I will find you

20 Uma vida nova.


Notas iniciais
Sei que me atrasei de novo com a postagem do capítulo, mas essa semana não tive tempo algum mesmo. Estou feliz por postar nessa maravilhosa quinta. Esse capítulo saiu bem maior que pensei, espero que desfrutem!

Naquela noite, não podemos mover Iwasawa da sua maca ainda, ela deveria ficar em observação por uma semana até que dessem a certeza de que poderia voltar a caminhar e enfim, viver, cantar e tocar... No entanto, recebemos uma nova notícia boa! Yui recebeu alta e pode voltar pra casa, já que Hinata conseguiu dinheiro suficiente para comprar uma boa cadeira de rodas elétrica para ela já que a sua mãe gastava a renda com a fisioterapia.

— Hoje eu vou voltar pra casa, mal posso esperar para voltar ao meu quarto! – Eu e Yuri, assim como Hinata, ajudamos a recolher as coisas dela para levar para o táxi.

— Eu fico feliz por ajudar a melhorar suas condições, meu amor. Um dia eu e o Otonashi vamos descobrir alguma forma de fazer você andar de novo, eu prometo. – Hinata disse animado segurando a sua pequena no colo e a levando para a cadeira nova.

— Não precisa me prometer isso, seu bobo. Eu já estou muito satisfeita pela cadeira... Você é o melhor namorado do mundo e eu te amo! – Desviei o olhar ao ver que eles iam começar um beijo interminável.

— Vamos antes que a tocha fique maior, Yurippe-san. – Arrastei a garota junto com os lençóis, a guitarra e o violão de Yui. Pra mim era um tanto constrangedor ficar diante desse tipo de situação.

— Hai hai, calma! – Ela foi ajeitando as madeixas roxas e carregando os travesseiros. Ao entrar no elevador, perguntou baixinho: — E como vão as coisas com a Iwasawa? Ela vai sair de lá ainda hoje?

— Quem me dera... Só no final de semana, isso se não acontecer mais nada e continuar tudo ao normal. – Yuri se encostou na lateral da placa de metal e suspirou baixo.

— Você está frustrada? – Cocei a nuca e logo uma resposta sincera veio.

— Não, eu estou aliviada na verdade... Tudo o que eu queria é que ela desse pelo menos um sinal de que iria acordar. E além de acordar, ela ainda falou comigo, me abraçou... Eu me sinto viva de verdade agora. – Um sorriso transpareceu em meu rosto e eu não percebi.

— Eu quase nunca te vejo sorrir assim, Hisako. Você era o diabinho da escola. Trapaceava nos jogos, passava a perna nos garotos e era até um pouco arrogante. Só foi a Iwasawa ficar assim e você está toda sorridente. O que houve contigo? – Desta vez meu rosto ficou especialmente vermelho.

— Ela é minha melhor amiga, eu não viveria sem ela. É como se fosse minha família. – Cruzei os braços com os lençóis em cima das minhas bochechas e tentei fazer a voz mais séria que eu podia. Realmente, eu era uma garota travessa e fria. Ainda sou, mas enquanto reprimo todos esses sentimentos em relação à Iwasawa, não consigo pensar em outra coisa que não seja nela e se ela me aceitaria ou rejeitaria.

— Fique tranquila... – O elevador parou e ela continuou falando, enquanto nos dirigíamos até o táxi parado em frente ao hospital. Colocamos os instrumentos no porta-malas e as roupas de cama na lateral do banco. – Nem todos perceberam isso. Apenas as garotas, hahaha! – Mostrei a língua para ela, enquanto sentia suas grandes mãos puxando a pele vermelha das minhas bochechas. — Você está apaixonada!

— Ugh! É tão transparente assim? – Fiz o maior beicinho e ela confirmou. Antes que o assunto se estendesse, a mãe de Yui se aproximou de nós.

— Oi meninas, eu não sei como agradecer o que estão fazendo pela Yui, ela parece estar tão mais contente depois que vocês vieram visitá-la. Como vocês a conheceram? – Yuri tentou não rir ao me lembrar de tudo o que passamos e eu tentei explicar algo coerente, afinal, ela não entenderia se disséssemos que morremos e nos conhecemos no céu e voltamos um tempo depois.

— Foi por causa do Hinata! – Yuri colocou a mão por cima do meu ombro e abriu um sorriso de orelha a orelha, concordando com a ideia. O brilho nos olhos da senhora era intenso. – Ele é um amigo de longa data e falava bastante dela sempre que nos encontrávamos na escola. Quando ela soube que eu tinha uma banda com Irie, Sekine e Iwasawa, automaticamente ela quis nos conhecer e ficamos muito amigas.

— Então foram vocês que ensinaram ela a tocar! Isso é muito bom. Eu vou matriculá-la de volta na mesma escola de vocês, assim vocês vão poder ser boas amigas e ficarem sempre juntas, assim não terei que me preocupar. Vocês podem cuidar dela? – Uma gota desceu pelas nossas cabeças ao me lembrar do que passávamos com Yui em sala de aula. Agora presa numa cadeira de rodas ela vai falar muito mais já que não pode tentar movimentos com as pernas, mas enfim, ela é nossa amiga e isso é o que amigos devem fazer: cuidar uns dos outros na necessidade ou na felicidade.

— Pode deixar com a gente, Obaa-san! Relaxe que cuidaremos da nossa rosada. – Yuri já foi enviando um sinal de positivo com a mão direita e eu confirmei a ideia. Ela abriu um sorriso de agradecimento e fez uma pequena reverência.

— Não sei como agradecê-las, posso fazer algo por vocês?

— Fique tranquila. É isso que os amigos fazem, pode contar sempre com a gente para o que precisar. Vocês necessitam mais do que nós, o certo é que ajudemos em todas as horas, principalmente nas mais difíceis. – Depois que terminei de falar, Hinata e Yui chegaram.

— É isso mesmo. E eu vou ficar com minha amada e minha querida sogra pelo tempo em que eu viver. – Ele abraçou a senhora que lacrimejava de tanta emoção. Era muito bom ver que tudo estava se ajeitando aos poucos.

— Por isso que eu digo que temos que aproveitar cada segundo em que vivemos. Vocês formam uma bela família e ficamos felizes por isso. – Yuri se pronunciou, um tanto pensativa. Pelo seu semblante, era perceptível que ela estivesse se lembrando do que houve anteriormente, quando estávamos mortos.

— Me sinto inexplicavelmente feliz... Eu amo todos vocês, meninos... – A mãe da rosada afagou os cabelos de cada um. Ela era muito doce e gentil, não me admira que demonstrasse tanto carinho conosco. Isso me fez sentir saudades dos meus pais, eu não sei onde eles estão agora... Se estão vivos ou não... De alguma maneira, me senti melhor com aquele carinho materno.

— Eu te amo muito, Okaa-san! – Yui já foi abraçando a mãe bem apertado, deixando-a quase sem ar, mas foi divertido ver tal cena tão amorosa.

—Vamos então? – Hinata abraçou as duas como se fosse um pai. Era diferente ver essa cena, ele havia mudado bastante.

O motorista do carro chamou-nos com a demora e colocamos a pequena no carro com todo o cuidado, tomando os devidos cuidados com suas pernas imóveis. Assim que Hinata pediu, o carro deu a partida e nós acenamos. Lá se vai nossa rosada de volta para casa, viver seus sonhos, voltar a sua rotina e espero ser muito feliz...

— É... Agora os tempos são outros, Hisako. – Senti um dos braços de Yuri ainda sobre o meu ombro, apertando-o com a mão pesada.

— Tem toda a razão...

— Precisamos nos preparar pra ir à escola amanhã, está tarde. – Realmente não vimos o tempo passar e já eram mais de duas da manhã. Já não havia carros na rua e as luzes dos prédios desapareceram, todos estavam dormindo. Agora era tomar banho, dormir um pouquinho e levantar cedo para retornar as aulas.

Chegando ao quarto, encontrei Iwasawa debruçada sobre a mesa da cabeceira, repleta por folhas... Tinha bolas de papel amassadas sobre o lençol e ela parecia estar concentrada. Seus olhos percorriam toda a folha que era iluminada por um pequeno abajur. Desviei os olhos para a sopa quente que o medico pediu para que eu trouxesse, ela não podia comer pratos mais sólidos ainda.

— Iwasawa, trouxe seu jantar... O que está fazendo? – Me aproximei calmamente e deitei a bandeja em suas pernas com toda a calma do mundo.

— Oh, okaeri Hisako. Estou tentando escrever uma nova música... Agora que eu acordei, me sinto inspirada a escrever sobre a vida... Preciso viver com toda a vigor... E a música é a minha vida. – De alguma maneira, ela arrancava os meus maiores e melhores sorrisos com essas frases poéticas, ou musicais como ela costuma chamar.

— Isso é ótimo... No entanto, você precisa comer mocinha! – Cruzei os braços como sempre. Era uma das minhas táticas para convencê-la a se alimentar ou fazer uma pausa quando ela compunha sem parar. Sua expressão era a de sempre, uma cara de breve decepção e logo em seguida as pupilas dilatadas, isso me fazia derreter toda por dentro, mas respira Hisako. Você tem que ser forte, senão sua querida adoece e você vai se culpar pelo resto da vida. – Não vai me convencer com esse olharzinho. Coma que é pro seu bem. Já disse pra você se cuidar... Isso significa viver também.

— Moou Hisako... Você acha que eu deveria colocar isso na música também? – Ela se animou toda com a ideia. Ah Iwasawa, o que eu faço com você?

— Esquece isso! Não! – Para amenizar a negação, segurei seu rosto singelamente e depositei um beijo suave em sua testa. Senti o sono tomar conta de mim ao absorver o cheiro dos seus cabelos magenta. Ela me trazia tanta paz e calma... – Coma antes que esfrie.

— Está bem... – O beicinho permaneceu nos lábios dela e eu sorri toda abobalhada. Parece que ela ficou vermelha com o beijo, mas eu estava cansada demais para questionar se isso era bom ou ruim. E ela percebeu isso. – E você precisa descansar, está exausta. Não precisa ficar acordada a noite inteira me olhando...

— Mas... – Ela me puxou rapidamente para deitar no travesseiro ao lado e eu não tive como negar. Minhas pernas estavam bambas e eu não sabia distinguir se era de cansaço ou pela atitude dela.

— Shiiiu... Durma bem, Hisako... – Senti seus dedos em meu cabelo, leves e macios... Depois disso, apaguei como uma pedra.

No dia seguinte...

— Hisako! Acorda! – Eu pulei da cama com um susto que tomei. Ao abrir os olhos com muita dificuldade, notei que Yuri estava na porta. – Ué, mal a Iwasawa-san acorda e já estavam fazendo saliências? – Corei absurdamente ao ver a minha guitarrista preferida com os braços envolta do meu tronco. Então era por isso que eu me sentia tão quente e aconchegada... Tive que sair sorrateiramente para que ela não acordasse.

— Nós não fizemos nada. Eu só apaguei na maca enquanto ela estava tomando a sopa que o médico fez! Enfim, por que veio tão cedo? – Ela riu baixo ao ver minha cara fechada e depois me puxou pelo braço.

— Não temos tempo algum. Estamos muito atrasadas! Sorte sua que já dormiu de uniforme. – Era óbvio, como eu pude esquecer? Yurippe só vem me chamar na cama quando estamos à beira do horário da escola. Tivemos que sair correndo porta a fora.

Chegando à esquina, pra piorar as coisas, um carro parou esperando dobrar na Avenida. Por coincidência ou não, conhecíamos aquele motorista.

— Hey girls! Querem uma carona? You are late! – Yurippe já foi entrando sem pestanejar e fui obrigada a segui-la. Só ouvi o barulho do motor disparando com força e o grito da garota.

— TK é você??!!

Notas finais
Continua... Espero que gostem do capítulo! Ganbatte! Ja ne!