Notas iniciais
ÊEEEEEEEEEEEEEEEEEE aqui estamos nós, vindo rápido, isso pq a inspiração bateu rápido. Olha só, último capítulo agora..... Não tenho muito o que falar. Capítulo revisado, pelo menos um ne.... aalslawsdj Espero que gostem !!

Eu tomo consciência lentamente, e a primeira coisa que meus olhos encaram, assim que param de ficar embaçados, é o sol fraco através da janela grande.

O ambiente está frio, nos indicando uma mudança de clima que não tardará, e sei que esse sol não adiantará de nada para o nosso dia de hoje, muito menos para o dia amanhã.

Continuo ali, escutando minha respiração que faz certo barulho, ao que o local está silencioso. E me concentrar apenas naquilo, me faz pensar ser interessante o som.

Porém, eu logo lembro do que ocorrerá daqui a alguns dias. Passa em meu cérebro, a mesmice de todas as manhãs: como será o dia; meu pai; a vila; se tenho capacidade de ser um chefe, já que meu pai me mandou algumas indiretas sobre o assunto, e sei que não demorará para o cargo vir para mim; Astrid; Melequento; Cabeça-Quente; Perna de Peixe; minhas responsabilidades; eu mesmo; ele; a saudade; tomar banho; levantar; as expectativas; o meu caráter para ser um bom líder; ansiedade sobre os assuntos que terei de tratar... enfim, minha mente se enche no pouco tempo em que estou acordado.

Mas logo, não querendo pensar mais em todas essas coisas, não hesito em já estar sentado na cama, e a rapidez com que fiz aquela ação, me deu uma leve tontura.

Passei as mãos brevemente por meu cabelo, que já se encontrava grande e logo estava levantando do colchão, sentindo falta do cobertor em meu corpo, já que há choque térmico entre minha pele e o ambiente.

Entrei no banheiro, me preparando mentalmente para o banho longo.

[...]

Eu andava encarando o suporte de ferro.

Meus pensamentos não paravam, exatamente como os últimos dias, ou anos. Eu apenas não conseguia afastar minhas preocupações — ou pelo menos, o que eu julgava serem preocupações — e acho que será um pouco difícil fazer isso por enquanto.

Parecia andar sem rumo, mas meu automático já sabe aonde quero ir. Então, não ligo muito para espiar aonde estou. Já fiz aquele caminho tantas vezes... quer dizer, essas vezes não superam as vezes que fui para o lago; mas sei que a quantidade é considerável.

Depois do que aconteceu, eu não ia tanto ao lago. O lugar ainda era o dono de muitas memórias que vão ficar para todo o sempre, ou até depois disso. Porém, não via tanta necessidade de estar lá regularmente. Na verdade, eu não fico mais em lugares que julgo serem meus; isso me faz lembrar aquela época, e digamos que não quero reviver as recordações, que mesmo sendo alegres, me farão chorar e ficar triste.

Eu só recorria ao lago, ou à praia quando precisava pensar.

É horrível a pessoa que me tornei depois daquela guerra. Não é como se eu tivesse mudado drasticamente, porém, acabei por abandonar hábitos que sei que não posso viver sem. Mas, aquilo eram cicatrizes; consequências.

E, droga! Eu não queria tê-los. Eu queria ser a mesma pessoa de antes, mas sei que para isso, os que não pertencem mais à minha vida, teriam que voltar. Em sua maioria, eles são os culpados por quem eu sou hoje. Culpados por eu não frequentar mais o lago, por eu não desenhar mais, por minha mente estar sempre ocupada, não querendo ser preenchida por memórias...

De qualquer forma, creio estar me recuperando aos poucos. Esses anos me permitiram isso. Já não choro como antes. Sei que estou melhor.

Prova disso, são os seus olhos azuis que minha mão fez, quando precisava relaxar e esvaziar os pensamentos. Então, eu apenas me vi com o antigo caderno e um lápis.

À partir desse momento, eu sabia que o poderia voltar ao meu normal. Não totalmente. Jamais serei feliz por completo; sei disso. A saudade não permitirá. As lembranças também não.

Talvez eu aprenda a deixar tudo para o passado, já que é aí que essas memórias precisam estar. É... talvez.

Eu sorrio minimamente, ao que meu pé direito entra em contato com a primeira quantidade de areia clara. Então, me permito levantar meus olhos, e suspiro ao encarar a imensidão azul, e as ondas que batem com algumas rochas.

Eu tiro a bota do meu pé direito, e logo ando descalço por ali.

O vento do inverno próximo passa pelo ar, e está gélido, me fazendo ficar com os pelos eriçados. Mas eu só me permito desfrutar mais da sensação de liberdade.

Caminho mais alguns minutos, quando estou de uma distância considerável da aldeia. Então, sento na areia branca; ou quase branca.

Eu olho para o sol, querendo que ele esquente mais o ambiente, mas sei que com o inverno à porta, isso não acontecerá. Então, desvio a atenção para o mar.

Há ondas agitadas, mas há calmaria envolvido. É confuso.

Eu só fico na mesma posição por um tempo incerto, mas logo enterro o rosto em meus joelhos dobrados, colados ao corpo, e fecho os olhos, me concentrando em ouvir o barulho do mar. É relaxante, por isso, assim como o lago, ali é um lugar perfeito.

–Sabia que estaria aqui!- escuto sua voz, sobressaindo no ambiente barulhento de água batendo uma na outra, ou em rochas.

Eu sorrio de lado, sem me mexer, antes de responder.

–Você não se cansa de me perseguir?- pergunto, usando o mesmo tom de sua voz.

–Convencido.- agora, ela está mais perto.

Eu solto um risinho, levantando a cabeça, e olhando logo para o lado de onde eles vêm. Observo primeiro a garota.

Seu cabelo loiro está enorme, e um pouco bagunçado por causa do vento. Ela usa uma saia preta simples, e uma blusa lilás. Suas roupas estão longe das que ela veste quando está em um campo de treinamento. Isso me leva a pensar que talvez Astrid não possui atividades relacionadas ao assunto hoje, por isso o uso de roupas mais leves. Seus olhos azuis estão mais escuros essa manhã, chamando atenção em seu rosto. Ela possui um sorriso grande, enquanto caminha em minha direção.

Depois, olho para Melequento. Ele não usa seu elmo, e seu cabelo marrom escuro se agita rapidamente, ao que o vento não o deixa ficar quieto. Usa uma calça moletom preta, e uma camisa branca. Isso, junto ao seu porte físico definido e sua altura significativa, o faz ficar diferente. Quase normal, porém, estou falando de Melequento! Ele não é normal, apesar se ter amadurecido durante esses anos.

Por último, Perna de Peixe. Ele sim usa suas roupas de campo de treinamento. Há uma armadura de ferro em seu peito. Seu elmo está em uma de suas mãos, e o mesmo parece distraído com o mar.

–Hey.- diz, assim que se encontra ao meu lado.

–Olá.- eu sorrio largo, olhando para os três.

–Eu vou molhar um pouco os pés, tudo bem?- o moreno diz, ao que se encontra um pouco mais atrás da loira. Ele não espera por uma resposta, apenas sai, depois de dar um beijo casto nos lábios da garota.

Perna de Peixe joga seu elmo no chão, se juntando à Melequento, e logo os dois caminham lado a lado, indo em direção ao mar.

Observo até o momento quando eles tiram seus sapatos, não demorando mais para olhar para a loira.

–Senta logo.- eu digo.

Ela roda os olhos, resmungando algo sobre eu parar de ser mandão, e que já ia o fazer.

Ela estende as pernas à frente, chegando mais perto de mim. Observa com um sorriso pequeno no rosto os dois ao longe, por alguns segundos. Depois, olha para mim, ao que disse:

–Thor! Você está muito apaixonada!

Ela suspirou forte, desviando o olhar, o que me fez sorrir, tentando o contato visual. Depois, deu um tapa fraco em minha perna esquerda, me fazendo soltar um risinho.

Não tardou a voltar a atenção a Melequento.

–Então?- perguntou após um tempo.

–Então...- respondi, indicando não entender sua fala.

Ela me encarou, ficando de frente para mim.

–Por que está aqui desta vez?- diz, chegando mais perto, e apoiando seu cotovelo em meu joelho.

Eu desviei meu olhar do dela, e sabia que assim como eu há minutos, a loira estava procurando o contato visual.

–Queria pensar.- olhei para seu rosto.- Você sabe... Já está chegando a hora de eu me tornar chefe. Eu estou receoso...

Ela abriu um sorriso largo.

–É verdade! Olha só... vai se tornar importante.- diz irônica, como se tivesse acabado de lembrar. Porém, ela sabia que aquilo me trazia certa preocupação de um tempo para cá.- E você está é com medo.

Rodei os olhos, encarando o mar por poucos segundos.

–Sabe, amo a ajuda que você sempre me dá.- digo sarcástico.- Seus conselhos são tão ótimos!

Ela soltou uma gargalhada, me fazendo balançar a cabeça em negação.

–Ei, não precisa ficar assim.- disse, mais séria.- Eu vou estar aqui, e você sempre poderá contar comigo para rir de sua cara no final do dia.- disse divertida.- Mas sei que vai se sair bem, e que não vou precisar rir de você. Ao contrário, Hiccup.

Eu sorri, agradecendo num sussurro.

Depois, apenas segurei em sua mão, fazendo questão de apertar fraco, demonstrando o quanto gostei de suas palavras. E sabia que ela tinha entendido esse ato.

Então, olhei para o mar, me perdendo um pouco em pensamentos, que não sabia definir.

–Mas lógico que não é só isso.- a loira disse, depois de um tempo.

Mordi o lábio inferior, antes de respondê-la.

–Não é nada. É só... saudade.

–Isso é normal. Você o amava.- ela falou, de forma compreensiva.- Mas confia em mim, vai melhorar. Dê um tempo. Ele está aqui... bem aqui.

Tocou o meu peito, indicando meu coração.

Eu sorri, concordando.

Então, focamos nossas atenções para a paisagem à nossa frente. Depois de um tempo, Melequento e Perna de Peixe se juntaram ao nosso lado, e passamos o dia todo naquele lugar rindo sobre coisas sem importância. Porém, serviu para me distrair dos pensamentos sobre as novas responsabilidades que eu sabia que viriam.

[...]

Eu apenas encarava o teto escuro em cima de mim, não me importando se minha posição me faria ficar dolorido mais tarde. Não ligava para isso, quando em minha cabeça, eu estava travando uma batalha: levantar e fazer o que estou com vontade de fazer, ou continuar ali, sentindo o vento vindo da janela.

Algumas gotas frias caiam de meu cabelo, fazendo caminho em meu pescoço, me causando arrepios que me levavam a fechar os olhos e suspirar.

O clima já estava frio, e eu sabia que nevaria amanhã. De qualquer forma, não me importei em colocar alguma blusa ou camisa, ficando somente com uma bermuda larga.

Mas, depois de mais um tempo enrolando, acabei por bufar, levantando da cama logo depois.

Um incômodo foi sentido em minha perna esquerda, perto do suporte, me lembrando que ficar na posição que eu estava, não era uma boa.

Depois que passou, me certifiquei de ir fechar a janela, não querendo que o vento me atrapalhasse naquele momento, e andei até a mesa, ficando parado do lado da cadeira. Encarava o caderno de capa desgastada.

Eu precisava relaxar, já que meu pai finalmente anunciou querer fazer minha cerimônia amanhã. Amanhã eu me tornava chefe. Muito animador para quem já estava nervoso.

Então, eu precisava daquilo. Precisava me distrair.

Eu encaro mais um pouco o objeto em cima da mesa, e decido não demorar mais para me sentar. No começo, encosto meu cotovelo direito perto do caderno, me preparando para abrir o objeto. Eu fecho os olhos, coçando minha cabeça, antes de olhar para a sua capa novamente. Então, suspiro, abrindo de uma vez por todas.

O primeiro desenho é de Jack. O segundo e terceiro também. E eu observo todos os que têm ali, sendo difícil passar a próxima página.

Quando senti que já ia chorar, suspirei aliviado, ao que finalmente cheguei à uma página vazia.

Eu fechei os olhos fortemente, com a imagem do que eu iria desenhar em minha mente. Então sorri, assim que me concentrei mais, pegando o lápis logo depois.

Eu já ia começar, quando o barulho ao meu lado esquerdo me fez levar um susto tão grande, que caí no chão. Eu ainda estava atordoado, e só levantei a cabeça, ao escutar seu risinho.

Então, direcionei minha atenção até onde eu presumo ter vindo o barulho e seu riso.

É aí que vejo. As "portas" da janela estão lá; abertas como se eu não tivesse um dia fechado.

Vem um vento forte daquela região, e quando foco para o meio do local em si, o que encontro me faz ir para trás, empurrando o chão em que estou de modo automático. Sinto meu coração batendo forte.

O que contemplo, é inexplicável. Seus olhos correm curiosos pelo quarto; os mesmos são escuros, pelo menos, da distância aonde estou. Seu cabelo é negro, um negro incrível. Realmente nunca vi cabelo tão escuro. Sua pele é extremamente branca, e seu rosto possui algumas sardas no nariz. Usa um casaco de moletom preto, misturado com cinza. Sua calça é marrom escuro, rasgada quando chega à suas pernas, o que nos dá impressão de não ser exatamente uma calça. Seus pés, descalços. Em uma de suas mãos, há uma espécie de espada, e do jeito que manuseia, parece leve, mas fatal. Seu material é brilhante, de uma cor indescritível.

Só paro para voltar a respirar, quando seus olhos intimidadores vêm sobre mim, me fazendo tentar ir mais para trás, porém, a parede me impede.

–Como chegou aí?!- pergunto, de uma forma que vi depois ser desesperada e um tanto surpresa.

Ele arqueou as sobrancelhas negras, ao que encostou as costas em um dos lados do batente, olhando pela janela.

Assim que a figura parou de preencher todo o espaço, visualizei a enorme bola branca do lado de fora, bem em frente à janela.

–Não posso imaginar o porquê o Homem da Lua me mandou procurar por essa janela...- disse, ao que ainda olhava para fora. Depois, se virou para mim novamente, dando um sorriso um tanto... assustador.- Mas, olá.

Notas finais
Kissus ♡