I wanna be yours

1 Quem está vivo sempre aparece


Pov. Annabeth

—Você quer o que?

Percy me olhou nos olhos e respondeu:

—Um tempo, apenas isso, algumas semanas para pensar…

—Meu cu um tempo! Ou a gente termina, ou continua. Não, quer saber! Eu é que não quero mais nada com você. Pode ir embora.

Ele me olhava surpreso e assustado, já devia estar acostumado com meu jeito um pouco estressado, mas nada muito exagerado.

—É exatamente por isso que eu quero um tempo, você é muito estressada, sempre sai berrando por qualquer coisa!

—Claro que não, porra!

Ele respirou fundo, olhou para mim e disse:

— Ontem mesmo, a moça esqueceu de tirar o picles do lanche e você o tacou na cara dela, Annie você tem que tratar seu temperamento.

— Por que você não trata essa sua falta de rola e termina esse relacionamento direito? — respondi claramente pensando em cada palavra em que dizia antes de pronunciá-las.

—Está bem, então acabou, não é? — ele perguntou com lágrimas nos olhos.

A ficha caiu, e toda a raiva e palavrões se foram. E fiquei sem palavras, odiava ver nosso relacionamento de dois anos ir por água abaixo, concordei com a cabeça e saí andando para ele não ver meus olhos marejados, eu nunca havia chorado na frente dele, e aquela não seria a primeira vez.

Dois anos depois

Ah, a faculdade. Já não era mais caloura, então era frequentemente convidada para festas e essas coisas. Confesso que aquele primeiro ano foi bem traumático, com tudo novo, mas tive de viver essas experiências para crescer e tudo mais. Além de estar tomando calmantes leves para o meu problema com o estresse, que hoje em dia eu confesso ter. Além do mais agora sou adulta, independente, segura de si! E é claro, muito madura...

Enfim, um novo ano estava para começar e calouros para humilhar. Mas é claro que eu não faria isso.

Cheguei na escola junto com os outros veteranos, e fui para a diretoria pegar meu horário, a diretora orientava os alunos transferidos e foi então que eu vi os olhos verdes que despedaçou meu coração anos antes, ele deu um sorriso amarelo para mim, e dei uma de falsiana e sorri de volta. Aquele puto, era melhor ele ficar bem longe de mim, se não vou dar com os dois pés no pulmão dele!

Cheguei com aquela cara de bunda, e sentei com meus amigos, Luke veio e me deu um beijo na bochecha. Ele tinha cabelos cor de areia e uma cicatriz no rosto que eu já nem notava depois de anos de amizade, Percy sempre teve ciúmes dele, mas éramos como irmãos.

—Por que essa cara Annie? — perguntou ele preocupado.

—Aquele merdinha do Perceu veio estudar aqui — falei amargamente.

Ele revirou os olhos, segurou meus ombros e disse:

—Não vá se irritar, sua gastrite vai atacar de novo, tomou seu remédio hoje, porque você sabe..

—Ai, cala a boca Luke! Eu não vou me estressar com ele, nem perceber que ele andou malhando, porque se tu ver os braços dele, meus deuses!

—Agora eu que vou mandar você calar a boca, não sou obrigado a te escutar falar de macho. Pra isso que você tem a Thalia.

Revirei os olhos e fui tomar meu remédio.

—Não sabia que você estava doente.

Falou uma voz estúpida de um moleque estúpido.

—Isso não é da sua conta, não é mesmo? — respondi olhando em seus olhos cor do mar — Mas enfim, como anda a vida, Cabeça de Alga? Se é que eu posso te chamar assim.

O porquê de eu estar falando com ele, era um mistério, mas quando percebi, já tinha aberto a boca. Que merda.

—Não me importo, se você não se importa de eu te chamar de Sabidinha. — ele disse rindo. Só podia estar tirando uma com a minha cara.

—Claro que não — eu disse sem pensar. Não tinha pensado mesmo, acho que alguém me abduziu, como em A hospedeira, e tomou conta do meu corpo, pqp.

Não estava resistindo a aqueles olhos, ou ao cabelo, perfeitamente desarrumada, ou ao corpo recém-malhado.

—Bom, tenho que ir para a aula — ou melhor fugir daqui, pensei — a gente se fala depois.

Ele pareceu desapontado, mas foda-se, quem é que está com a bandeira, senhoras e senhores? Euzinha aqui.

-Ah, claro, vai lá.

Fui andando em direção ao Luke, que estava com um enorme ponto de interrogação na cara. E não entendeu meu sorriso triunfante no rosto.

—Não vou nem perguntar, você que se vire.

Olhei com um olhar de “relaxa aí” e o acompanhei até a sala.

Pov. Percy

Ver a Annie mexeu comigo, não pensei que ainda me sentia assim em relação a ela. Tive outros relacionamentos, mas normalmente era só transa sem compromissos.

Lembrar de como era com ela, me deu até um frio na barriga, suas piadas, suas grosserias e principalmente seu sorriso que me fazia perder o chão. Ai como me fazia falta. Eu voltaria a conquistá-la.

Ela parecia mais madura, mas indiferente em relação a mim, o que doía, mas tudo tem seu jeito. Era só eu pensar bem, além do mais tenho várias canções que fiz para ela… Espera, eu realmente disse isso? Era apenas um ou dois cadernos, nada de mais.

Só sei que, ela não vai me escapar de novo.

Notas finais
"Sempre tem alguma coisa errada Às vezes o que sobra é o que nos falta Algo que não vemos, não sentimos Tudo que não temos, mas nos fingimos"