Notas iniciais
Hey, meus amores! Obrigada pelos comentários, espero que curtam esse capítulo. Uma leitora havia me pedido ppara colocar os looks da Sophia, porém postei tão apressada que acabei esquecendo, mas de agora em diante irei colocar eles para vocês! Beijos!!

– Mas está tudo bem mesmo? – Pergunto pela quinta vez.

– Sim, Sophia. Sua menina está ótima. – Afirma ainda olhando a tela do ultrassom.

Pera, ela disse “sua menina”?

– Doutora? – Chamo e ela se vira para mim.

– Diga. – Incentiva

– Você disse menina? – Indago

– Sim, eu disse. Sua menina está perfeita. – Comenta e meus olhos se enchem de lágrimas.

Minha Alice é mesmo Alice.

– O que realmente aconteceu? – Pergunto limpando minha barriga.

– Houve um pequeno deslocamento na sua placenta. – explica – E quando você chegou aqui, percebemos sua pressão muito alta. Andou tento brigas? – Pergunta e uma pedra cai sobre meu coração.

Como pude me exceder tanto?

– É, tive uma discussão. – Confesso e ela me olha torto.

– Sabe melhor eu ninguém que discussões devem ser evitadas durante o primeiro trimestre. – Me repreende e eu assinto.

Que ótima mãe eu sou!

– Eu sei, vou me manter longe dos problemas. – Sussurro mais para mim do que para ela.

Miguel vai sair da minha vida. Por bem ou por mal.

–**-

– Graças a Deus! – Exclama Miguel ao me ver saindo porta à fora.

Mantenha a calma. Respira. Inspira.

– Eu estou bem. Mas para eu garantir a saúde da minha filha, quero você bem distante. – Falo calmamente e vejo seu rosto murchar.

– Eu sinto muito, não queria ter causado isso. – Se lamenta. Parece ser real, mas não vou arriscar.

– Como estava dizendo. Não quero você perto de mim e muito menos da minha família. E se insistir, eu vou atrás de uma ordem de restrição. – Ameaço e nem espero por respostas, apenas saio do ressinto.

–**-

– É mesmo, mamãe? – Indaga animado.

– É sim, meu amor. – Confirmo e em um rápido movimento, ele aproxima sua boca da minha barriga.

– Alice, eu quero que você nasça rápido. Você vai brinca comigo, a gente vai se divertir bastante. – Fala animado, tirando um sorriso de meus lábios. – E nosso papai vai brinca com a gente também, ele é muito legal, e você vai conhecer ele logo. – Afirma e agora são lágrimas que ameaçam cair de meus olhos.

Como se já não bastasse...

“ Exército brasileiro fornece lista de mortos nos ataques passados” – Informa a jornalista

– Amor, vai lá tomar banho, vai. – O apresso e por um milagre, ele me obedece de primeira.

“- João Lucas Mazarelo; Carlos Bascarenha; Rafael Luís Domingues; .... –“

E assim a mulher vai falando, nome por nome. Meu coração só se acalma quando o último nome é listado e nenhum conhecido é citado. Lucca está bem. E vai ficar.

–**-

– Quem é a grávida de cinco meses que ainda não tem nada para o quarto da nossa princesa? – Manu pergunta acusatória, assim que abro a porta de casa.

Confesso, não tenho nem uma roupinha para Alice, as coisas vêm sido tão complicadas, agitadas que nem pensei em comprar a mobília do quarto dela.

– Acho que eu. – Arrisquei, fazendo cara de culpada.

– E que é a grávida que tem as melhores amigas desse mundo? – Pergunta Luísa e eu pondero por longos segundos.

– Acho que eu, né?

– Exato! – Exclama Clara – E por conta disso, hoje iremos te sequestrar e iremos fazer a festa e lojas para bebês. – Explica e eu abro um largo sorriso.

Foi assim com Lucca. Não seria diferente com Alice.

Sei o tamanho do esforço que foi para elas levantarem da cama hoje e se empolgarem para fazer algo. Então não tem nem como eu negar algo para elas.

– Então vamos. Por que o dia vai ser longo. – Comento pegando minha bolsa e trancando a porta.

– A senhorita por acaso já pensou em algo? Cor? Decoração? Essas coisas? – Luísa indaga enquanto coloco milhares de roupinhas dentro de uma sacola.

– Nada. – Confesso.

– Olha que fofura! – Grita Manu, do outro lado da loja.

Ela, achando algo fofo?

Quando a achamos, ela está segurando dois cabides. Os dois possuem a mesma roupa, só que em tamanhos diferentes.

– Olha! – Fala toda empolgada mexendo os cabides na mão – É um pijama, vocês podem usar tipo quando ela nascer! Vai ser muito fofo.

É um pijama rosa cheio de bolinhas brancas. Realmente, só de imaginar eu com minha bebê nos braços vestindo a mesma roupa que eu, já bate uma ansiedade.

– Eu com certeza vou levar. – Pego os cabides de sua mão e fico com um sorriso bobo na cara.

– O quartinho vai ficar incrível! – Exclama Clara após eu escolher todos os móveis do quarto.

– Você vai deixar a gente te ajudar, né? – Pergunta Luísa.

– Claro. – Respondo assinando um último papel.

– Tudo certinho, o prazo de entrega pode variar, mas até o final da semana chega. – Informa a vendedora.

– Tudo bem. Muito obrigada! – Agradeço e saio da loja cheia de sacolas.

– Roupa não vai faltar. – Manu comenta roubando meu pensamento.

– Vocês podem levar todas essas sacolas para minha casa? – Pergunto vendo uma mensagem no celular – Tenho que ir para o parquinho pegar o Lucca com a Lara.

– Claro, não quer que a gente te leve para lá? – Clara pergunta e eu nego.

– Preciso andar um pouco. – Digo por fim e vou embora.

Decido usar esse tempo sozinha para pensar. Queria tanto poder ter escolhido o quarto com Lucca do meu lado, queria tanto ter aquela cena onde ele pintaria as paredes do quarto e se perderia com a quantidade de parafusos para montar o berço. Queria tanto viver em uma história onde tudo acontece do jeito que eu imagino.

Em meio a tantos pensamentos chego ao parque em um piscar de olhos. Eu realmente estava esperando ver meu filho correndo e brincando com as outras crianças, mas não. Ele está abraçado à um homem que conheço muito bem. Ele só pode estar de brincadeira.

Eu pedi para ele ficar longe, mas parece que ele gosta de me desafiar, e ele vai se arrepender muito.

– Lara! – A chamo e ela me olha assustada.

– Desculpa, Sophia! Ele chegou e o Lucca foi correndo em sua direção, não consegui segurar. – Fala afobada.

– Tudo bem, só vem comigo. – Peço e ela corre em meu encalço.

Meu sangue está fervendo.

– Lucca! – O grito e ele me olha alarmado. – Vai com Lara, por favor. – Peço quando já estou ao seu lado.

Ele nem tenta discutir o assunto, apenas some com a Lara pelo parque.

Encaro Miguel com a garganta coçando, minha vontade é de socar ele. Mas essa vontade fica de lado quando percebo que seus olhos estão vermelhos, e lágrimas descem timidamente de seus olhos.

– Olha, eu não quero nem saber qual foi o motivo de você vir atrás dele, só vou falar uma última vez: Some da minha vida! – Vocifero e ele parece ficar mais sensível a cada palavra dita.

– Eu vou sumir. – Declara me deixando espantada. – Eu só precisava me despedir. Eu vou para a guerra, e você sabe que eu posso nunca mais ver ele. Só queria dar um último abraço.

Perplexa é pouco para a minha atual situação. Ele pode ter sido um monstro, mas não desejo isso para ninguém.

– Boa sorte com tudo. – Deseja – E já que eu não tive a oportunidade de te explicar tudo o que aconteceu, eu escrevi, e peço que por favor. Leia. – Implora e eu continuo sem falar nada.

Então ele tira um papel do bolso e o prende nas minhas mãos, assim, virando as costas e indo embora.

Notas finais
E aí, o que será que tem nessa carta??