I want you...hungry.
4 In the heat of it all
Notas iniciais
Clara sentia o calor que tomava sua testa com a palma da mão, sacudiu lentamente a cabeça como quem tentasse espantar toda a sensação febril. Fitou Marina com os olhos preocupados — Quando tempo estou nessa posição? – Pensou se questionando.
A fotógrafa parecia atordoada, cena que por um motivo óbvio fez apertar seu coração. Em um único movimento, certeiro, Clara puxou Marina para si. As mãos encaixaram perfeitamente nos quadris, que logo se encaixavam em Clara.
Estavam coladas, de uma forma que nunca haviam estado. A morena nunca teve uma aproximação assim com alguém que não fosse seu marido, muito menos depois de casada, ainda mais com uma mulher, e piorando, ela estava desesperadamente excitada e gostava da sensação.
Naquele momento estava certa de que Cadu não a tinha mais, ela não o pertencia e apesar de ter consciência de que não seria nada fácil, sua vida mudava de rumo, bem ali.
–Clara – Sussurrou Marina como quem quisesse tirar a morena daqueles pensamentos que a consumiam. – O que eu faço? – Continuou com a voz baixa e terna.
–Marina, seus convidados, não acha melhor voltarmos pra mesa? Sério, Podem estar estranhando e... – São meus amigos – Interrompeu a fotógrafa calmamente enquanto se afastava um pouco – Estão em casa, se divertindo – Terminou por um breve momento.
–Mas podemos voltar sim, vamos? – Disse fitando Clara com aquele olhar rasgado, a cabeça levemente inclinada para o lado e esticando uma das mãos – Não quero que se sinta forçada a nada, vamos voltar Clarinha – Sentenciou de uma forma branda e sincera.
A mão de Marina ficou por uns segundos esperando sozinha no ar, então a morena a segurou, mas seu corpo não se moveu em direção alguma, continuou parada como quem não quisesse que aquele momento terminasse.
–Você não me força a nada, Marina– Respondeu com a voz carregada –Quer dizer, de certa forma sim – Se embolava nas próprias palavras – Eu me sinto...
Antes que pudesse terminar a fotógrafa concluiu – Atraída?
Os olhos de Clara transbordaram, sentiu um pequeno pesar, aquele que sentimos sempre que vemos uma história chegar ao fim, pensou na sua própria.
–Instigada, seduzida – Foi completando com a voz rouca e baixa, puxando levemente a mão da fotógrafa pra si –Curiosa, cativada, convencida de que você é um perigo, Marina.
– Sou? Por que, Clar...– Não teve tempo de terminar a pergunta, a boca da morena a calou e sentiu pela primeira vez ela passear por cima da sua.
As línguas das duas se encontraram com pressa, mas de uma forma suave, eram extremamente macias, quentes e deslizavam uma pela outra como se já se conhecessem. O beijo era doce, tão doce que Clara sentiu vontade de chorar, seu coração batia fora do peito, sentia uma felicidade alegre.
Ela segurou a lágrima, não podia ficar ainda mais sem ar, quando sentiu um leve gosto salgado se misturar ao beijo, era uma lágrima e não era sua.
Marina não podia acreditar, era quase como se sentisse fora do corpo, as pernas amoleceram e desejou deitar Clara ali mesmo, no tapete que ficava em frente à lareira. Era uma mulher que sempre tivera tudo o que desejou, mas naquele momento se deu conta do que sempre havia faltado.
Marina estava completamente encantada por aquela pessoa, lhe trazia uma paz inquieta. Sentiu como se fosse só o começo e não se assustou, ela estava exatamente onde deveria estar e quando o coração não aguentou mais, os olhos despejaram. Sentiu sua felicidade escorrer pelo rosto até encontrar o beijo, era o gosto de quem transbordou, tinha sabor de amor.
Clara a desejava, parecia uma droga, era ilícito e a entorpecia. Sentia as extremidades formigarem, como se logo o corpo não conseguiria responder mais a tanta excitação.
Marina tinha as duas mãos no rosto da dona de casa, segurava firme como se não quisesse e não pudesse deixá-la escapar. Beijava com desejo e não hesitou em sugar sensualmente a língua da morena quando a mesma, em um ato deliciosamente obsceno a ofereceu para a fotógrafa.
Estavam entregues ao desejo, ambas sabiam particularmente o quanto estavam molhadas, quanto seus sexos pulsavam e quanto se queriam. O coração de tão descompassado já batia no meio de suas pernas.
–Gostosa – Sussurrou a fotógrafa beijando o rosto da morena que derretia diante dela –Tão doce, tão macia –Continuou deslizando a mão por baixo da blusa branca e solta de Clara, as pontas dos dedos se chocaram com aquela pele quente e arrepiada.

–Marina, eu não sei o que está acontecendo, cara – Suspirou em forma de palavras — Você ta acabando comigo, assim eu não consigo te resistir.
–É isso o que você quer, Clarinha? – Questionou com medo da resposta –Quer resistir?
Clara não conseguiu responder, mordeu os lábios que se moldaram em uma risada safada e tímida. Fez que não com a cabeça – Me tira daqui, Marina.
Sem dizer mais uma palavra a fotógrafa pegou Clara pela mão e saiu por uma porta lateral que levava para o jardim da mansão, caminharam apressadas por fora da casa sem se preocuparem com quem havia ficado na sala, certamente Vanessa cuidaria dos convidados.
Marina guiou a morena por outra porta, estavam no estúdio principal, já do lado de dentro elas pararam e como num susto, Clara se viu encostada na superfície dura de uma parede. As pernas estavam levemente abertas, seu peso era segurado pelas costas e Marina sem pensar duas vezes se encaixou perfeitamente nela.
Usava um vestido camisetão solto e monocromático, o corte era reto e lembrava muito as peças de vestuário dos anos 90. Ela tinha um charme que fazia com que tudo que vestisse se tornasse conceitual, refletia poder e segurança.
Beijou Clara de forma apaixonada – Eu quero você – Continuou beijando – Quero você toda pra mim, assim, linda desse jeito. Marina parou por um momento e fitou a mulher que estava na sua frente, os lábios vermelhos do contato, a pele dourada ganhara um tom rosado nas bochechas, os olhos transmitiam calor. A cena era linda, a luz estava linda e luz era o que Clara tinha de sobra e luz encantava a fotógrafa tanto quanto aquela mulher que estava na sua frente.
Desvencilhou-se deixando Clara ofegante e curiosa, aproveitara pra recuperar um pouco de ar, andou alguns passos em direção a um grande baú que servia de mesa e ficava em um canto do estúdio. Pegou sua câmera e colocou seus óculos pretos, que davam para a mulher ainda mais personalidade.
Sem pedir e sem dizer nada se aproximou da dona de casa que a acompanhava com os olhos.
–Não faz isso, Marina. Por favor, vou ficar sem graça. –Disse em relutância quando descobriu suas intenções.
–Quando eu disse que queria você, estava falando sério, Clarinha – Começou em um tom irresistivelmente sensual – Mas antes preciso registrar esse seu olhar.
–Qual é o, como, como é o meu olhar? – A morena perguntou de forma rápida e atrapalhada.
–De tesão – Respondeu Marina séria fotografando.

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