I want to be much more than your friend.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
–Mas que merda Jack! Por quê fez aquilo?!- gritava com o menino de cabelos brancos do meu lado.
–Ei, com assim fez aquilo?- perguntou calmo e como sempre, irônico.
–Nem vem com como assim Jack. Você sabe muito bem o quê fez.- falei fuzilando-o com os olhos.
–Eu só fiz o quê você anda louco para fazer, mas não tem coragem.- respondeu bem na hora que uma garota passou do seu lado e o olhou como se fosse um pedaço de carne, o que acontecia muitas e muitas vezes por dia, e como sempre Jack não deu à mínima para a menina.
–E quem disse que é por falta de coragem? Eu posso muito bem ir falar com ela quando eu quiser.- afirmei, mas bem no fundo, eu e ele sabia que não era verdade. Aliás, principalmente ele.
–Sei Hic. Desde que eu te conheço, você fala dessa loira, mas não faz nada. Se não fosse por mim hoje, ela ia morrer sem te conhecer. Então por quê não para de falar e me agradece para variar?- olhou para mim esperando que eu fosse mesmo agradecer. Até perece.
–Jack, a única coisa que você fez, foi me jogar para cima dela. Nós nem trocamos três palavras direito, então não tenho motivos para te agradecer.- falei um pouco indiferente.
–Mas se você fosse esperto o suficiente, teria falado mais alguma coisa com ela. Não posso fazer nada se você ficou lá parado com a boca aberta.- respondeu sorrindo.
–Ai, cala essa boca Jack.- fiz uma cara brava e cruzei os braços, mas não conseguia ficar bravo com Jack por muitos segundos. Logo me vi sorrindo.- Te vejo mais tarde?
–Claro Hic. Vê se para de ser tão tímido, e fala mais da próxima vez que esbarrar "acidentalmente" na loirinha.- sorriu sacana.
–Maldito.- falei vendo ele se distanciar.
¨¨
Chutava tudo que estava na frente do meu pé. Estava com muita raiva, pois acabei de ter uma discussão com o meu pai por um motivo que não lembrava mais. Sempre ia caminhar para o meu lugar quando algo assim acontecia ou só para poder pensar, respirar, me desligar dos afazeres da vila. Descobri aquele lugar por acaso em uma das minhas caminhadas relaxadoras. O lugar mais lindo que eu já pude conhecer, tinha um lago, árvores e um clima muito agradável de paz. É claro que o lago ficava congelado a maior parte do ano, mas congelado ou não ele é igualmente lindo.
Demorei um pouco para chegar, pois andei lentamente por causa de meus pensamentos. Não sei para onde estava olhando ou aonde minha mente estava, só sei que tropecei no sei lá o quê e já estava com a cara na grama verdinha.
–Merda.- sussurrei tentando me levantar. Teria xingado mais, porém uma risada agradável me distraiu.
–Há há há. Devia ter prestado mais atenção por onde coloca o pé.- ouvi a sua voz. Olhei para o meu lago, onde ele estava sentado à beira.
Um garoto de cabelos muito brancos, pele igualmente branca, olhos azuis que nunca vira antes e lábios rosados. Devo admitir que ele era muito atraente, mas por quê mesmo eu estava reparando se ele é ou deixa de ser bonito? Balancei a cabeça espantando os pensamentos. Foco Hiccup, foco.
–O quê pensa que está fazendo perto do meu lago?- perguntei e terminei de levantar
–Oh, me desculpe, não sabia que ele tinha dono.- falou sarcástico sorrindo naturalmente.
–Como chegou até aqui?- me aproximei dele.
–Vim flutuando.- respondeu contendo o riso.
–Nossa, como você é engraçado! Pena que eu não achei graça.- falei irônico.
–Isso se dá porque você não tem senso de humor. Se tivesse, iria rir com toda a certeza.- se levantou. Observei ele por alguns minutos.
–Você mora na aldeia, senhor engraçadinho?- perguntei.
–Não, eu moro um pouco distante do seu lago.- respondeu o senhor engraçadinho.
–Deve ser por isso que nunca te vi, nem mesmo seu rosto me parece familiar. Você já veio outras vezes aqui no meu lago?- perguntei. Será que eu dividia esse lugar com ele sem saber?
–É a segunda vez que eu venho por aqui. Minha vez de fazer perguntas, por quê estava chutando até a terra que entrava em sua frente?
–Briguei com meu pai. Você mora faz muito tempo perto do meu lago?
–Moro desde pequeno, porém decidi vir só agora. Mas eu já sabia de sua existência, o quê também torna o lugar meu.- falou o grisalho.
–Mas eu que tive a iniciativa de vir a ele, ele é mais meu do quê seu.- respondi, mas não queria começar uma briga. Já basta brigar com meu pai.
Nossa tarde pode se dizer que foi baseada em perguntas e respostas. Quando menos percebi, estava rindo e me divertindo ao lado do senhor engraçadinho. Nós ficamos falando sobre nossas vidas, me senti à vontade com ele, e apesar de ter acabado de conhecê-lo, eu sentia que podia me abrir e ser eu mesmo ao seu lado. E foi fácil assim, pude ver que tinha feito pelo menos uma amizade. E o engraçado era que, aconteceu naturalmente, sem pressão.
–Eu tenho que ir, aposto que meu pai já deve ter mandado a vila toda pra vir atrás de mim. E quero evitar discutir mais uma vez com ele.- falei.
–É melhor eu ir também, está ficando tarde.- se levantou e deu de ombros sorrindo, começou a caminhar para o lado oposto da qual era minha casa.
–Ei.- chamei e ele me olhou.- Você tem outro nome além de senhor engraçadinho?
–Jack. Jack Frost.- sorriu de canto.
–Até à vista Jack.- me virei começando a andar lentamente.
–Ei, você não me disse o seu.- falou Jack. Olhei para ele.
–Hiccup Haddock.- falei. Ele riu alto e eu rodei os olhos. Já estava acostumado com esse tipo de reação das pessoa ao escutar meu nome.
Deixei ele rindo sozinho do meu nome e fui para casa. Não pude evitar um sorriso bobo no rosto lembrando da tarde que passei. Quando percebi que estava sorrindo, tratei de tirar ele do meu rosto, afinal era só uma pessoa e é normal conhecer pessoas. Mas mesmo assim, era bom ter conhecido alguém.
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