I will never forget you.
43 He's gone too...
Notas iniciais

– Mas está tudo bem mesmo? – Pergunto pela quinta vez.
– Sim, Sophia. Sua menina está ótima. – Afirma ainda olhando a tela do ultrassom.
Pera, ela disse “sua menina”?
– Doutora? – Chamo e ela se vira para mim.
– Diga. – Incentiva
– Você disse menina? – Indago
– Sim, eu disse. Sua menina está perfeita. – Comenta e meus olhos se enchem de lágrimas.
Minha Alice é mesmo Alice.
– O que realmente aconteceu? – Pergunto limpando minha barriga.
– Houve um pequeno deslocamento na sua placenta. – explica – E quando você chegou aqui, percebemos sua pressão muito alta. Andou tento brigas? – Pergunta e uma pedra cai sobre meu coração.
Como pude me exceder tanto?
– É, tive uma discussão. – Confesso e ela me olha torto.
– Sabe melhor eu ninguém que discussões devem ser evitadas durante o primeiro trimestre. – Me repreende e eu assinto.
Que ótima mãe eu sou!
– Eu sei, vou me manter longe dos problemas. – Sussurro mais para mim do que para ela.
Miguel vai sair da minha vida. Por bem ou por mal.
–**-
– Graças a Deus! – Exclama Miguel ao me ver saindo porta à fora.
Mantenha a calma. Respira. Inspira.
– Eu estou bem. Mas para eu garantir a saúde da minha filha, quero você bem distante. – Falo calmamente e vejo seu rosto murchar.
– Eu sinto muito, não queria ter causado isso. – Se lamenta. Parece ser real, mas não vou arriscar.
– Como estava dizendo. Não quero você perto de mim e muito menos da minha família. E se insistir, eu vou atrás de uma ordem de restrição. – Ameaço e nem espero por respostas, apenas saio do ressinto.
–**-
– É mesmo, mamãe? – Indaga animado.
– É sim, meu amor. – Confirmo e em um rápido movimento, ele aproxima sua boca da minha barriga.
– Alice, eu quero que você nasça rápido. Você vai brinca comigo, a gente vai se divertir bastante. – Fala animado, tirando um sorriso de meus lábios. – E nosso papai vai brinca com a gente também, ele é muito legal, e você vai conhecer ele logo. – Afirma e agora são lágrimas que ameaçam cair de meus olhos.
Como se já não bastasse...
“ Exército brasileiro fornece lista de mortos nos ataques passados” – Informa a jornalista
– Amor, vai lá tomar banho, vai. – O apresso e por um milagre, ele me obedece de primeira.
“- João Lucas Mazarelo; Carlos Bascarenha; Rafael Luís Domingues; .... –“
E assim a mulher vai falando, nome por nome. Meu coração só se acalma quando o último nome é listado e nenhum conhecido é citado. Lucca está bem. E vai ficar.
–**-
– Quem é a grávida de cinco meses que ainda não tem nada para o quarto da nossa princesa? – Manu pergunta acusatória, assim que abro a porta de casa.
Confesso, não tenho nem uma roupinha para Alice, as coisas vêm sido tão complicadas, agitadas que nem pensei em comprar a mobília do quarto dela.
– Acho que eu. – Arrisquei, fazendo cara de culpada.
– E que é a grávida que tem as melhores amigas desse mundo? – Pergunta Luísa e eu pondero por longos segundos.
– Acho que eu, né?
– Exato! – Exclama Clara – E por conta disso, hoje iremos te sequestrar e iremos fazer a festa e lojas para bebês. – Explica e eu abro um largo sorriso.
Foi assim com Lucca. Não seria diferente com Alice.
Sei o tamanho do esforço que foi para elas levantarem da cama hoje e se empolgarem para fazer algo. Então não tem nem como eu negar algo para elas.
– Então vamos. Por que o dia vai ser longo. – Comento pegando minha bolsa e trancando a porta.
– A senhorita por acaso já pensou em algo? Cor? Decoração? Essas coisas? – Luísa indaga enquanto coloco milhares de roupinhas dentro de uma sacola.
– Nada. – Confesso.
– Olha que fofura! – Grita Manu, do outro lado da loja.
Ela, achando algo fofo?
Quando a achamos, ela está segurando dois cabides. Os dois possuem a mesma roupa, só que em tamanhos diferentes.
– Olha! – Fala toda empolgada mexendo os cabides na mão – É um pijama, vocês podem usar tipo quando ela nascer! Vai ser muito fofo.
É um pijama rosa cheio de bolinhas brancas. Realmente, só de imaginar eu com minha bebê nos braços vestindo a mesma roupa que eu, já bate uma ansiedade.
– Eu com certeza vou levar. – Pego os cabides de sua mão e fico com um sorriso bobo na cara.
– O quartinho vai ficar incrível! – Exclama Clara após eu escolher todos os móveis do quarto.
– Você vai deixar a gente te ajudar, né? – Pergunta Luísa.
– Claro. – Respondo assinando um último papel.
– Tudo certinho, o prazo de entrega pode variar, mas até o final da semana chega. – Informa a vendedora.
– Tudo bem. Muito obrigada! – Agradeço e saio da loja cheia de sacolas.
– Roupa não vai faltar. – Manu comenta roubando meu pensamento.
– Vocês podem levar todas essas sacolas para minha casa? – Pergunto vendo uma mensagem no celular – Tenho que ir para o parquinho pegar o Lucca com a Lara.
– Claro, não quer que a gente te leve para lá? – Clara pergunta e eu nego.
– Preciso andar um pouco. – Digo por fim e vou embora.
Decido usar esse tempo sozinha para pensar. Queria tanto poder ter escolhido o quarto com Lucca do meu lado, queria tanto ter aquela cena onde ele pintaria as paredes do quarto e se perderia com a quantidade de parafusos para montar o berço. Queria tanto viver em uma história onde tudo acontece do jeito que eu imagino.
Em meio a tantos pensamentos chego ao parque em um piscar de olhos. Eu realmente estava esperando ver meu filho correndo e brincando com as outras crianças, mas não. Ele está abraçado à um homem que conheço muito bem. Ele só pode estar de brincadeira.
Eu pedi para ele ficar longe, mas parece que ele gosta de me desafiar, e ele vai se arrepender muito.
– Lara! – A chamo e ela me olha assustada.
– Desculpa, Sophia! Ele chegou e o Lucca foi correndo em sua direção, não consegui segurar. – Fala afobada.
– Tudo bem, só vem comigo. – Peço e ela corre em meu encalço.
Meu sangue está fervendo.
– Lucca! – O grito e ele me olha alarmado. – Vai com Lara, por favor. – Peço quando já estou ao seu lado.
Ele nem tenta discutir o assunto, apenas some com a Lara pelo parque.
Encaro Miguel com a garganta coçando, minha vontade é de socar ele. Mas essa vontade fica de lado quando percebo que seus olhos estão vermelhos, e lágrimas descem timidamente de seus olhos.
– Olha, eu não quero nem saber qual foi o motivo de você vir atrás dele, só vou falar uma última vez: Some da minha vida! – Vocifero e ele parece ficar mais sensível a cada palavra dita.
– Eu vou sumir. – Declara me deixando espantada. – Eu só precisava me despedir. Eu vou para a guerra, e você sabe que eu posso nunca mais ver ele. Só queria dar um último abraço.
Perplexa é pouco para a minha atual situação. Ele pode ter sido um monstro, mas não desejo isso para ninguém.
– Boa sorte com tudo. – Deseja – E já que eu não tive a oportunidade de te explicar tudo o que aconteceu, eu escrevi, e peço que por favor. Leia. – Implora e eu continuo sem falar nada.
Então ele tira um papel do bolso e o prende nas minhas mãos, assim, virando as costas e indo embora.
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