I want to be much more than your friend.
11 Capítulo 11
Olhei em seus olhos, e depois que escutei o que ele falou, minha mente nublou, me impedindo de pensar em qualquer outra coisa. Eu sinceramente não sei o dizer, e é isso que Hiccup faz comigo, ele simplesmente me faz não saber de nada em certos momentos. Eu também queria falar como eu me sentia, mas não saía, e ainda tinha o fato de que tudo estava indo rápido demais. Porém, eu não queria que ele pensasse que eu sou indiferente, e que não sinto saudade de sua presença. Era difícil de acreditar em sua afirmação, mas eu sei que não é da natureza de Hiccup ficar brincando sobre algo sério. Então a única coisa que eu falo é:
—Acho melhor continuarmos a cortar a lenha. Depois falamos disso. Hiccup faz uma expressão surpresa, mas concorda logo depois. Talvez ele também ache que as coisas precisam ser mais devagar, o que é um alívio. O clima não está tão tenso como eu achei que estaria, na verdade, está um silêncio confortável; confortável até demais. Fazia pouco tempo que estávamos naquela floresta. Hoje nossa tarefa não foi no campo de treinamento, o que é um pouco estranho, já que nós só a fazemos lá. Nessas quatros semanas, aprendi a gostar dos treinos. A única coisa que era chato, eram as tarefas que Alcis dava para nós, coisas que nem era de nossa responsabilidade. Estava cansado, e não conseguia mais me concentrar no que eu estava fazendo. Meus pensamentos sempre caíam sobre Hiccup, o que ele falou e o que iremos fazer sobre isso. Vi que mesmo tentando afastar tal fala de minha mente, eu não conseguiria, então optei por sentar no tronco mais próximo para poder descansar, e quem sabe depois, voltar ao trabalho. Não demora muito para o ruivo que ainda está em pé, fazer o mesmo. Ficamos assim por algum momento, só recuperando o fôlego e em total silêncio. Alcis interrompe nosso momento de paz.—O que os dois estão fazendo aí sentados?- grita, vindo até nos.—Justamente isso; sentados.- sussurro em resposta, sem olhar para ele. Não estou com muita paciência para as perguntas de Alcis hoje. —Eu ouvi isso, Jack.- fala sério. Ele não gosta que o respondem com desrespeito ou ironia.—Desculpe.- digo, por fim. O homem olhou ao redor, observando o nosso trabalho.—Vejo que vocês conseguiram fazer quase a tarefa toda.- diz, colocando as mãos na cintura. Depois continua, olhando para nós dois.- Como falta pouco, amanhã vocês terminam. Está para virar de costas, quando parece lembrar de algo.—À propósito, filho do chefe, seu pai está te chamando.- diz por último, antes de dar meia volta e sair de nossa presença. Hiccup levanta do tronco, e me olha.—Tenho que ir.- fala.—Tudo bem.- digo, e dou um sorriso pequeno para ele. Dá de ombros, e sai da floresta correndo devagar. Suspiro passando minhas mãos pelo rosto, e levanto indo para a minha casa, sem me importar com os nossos machados que estão ficando para trás, ali no chão. [...] Abri a porta, encontrado meu pai andando de um lado para outro na sala. Falava sozinho; um hábito da qual ele jamais irá dar um fim. Não entendia o que ele pronunciava, e então fiquei parado tentando escutar, mas o homem grande pareceu perceber que estava sendo observado. —Hiccup, entra.- meu pai chamou com a mão. Fiz o que ele falou, e fechei a porta atrás de mim. Não entendia o que estava acontecendo, mas parecia algo importante ou preocupante. Caminho até o meu pai, e paro em sua frente, esperando que ele comece.—Então, está acontecendo coisas muito importantes na ilha, e fora dela.- falou gesticulando com as mãos.- E para resolve-las, eu preciso fazer uma viajem; provavelmente mais longa do que as que eu já fiz. Então você ficará sozinho, por um período. Viajem longa? Por que aquilo agora? —Qual é o motivo da viajem?- perguntei realmente curioso.—Bom, temos que negociar e esclarecer algumas coisas em outras ilhas.- falou. Queria perguntar mais, mas meu pai já mostrava indícios de que sua paciência logo acabaria. —Quanto tempo que ficarei sozinho?- perguntei depois de alguns segundos.—Não sei. Talvez por apenas duas semanas.- respondeu, se distanciando.- Agora tenho que ir fazer os preparativos, pois sairei amanhã. Já? Foi o que eu pensei, mas minha resposta não foi essa.—Tudo bem.- digo, e vou em direção à escada.—Ei.- falou, e eu me virei para olhá-lo.- Por que não chama alguém para ficar com você, huh? Quem sabe, Astrid? Arqueio as sobrancelhas, pensando sobre o que ele falou.—É. Talvez eu chame ela.- ou talvez não. Ele sorri, e sai batendo a porta. [...] Caminhava de um lado para o outro murmurando as palavras ensaiadas na frente do espelho. Não sabia o porquê que eu estava ali, quando poderia ter esperado para o dia seguinte, mas eu estava realmente agoniado para fazer aquilo o quanto antes. Ainda me sentia com a consciência pesada, então achei aquilo a explicação mais lógica do por que eu estava ali no começo da noite. Esfregava minhas mãos uma na outra, sentindo os ferimentos ganhos no treino, e olhava para os meus pés. Meu coração batia rápido, e eu achei aquilo particularmente ridículo, já que o que eu iria fazer não era lá grande coisa. Com o tempo que fiquei andando de um lado para o outro ali, já havia esquecido as palavras ensaiadas na frente do espelho, o que me fez soltar um suspiro frustrado, enquanto praguejava mentalmente. Teria desistido, mas eu não vim até ali no meio da noite por nada, ou para voltar para casa logo depois. Puxei o ar fortemente e o soltei lentamente.
—Vamos lá.- sussurrei para ninguém em particular. Olhei para a porta marrom, e andei até ela. Parei em frente à mesma, e esperei alguns segundos, antes de bater. Três batidas, e esperei pela resposta.—Quem é você?- escutei uma voz grossa atrás de mim. Teria pulado se não estivesse reconhecido o timbre. Virei lentamente, e dei de cara com o homem grande me encarando com uma cara de interrogação.—Meu nome é Jack.- respondi, dando um sorriso sem graça.—Jack? Eu nunca te vi por aqui.- falou, assumindo um semblante pensativo.—Deve ser porque eu não moro por aqui.- falei, tendo a atenção do homem novamente.—E você mora aonde?- disse.—Na floresta.- respondi, apontando em direção à mesma.—Oh! E o que você quer?- perguntou, me puxando para o lugar onde ele estava, e assumindo o meu. Colocou a mão na maçaneta, esperando por minha resposta; parecia com pressa.—Eu sou um amigo do treino de Hiccup. Preciso falar com ele.- expliquei. Não respondeu nada, apenas mexeu na maçaneta, fazendo com que a porta marrom abrisse, e adentrou.—Hiccup!!- gritou, não se importando em fechar a saída. Escutei a resposta do ruivo, mas não entendi o que ele disse. —Desça até aqui!- gritou novamente. Hiccup não respondeu dessa vez. Segundos depois, escutei passos vindos da escada.—Tem alguém te chamando lá fora.- falou para o ruivo.—Alguém?- escutei sua voz confusa, mas não conseguia vê-lo ainda. O homem grande não respondeu. Olhei para o chão, esperando que Hiccup chegasse. Não percebi quando o ruivo o fez.—Jack?- escutei, e olhei para cima novamente. Sua expressão de surpresa estava um tanto engraçada, e embora eu quisesse rir, não fiz isso. Tinha uma toalha em seu ombro esquerdo, e seu cabelo pingava, então cheguei à conclusão de que ele havia acabado de sair do banho. Estava de shorts, e uma blusa verde.—Hey. Eu quero te pedir desculpas por ter sido rude com você mais cedo.- falei colocando minhas mãos nos bolsos de meu blusão.—Oh! Não se preocupe com isso, minha resposta também seria a mesma. E você não foi rude não.- falou, coçando a nuca.—Na verdade, era para eu ter dito que também sentia sua falta, mas acabei falando aquilo.- falei, também coçando minha nuca e olhando para o chão por alguns segundos. Hiccup ruborizou de leve, me fazendo dar um risinho. O silêncio se instalou, e por causa dele, passei a encarar meus pés. Estava bastante desconfortável, então logo decidi falar algo.—Bom, era só isso. Boa noite.- digo, e dou meia volta. Caminho uns três passos, e ele me interrompe.—Ei, era só isso que você queria?- perguntou. Me virei para olhá-lo.—Pois é. Ridículo não?- falei, e achei que era realmente melhor que eu esperasse até amanhã; não precisava ter vindo até a casa dele para falar somente aquilo. Que idiota eu fui...—Não, na verdade, gostei de sua atitude.- respondeu sorrindo.—Valeu. Boa noite, Hiccup.- retribui o sorriso, incomodado por não falar seu apelido. —Tchau, Jack.- disse, se distanciando para fechar a porta. Dei de ombros, podendo finalmente fazer o caminho de volta para casa, e aliviando minha consciência pesada.
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