I want you...hungry.
33 It's ok to feel the rain on my hands, my love
Notas iniciais
Mais uma vez um ar luxurioso dominava todo o ambiente. O desejo era tanto, tão bilateral, que por vezes se perdiam no meio de tantos anseios. Queriam dominar, serem dominadas. Queriam ter nas mãos a parceira amada, ao mesmo tempo em que ter uma dona autoritária lhes pareciam virar a cabeça.
Entre as paredes daquele pequeno mundo tudo poderia acontecer, as horas caminhavam no ritmo que elas estabeleciam, o ar faltava sempre que pretendiam, os cheiros eram característicos e os sabores altamente afrodisíacos. O amor, ah, o amor era o principal pilar de sustentação, era o que movia suas engrenagens.
–Clara – A voz calma de Marina sussurrou sem pressa vendo os olhos ainda famintos a encarar, um breve silêncio precedeu o resto da fala – Implora – Nem ela podia acreditar no fogo que ardia calmo e calculado dentro de si, acabara de ter o maior dos orgasmos, ainda sentia resquícios de formigamento nos seus membros, como se estivesse chapada, mas não era o suficiente.
–Eu quero te dar meu amor, eu preciso – Pausou queimando a fotógrafa com seu olhar – Eu preciso sentir você me preenchendo – A voz rouca era absurdamente sensual, era completamente ela.
–Não sei se merece – Viu Marina sorrir lascívia
–Eu sempre vou merecer – Rebateu rapidamente
–Eu quero mais, não me convenceu – Tinha volúpia no olhar
–Marina Meirelles – Começou na tentativa de ganhar a aprovação da namorada – Eu sei que é uma mulher importante... – Sorriu – Ocupada... – A boca da morena se aproximava dos lábios macios da fotógrafa – Famosa... Mas agora você esta aqui, gastando seu tempo comigo, na sua cama, completamente e deliciosamente nua – Fitava o corpo perfeito e ligeiramente pintado – Por qual motivo negaria à mim, sua mulher... – Marina derreteu com essa parte – O prazer de ser completamente fodida por você?
–Simples – Os olhos felinos rasgavam a carne dourada, o corpo ardia – Por castigo.
–E por que eu mereço ser castigada? – Sentia pulsar
– Por me enlouquecer – Os dedos da mão esquerda alcançaram novamente o pescoço, pela frente, agora o envolvendo com mais força no mesmo momento em que sentou no ventre de Clara – É até perigoso você fazer isso, Clarinha – Ambas gostavam da sensação que aquele aperto causava
–Perigoso por quê? – A morena desafiava sem medo
– Por que perco a minha lucidez, posso te machucar.
– E sinceramente eu acho que você gosta disso, caso contrário não teria me pedido para implorar – As mãos da morena alcançaram o quadril de Marina a empurrando um pouco mais para baixo, sentando-a na altura de seu sexo. Deixando assim um rastro úmido em sua pele – Tá vendo? – Clara disse – Molhada! – Sentiu a mão da fotógrafa apertar mais o pescoço dificultando um pouco sua fala, era delicioso.
–Tem medo? – A morena perguntou desafiadora
–Um pouco – Marina foi sincera falando por entre os dentes, sentia vontade de machucar Clara, tamanho era seu prazer, sua loucura. Sua cabeça passeava por cenas deliciosamente sujas, perversas, selvagens.
–Então vem aqui minha vida – Clara tinha uma ternura nos olhos que fizeram os dedos se afrouxarem – Me deixa fazer amor com você, pra te acalmar – Sorriu um sorriso repleto de incógnitas, puxou Marina para seu abraço deitando-a de lado, de frente para si.
–Sua vida? – A fotógrafa sorriu
–Minha vida – Clara era puramente sincera – Você, meu filho e minha família são tudo pra mim, são minha vida.
O beijo chegou calmo, primeiro os lábios se alcançaram, brincando entre si, seguidos pelas línguas quentes e macias que passeavam com delicadeza pela superfície uma da outra.
–Seu beijo – Marina sussurrou entre engolidas leves dos lábios da parceira – Sempre soube que seria assim... Delicioso – Sentiu a namorada sorrir suspirando em seus lábios.
Clara passeava com calma a mão pela lateral do corpo quente, o beijo apaixonado não cessava nem por um breve segundo. Os corpos deitados em suas laterais estavam frente a frente para o outro. Os seios se entrelaçavam atiçando os mamilos já excitados.
A mão desbravadora da morena agora entrava entre os corpos colados, descendo sem pressa pelo ventre nu. Alcançou um sexo fechado pelas coxas que estavam unidas lateralmente, e assim quis que ficassem. Forçou com delicadeza a entrada pelos grandes lábios fechados, achando assim entre eles o pequeno ponto de prazer.
Desceu um pouco mais para buscar o líquido que se escondia, estava certa, ele se acumulava por ali. Encontrou a mulher amada completamente melada de prazer, com o toque sentia o fluido se espalhar pelo resto do sexo.
Ensaiou entrar na namorada, mas não o fez. Por vezes o dedo solitário passava pela entrada em um carinho diferente. Sentia Marina gemer com cada toque, bem baixo, em sua boca.
Subiu deslizando pelo sexo até o clitóris.
–Tão delicado – A morena sorriu nos lábios da amada que mais uma vez gemeu com o toque – Tão duro – Terminou a frase iniciando um movimento contínuo pelo prazer excitado de Marina.
A fotógrafa fez menção de abrir as coxas, mas foi impedida pela fala da namorada
–Quero assim amor, apertadinho – E assim ficaram
O movimento era lento, bem lento e levemente circular. Se alguém assistisse àquela cena poderia até dizer que não chegariam em lugar algum naquela velocidade. Seria um grande engano.
As duas estavam completamente dentro daquele jogo. A lentidão e a precisão já enlouqueciam Marina, que agora começava a rebolar no mesmo ritmo do dedo que a masturbava. Os gemidos aumentaram e o pequeno clitóris desprendia delicadamente deliciosas pulsações.
–Ahhh – Marina gemeu – Isso é tão gostoso, diferente – Sorria sentindo o sexo pulsar cada vez mais.
A velocidade não aumentou, mas assim como o tesão da fotógrafa, o toque ia ficando mais forte, a pressão intensificando.
Clara viu Marina se perder no prazer que sentia, gemia agora com uma vontade enlouquecedora na boca da namorada. As mãos a apertavam com força, deixando um rastro de marcas nos ombros da morena. Um choque elétrico percorreu suas pernas, alcançou o sexo e sem pedir permissão se ramificou para todo o resto do corpo em um orgasmo esplendoroso.
Agarrou-se em Clara apertando-a contra si, mal podia acreditar na mulher maravilhosa que tinha.
O dedo da morena saiu lambuzado do sexo gozado, e em um ato instintivo, sem pensar se ainda era cedo demais, passou o líquido no próprio seio
–Ainda ta com medo? – Voltou a perguntar para a amada
– Não – Respondeu sabendo o que viria, e desejando absurdamente isso, o prazer era insaciável.
–Então vem, começa sentindo o seu gosto — Acrescentou puxando a fotógrafa com os dedos entrelaçados em seus cabelos castanhos, encaixando sem cuidado o seu seio na boca que chegou faminta – E depois me come, com toda a sua vontade, sem um pingo de medo. Acho que agora eu mereço, não?
Ela sabia. Clara sabia exatamente como liberar a loucura de Marina, como atiçar seus instintos mais primitivos. Viu A fotógrafa rapidamente a empurrar com as costas coladas no colchão e sentiu o rosto arder. Recebeu um tapa certeiro da mulher que agora a devorava com o olhar ajoelhada na cama.
–Deliciosa – Clara voltou a provocar – Tá me punindo, é?
–Vai continuar? – Marina sorriu dominada por algo que ia além do desejo – Quer mais? – Viu a morena tentar levantar ao encontro de seu corpo, voltou a empurrá-la contra a cama desprendendo outro tapa, agora ainda mais certeiro.
–Marina – Clara gemeu satisfeita
– Eu avisei – Clara teria exatamente o que estava procurando hoje – Fica de quatro
–Mas eu quero te olhar – Viu a namorada tentar continuar na posição que estava
–De QUATRO – Marina foi deliciosa e sedutoramente firme o que enlouquecia cada vez mais a morena.
Viu Clara se movimentar com lascívia para a posição exigida. A bunda dourada agora se exibia para ela e o rosto virava para trás tentando fitar os olhos felinos e predadores da fotógrafa. A morena sentiu a cabeça ser empurrada na direção do colchão encostando seu rosto nele, assim sua bunda ficava ainda mais empinada, exatamente como Marina queria.
–Fica assim – Ouviu a voz da fotógrafa ordenando. Movimentou-se um pouco, mas logo foi repreendida – Assim, Clara! Não se mexe. – O rosto pressionado contra o tecido que tinha o cheiro delas.
A respiração era abafada pela superfície da cama, o sexo pulsava e podia jurar que sentia seu líquido escorrer do meio dele. Constatou que a namorada saiu da cama e ouviu alguns barulhos, sem conseguia identificar o que era. Marina se aproximou pela lateral e sussurrou no ouvido dela enquanto passava um lenço por seus olhos.
–Não queria me enlouquecer? – Perguntou com uma voz que deslizava pelo ar, enquanto vendava a morena ainda empinada na cama – Conseguiu... – Voltou a se afastar.
Clara podia sentir o coração bater descompassado em seu peito, os olhos agora vendados fazia obrigatoriamente seus outros sentidos trabalharem mais. O perfume de Marina era embriagador, dominava o ambiente. Podia sentir até mesmo o cheiro de seus cabelos. Outro aroma era um pouco familiar.
Marina subia na cama por de trás dela, e o cheiro, o cheiro era... Clara tentava identificar... Era de vela, pensou.
Quando a ardência quente atingiu o meio de sua lombar, não teve tempo de sentir dor, o corpo amoleceu em um prazer descomunal que tirou de suas pernas todas as suas forças. Foi levantada novamente por Marina que encaixou com precisão a boca no sexo pulsante, por trás. Mais uma vez a sentiu a cera tocar a pele, junto com a língua que entrava sem barreiras em seu interior. Se não estivesse vendada, os olhos da morena poderiam ser vistos girar na própria órbita. Marina realmente estava a castigando, sua Marina, sua mulher, seu amor. Era o proibido, o ousado, o transcendente dominando todo aquele momento íntimo delas.
–Clarinha – A voz que veio doce contrastava com a figura que a corrigia, o movimento do corpo atrás de si indicava que ela estava apoiando a vela em uma das cabeceiras – Empina mais, pra mim – Pedia como uma menina que queria arrancar de alguém algo com seu charme.
–Assim? – A morena mal conseguia falar, aquela era Clara, uma Clara completamente dominada de prazer
–Uhum – Marina respondeu em um som que poderia ser até mesmo um gemido
Experimentou a sensação das mãos macias de Marina abrirem suas nádegas, a boca e a língua quente passeava pelo seu sexo com vontade, descia até o pequeno ponto de prazer subindo em seguida de forma certeira para o ponto rosado que tanto amava beijar. O movimento de ‘trás pra frente’ era repetido, tirando as forças restantes da morena que ainda com o rosto do colchão, despencou deitada na cama.
–Gozou? – Marina perguntou sem entender
–Não – Clara estava ofegante – Mas eu to mole amor, perdi as forças – A morena estava deitada de bruços, os olhos ainda vendados, a cabeça apoiada de lado. Marina a fitava em cima de seus joelhos, no meio das pernas dela, dali tinha uma visão privilegiada de todo o corpo dourado à sua frente.
Engatinhou na direção do corpo entregue, jogado no colchão, deitando com suavidade por cima dele. Abriu delicadamente as nádegas da amada encaixando com perfeição seu sexo entre elas. Iniciou um movimento que tirava de Clara qualquer contato com a realidade. Sentiu a mente viajar. Estava entregue, fácil de ser manipulada e a fotógrafa percebia com clareza isso.
–Me come Marina – Clara sussurrou com urgência
Percebeu a mão da amada escorregar por sua coxa procurando um espaço entre o corpo que a pressionava e o dela, que o recebia. Três dedos de uma mão ansiosa deslizaram para dentro de si. Se não estivesse completamente encharcada de prazer sentiria, de certo, o sexo rasgar.
Marina não tinha na mão que comia liberdade de movimentos, mas sentia que preenchia com totalidade o interior da mulher que venerava. A dança do ‘back and forth’ seria função de seu quadril, já que sem o também apoio da outra mão que alcançava o sexo de Clara pela frente, tinha o peso total de seu corpo depositado sobre a morena.
Não era delicada, não precisava ser. Clara quase que exigia essa dominação, essa entrega. Sentia em seu âmago um prazer descomunal com tudo que aquela situação proporcionava. Estavam suadas, ofegantes, enlouquecidas e necessitavam cada vez mais do toque da outra.
–Am...- A morena tentou falar alguma coisa – Amor, assim... eu – Soltou um gemido extremamente sensual – Eu vou gozar.
–Vai sim – Marina respondeu ofegante – Vai gozar pra mim – As palavras saiam oscilando diretamente no ouvido da namorada.
A fotógrafa sentiu o corpo abaixo de si entrar em colapso. O sexo ao redor de seus dedos apertou os músculos prendendo eles todos dentro da cavidade parando também o movimento. A mão direita ainda tocava o pequeno clitóris buscando com isso os últimos espasmos de um orgasmo longo. Fez menção de tirar os dedos, mas foi impedida pela mulher que ainda tinha forças para ser deliciosa
–Não amor – Sorriu – Fica assim um pouquinho, dentro de mim...
Marina então enterrou o máximo que conseguiu e fechou os olhos relaxando. Podia sentir cada pedaço do interior de Clara. Os dedos nadavam em um líquido melado e abundante, que ainda não haviam permitido sair. As paredes ainda se contraiam, era indescritível o prazer que aquele ato proporcionava.
Os apertos ficavam menos espaçados, mais fortes, podia jurar que Clara estava fazendo com uma única intenção, e se realmente a tivesse, acabara de conseguir.
Levantou do corpo da amada apoiando-se em seus joelhos. Daquela posição tinha a visão de uma Clara jogada, sem forças. As costas suadas, era a mistura do seu próprio com o dela, do contato que estavam tendo até então. Os dedos continuam ali, em seu interior, sendo apertados.
A mão direita da fotógrafa subiu alisando as costas douradas e molhadas, alcançou a nuca exposta e sem hesitar envolveu por trás o pescoço entregue.
A primeira estocada veio firme, funda, fazendo a morena gemer alto surpresa. A mão que estava no pescoço apertou afundando a lateral do rosto no colchão abaixo de si.
–Marina – Clara sussurrou sem forças – Eu acabei...
–E vai gozar de novo – As estocadas eram perversas e deliciosamente precisas – Putinha.
–Ahhhh – Gemia sem se preocupar, não podia acreditar no prazer que estava sentindo – Que delícia
–Isso, geme pra sua dona – Marina estava enlouquecida, fodia a namorada sem dó – Sua gostosa, tão molhada...
–Mais forte – A morena implorava – Mais rápido, por favor, mais rápido – Nunca haviam feito sexo naquela velocidade, mas naquele momento, era exatamente o que ambas desejavam. Era o que estava tirando as duas do sério. O barulho das investidas tomava conta do quarto, o líquido escorria pelo sexo que era comido.
–Assim? – Marina atendia o pedido sem pensar duas vezes, sentindo a base dos dedos bater em cada estocada na entrada do sexo de Clara — Sua gostosa – Soltou em forma de gemido
– Eu vou gozar... Marina... ahhhh, eu ...
–Goza pra mim – Sentia a boca salivar – Goza que eu to com sede, quero beber, vai putinha, goza.
Clara empinou a bunda e gemeu pela última vez naquele momento, um gemido logo, tremido, cansado. O gozo veio tomando conta de todos os seus sentidos.
Marina arrancou os dedos de dentro do sexo encharcado, estava desesperada, não mentira quando disse estar morrendo de sede, sede dela... Os sugou com vontade sentindo em sua boca o gosto que tanto desejava. Virou sem cerimônias o corpo da morena de barriga para cima, entregando as pernas soltas para a dona delas segurar. Completamente abertas.
O sexo evidente entregava o tamanho do prazer, que escorria claramente para fora de suas barreiras. A fotógrafa o abocanhou passando a língua em cada canto sujo pelo prazer da amada. Pegava o líquido para sim saboreando sem pressa, ela definitivamente era viciada naquele sabor, naquela textura.
Mamou até a última gota da parte externa enfiando a língua em busca de mais, pegou tudo o que tinha, deixando Clara limpa e praticamente seca, se não fosse pela saliva que ficava em troca.
Subiu desesperada em busca da boca que tanto amava, precisava beijá-la, senti-la.
–Eu te amo meu amor – Sussurrou nos lábios finos e macios da morena enquanto a desvendava– Eu te amo tanto.
–Eu amo você Marina – Sorriu com doçura e com os olhos – Pra sempre.
Pegaram no sono de exaustão, sem perceber. Dormiram com os corpos entrelaçados, mais envolvidos, impossível.
Clara acordou com o brilho dourado do sol que invadia sem pena o quarto. Precisou de algumas tentativas para os olhos finalmente se abrirem. Era um dia claro, aberto e extremamente iluminado. Buscou na cama o corpo de Marina, mas não encontrou. Naqueles lençóis existia somente o cheiro dela, o maravilhoso cheiro da mulher que tanto ama.
Sentou buscando no quarto algum sinal da fera em forma de amante que lhe pertencia, nada. Encontrou repousado na mesinha de cabeceira um bilhete, a letra desenhada de Marina dizia:
‘Tome um banho e desça para o café, estou te esperando...
M.’
Achou um pouco estranho a namorada não ter lhe acordado, mas resolveu seguir a recomendação, estava faminta.
Não demorou muito, mas era o suficiente para estar extremamente cheirosa. Colocou um vestido alvo e largo, que contrastava com a pele lindamente dourada. O cheiro de café pairava pelo ambiente silencioso.
Alcançou o pé da escada e avistou o filho, tão sorridente que o sorriso não cabia em seu rosto. A cena seria comum, já que tinha um menino alegre, se não fosse pelo arranjo com três imponentes lírios brancos que ele segurava nos braços. A câmera um pouco mais avançada do que a última que Marina havia lhe emprestado pendurada no pescoço.
Aproximou-se da mãe com passos ansiosos e entregou para uma Clara perplexa as flores que carregava.
–São pra você – Tinha um tom doce – Mas não são minhas – Ainda sorria depois de declarar com a voz rouca – Uma pose? – Completou levantando a câmera para fotografar a mãe com o mais novo presente.
Estendeu a pequena mão para a morena que ainda não havia conseguido dizer nada diante de tanta fofura.
–Pra onde vai me levar filho? E essas flores, são tão lindas – Suspirou curiosa
–Você vai ver – Sentia-se animado por participar daquilo dessa forma.
Desceram pelo jardim por um caminho que ambos conheciam, o cheiro das flores e do mato misturados ao calor do sol traziam uma sensação única de prazer.
Avistaram de longe o canto que já haviam compartilhado. A paisagem hoje estava ainda mais verde e a piscina escondida da casa refletia o céu e as árvores. Marina estava sentada no grande sofá com a vista virada para o abismo verde, que lhe dava uma linda visão do alto de Santa Teresa, estava distraída, contemplativa, os lábios se movimentavam em pequenos agradecimentos.
–Marina – O menino a chamou com a rouquidão herdada da mãe, observando a figura tão querida por ele virar – Aqui está – Sorriu orgulhoso por ter cumprido sua parte no plano que eles bolaram.
Clara estava maravilhosa, a pele bronzeada definitivamente contrastava com o vestido claro que repousava sobre sua pele, o sorriso e as flores cumpriam o mesmo papel.
–Meu amor – Ouviu a morena sussurra
–Clarinha – A fotógrafa se aproximou devagar enquanto falava
– Foi aqui, nesse lugar, que percebi pela primeira vez que nós – O dedo circulou apontando para os três presentes – Que nós poderíamos virar uma família – Sorriu com lágrima nos olhos – Mais que isso – Pausou para não chorar – Foi onde eu percebi que isso era exatamente o que eu mais desejava — Esticou a mão pedindo ao pequeno loirinho orgulhoso algo que ela sabia estar em seus cuidados e viu Ivan tirar do bolso uma delicada caixinha preta
– O meu amor por você não segue uma ordem, uma cronologia pré determinada ou estabelecida pelo mundo, pela sociedade. O meu amor por você é orgânico, é vida, é magia. Magia qual eu não acreditava existir, ou ao menos preferia não acreditar com medo de nunca encontrá-la.
Recebeu o objeto em suas mãos enquanto observava a expressão da namorada se abrir, os olhos carregavam uma complexa mistura de emoções que por um breve segundo a deixou assustada, mas não desistiria, não agora. Abriu com cuidado revelando duas lindas e refinadas alianças, tão refinadas quanto ela.
–Clara – A lágrima deu lugar ao mais belo de todos os sorrisos

–Você quer se casar comigo?
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