I wanted to hate you more
11 Vamos ser separados, mas dessa vez não foi por mim - Hiccup
Notas iniciais
A expressão de dor de Jack, era a que eu mais temia, odiava, mas me dei conta de que eu a havia causado. O assistia correr para longe de mim, quis correr atrás dele, mas meu corpo pesava, pude ver também. Onde os pés dele tocavam congelava, meu corpo estava esfriando e eu já não conseguia me manter de pé. Despenquei no chão ao sentir as lágrimas rolarem, o frio era cada vez pior.
Só pude ver vultos se aproximando e depois tudo ficou escuro.
~”~
Acordei, minha visão era turva e eu estava soterrado em cobertores, respirei fundo e pisquei conseguindo focalizar a lareira a minha frente. Eu acho que estava em uma sala, olhei em volta e percebi que estava certo. Senti algo quente em meu colo, abri uma fissura nos cobertores e percebi que era Banguela. Ele bocejou e fumaça saiu de suas narinas, sorri para aquilo, mas o que eu...
Lembrei-me no mesmo instante de tudo, a garota da Corvinal, não era possível, Jack congelou tudo. Inclusive a mim. E fugiu, mas para onde e foi culpa minha não foi? Eu o xinguei, eu não acreditei no que ele dissera. Eu nem ao menos escutei o que ele disse. Era mentira não era? Jack não a engravidará, não poderia ser verdade. Jack engravidar alguém? Mas Jack saiu correndo, eu precisava me desculpar, eu precisava encontrá-lo!
Mas onde ele estava? Levantei-me jogando os cobertores no chão, fiquei um pouco tonto, mas não me importei. Banguela logo pousou em meu ombro, resmungava algo, muito mal educado. Precisava me desculpar com Jack, mas primeiro precisava encontrá-lo, como fui burro por me deixar enganar por aquela vadia. Mas ele havia ficado realmente com ela? Não está na hora de se preocupar com isso, concentre-se.
–Ei, muita calma. – disse a voz rouca de Snape que apareceu do nada. Empurrou-me de volta para o sofá. – Fique quieto. — disse entrelaçando os dedos. — O que houve entre os dois?- tinha que ser justo esse cara assustador?
–Apenas uma discussão, mas... – comecei.
–Aquele garoto congelou todo o corredor. – disse ele cuspindo as palavras. – E quase matou você. Sabe o quanto isso mancharia a Sly?
–O que? – ele me lançou um olhar furioso, engoli em seco. Ele estava mais preocupado com sua reputação? – Mas ele... Ele saiu correndo preciso encontrá-lo... Ele correu para...
–Ele já foi encontrado. – ele me cortou. – Está no antigo quarto de vocês.
–Ah, graças a Merlin. – uma grande parte do peso em meus ombros desapareceu, mas eu ainda precisava falar com ele.
–Ele conseguiu controlar a maldição. – disse e suspirou indo até uma mesa. – Você irá hoje.
–Irei? Como assim? – indaguei ao segui-lo até a mesa.
–O senhor Frost é perigoso. – disse com desdém e começou a mexer em uns papeis, que se encontravam ali. – Então você não pode mais ficar com ele, nem perto dele, ninguém pode. Ele tem de ir.
–Mas para onde ele vai?
–Ele se tornará de maior em dois meses. – disse e parecia sem paciência. – Ele ficará isolado dos outros alunos até lá. Agora você, volte para seu dormitório, ele vai continuar onde está.
– Ele não é perigoso! – exasperei não acreditando naquelas palavras, mas logo percebi o que fizera. Ele se sentou a mesa. – Eu preciso falar com ele, por favor, me deixe ir.
–Isso está terminantemente proibido. – disse ao se levantar. – Vá para seu antigo dormitório neste exato momento.
–Mas...
–Não existe ‘mas’, agora vá. – exasperou apontando para a porta. Bufei.
Sai dali praguejando, em direção ao quarto do castigo, precisava falar com Jack. Mesmo que eu estivesse ‘terminantemente’ proibido. Eu estava com tanto medo, que meu peito latejava mais forte a cada passo, respirei fundo. Mas eu não sabia do que realmente eu estava com medo, talvez de Jack não estiver lá, ou de ele me congelar. Ou até mesmo me rejeitar, como eu mesmo o fiz. Eu estava receoso, mas não podia deixá-lo, apertei o passo.
–Que homem grosseiro. – reclamou Banguela ao pousar em minha cabeça. – E também o sem asa de cabelo sem cor, congelou tudo outra vez.
Caminhava pelos corredores vazios, quanto tempo será que eu estive desacordado? Estava frio, eu podia sentir meu nariz formigar, provavelmente estava vermelho. Aproximei-me pelo corredor do quarto, já podia ver a porta de madeira escura e bem detalhada, meu coração descompassou uma batida. Quando vi a luz azul tremeluzir por entre as frestas, Jack estava lá e havia congelado tudo, eu não sabia se estava feliz ou preocupado.
Girei a maçaneta fria e abri a porta, que crepitou quebrando a camada de gelo que cobria suas dobradiças. O quarto estava todo congelado, não uma camada fina como da primeira vez, mas como se estivesse ali há anos recebendo neve. Mesmo não tendo tempo para isso, era incrível como ficará lindo, não sei, mas o azul com o branco era maravilhoso. Pisquei tentando me concentrar.
Olhei ao redor e Jack estava ao pé da cama, sentado em cima do baú, abraçava os joelhos e soluçava. As lágrimas desciam, e no meio do caminho se transformavam em flocos de neve, engoli em seco. Aproximei-me devagar e como da primeira vez, a cada passo aquele lugar ficava mais e mais frio. Respirei o ar gelado, tentando me acalmar, Jack parecia ainda não ter notado minha presença.
–Jack? – chamei e seus olhos extremamente azuis, e agora avermelhados se fixaram em mim. Levantou-se e parecia aterrorizado, as lágrimas desceram. – Sou eu Hiccup.
–Fique longe! – gritou ele e bateu as costas contra a parede, se abraçou. – Por favor eu não quero machucar você.
–Você não vai me machucar. – disse me aproximando.
–Vou sim! – se encolheu até cair sentado no chão. –Eu quase... Eu quase te matei hoje Hiccup.
–Isso foi tudo culpa minha, Jack. – disse ao ficar de frente para ele que me olhou com os lábios trêmulos. – Me perdoe.
–Fique longe, por favor, eu vou lhe machucar... Outra vez. – disse ele comprimindo os lábios, evitando um soluço talvez.
–Você não vai me machucar eu tenho certeza. – disse e me ajoelhei, sentido o gelo passar por minhas roupas e queimá-los.
Segurei sua mão entre as minhas, ele as encarou boquiaberto, piscando e engolindo as lágrimas que insistiam em cair. Ele olhou para mim e seus olhos tremeluziam, ele ofegou talvez tentando sorrir.
–Elas... Não congelarão. – gaguejou ele.
–Eu te amo Jack. – disse e dei um beijo em sua testa, foi como beijar um cubo de gelo. – Você não vai me machucar me perdoe, eu não acreditei em você, dei ouvidos para aquela garota estúpida.
–Hic, eu sou perigoso. – disse e puxou sua mão de volta desviando o olhar, ele soluçou. – Eu vou embora, daqui dois meses, então... Então você não terá com o que se preocupar...
–Se você for embora, eu irei junto. – disse e o abracei com força. – Você não tem de me proteger, eu não estou com medo.
–Hic você não pode. – começou ele e retribuiu o abraço.
–Eu já me decidi! – disse e me afastei sem soltar seus ombros. – Vou mandar uma carta amanha bem cedo para Dumbledore, para informá-lo disso, eu só não quero viver sem você outra vez.
–Você está certo sobre isso? – indagou ele enxugando o rosto.
–Sim. – o beijei como se saboreasse um doce. – Só não vou conseguir suportar de forma alguma ficar longe de você. Eu te amo.
–Eu também te amo... – ele me beijou.
–Eu disse que era para você ficar longe dele. – a voz rouca e aguda de Snape adentrou no quarto. — Mais o que está... ?!
“Gelei, eu não podia ser separado de Jack, não como eu mesmo fiz há seis anos.”
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