I want to be much more than your friend.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
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Era um começo de noite. Estávamos deitados perto do lago, lado a lado. Nesse dia, nós passamos a tarde juntos conversando. E como eu sabia que não teria perigo de meu pai brigar comigo quando eu chegasse em casa, decidi seguir a sugestão de Jack e ficar mais um pouco. O homem estava muito ocupado com as coisas de chefe de aldeia ultimamente. O vento batia em meu rosto, e aquela sensação era incrível. Me fazia parecer livre. A noite estava linda, e com Jack ao meu lado não podia existir momento melhor. Mas com o grisalho, todos os momentos eram bons, e eu odeio admitir isso. Estava com os olhos fechados e com um sorriso no rosto sem mostrar os dentes. Olhei para o garoto ao meu lado por um instante, e sua atenção estava fixa no céu. Seus olhos estavam lindos e mais claros, provavelmente por causa da lua. Ele estava tão lindo, e por mais que eu tentasse, não conseguia tirar meus olhos do grisalho. Ele pareceu notar que não parei de olhar para seu rosto, virou a cabeça em minha direção e me olhou também. As minhas trocas de olhares com Jack estavam se tornando muitas, por alguma razão. Naquele momento eu podia ver cada detalhe de seu belo rosto. Me aproximei ficando de lado, não sei porque, e ele sorriu. Me lembrei do beijo... Fazia mais ou menos um mês que aconteceu, e eu tinha falado a mim mesmo que iria esquecer, porém agora era meio que impossível.
—Jack.- chamei olhando para o céu.
—Fala.- respondeu fazendo o mesmo que eu.
—Eu beijo bem?- às vezes eu sou tão idiota! Por quê mesmo eu fiz essa pergunta? Mas agora não tinha volta.
Ele riu de mim por longos minutos com direito a mão na barriga e olhos lacrimejando. Logicamente eu sabia que isso iria acontecer, e mesmo assim perguntei. Mas acho que eu tinha que saber. Ou aquela pergunta era só um pretexto para tocar no assunto do beijo. Não sei.
—Responde logo.- falei e o cutuquei.
—Você quer a verdade?- perguntou ainda sorrindo, e finalmente me olhando.
—É lógico que sim, oras.- respondi um pouco grosso.
—Não.- respondeu a minha pergunta anterior e eu fiquei muito revoltado. Logo me vi levantando em um pulo.
—Ah é?! Aposto que eu beijo melhor que você.- falei mas não sabia se era verdade. Ele também se pôs em pé.
—Até parece Hic. Eu beijo muito melhor que você. Mil vezes melhor.- falou sorrindo e se aproximando de leve.
O olhei com raiva. Estava um pouco nervoso com a sua aproximação, mas não deixei transparecer. Fiquei tentado a pedir outro beijo para poder provar quem beija melhor ali. Porém, não tinha muita certeza se ele também iria querer. E também eu falei que nunca mais iria acontecer, não posso quebrar a minha própria palavra. Ele ainda matinha o sorriso no rosto e eu sabia que era só para me provocar, pois quando o negócio é quem sabe irritar melhor o Hiccup, Jack com toda a certeza, ganha. Droga, eu queria muito beijá-lo. E o grisalho à minha frente sabia muito bem disso, aquele sorriso de canto fala que ele sabe o quê eu estou pensando e o quê eu quero. Meu corpo se mexeu e eu me aproximei mais de seu rosto. Quando estava para tocar meus lábios nos dele, ele virou seu rosto para o lado.
—Achei que nunca mais era para acontecer.- escutei seu sussurro debochado.
Idiota. Dei meia volta.Eu queria ir para bem longe daquele lago, senão algum grisalho por ali sairia bem machucado.
—Até mais Hic.- escutei ele gritar atrás de mim.
Maldito. Por que ele me rejeitou? Eu sabia que ele também queria me beijar. Ou será que não?
¨¨
—Jack, vamos lá na aldeia comigo?- perguntou minha mãe.
—Claro mãe. Mas pra quê a senhora precisa de mim para ir junto?- perguntei.
—Quem disse que eu preciso?- falou irônica bagunçando meu cabelo.
Sorri para ela e levantei do sofá. Minha mãe foi até seu quarto para poder pegar um agasalho. Saímos. Olhei para o céu e o mesmo estava um pouco nublado indicando que o inverno logo chegaria. Nossa caminhada foi um pouco silenciosa, pelo menos, até chegar ao lago. Minha mãe danou-se a fazer perguntas. Queria saber o porquê que eu ia para lá todos os dias e com quem eu ficava. Fiquei um pouco incomodado, mas não deixei ela perceber. Eu nunca falei do Hiccup para ela, assim como ele nunca falou de mim para seu pai. Acho que não havia necessidade, porém sei que minha mãe sabia da existência de Hiccup, só não sabia que era Hiccup.
Chegamos rápido. Pude ver de longe as casas antigas e marrons. Vi algo a mais que não sei porquê me deixou com uma mistura de raiva e tristeza.
[...]
Segurei em sua cintura e fechei meus olhos. Aconteceu tudo muito rápido. Uma hora eu estava tendo uma conversa que julgava que seria rápida com Astrid, noutra hora via ela se jogando para cima de mim, dando início a um beijo intenso. Confesso que foi um beijo não muito bom, quer dizer, comparado ao de Jack, era um beijo estranho e... estranho. Depois de um tempo, ela finalmente me soltou.
—Ahn...- falei colocando uma mão no pescoço. O quê eu deveria falar?- Astrid eu tenho que ir.
Saí de lá o mais rápido possível sem deixar ela responder. Fui em direção à minha casa.
Abri a porta e subi as escadas deixando meu pai falando sozinho. Tranquei a porta do meu quarto e me joguei na cama de braços abertos; encarei o teto. O que eu deveria fazer? Como eu estou me sentindo em relação ao que aconteceu? Pelo que eu sei, eu deveria estar me sentindo radiante. Afinal, era o quê eu queria desde que olhei para Astrid. O problema é que eu não estou sentindo nada, não estou feliz como pensei que estaria. O porque disso eu ainda não sei. Só sei que não me senti completo com o beijo dela. Parecia que com ela sempre vai ter um vazio, que nunca vai ser satisfatório, pelo menos para mim nunca vai ser.
Decidi que iria para o lago. Lá me dá e sempre me dará paz, sem contar que já está quase na hora de encontrar Jack. Desci as escadas recebendo bronca de meu pai por não tê-lo respondido. Não prestei muita atenção, apenas disse que iria sair. Fora de casa, tive um certo cuidado para não encontrar com Astrid, porque além de estar confuso, eu não estava muito a fim de falar com ela. O vento gelado batia em meu rosto e eu sabia que o inverno está próximo. Cheguei no lago e Jack não estava lá. Fiquei preocupado, pois ele sempre chegava primeiro que eu. Decidi esperar um pouco para ver se ele chegava, mas isso não aconteceu. Eu sabia onde era sua casa, mas nunca tinha ido até lá; não tão diretamente. O caminho foi longo, mas finalmente pude ver de longe a casa. Bati na porta e uma mulher muito bonita que julguei ser sua mãe, atendeu.
—Olá você.- falou gentil e sorriu. O mesmo sorriso de Jack.
—Olá você.- falei sorrindo também.- O Jack está aí?
—Claro. Espera só um momento.- falou e entrou logo depois da fala.
Demorou um pouco para que ele viesse. Mas finalmente apareceu. Em seu rosto estava uma expressão que nunca vi antes. Ele demonstrava frieza, raiva e tristeza ao mesmo tempo.
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