I will never forget you.
2 Not again!
Notas iniciais
Três anos depois:
Cá estou eu, 23 anos e me sentindo feliz como nunca me senti.
Quando meu bebê nasceu, senti uma emoção tão grande, algo que mexeu com todo o meu ser, agora com três anos ele está um verdadeiro espoleta. Depois de seu nascimento, uma parte dura de meu coração se amoleceu por inteira, me tornei uma pessoa mais alegre. Esse ano ele entrou na escolinha, foi de partir o coração ver meu pequeno se dirigir a entrada da escola sem nem olhar para trás, ele apenas correu para o amontoado de crianças.
Voltei a trabalhar quando ele completou dois anos, não foi fácil deixar meu pequeno com uma babá, mas foi a única solução, o dinheiro da poupança estava no final e não tinha outra saída, mas eu amo meu trabalho, e isso é o mais importante.
Hoje tive uma folga e decidi trazer Lucca ao parque, Lucca? Pois é, parece que não consegui me livrar dele, só sei que não conseguia pensar em outra pessoa à não ser ele durante toda a minha gravidez. Me lembro de sonhar construir uma família com ele, e quando vi meu pequeno pela primeira vez, tive essa ideia inusitada. Tudo me lembra ele, pode parecer ridículo, afinal já faz anos que não o vejo. Me lembro quando ele disse que seu sonho era ser pai, aquilo amoleceu meu coração ainda mais e também me lembro dele brincando com as crianças da escola, ele tinha algo que os encantava, e a mim também.
Apesar de ele não ser o pai e de fazer um tempão que não o vejo, ainda me sinto apaixonada por aquele menino do colégio, que não faço ideia onde está. Acho que fiquei um tanto vulnerável durante a gravidez, e todos os meus sentimentos do passado vieram à tona.
Acordo de meus devaneios com a risada contagiante de meu filho, forço meus olhos e focalizo nele apesar do sol, vejo que está brincando com um homem, eles brincam de futebol, parece algo como: pai e filho. Sinceramente não gosto muito que ele brinque com estranhos, sinto uma sensação horrível quando isso acontece. Então corro até seu encontro e logo ó chamo.
– Lucca! Vamos! — Digo em tom normal me aproximando e reparo no homem que estava junto a ele, não me é estranho.
– Ah mamãe, já? — Ele questiona com um tom triste na voz que me corta o coração.
– Sim filho, mas amanhã a gente volta, ok? – Pergunto e reparo mais ainda no moço, ele é alto, cabelos bagunçados e usa óculos de sol. Eu o conheço de algum lugar-
– Tá — Ele diz vindo em minha direção
– Mamãe, sabia que ele tem um nome igual o meu? — Ele fala apontando para o homem, e é aí que meu coração para. Como não percebi antes? Ele não mudou nada, mas está mais bonito.
– Prazer, Lucca- Ele diz se aproximando e me cumprimentando.
– Creio que já nos conhecemos- Digo sem conseguir controlar minha língua, pronto agora o estrago está feito.
– Acho que me recordaria se já tivesse visto uma mulher tão bonita — Ele diz e eu coro involuntariamente, meu coração está à mil, não é possível que isso esteja acontecendo.
– É que já faz muito tempo, e vejo que você não mudou nada- Digo me referindo ao jeito que ele tem de me constranger fácil.
– Poderia me dizer seu nome? — Ele questiona com o sorriso lindo de sempre.
– Sophia- Digo como se fosse um sussurro
Ele demora um pouco e então responde:
– Claro, do colégio, não? — Ele diz meio confuso e eu sorrio, pelo menos ele se lembra.
– Sim- Digo com um sorriso amarelo
– Que legal te rever- Ele diz se aproximando ainda mais, e me surpreende com um abraço aconchegante, e por mais que eu quisesse não consigo não ficar toda boba com esse simples gesto.
– Bom, mas agora eu preciso mesmo ir- Digo meio cabisbaixa me afastando dele
– Ah tudo bem, mas poderia me dar seu número? Adorei seu filho, ele é uma criança genial.- Ele fala. Vamos concordar isso só pode ser um sonho!
– Claro- Digo digitando meu número em seu celular e saio apressada, mas sou obrigada a parar quando vejo meu filho se jogando nos braços de Lucca, eles ficam por uns instantes nesse abraço, mas logo se soltam e meu filho corre até mim.
– Ele é tão lecal né, mamãe! — Ele fala todo entusiasmado.
– Sim filho, ele é bem LEGAL- Digo dando ênfase na palavra, por mais que eu ache fofo, sempre o corrijo
– Você já conhecia ele?
– Sim, ele era um amigo da escola. – Digo destravando o carro.
– Mamãe, ele pode se meu papai? — Ele pergunta empolgado, mas isso me corta o coração, até hoje ele não havia tocado no assunto ‘Pai’.
– Filho, não é assim que funciona.- Digo o prendendo na cadeirinha.
– Como funciona? -Ele pergunta chocho
– É complicado, meu amor. Quando você crescer eu te explico. – Falo ligando o carro.
– Mas ele pode ser meu amigo? – Ele me pergunta
– Claro, mas filho, você não pode ficar conversando com estranhos, ok? — Falo seria o encarando pelo retrovisor.
– Tudo bem, mamãe. Mas ele não é um estranho- Ele fala e eu me intrigo.
– Como não? — Questiono
– Eu coneço ele faz tempo- Ele diz se atrapalhando na fala
– Como assim? Desde quando você brinca com ele? — Pergunto curiosa parando no farol e olhando para trás.
– A gente sempe binca. A Lara sempe me traz no paque, aí um dia ele tava t...riste, aí ele veio brinca comigo.- Ele fala normalmente e eu me intrigo mais ainda.
– Você nunca comentou com a mamãe sobre ele, tinha que ter me falado- Digo séria.
– Mas eu falei mamãe, você que não pestava atenção — Ele diz meio bravo
– Desculpa meu amor, eu não me lembrei- Digo e me sinto uma mãe horrível. Como não pude prestar atenção em algo tão sério? E se ele fosse um sequestrador?
– Vocês brincam sempre? Tipo todo o dia? — Pergunto curiosa.
– Sim, ele é legal comigo, eu adoio ele — Ele fala e eu acho graça.
Vejo que Lucca não mudou, ainda gosta de crianças e ainda leva jeito, ele é maravilhoso! Mas brincar todo o dia com meu filho? Acho um tanto estranho.
A última coisa que eu esperava para o dia de hoje era reencontra-lo, mas não me queixo, acho que ainda estou meio atordoada com o ocorrido. Pois é, a vida nos dá uma dessas as vezes.
E ainda ganhei o dia com ele falando que sou bonita, estou me sentindo como se ainda tivesse quatorze anos, toda besta por poucas palavras, mas palavras que sempre mudaram meu dia. Chegamos rapidamente em casa e logo já coloco Lucca no banho, ele come umas bolachas enquanto assiste e TV e logo apaga, ajeito ele em meus braços e o levo para seu quarto, onde dorme sossegadamente
Quando me dou conta já estou com um monte de ideias bestas na cabeça, de novo. Mas é que é impossível lembrar do ocorrido e não imaginar meu futuro com ele, quando adolescente sempre imaginava nosso casamento e tudo mais. Era uma tonta.
Lucca está bem mais bonito, alto com um corpo todo robusto, mas o que não mudou foi seu sorriso, aquele sorriso. Responsável por tantos suspiros no passado.
Volto para a realidade com o apito de meu celular. Ao desbloquear o mesmo, vejo que a mensagem é de Lucca, gelo na hora como se ainda fosse adolescente. Na mensagem ele diz "Oi, hoje nem pudemos nos falar direito, amanhã você estará mesmo no parque?"
Impressão minha ou ele está querendo conversar comigo? O que será que ele quer? E novamente minha imaginação vai longe. Mas resolvo responder à mensagem.
" Claro, estarei lá as 15:30"
E em questão de segundos ele me responde
" Então até amanhã, manda um abraço pro Lucca"
Essa eu não respondo, é óbvio que ele deve estar curioso, deve estar se perguntando se existem motivos para eu ter colocado o nome dele em meu filho. Sinceramente, se ele me perguntar isso, não vou saber responder, e também com o mole que eu dei hoje ele vai sacar tudo e me achar uma otária por ainda considerar paixões adolescentes.
Vou dormir com a cabeça e o coração a mil, tenho muitas expectativas para amanhã, me sinto a maior ridícula, não é possível que eu mude minha vida por ele novamente, não, isso não vai se repetir.
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