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14 Diretoria
Notas iniciais
Na mesma manhã, Yuri e eu fomos até a diretoria da escola para podermos resolver o assunto que estava pendente desde que visitamos o hospital da última vez: conseguir permissão para passar as noites fora do dormitório para poder cuidar da Iwasawa. E Yurippe estava determinada, seus passos podiam ser ouvidos em todo o corredor com a firmeza que cada passo era dado. Um sorriso confiante estava plantado em seu rosto, ela estava pronta para fazer o máximo até conseguir o que queria, ou melhor, o que nós queríamos.
Ao abrir a porta, fomos diretamente à sala da diretoria e avistamos uma mulher sentada na cadeira, ela tinha os cabelos ruivos que lhe caíam pelos seus ombros, olhos esverdeados e usava um terno escuro. Ao nos ver, levantou o rosto e apertou a caneta entre os dedos, dizendo em um tom baixo.
— Precisam de alguma coisa, mocinhas? – Um frio subiu pela barriga de nervosismo. Nós devíamos tratar seriamente disso.
— Estamos aqui num caso de vida ou morte. – Yuri foi logo se pronunciando, se aproximando da mesa enquanto eu observava o rosto sério da diretora.
— Isso deve ser grave. Sentem-se, por favor. Não precisam se intimidar, isso é só uma fachada. Eu sou legal! – Ela abriu um sorriso gentil e suspiramos de alívio, nos sentando nas cadeiras que estavam à frente da mesa de marfim.
— Que bom, hehe! É que a senhora quase não aparece nas reuniões escolares. Enfim, viemos pedir sua permissão para que nossa amiga Hisako fique um tempo indeterminado no hospital da cidade. – Yurippe já estava à vontade e se sentou na beirada da mesa, cruzando os braços.
— No hospital? Ela está doente? Ela pelo menos deveria vir aqui conversar... – Eu cocei a nuca e me pronunciei calmamente.
— Eu não estou doente, diretora... Minha melhor amiga está na UTI e não tem o cuidado dos familiares... Eu sou a única pessoa em que ela confia qualquer que seja o caso... – A ruiva coçou o queixo e se pôs a pensar.
— Ela está com que tipo de lesão? – Yuri voltou a falar, respondendo a pergunta e refazendo o nó de sua fita no cabelo.
— Uma Afasia por conta de uma Contusão Cerebral. – A diretora cruzou os braços e soltou um suspiro pesado, de lamento e preocupação.
— Isso é muito preocupante... E ela não tem familiares com quem contar? Onde estão os pais dela? – Dessa vez foi a minha vez de responder.
— Infelizmente não... A Contusão foi devido a uma garrafada que o pai dela deu na cabeça dela no meio de uma briga com esposa. No mesmo dia, ela foi trabalhar e acabou desmaiando na cozinha. Eles só vieram vê-la pra raspar a cabeça dela, para começar o tratamento. Depois eles desapareceram. Ela também deixou claro que não iria mais depender deles antes do coma...
— Nossa! Que história, hein... Ela não deveria estar vivendo uma boa vida... – Suspirei exasperada. Ela não está mesmo, Iwasawa está em coma, poxa! Yuri, peça isso de uma vez...
— Pois é... Então suplicamos a sua permissão para que possamos cuidar dela até que ela acorde. É uma garota muito importante pra nós, extremamente necessária e especial. – De fato... Principalmente pra mim...
—Pela coragem e pela gravidade do caso, a preocupação e empenho de vocês, eu permito sim. Vocês só tem que assinar um passe para que possa sair sem ser barrada pelos guardas do colégio. – Ela se levantou e abriu um sorriso meigo, nos dando dois pequenos cartões que havia assinado.
— Nossa! Muito obrigada diretora. Você nos ajudou muito! – Eu fiz uma reverência em respeito e agradecimento, ela se divertiu com a minha formalidade e disse baixinho, apertando o meu ombro esquerdo.
— Não precisa agradecer, eu estou aqui para auxiliar os alunos desta escola. No entanto, não tem que ser tão formal comigo. Pode me chamar de Kurumi. – Yuri e eu sorrimos de felicidade com tamanha a gentileza de nossa superior. Estávamos com uma sorte muito grande ou Deus teria nos ajudado nessa? Talvez nunca saibamos desse fato.
— C-Certo, Kurumi-sama... – Ela apertou minha apertou minha mão e fez um pedido.
— Quando a garota der sinais de vida, por favor, me contate. – Nós confirmamos, ela parecia ser uma moça prestativa. – Agora podem ir.
Depois de um breve aceno, recolhemos nossos cartões e fomos até o refeitório da escola. Lá encontramos com Irie e Sekine que pareciam estar ansiosas.
— E então, como foi com a diretora, Hisako-senpai? – A loira já foi se aproximando, apertando meu braço sem muita força, de nervosismo.
— Ela deixou! Deixou dois cartões conosco. Então posso levar sempre uma pessoa comigo para dormir lá também. – Irie levantou a mão.
— Eu posso ficar lá esta noite? Sou a única que não a viu ainda... – Sekine suspirou um tanto exasperado, imagino que ela queria muito passar a noite com a sua amada que acabara de chegar. Eu pisquei para aliviá-la, eu sei que sentiria o mesmo se acontecesse comigo.
— Nós iremos visitá-la esta tarde, mas dessa vez a Kanade ficará lá comigo, Irie-chan. Você pode vir amanhã, tem que ajudar a Sekine a levar as coisas para o dormitório de vocês agora que você voltou! – Os olhos azuis da nossa baixista brilharam em agradecimento, era tudo o que eu poderia dizer sem ter que chatear Irie.
— É verdade... Tenho que arrumar minhas coisas lá também, mas de amanhã não passa, viu? Quero muito ajudar a cuidar da Iwasawa-senpai. – Dei um sinal positivo e olhei para o relógio, já era hora de voltar para o hospital.
— Sim, tudo bem!
— Agora vamos, assim vai dar tempo de almoçar com a Yui. Ela vai adorar ver você de novo! – Yuri já foi à frente, arrastando o casal de meninas junto com ela.
Eu apenas ri baixo e segui as três, será um belo dia com relação à Irie e Sekine. Finalmente ambas vão estar juntas, queria eu que acontecesse o mesmo comigo e com a Iwasawa... Essa não é uma boa hora para invejar ninguém, eu tenho que lutar para que ela se recupere, para que possa de verdade outra vez... Quero fazê-la feliz como ela nunca foi nessa vida. Ela merece isso, ela é o melhor ser humano que já existiu em todos os tempos pra mim, não só para mim, mas eu sei que ela também foi o mesmo para todos que a conheceram. Se todos tivessem o privilégio de conhecer Iwasawa por dentro e por fora assim como eu, iriam estar agradecidas pela existência dela.
Na minha longa linha de pensamentos, fui interrompida pela voz de Yurippe que avisava que o elevador estava demorando em chegar.
— Argh, por que esse elevador não desce logo? Está demorando demais! – Olhei em volta e vi a passagem por escadas ali perto.
— Podemos ir pelas escadas...
— Eu estou cansada demais para subir escadas! – A mesma resmungou, batendo o pé no chão, no mesmo momento a porta do elevador abriu.
— Calma Yuri-san... A paciência nos torna perfeitos. – Todas sorriram e entraram no elevador. Enquanto subíamos fiquei pensando naquela frase, eu poderia ter o momento perfeito se eu não me desesperar em que Iwasawa acorde do coma e assim eu respirei fundo e todas nós nos dirigimos até o quarto dela. Lá estava Otonashi e o médico que cuidava dela diariamente.
— Com licença... – Irie disse educadamente, indo até a cama e fixando os olhos na nossa vocalista. – Iwasawa...
— Ohayo, meninas. O quadro dela não mudou muito, só os batimentos cardíacos que aumentaram um pouco esta noite. Nós fizemos os exames que estavam pendentes e logo saem os resultados. – Otonashi me mostrou a prancheta e eu analisei coincidentemente os batimentos aumentaram na hora em que eu cheguei aqui no quarto e voltaram ao normal quando eu voltei para a escola...
—Estranho... – Sussurrei baixo, será que é isso que estou pensando..?
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