Notas iniciais
Hey... Minha memória mais linda e fofa e aposto que vocês também vão achar. Comentem falando se acharam o mesmo que eu. Espero que gostem !!

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—Ei, você aí!- sorri ao reconhecer sua voz, que agora imitava a minha de um jeito que eu não achei muito parecido. Parei de desenhar no chão e olhei para onde a sua voz vinha.

—Como ousa colocar seus pés no meu lugar?!- ele estava me imitando. Sorri e decidi entrar na brincadeira.

—É que eu não sabia que ele tinha dono. E sabe como eu vim parar aqui no seu lugar? Eu vim flutuando.- dei risada depois de falar igual a ele.

Ele me acompanhou e riu mais alto. Como ele estava um pouco distante, se aproximou até ficar em pé na minha frente.

—O quê está fazendo aqui Hic?- me perguntou sorrindo.

—Eu? Ah, eu estou sentando. E você? O quê está fazendo aqui?- perguntei ainda o imitando.

—Estou em pé. E pode parar de agir como eu.- falou autoritário.

—Por quê? Você tem que aprender como é chato. Tem que aprender a se irritar como eu me irrito quando você age assim comigo.- falei.

—Mas você não sabe fazer direito, e francamente, ninguém sabe me imitar. Então pode ir desistindo.- se sentou do meu lado.- Agora vira o chato de sempre e me responde o porque de você está aqui uma hora dessas.

—Eu apenas não queria ficar lá em casa, e estava sem sono. Decidi vir para cá. E você?- respondi.

—Eu também não estava conseguindo dormir.- respondeu.

Paramos de falar e eu me concentrei de novo no desenho que estava fazendo antes de Jack chegar. O grisalho olhou para o chão, onde eu estava desenhando, e deu um sorriso de lado; me olhou logo depois. Não entendi o porquê daquele sorriso, mas foi só eu olhar para o quê minhas mãos haviam feito que logo corei e abaixei meu rosto para não encará-lo. No chão marrom, estava o rosto de Jack, e eu não sei quando decidi fazer a sua caricatura ali, naquele lugar, apenas movi as minhas mãos e lá estava. Não consegui olhar para ele de imediato, mas aos poucos levantei meu olhar.

—Parece que você não consegue me esquecer, não é?- perguntou irônico e quebrando o silêncio. Rodei os olhos e não respondi. Na verdade, eu não sabia o quê responder.

—Ei, você não está com frio?- perguntou tocando a minha pele.

É mesmo. Eu estava tão entretido com o desenho antes, que nem percebi o quanto eu estava frio. Logo coloquei meus braços ao redor de mim mesmo deixando de lado o galho que eu usava para desenhar. Jack rui por um breve momento, e tirou o casaco que ele estava usando.

—Aqui.- colocou em volta do meu corpo.

—Mas e você?- perguntei achando estranho ele me dar o casaco e ficar no frio.

—Não se preocupa não.- se aproximou e deu um beijo no canto de minha boca, logo depois deitou no chão.

Fiquei parado por um tempo, e depois decidi deitar ao seu lado um pouco próximo. Logo senti suas mãos me envolvendo e me trazendo para perto de si, e não sei porque, eu não protestei, ao invés disso, eu gostei de me sentir protegido por ele. Olhei para o céu. Estrelas. Por que mesmo eu deixei de observá-las? Eu sabia todas as constelações, e agora não sei de nada. O quê está acontecendo comigo? Acho que estou passando muito tempo com Jack. Não que isso seja ruim.

Jack... o único que eu fiz uma amizade, o único que eu sinto que gosta realmente de passar tempo ao meu lado. Pensei na nossa relação de amizade, e me veio em mente uma ideia assustadora, porém que logicamente poderia acontecer: será que um dia eu deixarei de ser amigo de Jack?

—Ahn... Jack?- chamei baixinho e olhei pra cima para poder encarar seu rosto.

—Fala.- respondeu no mesmo tom que eu.

—Promete que nunca vamos brigar?- perguntei hesitante. Me senti um ridículo falando aquilo, mas realmente eu estava com medo, muito medo de perder a minha amizade com ele, ou até perder ele. Ouvi seu riso baixinho.

—Eu jamais seria capaz de aumentar meu tom de voz com você, muito menos brigar com você.- falou com um sorriso carinhoso.

—Então promete.- falei. Ele levantou um pouco o corpo e levou sua mão até meu rosto tirando a mecha de cabelo que teimava em ficar tampando meu olho.

—Eu prometo Hiccup.- falou me olhando intensamente.- E você? Promete?

—Eu prometo Jack Frost.- confirmei entrelaçando minha mão na dele com o intuito de esquentar a minha, só que não adiantou muito já que a dele estava muito mais fria.

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Andava olhando para os meus pés, sem me importar que uma hora eu pudesse cair ou qualquer outra coisa.

Quando as pessoas falavam que era horrível brigar com um amigo, eu nunca saberia que seria desse jeito, pois nunca tive um amigo de verdade. Eu me sentia como se eu fosse ficar sozinho novamente. Se eu soubesse que iria doer assim, não teria ido até aquele lago pra começo de conversa, se eu soubesse que seria assim, eu iria expulsá-lo do meu lago quando tive oportunidade e nem ficaria a tarde toda conversando com ele quando nos conhecemos. Em minha cabeça eu só ouvia as palavras que ele falou pra mim antes de fechar a porta em minha cara. Será que era verdade? Será que ninguém realmente iria querer ficar comigo? Por que aquelas palavras tinham tanto efeito sobre mim?

Levantei a cabeça para ter certeza que já estava na vila. Fui para a minha casa ignorando Bocão, o brutamonte que nos auxilia nos treinos e amigo de meu pai, que estava me chamando. Depois eu o procuro para saber o quê que ele quer.

Estava deitado na minha cama de braços abertos, encarando o teto e sentindo o vento gelado que entrava pela janela. Fechei meus olhos por um momento lembrando da última vez que estive lá fora, logo sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto fazendo um pouco de cócegas. Limpei-a com certa raiva.

—Eu não quero chorar!- gritei me levantando num pulo da minha cama, para logo depois, sentar nela novamente.

Enterrei meu rosto em minhas mãos e assim fiquei. Senti uma mão em meu ombro e levantei minha cabeça aos poucos. Dei de cara com Bocão me olhando apreensivo; nem escutei a porta abrir. E olha que a ela faz um baita barulho! Será que ele é um ninja?

—Você é um ninja?- perguntei o olhando de cima a baixo.

—O quê?- respondeu com cara de confuso.

—Nada não.- falei e me levantei.- Aconteceu alguma coisa?

—Não.

—Então por quê que você quer falar comigo?- geralmente ele só vinha falar comigo quando o assunto era meu pai, a vila ou sobre o treino.

—Por que você está tão estranho?- perguntou ignorando a minha pergunta.

—Eu não estou estranho.- afirmei. Em tese, eu falaria pra ele, mas não somos mais tão próximos assim, não somos mais tão amigos como éramos antes, então não vejo motivo para falar algo que eu nem mesmo sei.

—Então tá.- falou e se sentou na beirada da minha cama. Pensei que ele iria insistir mais, mas ele não fez isso.

—Eu fiquei sabendo que você fica beijando certa loira por aí.- falou e deu um sorriso de lado.

Rodei os olhos. Como é que chegou nele tão rápido? Ah é! Eu a beijei em público. Agora tá explicado. Fiz um gesto pra que ele prosseguisse, pois sei que ele não viria até meu quarto só para comentar sobre meu beijo com Astrid.

—Esse assunto chegou até seu pai, e ele ficou muito feliz, pois ele sempre quis que você arranjasse uma garota.- duvido que era só uma garota. Meu pai tinha tipo uma obsessão por Astrid, pois ele acha que ela é o tipo de mulher perfeita para mim.- E ele me pediu para vir falar com você sobre esse assunto. Stoico quer que você comece a namorar com Astrid.

Sorri com a ideia. Mas lembrei de que ela poderia não aceitar bem.

—E ela sabe disso?- perguntei andando pelo quarto.

—Como assim? Vocês já não se beijaram? Não vejo o porque de ela não querer namorar com você.- falou.

É, até que poderia ser verdade. Ela que me beijou, então não vai haver problema em namorar comigo. Finalmente eu poderia namorar com a loira.

—E outra coisa, por que você não está indo para os treinos?- ele perguntou e meu sorriso desapareceu um pouco. Eu não estava indo mais porque estava indo ao lago ao invés de ir ao treino.

—Nem eu sei.- menti.- Mas amanhã eu estarei lá.

—Bom, porque aí você pode se encontrar mais com sua namorada.- sorriu e se levantou já saindo do quarto.

[...]

Olhava pela janela e sentia o vento gelado entrar pela mesma. Baixei meu olhar lentamente até que ele estivesse em minhas mãos brancas. Droga! Eu não devia ter aumentado meu tom de voz com Hiccup, eu havia prometido que eu não faria isso e foi tão fácil quebrar a promessa, como foi para fazê-la. Eu não devia nem ter mencionado sobre o beijo, era problema dele, e se ele quisesse me contar, contava. Me sentia um idiota. Que droga! Por que eu tinha que me apaixonar logo por ele? Hiccup jamais sentiria o mesmo por mim, inda mais agora que eu falei aquilo tudo sobre ele. Ele deixou bem claro que eu era só o seu amigo, e isso quer dizer que ele nunca vai me olhar de outra forma. Meu coração doía muito, e eu sei que tinha que parar de pensar nele senão só ia piorar, e eu não queria piorar a ponto de chorar.

Desci as escadas procurando por minha mãe.

—Jack?- chamou ela da cozinha. Graças a Odin ela não havia escutado nada sobre a discussão que tive com Hiccup.

—Eu já fui falar com os vikings da aldeia e você pode começar amanhã.- falou limpando a mesa.

Lembrei que tinha pedido para treinar. Eu ia fazer uma surpresa para Hiccup, pois ele sempre reclamava que ficava sozinho no treino, então eu decidi que iria entrar pra ele não ficar mais sozinho. Mas agora eu não queria ir tanto assim.

—Mãe, eu não quero ir mais não.- falei e me aproximei dela.

—Sinto muito, mas você vai sim. Não sabe o trabalho que deu para te colocar.- falou me olhando e parou de limpar a mesa.

—Mas...- comecei manhoso.

—Mas nada Jack. Vai e fique pelo menos uns meses, se não gostar, eu te tiro.- falou e bagunçou meu cabelo.

Bufei. Droga!

Notas finais
Não posto se não tiver comentários!! Beijo e té mais ♥