I want to be much more than your friend.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
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—Você vai treinar e pronto!!!- foi à única coisa que ouvi gritar antes de bater a porta em sua cara.
Mais uma briga entre eu e meu pai, e já estava me acostumando com esse tipo de coisa em meu dia a dia. Joguei-me na cama de braços abertos e com os olhos fechados, levemente marejados. Tratei de limpar a lágrima antes mesmo de ela pensar em sair, não ia chorar só porque briguei com ele. O meu pai queria que eu começasse a treinar, mas não sei pra quê já que nunca vou me tornar grande como os demais da aldeia, porém como ele disse, eu tenho que treinar e pronto. Tinha que sair dali, não conseguia ficar lá parado, ainda mais depois de uma discussão dessas. Foi aí que lembrei que tinha o lago para a minha salvação, e lógico que eu iria até lá; vai que eu me também encontrava com Jack... Nunca mais tinha ido até o lago depois que nos conhecemos, e eu estava precisando desabafar.
Abri a porta espiando por uma fresta o corredor, porque queria ter certeza que meu pai já não estava lá, pois pelo que conheço dele, aposto que ia jogar na minha cara novamente que eu iria treinar e pronto. Quando vi que não estava lá, terminei de abrir a porta e corri pelo corredor até chegar à escada, descendo a mesma com certa velocidade. Vi-me livre da casa e olhei ao redor pra ver se via o homem que mora comigo. Andei diretamente para o caminho que dá ao meu lago, que não é mais tanto meu assim. Andei e andei, acho que nunca percebi que o lago era tão longe assim, mas só devo ter pensado isso por estar muito distraído. Sorri ao ver o grisalho sentado com as costas numa rocha. Fui até ele com certo cuidado. Quando estava muito perto, gritei e o sacudi dando-lhe um belo de um susto Ele gritou mais alto que eu e se levantou tão rápido que até parece que flutuou. Ri muito. Ele estava com uma cara muito engraçada e sua respiração fazia parecer que tinha corrido uma maratona.
—Você se assustou?- perguntei irônico, com lágrimas nos olhos de tanto rir. Ele fez uma cara indiferente.
—Mas é claro que não. – falou estufando o peito e olhando para o lado. Que metido!
—Hmrrum, sei Jack. – falei e sentei na rocha que antes ele estava encostado.
—Ei, o quê está fazendo aqui?- ele se sentou no chão quando a sua respiração já estava normal.
—Aqui é o meu lago lembra?- perguntei olhando para o meu lago.
—Na verdade não. Eu só lembro que o lago também é meu.- respondeu mostrando seu lindo sorriso, que de certa forma me distraía de nossa conversa.
—Tudo bem, mas vai ter que ter uma regra, uma, porquê não vejo necessidade de mais outras.- falei.
—E qual seria essa regra?- perguntou arqueando uma sobrancelha.
—Nenhum de nós dois deverá trazer nenhuma pessoa se quer aqui, porque aqui é um lugar muito importante, e quer dizer que não é para qualquer um.- falei autoritário.
—Concordo.- disse, assentindo.
Dei minha mão para ele e o garoto a apertou, selando nosso acordo. Sua mão era um tanto fria, o quê me causou um breve arrepio. O soltei. Um silêncio pairou no ambiente e eu lembrei de que tinha que ir para o treino de vikings, mas não queria ir sozinho e encarar os outros que me odeiam tanto.
—Jack, vamos comigo no treino?- perguntei com um pouco de manha.
—Que treino?- perguntou confuso.
—Um treino aí, não importa. Vai, vem comigo?- respondi.
Olhou para o lago parecendo pensar. Demorou um pouco para me encarar novamente, sua expressão era de tédio. Levantou os ombros e abaixou antes de me responder:
—Eu não tenho nada para fazer mesmo.- respondeu minha primeira pergunta e se levantou logo depois.
—Ótimo.- fiz o mesmo que ele e me pus a caminhar para o caminho de casa, só que desta vez eu iria para treino.
Ele andou do meu lado olhando para o chão. Eu e ele andávamos lentamente e não protestei, porque não queria ir mesmo. Nossa caminhada até agora estava silenciosa, mas era um silêncio bom.
—Por que você quer treinar?- perguntou olhando para frente.
—Não sou eu que quero.- respondi lembrando da discussão que tive mais cedo com meu pai.
—Então por que estamos indo?- me olhou depois da pergunta.
—Porque meu pai disse que eu tenho que ir e pronto e que é o melhor para mim.- falei.
Ele não disse nada. Acho que não tinha como me ajudar, até porque, esse é um assunto que só eu e meu pai podemos resolver, e não é como se Jack não se importasse. Dava para ver que ele se importava, mas não tinha palavras para me confortar. Toquei seu braço e ele me olhou. Dei-lhe um sorriso para demonstrar que tudo bem, e que ele não precisava se preocupar. Ele me devolveu com um de seus lindos sorrisos.
[...]
Chegamos ao local onde era o tal do treino. Ficamos parados um tempo até que chegasse mais vikings e o professor. Tinha uma menina, cabelo loiro de tranças que estava sempre aos tapas com um garoto de cabelo grande e loiro. Um menino tímido que não parava de falar sozinho, e um garoto de cabelos castanhos, com corpo grande que não parava de paparicar uma garota de olhos azuis e cabelos loiros. Quando eles viram Hiccup, começaram a fazer piadinhas que eu com certeza ri de todas. Reparei que além do menino grande ficar babando na menina loira, Hiccup também não escondia seu interesse.
—Você gosta dela?- perguntei quando o instrutor deu uma pausa para eles descansarem.
—O quê? Óbvio que não.- falou disfarçando.
—Sério? Não foi isso que eu vi quando você quase ficou pelado para chamar a atenção da menina.- falei irônico.
—Ta. Eu gosto dela um pouco.- falou e corou de leve.
—Sabia.- sorri vitorioso.
—Mas não é para falar para ninguém, escutou?- disse autoritário, apontando para meu rosto.
—Claro Hiccup, claro.- levantei as mãos me fazendo de inocente. Sorri e ele me devolveu com um lindo sorriso mostrando os dentes.
¨¨
Olhei para aquela cena por um tempo e depois dei uma desculpa qualquer para minha mãe. Eu tinha que ir para casa e sair daquele ambiente. Andei com passos largos e nem vi quando já estava na porta de minha casa. Fui às pressas para o meu quarto e fiquei andando de um lado para o outro. Não sei por quanto tempo eu fiquei assim, só sei que deve ter sido muito, pois minha mãe já tinha chegado em casa.
—Jack, tem um menino muito fofo te chamando lá fora.- falou e saiu logo depois.
Sabia de quem ela estava falando, e não queria ir. Mas não podia deixar de não atende-lo. Foi aí que eu entendi o que estava acontecendo. Quer dizer, não é como se eu já não soubesse antes. Eu gosto de Hiccup, e é por isso que eu estou me sentindo mais triste do que com raiva. Algumas peças foram se encaixando, e percebi que eu gosto dele desde muito tempo. Entendi o porquê de querer beija-lo o tempo todo e acho que eu já sabia que tinha esse sentimento por ele, mas achei mais fácil não assumir. E agora tudo estava mais claro, e só precisou de um beijo para eu finalmente entender meus sentimentos.
Demorei de propósito; estava pensando como é que eu falaria com ele. Tenho certeza que quando eu chegar lá, ele vai falar de como foi bom, e isso vai me deixar mais triste. Desci às escadas lentamente e fui em direção à porta.
[...]
—Olá Hiccup.- falou dissimulado.
Achei muito estranho ele me chamar pelo meu nome todo, porque ele raramente chama. Entendi que tinha algo de errado naquele momento.
—Olá Jack.- respondi com uma sobrancelha arqueada demonstrando dúvida.
Um silêncio muito chato pairou no ar depois que eu respondi. Jack estava muito estranho; estava triste e eu não gosto de vê-lo assim. Só pelo motivo de ele estar triste me fez esquecer o porquê de eu realmente estar ali, e como sei que Jack não é muito paciente, tratei de tentar lembrar logo, senão ele iria embora e me deixaria sozinho.
—Jack você está com algum problema?- perguntei com um tom de preocupação, e eu realmente estava preocupado.
—Não.- falou seco.
—É porque você não estava no lago hoje.- expliquei quando vi que ele não pediria por explicação.
—Ah, era para eu estar lá? Eu achei que você iria preferir ficar com outra pessoa.- falou irônico, mas seu sorriso não estava lá como geralmente estaria.
—Ahn? Que pessoa Jack? Eu não sei do que você está falando.- respondi e era verdade.
—Sabe mesmo não?- perguntou e senti sua irritação. Fiz que não com a cabeça.
—Estou falando da loirinha.- fez um ênfase a mais quando falou “loirinha”.
—O quê? Você achou que eu iria preferir ficar com ela do quê com você?- perguntei incrédulo.
—Foi o que pareceu mais cedo.- cruzou os braços e parou de olhar nos meus olhos. Entendi que ele já sabia do beijo.
—Mas por que mesmo você está agindo assim? Pelo que eu sei você e eu não temos nada e você é só meu amigo. E além de tudo, você sabe mais do que ninguém que eu gosto da Astrid.- me irritei.
—É, nem eu sei o porquê de está agindo assim. Eu tenho dó dessa garota, porque, quem é o idiota que iria querer ficar com você? Quem é o idiota que iria querer ter mais alguma coisa com você além da amizade?- gritou. Aquilo que ele disse me machucou e muito, e eu vi que ele sabia que tinha me magoado, vi em seus olhos a decepção. — Vai lá pra sua Atrid vai.
Ele deu meia volta e fechou a porta na minha cara.
—É Astrid.- sussurrei sentindo algumas lágrimas se formarem.
O quê? Não deveria estar triste por causa de Jack. Logo de Jack? Não mesmo. Estufei o peito.
—Eu vou mesmo!- gritei mais alto que conseguia.
Saí de lá chutando tudo que entrava na frente do meu pé por causa de uma discussão que não lembrava mais, só sei que a mesma me deixou muito triste.
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