I want to be much more than your friend.
37 Bônus- Acceptance
Notas iniciais
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Sua voz brinca em minha mente, parecendo fazer se propósito ao repetir, me deixando quase incomodado demais. E esta vem na mesma frase de sempre: Meu nome é Jack. Meu nome é Jack. Meu nome é Jack. Meu nome é Jack. Meu nome é Jack.
–Jack...- sussurro vago, ao que olho estático para o teto marrom escuro.
Eu me sinto agoniado com aquilo tudo. É uma agonia que me faz querer andar de um lado para o outro, ou até mesmo gritar. Mas estou muito cansado para sequer levantar da cama, uma vez que ainda escuto a música vinda da rua principal.
Acho incrível que eles ainda tenham ânimo, ao que é a terceira noite em que estão festejando a guerra vencida. Era para eu estar lá, os fazendo companhia. Todavia, não aguentava mais de tanto cansaço. Mas até parece que aquele era o principal motivo para querer ir para casa mais cedo do que o previsto. Não era.
Então, escuto mais uma vez sua voz em minha mente. Jack. Voz essa que não me deixa dormir. Voz essa que, mesmo que esteja exausto, me faz refletir sobre o moreno, ao que também me obriga a reviver o passado.
Eu não sei exatamente o que pensar. Parece tudo muito óbvio, mas ao mesmo tempo inacreditável, e até absurdo. Aquilo tudo era muito estranho.
Eu não queria acreditar. Tentava me convencer que era mera coincidência, e que os nomes iguais só serviam para me lembrar dos anos antigos, como um fantasma. Porém, mesmo não querendo assumir, seus rostos estão em minha cabeça e, a cada segundo que sou obrigado a ter a maldita insônia, consigo perceber claramente suas semelhanças.
Sinto raiva, e em grande quantidade. Raiva porque a medida que o tempo passa, os pontos vão se ligando. Eu lembro das histórias que foram contadas na rua principal, em volta da fogueira, ao qual escutava indiretamente. Lembro das noites que meu pai se deitava ao meu lado, e as descrevia para mim, mesmo que com mais detalhes e efeitos especiais. E na época imaginava ser só faz de conta, e assumo pensar isso até hoje. Até essa noite.
Essas histórias falavam de pessoas que se tornavam "heróis" depois que morriam. Elas podiam ou não aparecer para o mundo, ou apenas cuidavam dele em segredo, estando todos os dias ao lado de muitos. Invisíveis.
E uma vez que lembrei desses contos, não deixei de associar com ele. Então, minha mente sempre se voltava para seu nome, e sua semelhança com Jack Frost.
Será?
Realmente parecia tudo muito, muito óbvio. Mas como já disse, inacreditável demais. Inacreditável a ponto de me fazer afirmar que era impossível.
De qualquer forma, eu estava cheio. Cheio de pensar, de me convencer que era mentira, isso porque estava na cara que aquilo não podia ser somente coincidência.
Seus nomes iguais não era coincidência. Seus traços parecidos não era coincidência. Seus jeitos demasiadamente idênticos de falar não era coincidência. E a mesma cor de seus olhos não era mesmo coincidência.
Então, os dois serem a mesma pessoa era possível. Mas uma vez que me permiti assumir a ideia em minha mente, que me permiti acreditar naquilo, não deixei de sentir meu coração batendo mais rápido, ou sentir não saber o que pensar, não saber o que fazer.
Mesmo que fosse a mesma pessoa... Mesmo que aquele fosse o Jack, o meu Jack de anos atrás, ele não parecia saber quem eu era. Ele claramente não sabia quem eu era.
É claro que ainda tinha sentimentos dentro de mim, já que Jack significou algo muito grande em minha vida. Eu superei sua morte, todavia sei que não o esqueci ainda. Sei que nem mesmo iria. Então, pensar que ele poderia estar em minha vida novamente, mas que não sabia quem eu poderia ser, doeu bastante em meu coração.
–Droga!- sussurrei alto demais, ao que tirei o cobertor de cima de meu corpo, e rapidamente sentei na cama.
Alcancei o chão, quando sem pensar fiquei em pé. Passei as mãos pelo cabelo, ao que andei com passos determinados até a porta do quarto.
Me incomodei de prontidão com a escuridão que se apossava do corredor, ao que parei de andar com pressa, apenas tendo consciência de que poderia cair da escada se continuasse a caminhar sem prudência, já que não enxergava muita coisa.
Meus olhos se acostumaram aos poucos com o ambiente, ao que não demorei muito para enxergar a escada. Fiz certo barulho quando descia os degraus rapidamente e logo andei até a cozinha, também escura.
Com a pressa que estava, acabei por bater meu pé direito em uma cadeira, que ate então eu não sabia que se encontrava ali. Então, praguejei aos deuses, ao que massageei meus dedos levemente, esperando que a dor passasse.
Levantei novamente, agora olhando totalmente para o chão, tendo medo de que mais alguma coisa acontecesse comigo, ou de trombar com algo maior que uma cadeira.
Logo alcancei o pequeno copo de barro e o enchi de água, tomando goles grandes e rápidos, o que me levou a ficar demasiadamente sem ar. Não demorei para bater com o copo em cima da pia, e apoiar com as mãos ali também, ao que abaixei a cabeça e fechei os olhos.
Suspirei pesado e longamente e em minha mente, eu só me vinha a seguinte frase ou questionamento:
–O que eu vou fazer?
Minha voz pareceu ficar muitos e muitos segundos no ar, ao que apertei forte o copo em minha mão. Então o soltei na pia, logo dando de ombros e caminhando novamente até a escada, ao qual subi sem interesse algum.
Já me via caminhando no corredor, ao que encarava o suporte na perna esquerda, tendo alguns pensamentos sobre o que me levou a usá-lo, e consequentemente esses pensamentos me levaram à Jack.
Sim, parece que tudo o que faço ultimamente me leva à ele, e ao moreno com o mesmo nome.
Afastei alguns fios que estavam incomodando em frente dos olhos, quando entrei no meu quarto novamente.
De imediato, parei de andar ao vê-lo sentado ao parapeito, ao que logo seus olhos vieram em minha direção. E então, logo vi seu sorriso mostrando os dentes.
–Pensei que tivesse voltado para a festa.- ele disse, assumindo somente um sorrisinho simples.
Eu logo senti um nervosismo estranho. Meu coração batia forte e minhas pernas pareciam fracas, mas de qualquer forma permaneci em pé.
Sei que estava calmo por fora, mas por dentro me encontrava gritando e não demorei para perceber ser a primeira vez que nos víamos depois que ele me disse seu nome, e que eu me permiti assumir saber quem ele era.
Quer dizer, o moreno estava bem ali em minha frente. Ele afirmava e até jogava em minha cara tudo o que eu antes estava matutando ali naquela cama.
Agora parando para o observar direito, via todas as partículas de seu corpo e me perguntava como eu não havia descoberto antes. Eles com toda a certeza tinham muitas coisas em comum, a não ser o cabelo e alguns pequenos detalhes à parte.
Todavia, eu reconhecia seu olhar dissimulado. Reconhecia os poucos traços em seu rosto. Reconhecia o sorriso, que mesmo tendo uma tendência diferente hoje, era o mesmo que acabava por ficar de lado, como se estivesse debochando de todos ao redor, ainda que não tivesse realmente.
Mas não deixei de observar que também existia dissemelhança.
O corpo do moreno à frente estava diferente. Ele com certeza estava maior. Sua expressão ao me encarar não era a mesma de anos atrás. Seus olhos pareciam hipnotizar, ainda que dessem certo medo. Seu sorriso, assim como havia reparado há pouco, também tinha um ar aterrorizante e com mais ironia, ao que seu próprio corpo esbanjava essa mesma coisa.
Eu tinha noção que, ainda que se eu estivesse certo e aquele fosse o Jack, ele não era a mesma pessoa. E... reconhecer isso, fez com que qualquer animação sobre o assunto sumisse imediatamente.
Não que eu estivesse animado com a descoberta, eu só... Não sabia mesmo o que pensar sobre isso e agora o vendo perto o bastante depois que juntei os pontos, piorava drasticamente minha situação.
Passou-se um tempo depois de sua fala e ainda encarava seu rosto, ao que o moreno permaneceu imóvel também me olhando. Todavia, percebi quando o mesmo se endireitou com os dois pés no chão, ao que passou seus olhos rapidamente pelo meu corpo e arqueou as sobrancelhas.
–Como assim você ainda não me expulsou?- perguntou, ao que começou a dar passos leves em minha direção.
Eu olhava para seus pés caminhando reto até onde estava e sabia que não iria me mover, mesmo que quisesse.
O moreno já se encontrava em minha frente, ao que me rodeou, chegando bem perto de meu rosto quando parou novamente na mesma posição que chegou.
Eu respirava minimamente, apenas tendo cuidado para que minha respiração não fizesse barulho em meio àquele silêncio, o que me fez ficar com falta de ar depois de alguns segundos.
–Sabe, você anda estranho e sei que não é a bebida. Pelo menos... não mais.- então, chegou mais perto, ao que seu rosto estava próximo de meu ombro e cheirou ali, me fazendo prender o ar.- É... Não está fedendo à vinho.
Ele soltou um risinho visivelmente debochado, enquanto novamente percebi seus olhos me encarando quando já tinha saído de perto. E mais do que antes, reconheci a cor rara. O mesmo azul estava lá.
Era ele.
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