditar?

– Sei lá. Acho que é porque você nunca teve um namoro tão longo assim.

– Ela é uma mulher diferente. Nunca senti nada igual ao que eu sinto pela Linda.

Carly nunca ouvira seu irmão falando tão sério como agora. Até que ela estava começando acreditar:

– Deve ser verdade mesmo – Disse Carly – Então, como a conheceu?

– Quando eu fiz compras num supermercado – Respondeu Spencer – Ela parecia me ignorar quando a vi. Então eu comecei a flertar com ela na fila do caixa, até perceber que eu estava flertando com a mulher errada. Linda estava na fila do caixa ao lado.

– Então como conseguiu falar com ela?

– Quando terminei de pagar tudo no caixa, eu a encontrei numa barraca de beleza e saúde em frente o supermercado. Eu fui lá, comecei a conversar com ela e estamos juntos até hoje.

– Beleza e saúde?

– Foi lá que ela começou a usar pepinos nos olhos. Dizem eles que faz as olheiras sumirem rapidamente.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos:

– Vamos parar de falar dela e falar algo mais importante – Disse Spencer – Como foi lá na Itália com o papai?

– Foi muito bom. Conheci vários caras legais, fiz algumas amizades por lá e conheci até a base secreta militar onde o papai trabalha. Ops, não era para eu ter contado essa parte.

– Não se preocupe. Eu guardo segredo.

– Muita coisa mudou quando eu fui embora?

– Não muito. Só algumas coisas tipo...

Carly ouviu passos atrás dela. Era Linda. Agora que ela estava sem aquela máscara facial, ela parecia ainda mais familiar, mas Carly ainda não tinha uma lembrança concreta sobre Linda:

– Eu vou ali na padaria e volto logo – Disse Linda – Quer ir Spencer? Ou vai ficar com Carly?

– Eu vou – Respondeu Spencer – Quer ir também Carly?

– Não. Vou arrumar o meu quarto – Disse Carly — Ele ainda está inteiro?

– Sim. Eu arrumava seu quarto todos os dias. Era a coisa que mais me deixava próximo de você.

Carly abraçou Spencer mais uma vez:

– Que bom te ver de novo – Disse Carly.

– Eu Também – Falou Spencer.

– Você sabe onde está o Freddie e a Sam?

– A Sam agora mora em Los Angeles e Freddie saiu faz pouco tempo – Spencer beijou a testa da irmã – Eu já volto. Se cuida.

– A Sam mora aonde? – Falou Carly, mas Spencer já tinha fechado a porta.

Carly mudara de humor. Agora ela se sentia triste, principalmente pelo fato de sua melhor amiga agora morar em outra cidade. E Freddie, pra onde ele teria ido? Ele sempre parecia tão ansioso pela chegada dela. Carly não se importou. Ela resolveu esperar mais um pouco, pois sabia que ele viria, mas não tinha a mesma certeza sobre Sam.

Carly estava exausta da longa viagem, e tudo que queria era se deitar e descansar um pouco. Ela lembrou-se de havia um papelzinho no seu bolso; o número de Elliot. Ela pegou seu celular e salvou o número dele na sua agenda:

– Oi. Aqui é Carly, a garota que você conheceu no aeroporto – Carly deixou uma mensagem na caixa postal de Elliot — Que tal sairmos mais tarde para almoçar? Hoje eu estou com o dia livre. Responda o mais rápido que puder. Beijos.

Enquanto Elliot não respondia, Carly fechou os olhos e resolveu tirar uma soneca. Agora, ela não tinha com o quê se preocupar mais. Ela estava de volta a sua antiga vida.