I will never forget you.
27 I'm an idiot!
Notas iniciais
Dois meses depois:
O vento bate de encontro ao meu rosto, é fim de tarde, estamos voltando do parque aquático, Luquinha está adormecido na cadeirinha e Lucca dirige pela tranquila estrada, rumo à São Paulo.
A música que passa a ecoar pelo carro é: Photograph, que por algum motivo não tão lógico, denominamos ser a nossa música, isso é cliché? Um pouco, mas todas as histórias têm um pouco disso, por que a minha seria diferente?
Loving can hurt
Loving can hurt sometimes
But it's the only thing that I know
And when it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive
A primeira estrofe da música toca e nós nos entreolhamos, sorrindo. Cantarolamos baixinho, para ser um momento só nosso, como se estivéssemos colocando o amor que sentimos um pelo outro em segredo.
A música realmente faz um grande sentindo, principalmente para mim, talvez seja por isso que gosto tanto.
O amor realmente machuca, e por muitas vezes, um machucado impossível de se cicatrizar, mexe com o coração, um lugar inalcançável, que ás vezes toma decisões que nossa consciência julga ser errada, mas o amor, é capaz de coisas inimagináveis, e depois desse sentimento ser revirado e virar motivo de tristeza, o coração vai falar mais alto que a consciência novamente, e pode acabar com o sentimento mais puro existente. E revelar esse sentimento por uma segunda vez, acaba por se tornar impossível.
Hoje é o dia seguinte do aniversário do meu pequeno, ontem fizemos apenas uma reuniãozinha em casa, convidei apenas os mais, mais chegados e comprei um bolo. Ele recebeu muitos, muitos presentes, do jeito que gosta. Até meus pais deram sinal de vida e mandaram uns brinquedos artesanais da África, onde estão fazendo trabalho voluntário.
Rafa apenas enviou um presente, imagino como ele deve estar se sentindo após o ocorrido.
Desde aquele dia, não nos falamos mais. Mesmo bêbado, ele não tinha direito nenhum de fazer aquilo, foi algo infantil e completamente ridículo de se fazer.
Segundo Manu, tudo aquilo é um sentimento reprimido da parte dele, acho bobagem, ele nunca demonstrou nenhum tipo de afeto superior à amizade em relação a mim, teve toda a oportunidade durante quatro anos. Isso se torna mais ridículo ainda se for por conta do meu relacionamento com Lucca, se embebedar e falar um monte de merda só porque não suporta me ver com outro? Isso realmente não faz o estilo dele.
Desde aquele dia, também não vi mais nada e ninguém que me remetesse à Miguel, ele voltar justo agora não faria sentindo nenhum. Teve toda a oportunidade para isso durante os nove meses que me deixou sozinha grávida, após o nascimento de Lucca, prometi a mim mesma que faria de tudo para Miguel não se aproximar do MEU filho.
Sou acordada de meus pensamentos com o chamado de Lucca.
– Terra para Sophia!
– Aí, desculpa. Estava longe.
– Tudo bem, já chegamos. – Avisa rindo e tirando o cinto.
Ele carrega Lucca para dentro de casa enquanto fecho o carro. É eu colocar o pé dentro de casa para Simba abrir o berreiro. Esse cachorro cisma comigo.
– Quieto, Simba! – Ordeno com as mãos, como se fosse adiantar alguma coisa. – Você vai acordar o Lucca! – Exclamo e não dá outra.
– Unhhhh – Resmunga ainda no colo do pai. Ultimamente ele está chato quando acorda, o que me alegra muito.
– Shh! Dorme de novo! – Pede Lucca calmo subindo as escadas. Em vão.
– Não! Mamãe! – Chama começando a chorar.
– Vem. – Estico os braços e ele pula em meu colo. – Não chora. – Peço e só faz com que ele chore mais.
Não entendo toda essa manha.
Levo ele até a sala e fico o ninando em meus braços, após minutos de choro incessantes, ele se acalma e volta a dormir. O Aconchego no sofá mesmo e me dirijo até a cozinha, onde Lucca me aguarda com um misto quente dos deuses.
– Você não existe! – Exclamo lhe dando um rápido beijo e voltando minha atenção ao sanduiche.
– Vou lá em casa terminar uns projetos, volto mais tarde, tudo bem? – Pergunta
– Tudo. – Afirmo e ele me beija, indo embora em seguida.
Aproveito o sono de Lucca para tomar um banho. Quando volto a sala ele está do mesmo jeito, dormindo feito um anjo, com a face um pouco vermelha devido ao choro. Me aconchego ao seu lado e ligo a televisão, nada de interessante passa, então opto por deixar no noticiário mesmo.
“Iraque pede por intervenção das tropas estado unidenses na guerra contra o Estado Islâmico. ”– Anuncia a âncora do jornal.
“O grupo Estado Islâmico volta com ameaças. ”
“Novos americanos são feitos reféns. ”
“ Isso está longe de acabar” – Afirma presidente iraquiano.
– Mamãe? – Chama meu filho despertando do sono.
– Oi, amor.
– Tô com fome. – Anuncia pulando em cima de mim
– O que você quer comer?
– Pizza! – Pede animado
– Tudo bem, vou pedir.
– Eba!
– E o senhor, já para o banho! – Ordeno e ele me olha desafiador, hoje está difícil.
– Não!
– Lucca! – O olho seria e ele solta uma gargalhada e passa a pular de um sofá para o outro.
– Não vou! – Fala convicto achando que irei me dar por vencida.
– Não? – Pergunto novamente e ele assente. – Então acho que hoje vamos ter sopa de jantar. – Cantarolo e ele arregala os olhos.
– Não, quero pizza! – Grita pulando no chão e faz beicinho. Ele fica uma graça bravo.
– Então já para o banho! – Peço novamente, dessa vez ele nem pensa, só corre escada à cima.
Essa definitivamente é a parte mais difícil de se criar uma criança, sei que não estou sendo totalmente correta no que faço, mas colocar limites e educar não é nada fácil, isso se aprende com o tempo, e eu faço o melhor que posso.
–-**--
– Delicia! – Exclama meu pequeno saboreando um pedaço de pizza.
– Gostou do passeio de hoje?
– Sim! – Fala animado – Cadê o papai?
– Foi para a casa trabalhar, daqui a pouco ele volta.
– Mamãe, por que a gente não mora junto? – Pergunta fazendo com que eu vacile a responder.
– Todos os meus amigos moram com o pai e a mãe.
– Você não acha legal ter duas casas?
– Sim... – Responde abaixando o olhar.
– Então, o importante é que você esteja feliz. Está feliz? – Pergunto o encarando.
– Mais do que nunca. – Responde me surpreendendo com sua linguagem.
– Então está tudo certo.
–-**--
– Boa noite. – Sussurra alguém em meu ouvido, fazendo com que eu desperte em alerta.
– Que susto, Lucca! – Exclamo aliviada ao o ver na minha frente.
– Ficou aqui me esperando?
– É, acabei pegando no sono.
– Vamos subir, estou morrendo de sono. – Pede me puxando para si.
Deitamos na cama e começamos a falar sobre assuntos aleatórios, até que ele me pega de surpresa com uma fala.
– Eu te amo. – Fala me encarando, pedrifico.
Eu o amo também, não tenho razão para não amar, mas não sei o que acontece comigo, fico paralisada, com o queixo caído e sem dizer nada. Ele me olha com expectativa, e eu não consigo abrir a boca. O que está acontecendo comigo?
– Sophia?
– Err... eu gosto muito de você. – Respondo desacreditando no que acabei de falar, quem eu estou querendo enganar? Eu o amo, amo como nunca amei qualquer outro!
Não tenho tempo de tentar corrigir minha fala, ele sai em disparada do quarto, fico atordoada por poucos segundos, mas logo saio correndo atrás dele.
– Lucca! Espera! – Peço aos berros, mas ele não me escuta, apenas sai arrancando com o carro.
Exagero? Não! O que eu estava pensando ao responder aquilo? Por que eu respondi aquilo? Nada faz sentido em minha cabeça, caio diante a grama, e fico lá totalmente atordoada. Seja lá qual for o oposto de bem, é exatamente assim que estou me sentindo.
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