I want you...hungry.

25 Give me something to believe


Notas iniciais
Para entrar no mood | https://www.youtube.com/watch?v=ijmGs8aDTxg

Clara sorriu largo, aquele mesmo sorriso iluminado e sincero que Marina descobriu no dia que se conheceram, a voz rouca, doce e firme ao mesmo tempo perguntou

–O que pode ser melhor que isso, Marina?

–Hum – Fez cara de quem estava procurando respostas que já estavam na ponta de sua língua – Levar o Ivan pra tomar um sorvete antes do almoço, cinemas perdidos no meio da tarde, viajar com vocês... – Pausou quando viu a morena a encarar os olhos.

Marina tinha razão, pensou Clara, algo que ia muito além do desejo carnal estava sendo construído entre elas.

Podiam sentir perfeitamente, tinham companheirismo, tinham preocupação, gestos simples que representavam muito, sensações únicas que juntas fundavam um amor nascido rápido, mas que não era prematuro.

Veio no momento certo, na hora que deveria. Expôs-se com bravura, enfrentando todos os medos e receios de ambas.

–Eu amo você – A morena disse baixinho perto do rosto alvo de olhar rasgado, que devorava o mundo, o seu mundo.

–Eu amo você, muito – Devolveu em sorriso sem sentir-se obrigada.

O abraço veio carinhoso, de cheiro característico, bom. Marina tinha uma essência marcante, seu perfume misturado a sua fragrância natural tinham força, ela inteira tinha força. Era uma mulher maravilhosamente única.

Foram interrompidas na segurança daquele aconchego por batidas urgentes da porta.

–Gente, mas quem será, essa hora... – Marina levantou puxando consigo o lençol branco que logo tratou de enrolar sem cuidado pelo seu corpo – Vanessa?

–Oi Marina – Disse firme tentando evitar com sua segurança uma bronca pré-estabelecida – Telefone pra você – Completou esticando uma das mãos para entregar o aparelho.

–Essa hora Vanessinha? – Sussurrou inconformada – Você realmente esta vindo me passar ligação à essa hora? – Agora estava brava.

–É importante, a curadora lá de Nova Iorque quer acertar detalhes consideráveis sobre a exposição que estamos montando e foi categórica ao dizer que teria que tratar com você – Agora falava tentando olhar por cima do ombro nu da mulher que sempre desejara

–Olha... Esqueceu lá embaixo – Esticou a outra mão entregando o pedaço de pano que havia sido arrancado e abandonado no grande estúdio – Continua cheirosa – Terminou em tom de brincadeira, com um grande fundo de verdade.

–Abusada – A castanha rosnou enquanto puxava com força sua calcinha que balançava no indicador da assistente ruiva, sem conseguir disfarçar a risada – Você não vale nada, Vanessa. Agora vai, vai que eu to ocupada. Obrigada – Disse ainda dando risada e a empurrando para fora do caminho da porta que fechava.

–Clara, só um momento, ta? Preciso Atender essa ligação – Disse em pé dando uma piscada para a morena que sorriu largo assentindo.

–Hello – Iniciou com uma segurança particular – Oh, hi dear, i’m fine and you? – As palavras deslizavam com facilidade, a morena não conseguiu identificar sotaque no que era dito.

–Yes of course. But I actually prefer the panels... yes – Um ar poderoso tomava conta de seus olhos, Marina sabia o que queria e definitivamente era uma mulher de negócios. Era comandante sem perder o charme, pelo contrário, a cena da fotógrafa enrolada em um lençol com os cabelos bagunçados sendo firme e líder fazia Clara salivar.

–I will be irreducible. Honestly? I do not care. If blowing the budget you can deduct from my income.

O olhar penetrante da morena tirou Marina do transe dos negócios, fitou a imagem da mulher nua que estava deitada sensualmente em sua cama, era perfeita, a pele uniformemente dourada, os cabelos sexualmente bagunçados, a pele lisa e bem cuidada.

Caminhou até o pé da cama tentando concentrar-se nos negócios, a americana listava nesse momentos pontos altos que gostaria de retratar no texto conceitual de apresentação.

–What do you think? – Questionou a voz no outro lado da linha

–Amazing – Respondeu a fotógrafa enquanto engolia a figurada jacente de Clara com os olhos.

Ainda prestava atenção no que era dito e ignorando por um momento a mulher que falava sem parar no outro lado da linha ordenando

–Abre – Os olhos agora desceram para as pernas até então delicadamente cruzadas, voltou de imediato para os castanhos que a observavam

–Sorry? – Perguntou Jenny Jaskey, curadora do famoso ‘The Artist’s Institute’, onde Marina teria em sua homenagem uma exposição fantástica de seu trabalho já apresentado no Brasil.

– Nothing Jane, sorry. Proceed – Disfarçou com um sorriso delicioso desenhando seus lábios.

Clara atendeu, prontamente, separou devagar as pernas firmes analisando nos traços delicados de Marina as reações que tal gesto causava.

A fotógrafa aproximou-se deslizando pelo colchão e desenhou nos lábios bem devagar, agora sem emitir ruídos, uma palavra

Mais

Alcançou o sexo desprotegido com cuidado respondendo mais uma pergunta de Jane.

– I prefer the first part, aham.

Notou com clareza que seu amor estava excitado, o prazer se evidenciava no líquido que acumulava em seu sexo.

Passou a língua de modo silencioso no ponto que tanto desejava, calma , sem pressa.

A morena contorceu o corpo em um gemido também silente sabia que deveria se comportar, aquele jogo estremecia todos os seus sentidos.

Os lábios desenhados a abocanharam e Marina respondia sua curados em sonoros assentimentos e negações.

–Ms. Meirelles, are you eating? We can close these details by emailI. I don't want to bother you – Pareceu preocupada em estar incomodando a fotógrafa.

–Actually I am. Buy email, ok – Respondeu educadamente com os lábios colados no sexo de Clara — Talk to you later, Jane. Thank you so much –Desligou fitando a mulher que não aguentava mais permanecer inaudível.

–Bandida – Sussurrou a morena sorrindo

Como resposta teve o sexo envolvido em um beijo entusiasmado acompanhado de um gemido satisfatório e doce que saiu da fotógrafa. Ela amava aquilo, amava tanto que seria incapaz de mensurar tal sentimento.

Clara observava os olhos alegres que a fitaram em seguida, respondia tamanho aprazimento no corpo, na pele que se arrepiava por inteira.

Aquele beijo era capaz de tirar seu mundo de órbita, aquele prazer erguia seu corpo involuntariamente em espasmos intensos e reais. Um beijo apaixonado foi capaz de lhe fazer atingir o mais alto ponto do prazer.

Na verdade não era só o beijo, Marina já estava lhe ganhando no telefonema, estava a atacando, a envolvendo, a rodeando.

Seu sexo já pulsava no olhar, seu corpo já se comprimia na aproximação. Sim, o beijo, o beijo foi o ponto final de uma dança extremamente lasciva e bem calculada. Como era apaixonada por aquela mulher, pensou.

A fotógrafa sorriu, ela continuaria ali por incontáveis horas, mas ver o deleite sincero e exausto de sua mulher lhe trouxe uma imensa satisfação.

Subiu beijando cada centímetro do corpo arrepiado trazendo consigo o lençol, as cobrindo.

Estava mais fresco agora e o gozo fez Clara ficar ainda mais sensível.

A beijou com a delicadeza de uma dama, passando um pouco do gosto que guardava em seus lábios. Abraçaram-se e riram juntas quando constataram quase por telepatia que unidas formavam um casal com um altíssimo teor sexual.

–Quando vamos parar, hein? – Perguntou a morena com a voz deliciosamente cansada e alegre.

Marina a olhou depositando um carinho no colo dourado e levemente suado. Não respondeu, não tinha essa resposta e não precisava ter, não queriam parar. Não queriam que acabasse. Por elas se desejariam assim até seus corpos não responderem mais.

–Clarinha – Chamou baixo a fotógrafa

–Oi meu amor – Respondeu com um carinho em seu cabelo.

–Quero conhecer o Ivan... – Pausou virando-se para ela – Quero muito.

–E eu quero que vocês se conheçam, interajam... Sabe, quero que sua entrada na vida dele aconteça de forma natural. Quero que ele veja com o tempo o quanto você me faz feliz, me faz sorrir e entenda sem grandes alardes o papel que tem na minha vida. Mas... – Falou cuidadosa

–Mas eu acho que temos que ter muita calma.

–Claro, Claro! – Concordou Marina – É uma situação que deve ser conduzida com um cuidado e um carinho muito especial. Eu concordo, perfeitamente.

–Uhum – Suspirou a assistente – Que tal começarmos então por um dia na piscina, o bichinho adoro nadar.

–Perfeito! – Exclamou Marina animada – Assim ele conhece o novo trabalho da mãe e finalmente seremos apresentados, perfeito meu amor. Perfeito – Tinha pureza em sua alegria.

–Vou colocar o despertador, amanhã quero passar o dia com ele, meu amorinho deve estar sentindo minha falta. Foi uma semana tão intensa, eu estava tão fora de órbita e não querendo atingi-lo com toda essa confusão que acabei me ausentando mais do que gostaria. Tudo bem pra você?

–Tudo bem meu amor – Sorriu compreensiva – Faz assim, iniciamos semana que vem, usa esses dias, o final de semana para começar a recolocar sua vida no eixo. Estaremos aqui te esperando com a cabeça fria e seus caminhos traçados. Tá certo?

–Certíssimo, senhorita Meirelles – Respondeu com um tom brincalhão enquanto agarrava Marina em um abraço apertado.

–Seu passaporte está em dia? – Perguntou a fotógrafa mudando por completo o assunto

–Si...Está... – Começou gaguejando – Tiramos tudo pra levar o Ivan pra Disney, mas com os gastos do bistrô acabamos adiando a viagem, por quê? – Estava curiosa.

–Nova Iorque – O rosto de Marina iluminou ao pronunciar aquele nome, como amava Nova Iorque – Estamos organizando uma exposição das minhas fotos e vamos todas aqui do estúdio, o que inclui agora com muito gosto... – Pausou propositalmente – Você.

–Assim? – Perguntou Clara com os olhos arregalados

–Assim, vai ser bem rápido e... – Imaginou – Inesquecível.

Notas finais
Planos, muitos planos!